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Administração Pública · FGV · 2023

Questão comentada de Administração Pública

Para a adequada implementação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em seu município, um gestor municipal se deparou com preocupações relativas à governança e à prestação de contas dos resultados das ações. Para tal, enfrentou um conjunto de dificuldades conceituais e operacionais dessa política pública, que é multinível e envolve diferentes atores-chave. Decorrido o primeiro ano após implantar o modelo de governança e de prestação de contas, o gestor percebeu que essa implantação não foi efetiva. Considerando se tratar de política pública descentralizada, o fracasso do modelo de governança e prestação de contas da pode ser atribuído a sua decisão de

Gabarito: E

Governabilidade, governança e accountability aparecem bastante quando a banca quer testar se voce entende que política pública descentralizada não funciona no modo "manda quem pode, obedece quem tem conta a prestar". No SUAS, a lógica é de gestão descentralizada e participativa, com cooperação entre União, estados, DF e municípios, além de controle social. Isso exige coordenação, definição de responsabilidades, transparência, monitoramento e prestação de contas dos resultados. O ponto central aqui é que, em uma política como o SUAS, não faz sentido concentrar as decisões sobre as ações junto aos usuários em um único nível de governo. A própria estrutura do sistema depende de repartição de competências e de decisões tomadas de forma articulada, respeitando a autonomia local e a lógica federativa. Centralizar demais quebra o desenho da política e enfraquece justamente a governança que se queria fortalecer. Por isso, o fracasso do modelo de governança e de accountability pode ser atribuído à decisão de providenciar regras para a centralização das decisões quanto às ações junto aos usuários. Isso contraria o caráter descentralizado do SUAS, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/1993) e organizado pela lógica de cooperação federativa e controle social. Em vez de aproximar a gestão do território e do cidadão, a centralização tende a engessar a execução e a reduzir a efetividade. Na prática, o gestor caiu na tentação do "controle total", mas em política pública multinível isso costuma dar errado. Governança boa aqui é coordenação, clareza de papéis, transparência e capacidade de gestão compartilhada, não concentração decisória.

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