As recentes discussões sobre produtividade e eficiência no serviço público estimularam os gestores a adotar novas práticas com relação à gestão de pessoas, visando a assegurar, nessa perspectiva, uma evolução na atuação estatal. Assinale a opção que apresenta exemplo de prática derivada dessas discussões.
- A)Aumento dos chamados “cadastros de reserva” nos concursos públicos.
Errada, porque ampliar cadastros de reserva não é uma prática típica de gestão por resultados e pode até aumentar a distância entre planejamento de pessoal e necessidade real.
- B)Estabelecimento de atribuições mais amplas para cargos e carreiras.
Certa, porque atribuições mais amplas para cargos e carreiras aumentam flexibilidade, aproveitamento de servidores e foco em desempenho.
- C)Transferência das atividades de caráter finalístico para a iniciativa privada.
Errada, porque transferir atividades finalísticas para a iniciativa privada não é a prática descrita pelo enunciado e ainda envolve outra lógica, ligada à terceirização ou privatização.
- D)Fortalecimento dos cargos voltados para atividades-meio da Administração Pública.
Errada, porque fortalecer cargos de atividades-meio vai na contramão da ideia de concentrar esforços na entrega de resultados e na atividade-fim.
- E)Maior intervalo entre a realização de concursos públicos para as carreiras típicas de Estado.
Errada, porque aumentar o intervalo entre concursos para carreiras típicas de Estado tende a reduzir renovação e capacidade de resposta, não a melhorar produtividade.
Gabarito: B
A lógica da gestão por resultados na Administração Pública é simples: não basta olhar para o cargo como uma caixinha fechada, cheia de tarefas engessadas. Quando o foco passa a ser desempenho, eficiência e entrega de valor ao cidadão, a tendência é ampliar a visão sobre as funções e organizar o trabalho de forma mais flexível. Isso dialoga com a modernização gerencial, que busca menos burocracia mecânica e mais capacidade de adaptação. Nesse cenário, uma prática comum é o estabelecimento de atribuições mais amplas para cargos e carreiras. Em vez de limitar o servidor a tarefas muito estreitas, a Administração procura estruturar funções que permitam maior mobilidade, integração de atividades e melhor aproveitamento de competências. Isso ajuda a responder às mudanças de demanda e a evitar desperdício de pessoal. O gabarito está na letra B justamente porque ela traduz essa ideia de gestão orientada a resultados: cargos e carreiras com escopo mais amplo favorecem eficiência e flexibilidade. Já as demais alternativas apontam caminhos que não representam essa lógica, como aumento de reserva sem necessidade, privatização de atividade finalística ou reforço de áreas-meio em detrimento do foco principal. Essa visão é compatível com a reforma gerencial e com a busca constitucional por eficiência, prevista no art. 37, caput, da Constituição. Em prova, sempre desconfie quando a banca troca modernização da gestão por soluções que soam apenas como mais burocracia ou mera redução de controle.