A avaliação ex ante é um trabalho de investigação das possíveis consequências de cada alternativa com objetivo de trazer informações que ajudem o processo decisório de política pública. Existem duas tradições de avaliação ex ante: a análise racionalista e a análise argumentativa. Sobre a avaliação ex ante, assinale (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A análise racionalista privilegia a investigação de evidências quanto aos custos e benefícios de maneira estruturada. ( ) A análise argumentativa utiliza prevalentemente projeções e predições. ( ) A análise racionalista usa método de conjecturas para a avaliação ex ante de alternativa de política pública. As afirmativas são, respectivamente,
- A)F, V e F.
Errada, porque inverte a lógica das abordagens ao tratar a análise argumentativa como se fosse a principal usuária de projeções.
- B)F, V e V.
Errada, porque a terceira afirmativa também está incorreta: a análise racionalista não se baseia em conjecturas.
- C)V, F e F.
Certa, pois a primeira é verdadeira e as duas seguintes são falsas.
- D)V, V e F.
Errada, porque a segunda afirmativa não é verdadeira e a terceira também não.
- E)V, F e V.
Errada, porque a segunda afirmativa continua invertida e a terceira também está incorreta.
Gabarito: C
A avaliação ex ante acontece antes de a política pública ser implantada. A ideia é simples: antes de gastar tempo e dinheiro, você tenta enxergar os possíveis efeitos das alternativas e escolher com mais segurança. É como testar o mapa antes de pegar a estrada. Na literatura de políticas públicas, aparecem duas tradições importantes. A análise racionalista é mais “planilha e evidência”: compara custos, benefícios, efeitos esperados e usa um raciocínio mais estruturado, próximo da análise custo-benefício. Já a análise argumentativa valoriza o debate, os argumentos e a construção de consenso entre atores, sem se apoiar principalmente em projeções matemáticas ou previsões técnicas. Por isso, a primeira afirmativa é verdadeira: a análise racionalista realmente privilegia a investigação estruturada de custos e benefícios. A segunda é falsa, porque projeções e predições são traço mais associado à abordagem racionalista, e não à argumentativa. A terceira também é falsa: a análise racionalista não usa “método de conjecturas” como base, mas sim exame sistemático de evidências. Resultado: V, F e F, que corresponde à alternativa C. Esse tipo de distinção entre avaliação ex ante racionalista e argumentativa aparece na doutrina de avaliação de políticas públicas e é cobrado pela FGV com bastante carinho pela confusão entre “argumentar” e “projetar”.