Ao longo da última década, a administração pública brasileira realizou inúmeros esforços e iniciativas articulados para gerar valor às agências públicas e corporativas, por meio de uma tríade de iniciativas voltadas à governança, gestão de riscos e integridade. Dentro dessa tríade, a gestão de riscos é fundamentalmente voltada a:
- A)coordenar ações que assegurem a conformidade dos agentes aos princípios éticos, aos procedimentos administrativos e às normas legais aplicáveis à organização;
Errada, porque descreve integridade e conformidade ética/legal, e não gestão de riscos.
- B)definir o conjunto de procedimentos para identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar fatores negativos que possam afetar o alcance dos objetivos;
Certa, pois define o processo clássico de gestão de riscos: identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar fatores que podem afetar os objetivos.
- C)estabelecer os modos de interação que garantam o respeito dos agentes públicos aos interesses dos proprietários e das partes interessadas;
Errada, porque trata de relações de governança e proteção dos interesses de proprietários e partes interessadas.
- D)orientar as decisões, ações e controles para o alcance dos resultados, abarcando os processos de direção e controle;
Errada, pois fala de governança e direção/controle para alcance de resultados, não do tratamento de riscos.
- E)promover ganho de responsividade e legitimidade da gestão perante os atores interessados, buscando elevar o valor econômico e social da organização.
Errada, porque se refere ao ganho de responsividade, legitimidade e valor organizacional, típico de governança e accountability.
Gabarito: B
A questão mistura três ideias que aparecem muito na administração pública moderna: governança, gestão de riscos e integridade. Elas parecem primas, mas cada uma cuida de uma parte do jogo. A governança olha para direção, decisão, controle e geração de valor. A integridade cuida de ética, conformidade e prevenção de desvios. Já a gestão de riscos é o “radar” da organização: serve para perceber o que pode dar errado, medir o impacto e agir antes do problema crescer. É por isso que, quando a questão fala em gestão de riscos, ela está pensando no conjunto de procedimentos para identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar eventos ou fatores que possam prejudicar os objetivos da organização. Isso está em linha com a lógica da gestão de riscos adotada no setor público, inclusive nos referenciais de governança do TCU e em normativos federais sobre gestão de riscos e controles internos. Note como a banca usa verbos bem específicos: identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar. Essa sequência é quase uma assinatura do tema. Sempre que aparecer algo nessa linha, pense em risco como algo negativo ou incerto que precisa ser administrado para não atrapalhar a entrega de valor público. Então o gabarito é a letra B porque ela descreve exatamente o processo de gestão de riscos. As demais alternativas falam de integridade, governança, accountability ou geração de valor, mas não do ciclo típico da gestão de riscos.