O modelo de administração pública gerencial introduziu no setor público cultura e técnicas gerenciais modernas oriundas da iniciativa privada. Embora não se tenha eliminado por completo os modelos patrimonialista e burocrático, o gerencial trouxe significativas mudanças no atuar da administração pública. Nesse contexto, é característica do modelo gerencial haver:
- A)cargos denominados prebendas e sinecuras;
Errada, porque prebendas e sinecuras são marcas do patrimonialismo, ligado a privilégios e favores pessoais.
- B)impermeabilidade à participação social-privada;
Errada, porque o modelo gerencial estimula maior abertura à participação social e a parcerias com o setor privado, não impermeabilidade.
- C)ênfase no controle dos resultados por meio de contratos de gestão;
Certa, porque o gerencial prioriza resultados, metas e desempenho, usando contratos de gestão como instrumento de controle.
- D)rotinas e procedimentos padronizados, com vistas ao alcance dos objetivos definidos pela organização;
Errada, porque rotinas e procedimentos padronizados com foco em regras são típicos do modelo burocrático, não do gerencial.
- E)impessoalidade nas relações, com pessoas consideradas pelos cargos ou funções que exercem.
Errada, porque impessoalidade nas relações é uma característica central da burocracia weberiana.
Gabarito: C
A administração pública brasileira costuma ser lembrada em três grandes modelos: o patrimonialista, o burocrático e o gerencial. No patrimonialismo, o Estado quase se confunde com o patrimônio do governante, o que abre espaço para favoritismo, cargos como prebendas e sinecuras e pouca separação entre o público e o privado. Já o modelo burocrático, inspirado em Max Weber, veio para organizar a máquina estatal com regras, hierarquia, impessoalidade e rotinas padronizadas, buscando reduzir abusos e dar previsibilidade ao serviço público. O modelo gerencial surge depois, principalmente com a reforma do Estado nos anos 1990, para tornar a administração mais eficiente, voltada a metas, desempenho e resultados. A lógica deixa de ser apenas cumprir procedimento e passa a ser entregar valor público com mais autonomia, responsabilidade e avaliação de desempenho. É a ideia de administrar com foco no resultado, e não só no carimbo e na papelada. Por isso, o gabarito é a letra C. O traço típico do gerencialismo é o controle por resultados, frequentemente associado a instrumentos como contratos de gestão, metas e indicadores de desempenho. Isso aparece, inclusive, no movimento da Reforma Gerencial no Brasil, especialmente no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado de 1995, que reforçou eficiência, descentralização e controle por desempenho. As demais alternativas descrevem características de outros modelos. A questão mistura sinais clássicos de cada fase para testar se você sabe separar burocracia de gerencialismo sem cair em pegadinha.