Na maioria dos países, o planejamento, seja ele robusto e sofisticado, ou composto por diretrizes genéricas, não orienta a formulação de políticas públicas setoriais ministeriais, nem as prioridades do governante. (TONI, 2021, p. 23.) Utilizando o texto como reflexão e pensando nos entraves na relação entre planejamento e implementação das políticas públicas, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Falta de coerência entre planejamentos.
Está correta, porque a falta de coerência entre planejamentos gera desorganização e enfraquece a implementação das políticas públicas.
- B)Incapacidade de atualizar o planejamento em face de fatos novos da conjuntura, como crises e demandas inesperadas.
Está correta, pois um planejamento rígido, incapaz de se adaptar a crises e novas demandas, perde utilidade na gestão pública.
- C)Associação entre planejamento estratégico governamental e execução orçamentária, conduzindo o planejamento das prioridades do governo.
Está errada, porque a integração entre planejamento estratégico governamental e execução orçamentária é algo desejável, não um entrave.
- D)Risco de ineficiência na implementação de políticas públicas pela duplicação ou sobreposição de planos e projetos, afetando a coordenação do governo.
Está correta, já que a duplicação ou sobreposição de planos e projetos aumenta desperdícios e prejudica a coordenação governamental.
Gabarito: C
A questão trata de um problema clássico da gestão pública: o planejamento existe no papel, mas nem sempre conversa bem com a formulação e a execução das políticas. Na prática, isso gera desencontro entre planos, programas, orçamento e prioridades reais do governo, especialmente quando surgem crises, mudanças de cenário ou disputas entre órgãos. Por isso, a literatura sobre planejamento governamental costuma apontar entraves como falta de coerência entre planos, dificuldade de atualização diante de fatos novos e sobreposição de iniciativas. Em vez de organizar a ação estatal, o planejamento pode virar uma pilha de documentos bonitos, mas pouco úteis para orientar decisões concretas. A alternativa C está incorreta porque descreve justamente uma relação saudável e desejável: associar o planejamento estratégico governamental à execução orçamentária e conduzir as prioridades do governo por meio disso. Isso é o que se espera de um bom ciclo de planejamento, orçamento e gestão, não um entrave. Nas políticas públicas, a chave é coerência e capacidade de adaptação. Sem isso, o governo planeja de um jeito, orça de outro e executa de um terceiro, o que costuma dar aquele resultado conhecido: muita intenção, pouca entrega.