A introdução da gestão por programas na administração pública brasileira implicou criar organizações que conciliassem funções e objetivos. Foi uma desvantagem da gestão por programas:
- A)acentuar a contradição e a desintegração entre as visões setoriais e departamentais em relação aos objetivos do programa;
Certa: a gestão por programas pode acentuar a separação entre áreas setoriais e departamentais, gerando desintegração e conflito de visões.
- B)enfatizar a elaboração e a execução orçamentária e financeira orientada pelos resultados dos programas;
Errada: isso é uma característica positiva do modelo, pois orienta o orçamento e a execução pelos resultados dos programas.
- C)fortalecer e integrar as funções de planejamento, orçamento e gestão dos ministérios;
Errada: integrar planejamento, orçamento e gestão dos ministérios é justamente uma finalidade desejada da gestão por programas.
- D)transformar os compromissos de governo em orientação estratégica integradora e mobilizadora de equipes;
Errada: transformar compromissos de governo em orientação estratégica mobilizadora é uma vantagem esperada, não uma desvantagem.
- E)trazer velocidade às transformações em termos de estratégia e sistemas de informação e controle.
Errada: dar mais velocidade às mudanças em estratégia e sistemas de informação e controle é um ganho associado ao modelo.
Gabarito: A
A gestão por programas surgiu para organizar a ação estatal em torno de objetivos claros, com foco em resultados, integração entre áreas e maior coerência entre planejamento, orçamento e execução. A ideia era sair da lógica puramente burocrática e fazer o Estado funcionar com mais coordenação, como quem monta uma equipe com funções diferentes, mas mirando o mesmo placar. Na prática, isso exigiu aproximar ministérios, órgãos e unidades administrativas em torno de programas governamentais, buscando alinhar metas, indicadores e recursos. Em termos doutrinários, essa lógica conversa com o orçamento-programa e com o planejamento estratégico do setor público, muito associado à reforma gerencial e ao PPA, que passou a estruturar a ação governamental por programas. A desvantagem da gestão por programas, porém, foi justamente o efeito colateral da especialização: ao tentar integrar, muitas vezes acabou acentuando a separação entre visões setoriais e departamentais. Em vez de eliminar conflitos, a nova estrutura podia expor rivalidades, sobreposições e desintegração entre áreas que continuavam defendendo seus próprios interesses. Por isso, o gabarito é a letra A. Ela descreve a desvantagem real: a gestão por programas podia aumentar a tensão entre a lógica do programa e a lógica tradicional dos departamentos, dificultando a coordenação interna. As demais alternativas apontam vantagens ou objetivos esperados do modelo, não uma desvantagem.