O modelo de Administração pública utilizado para descrever o caso brasileiro nos períodos da Colônia, do Império e da República, até a década de 30, onde não há clara distinção entre o bem que é público, privado ou do governante, é conhecido como modelo
- A)burocrático.
Errada, porque o modelo burocrático surge justamente para combater a confusão patrimonial e impor impessoalidade, regras e separação entre público e privado.
- B)gerencial.
Errada, pois o modelo gerencial é bem posterior e se orienta por resultados, eficiência e controle de desempenho, não pela mistura entre patrimônio estatal e privado.
- C)patrimonial.
Certa, porque descreve exatamente o patrimonialismo, em que não há distinção clara entre o bem público, o privado e o do governante.
- D)formal.
Errada, porque formalidade isolada não define o modelo histórico cobrado; a questão trata de uma forma de organização estatal, não de mera característica procedimental.
- E)social.
Errada, porque administração social não é a categoria clássica usada para explicar esse período da história administrativa brasileira.
Gabarito: C
A questão cobra a evolução da Administração Pública no Brasil e, aqui, o ponto central é o período anterior à década de 1930. Nesse tempo, especialmente na Colônia, no Império e na Primeira República, a máquina estatal funcionava muito mais como extensão do patrimônio do governante do que como estrutura separada do interesse privado. Em outras palavras: o público e o privado se misturavam sem cerimônia. Esse traço é típico do modelo patrimonial, descrito na doutrina clássica inspirada em Max Weber. Nele, cargos, favores e recursos do Estado podem ser tratados como se fossem do chefe político ou da elite no poder. Por isso, falar em ausência de clara distinção entre o que é público, privado e do governante é praticamente dar a definição do patrimonialismo. A partir de 1930, o Brasil começa a abandonar essa lógica com a reforma burocrática, buscando impessoalidade, formalidade e separação entre interesses pessoais e a administração. Depois, bem mais tarde, surge a administração gerencial, voltada para resultados, eficiência e foco no cidadão. Mas isso já é outra fase da história. Por isso o gabarito é a letra C: o enunciado descreve o modelo patrimonial, que marcou o Estado brasileiro até a década de 1930. É a cara do velho arranjo em que o Estado parecia mais um bem de família do poder do que uma instituição pública autônoma.