“Assim como no setor privado, a principal dificuldade das organizações públicas, na implementação de uma gestão estratégica, está na fase de execução. Além da complexidade ligada à dinâmica dos novos tempos, em que a única constante é a mudança, outros fatores interferem negativamente na implementação, a exemplo da falta de clareza da estratégia para os colaboradores; da ausência de vínculo da estratégia com a alocação de recursos; e, do pouco tempo disponibilizado pelos gestores para a gestão da estratégia.” Baseado no texto anterior, assinale a afirmativa que apresenta um contrassenso com a realidade da gestão estratégica na administração pública brasileira.
- A)A implementação de modelos de gestão estratégica na administração pública, por si só, não garante execução do que foi planejado. É preciso liderança, mobilização e uma efetiva comunicação da estratégia para que mudanças comportamentais ocorram.
Está correta, porque estratégia na prática exige liderança, comunicação e mobilização, não apenas a existência de um plano formal.
- B)No Brasil, a alternância de poder, que é inerente ao processo democrático, tem reflexos positivos para a gestão estratégica, já que um governante deve garantir a continuidade de todos os planos e ações da gestão anterior, pelo período integral de seu mandato.
Está errada, porque a alternância de poder não impõe a continuidade integral de todos os planos da gestão anterior, já que o novo governo pode redefinir prioridades dentro da legalidade e da continuidade do serviço público.
- C)Na administração pública, a rigidez do orçamento público implica menor flexibilidade e menor celeridade no processo de execução de decisões estratégicas. Nesse sentido, o planejamento deve ser, o mais possível, alinhado com o calendário das leis orçamentárias.
Está correta, pois o orçamento público é mais rígido e exige compatibilidade do planejamento estratégico com o ciclo PPA, LDO e LOA.
- D)Alguns setores da administração pública brasileira ainda se mostram muito carentes de capital humano capacitado. Na implementação de programa de mudança da organização para uma maior orientação estratégica, essa carência pode se mostrar uma barreira importante.
Está correta, porque a falta de capital humano qualificado realmente dificulta a implementação de mudanças e o fortalecimento da orientação estratégica.
Gabarito: B
Na gestão estratégica da administração pública, o grande desafio quase nunca é fazer um plano bonito no papel. O problema costuma aparecer na hora de executar: comunicar a estratégia, alinhar pessoas, garantir recursos e manter foco apesar das mudanças de governo e das amarras do orçamento. Em outras palavras, estratégia sem execução vira decoração de parede. No setor público, ainda existe uma dificuldade extra: a lógica democrática traz alternância de poder, e isso é saudável, mas não significa que um novo governante deva simplesmente carregar intactos todos os planos da gestão anterior. Cada governo tem legitimidade para revisar prioridades, desde que respeite a legalidade, a continuidade dos serviços públicos e os compromissos já assumidos. Portanto, a ideia de que a alternância obrigaria a continuidade integral de todos os planos anteriores é o ponto fora da realidade. As demais alternativas conversam com o que a doutrina de gestão pública aponta: sem liderança e comunicação, estratégia não sai do papel; orçamento público rígido reduz flexibilidade e exige alinhamento com PPA, LDO e LOA; e falta de pessoal capacitado pode travar programas de mudança organizacional. Isso é bem típico da administração pública brasileira, que vive tentando fazer corrida de obstáculos com prazo, orçamento e pessoal limitados. Em termos jurídicos, a Constituição e a legislação orçamentária estruturam essa necessidade de planejamento e execução compatíveis com o ciclo orçamentário. Já do ponto de vista gerencial, autores de administração estratégica no setor público destacam que implementar é muito mais difícil do que formular.