Considerando o aspecto econômico acerca da evolução da administração pública no Brasil, o modelo burocrático foi amplamente influenciado pelo crescimento
- A)da oligarquia.
Errada, porque oligarquia remete ao poder concentrado de grupos dominantes, mais ligado ao patrimonialismo do que ao fortalecimento do modelo burocrático.
- B)do clientelismo.
Errada, porque clientelismo é justamente um traço típico do patrimonialismo, baseado em favores e relações pessoais, e não do padrão burocrático racional-legal.
- C)da meritocracia.
Errada, porque a meritocracia é uma característica interna da burocracia, mas não o fator econômico que impulsionou sua evolução.
- D)da agricultura mercantil.
Errada, porque a agricultura mercantil se associa mais à economia tradicional e rural, não ao cenário que favoreceu a burocratização do Estado.
- E)do capitalismo industrial.
Certa, porque o modelo burocrático foi fortalecido no contexto de expansão do capitalismo industrial, que exigiu maior racionalidade, controle e impessoalidade na gestão pública.
Gabarito: E
A evolução da administração pública no Brasil costuma ser cobrada em três fases clássicas: patrimonialista, burocrática e gerencial. No modelo burocrático, a ideia central era quebrar o velho jeitinho patrimonialista, trazendo regras, cargos estáveis, hierarquia, impessoalidade e seleção por mérito. Em outras palavras: sair da lógica do favor e entrar na lógica do procedimento. No aspecto econômico, esse modelo apareceu ligado à mudança de um Estado mais próximo de uma economia agrária e tradicional para uma realidade de expansão urbana e industrial. O crescimento do capitalismo industrial exigiu uma máquina pública mais previsível, racional e organizada, capaz de lidar com tributos, regulação, serviços e maior complexidade social. Por isso, o gabarito é a letra E. A burocracia não nasce para celebrar a velha elite rural nem para reforçar clientelismo; ela surge justamente para responder às demandas de uma economia capitalista em expansão, com mais mercado, mais Estado e mais necessidade de controle administrativo. Esse é o tipo de associação que a FGV adora: modelo administrativo + contexto econômico + palavra-chave histórica. Em termos doutrinários, essa leitura é compatível com a clássica visão de reforma do Estado no Brasil, especialmente a passagem do patrimonialismo para a burocracia inspirada em Weber, e depois para a administração gerencial, como destacam autores como Bresser-Pereira e a literatura de administração pública.