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Administração Pública · FGV · 2022

Questão comentada de Administração Pública

Apesar de efetivamente presente na gestão pública desde o final do século XIX, a cooperação consorciada avança amplamente na Constituição da República de 1988 como mecanismo de flexibilização da participação estatal e fortalecimento das autoridades locais na implementação de políticas públicas. Sem enquadramento jurídico, durante anos a existência dos consórcios no Brasil se deu de maneira informal por meio de afinidades político-partidárias, redes político-ideológicas e pressão de movimentos sociais. Em 2005, os consórcios passam a ser mecanismos formais de gestão. No contexto brasileiro atual, os consórcios são uma resposta direta:

Gabarito: A

Os consórcios públicos surgem como uma saída prática para um problema bem conhecido da descentralização: a União e os estados transferem mais tarefas para os municípios, mas nem sempre mandam junto dinheiro, estrutura e equipe técnica. Aí entra o consórcio, que permite gestão compartilhada de serviços e políticas públicas, principalmente em áreas como saúde, resíduos sólidos, meio ambiente e compras públicas. A lógica é simples: sozinho fica pesado, em grupo fica viável. No Brasil, isso ganhou base jurídica mais clara com a Constituição de 1988, que valorizou a cooperação federativa e a autonomia local, e depois com a Lei nº 11.107/2005, que disciplinou os consórcios públicos. Antes disso, muita coisa funcionava na base da amizade política, da parceria informal e da boa vontade - o famoso "jeitinho institucionalizado". A questão cobra justamente essa função dos consórcios no contexto atual: eles são resposta ao aumento de responsabilidades trazido pela descentralização sem o correspondente aumento de financiamento. E quem sente isso com mais força são os municípios de pequeno porte, que costumam ter menos arrecadação, menos pessoal técnico e mais dificuldade para tocar políticas públicas sozinhos. Por isso, a alternativa A está correta: ela traduz o desequilíbrio entre encargos e recursos gerado pela descentralização e aponta o grupo que mais se beneficia da cooperação consorciada. Na doutrina de gestão pública, o consórcio aparece como mecanismo de cooperação horizontal e ganho de escala, reduzindo custos e ampliando capacidade administrativa.

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