Na gestão de redes de políticas públicas, a noção de comunicação expande-se para além das funções tradicionais. Por exemplo, na gestão da política de saúde, instrumentos clássicos de comunicação como boletins internos, ofícios e e-mails deixam de ser suficientes para lidar com a complexa necessidade de comunicação de organizações públicas e privadas, nas esferas federal, estadual e municipal. Conforme descrito, o impacto da noção das redes de políticas públicas sobre a comunicação ocorre em função da
- A)autoridade e integração de cima para baixo.
Errada, porque redes de políticas públicas reduzem a lógica de comando de cima para baixo e aumentam a cooperação entre atores.
- B)centralização das decisões e controles.
Errada, porque a comunicação em rede depende de descentralização e articulação, não de maior centralização e controle.
- C)expansão das relações interorganizacionais.
Certa, pois as redes ampliam as relações entre organizações e exigem comunicação entre múltiplos atores públicos e privados.
- D)hierarquia e normas racionais-legais estreitas.
Errada, porque a ideia de rede enfraquece a rigidez da hierarquia e da comunicação estritamente burocrática.
- E)formulação estratégica e metas pelo governo central.
Errada, porque a formulação de metas pelo governo central não explica a comunicação em rede, que é mais distribuída e interorganizacional.
Gabarito: C
Em políticas públicas em rede, a comunicação não fica restrita aos canais burocráticos clássicos. Ela passa a ser um instrumento de coordenação entre vários atores que precisam atuar juntos, como órgãos federais, estaduais, municipais, hospitais, entidades privadas e até organizações sociais. Em vez de apenas “passar recado”, a comunicação precisa articular interesses, alinhar fluxos de informação e permitir cooperação entre vários nós da rede. Na prática, isso significa que boletim interno, ofício e e-mail continuam existindo, mas não dão conta sozinhos do problema. A lógica de rede exige troca constante de informações, negociação e interação horizontal, porque ninguém resolve tudo sozinho e a política pública depende da conexão entre instituições diferentes. Por isso, a questão acerta ao destacar a expansão das relações interorganizacionais. O impacto da noção de redes de políticas públicas sobre a comunicação aparece justamente porque a comunicação deixa de ser apenas intraorganizacional e passa a ser um mecanismo para conectar organizações públicas e privadas em múltiplos níveis de governo. Esse raciocínio conversa com a literatura de governança em rede, muito usada na Administração Pública contemporânea: menos comando unilateral, mais articulação entre atores. Em saúde, isso é ainda mais visível, porque o SUS e suas interfaces com prestadores e parceiros tornam a comunicação um trabalho de costura permanente, não de simples despacho de expediente.