O empreendedorismo governamental, um conceito de forte influência na construção do Estado Moderno, parte do princípio de que os modelos convencionais de Administração Pública não são adequados para a sociedade. Assinale a opção que apresenta corretamente preceitos do empreendedorismo governamental.
- A)O poder deve ser incorporado pela comunidade, oferecendo possibilidade de participação dos cidadãos no governo.
Correta, porque o empreendedorismo governamental defende participação social, descentralização e empoderamento da comunidade na gestão pública.
- B)As atividades da Administração Pública devem ser orientadas essencialmente, pela utilização de regras e regulamentos em escala sistemática.
Errada, porque a ênfase em regras e regulamentos é marca da burocracia tradicional, não do modelo empreendedor.
- C)O governo deve participar diretamente no provimento de bens para a sociedade, por meio da estatização de setores pouco atrativos para a iniciativa privada.
Errada, porque o empreendedorismo governamental não prioriza estatização, mas sim flexibilidade, parcerias e foco em resultados.
- D)A autoridade governamental deve ser centralizada, permitindo ganhos de escala na realização das atividades.
Errada, porque a centralização vai na contramão da descentralização e da autonomia típicas da gestão pública empreendedora.
- E)A atuação do governo deve priorizar a detecção e a correção de problemas, em vez do enfrentamento por meio de práticas preventivas.
Errada, porque o modelo empreendedor valoriza atuação preventiva, inovação e solução de causas, não apenas correção tardia de problemas.
Gabarito: A
O empreendedorismo governamental, muito associado a Osborne e Gaebler, critica a Administração Pública tradicional, que costuma ser pesada, centralizada e mais preocupada com controle do que com resultados. A ideia central é administrar o Estado com mentalidade de gestão, buscando flexibilidade, inovação, participação social e foco no cidadão, quase como quem troca a prancheta burocrática por um mapa de rota mais inteligente. Nesse modelo, o governo não aparece como dono de tudo nem como uma máquina engessada. Ele deve estimular a cooperação, descentralizar decisões, envolver a comunidade e agir de forma mais criativa para resolver problemas públicos. Em vez de só mandar, controlar e carimbar, a lógica é mobilizar atores sociais e usar instrumentos mais ágeis para produzir valor público. Por isso, a alternativa A está correta: incorporar o poder pela comunidade e ampliar a participação dos cidadãos é um traço típico do empreendedorismo governamental, que valoriza empoderamento, parceria e participação social. Isso conversa com a doutrina da Nova Gestão Pública e com a visão de governo orientado para resultados e para o cidadão. As demais alternativas descrevem exatamente o contrário: burocracia clássica, centralização, estatização e atuação reativa. Ou seja, elas soam até “certinhas” para um Estado antigo, mas não para um governo empreendedor.