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Administração Pública · FGV · 2023

Questão comentada de Administração Pública

Uma discussão central da reforma do Estado está associada ao papel atribuído para que o interesse da coletividade seja alcançado. Em um continuum de modelos de ação atribuídos ao Estado, há aqueles que defendem que o Estado deve “articular um novo modelo de desenvolvimento que possa trazer para o conjunto da sociedade brasileira a perspectiva de um futuro melhor. Um dos aspectos centrais desse esforço é o fortalecimento do Estado para que sejam eficazes sua ação, no quadro de uma economia de mercado, bem como os serviços básicos que presta e as políticas de cunho social que precisa implementar [...] este deixa de ser o responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social pela via da produção de bens e serviços, para fortalecer-se na função de promotor desse desenvolvimento.” (Brasil, PDRAE, 1995, p. 6-12). O trecho acima remete a uma noção de Estado

Gabarito: D

O trecho do PDRAE de 1995 é bem característico da reforma gerencial do Estado no Brasil. A ideia não é um Estado que faz tudo sozinho, nem um Estado ausente, mas um Estado que organiza, coordena e induz o desenvolvimento, deixando a produção direta de bens e serviços em segundo plano quando isso puder ser feito com mais eficiência por outros atores. Perceba a palavra-chave: promover e não executar diretamente. Isso combina com a noção de Estado regulador, que atua criando regras, supervisionando, fiscalizando e orientando o mercado e as políticas públicas para atender ao interesse coletivo. É exatamente essa virada que aparece no texto: o Estado fica mais forte na sua capacidade de coordenar, regular e garantir serviços essenciais. Na reforma gerencial, o Estado passa a priorizar eficiência, resultados e foco nas funções típicas de governo. Por isso, ele não desaparece, mas muda de papel: sai da postura de produtor direto e entra na de promotor e regulador do desenvolvimento. Esse é o sentido do PDRAE, formulado no contexto da reforma do aparelho do Estado conduzida no governo FHC. Em resumo, o enunciado descreve um Estado que não centraliza tudo, não adota liberalismo puro e não volta ao planejamento rígido da economia. Ele regula, coordena e induz. Por isso, a alternativa D é a correta.

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