Para se avaliar o desempenho de um órgão público, é preciso conhecer se seus interesses, em princípio, coadunam-se com aqueles do governo, mas que, à medida que se consolidam institucionalmente, desenvolvem alguns objetivos próprios, como, EXCETO:
- A)Expansão das atividades da entidade.
Correta, pois a expansão das atividades é um objetivo típico de entidades públicas que buscam ampliar sua relevância e seu espaço institucional.
- B)Desenvolvimento e garantia de autonomia de gestão.
Correta, porque a autonomia de gestão é um interesse frequente de órgãos e entidades que querem mais liberdade decisória e menos dependência externa.
- C)Fornecimento de serviços públicos em menor extensão e de melhor qualidade.
Errada, pois reduzir a extensão do serviço não combina com a lógica de consolidação institucional e expansão dos interesses do órgão.
- D)Preservação da entidade, quanto à sua integridade econômica, social e corporativa.
Correta, já que a preservação da entidade e de sua integridade econômica, social e corporativa é um objetivo institucional clássico.
- E)Proteção em relação a ingerências externas, inclusive a criação de barreiras à eventual privatização de atividades da entidade.
Correta, porque proteger-se contra ingerências externas e criar barreiras à privatização faz parte da defesa dos interesses da própria entidade.
Gabarito: C
Quando um órgão público vai se institucionalizando, ele tende a criar objetivos próprios, que nem sempre coincidem 100% com a finalidade original do governo. Na prática, a doutrina administrativa aponta que essas entidades costumam buscar expansão de atividades, mais autonomia de gestão, preservação da sua estrutura e proteção contra interferências externas. Isso é bem típico de organizações que querem ganhar estabilidade e “vida própria” dentro da máquina pública. A questão cobra exatamente essa lógica: o enunciado pede o item que NÃO combina com esses objetivos institucionais. O erro está em falar em fornecer serviços públicos em menor extensão e de melhor qualidade. Em geral, a expansão institucional não caminha para reduzir a extensão do serviço; o movimento esperado é de manutenção ou ampliação da atuação, ainda que com melhoria de qualidade. Por isso, a alternativa C é a exceção. As demais alternativas descrevem objetivos reconhecidos na literatura sobre comportamento organizacional e interesses institucionais no setor público, como autopreservação, autonomia e resistência a interferências. Em linguagem de prova: órgão consolidado gosta de crescer, se proteger e mandar um pouco mais em si mesmo. A máquina pública não costuma gostar de encolher. Esse raciocínio aparece na doutrina de Administração Pública ao tratar dos interesses institucionais das organizações estatais e de sua tendência à sobrevivência e expansão, em contraste com o interesse governamental mais amplo.