Considere que um órgão público está passando por um forte processo de reestruturação após a mudança de governo. Em função das incertezas do momento, uma grande rede de rumores está se formando internamente, propagando muitas vezes informações incorretas. Acerca da situação acima, assinale a opção que apresenta a atitude que o gestor desse órgão deveria tomar.
- A)Desenvolver outra rede de rumores com informações falsas como forma de minar a credibilidade desse canal.
Errada: criar outra rede de rumores só aumenta a desinformação e corrói ainda mais a credibilidade da gestão.
- B)Instituir processos administrativos disciplinares contra os responsáveis pelas informações informais.
Errada: boatos em cenário de incerteza devem ser enfrentados com comunicação e gestão, não com punição automática e indiscriminada.
- C)Restringir seus canais de comunicação a funcionários confiáveis e em posições de liderança no órgão.
Errada: restringir a comunicação a poucos "confiáveis" estreita os canais e favorece ainda mais a circulação informal de rumores.
- D)Evitar dar explicações sobre comportamentos inconsistentes, para evitar contradições.
Errada: evitar explicações sobre incoerências amplia a desconfiança e alimenta exatamente o clima de boato que o gestor deveria reduzir.
- E)Estabelecer um cronograma detalhado de fornecimento de informações oficiais para os funcionários.
Certa: um cronograma de informações oficiais dá previsibilidade, reduz a incerteza e enfraquece a rede de rumores.
Gabarito: E
Em momentos de mudança e incerteza, o rumor aparece quase como um "sistema paralelo" de comunicação: quando a informação oficial demora, o vazio é preenchido por boatos. Na gestão pública, isso é especialmente sensível, porque a equipe precisa entender o que está acontecendo para reduzir ansiedade, insegurança e boatos de corredor. Comunicação ruim em reestruturação costuma virar desconfiança em velocidade máxima. A atitude correta do gestor é abrir canais formais, frequentes e previsíveis de informação. Isso não significa divulgar tudo o tempo todo, mas sim criar um fluxo regular de esclarecimentos, com linguagem clara, consistente e transparente sobre o que já se sabe, o que ainda depende de decisão e quais são os próximos passos. Quando a informação oficial ganha ritmo, o boato perde combustível. Por isso o gabarito é a letra E: estabelecer um cronograma detalhado de fornecimento de informações oficiais. Essa conduta reduz a assimetria de informação e aumenta a confiança interna, que é um ponto muito cobrado em gestão de redes organizacionais. Em vez de combater rumor com medo ou punição, o gestor combate com comunicação institucional organizada. As demais alternativas vão no sentido oposto do que a Administração Pública recomenda. A doutrina de comunicação organizacional e de gestão da mudança trata a transparência e a regularidade da comunicação como ferramentas centrais para reduzir incerteza e alinhar expectativas. Em resumo: quando a rede de rumores cresce, o remédio não é silêncio nem confusão, é informação oficial constante.