Sobre as análises ex ante e ex post, é correto afirmar que:
- A)a análise ex ante ocorre apenas durante a fase de elaboração da política pública, sendo toda análise posterior considerada ex post;
Errada, porque análise ex ante não acontece apenas na elaboração formal, mas em qualquer momento anterior a uma nova decisão ou reformulação da política.
- B)a análise ex ante não deve avaliar decisões que ocasionem impacto orçamentário após a implementação da política pública, devendo tais considerações ser objeto de análise ex post;
Errada, porque impactos orçamentários futuros também podem e devem ser considerados na análise ex ante, já que isso faz parte da previsão de viabilidade.
- C)a avaliação de impacto da política pública deve ser objeto de análise ex post, pois é inviável projetar o impacto da política na fase ex ante;
Errada, porque a avaliação de impacto pode ser estimada ex ante por projeções e cenários; não é algo exclusivo da análise ex post.
- D)a análise ex ante continua sendo apropriada após a implementação da política pública e inclui a fase de monitoramento;
Errada, porque monitoramento e acompanhamento da implementação são atividades associadas à fase ex post, não à ex ante.
- E)a análise ex ante pode ser empregada após o resultado de uma análise ex post determinar que a política pública teve desempenho insatisfatório e deve ser reformulada.
Certa, porque uma política com resultado insatisfatório pode ser reformulada e, antes da nova implementação, voltar a ser submetida à análise ex ante.
Gabarito: E
As análises ex ante e ex post são como dois momentos diferentes da mesma conversa sobre política pública. A ex ante acontece antes da decisão ou da implementação, para comparar alternativas, prever efeitos, custos, riscos e viabilidade. Já a ex post entra depois, olhando o que realmente aconteceu, para verificar resultados, impactos e se a política entregou o que prometeu. Na prática, você não trata ex post como “fim da linha”. Se a avaliação mostrar que a política foi mal, a resposta típica é revisar o desenho, corrigir rumos ou até reformular a intervenção. E aí volta a entrar a lógica ex ante, porque qualquer nova proposta, ajuste relevante ou reformulação precisa ser examinada antes de ser colocada em prática. É por isso que o gabarito é a letra E. Ela captura a ideia correta de que a análise ex ante pode ser usada novamente quando, depois de uma avaliação ex post ruim, a política for repensada. Em outras palavras: ex post diagnostica; ex ante ajuda a decidir como seguir adiante. Esse raciocínio aparece na literatura de avaliação de políticas públicas e na lógica do ciclo de políticas públicas, em que monitoramento, avaliação e revisão se alimentam mutuamente. A banca gosta de testar justamente essa confusão entre o momento da análise e o uso das evidências para reformular a política.