Com a transição do modelo racional-legal para o paradigma pós-burocrático, a administração pública passou a ser marcada pela
- A)eliminação parcial, inicialmente, e, depois, total da autoridade hierárquica, em prol de um sistema fortemente horizontal e mais ágil.
Errada, porque o paradigma pós-burocrático não elimina totalmente a hierarquia, mas busca flexibilizá-la e torná-la mais orientada a resultados.
- B)centralização radical de todas as decisões administrativas, para preservar a ordem estruturada.
Errada, porque a transição para modelos mais modernos vai na direção oposta da centralização radical, privilegiando descentralização e gestão por desempenho.
- C)manutenção de estruturas tradicionais de poder oligárquico, a fim de restringir o acesso da população aos serviços públicos.
Errada, porque a manutenção de poder oligárquico é típica do patrimonialismo, não da administração pública pós-burocrática.
- D)ênfase em procedimentos rígidos e inalteráveis, para manter a segurança dos processos.
Errada, porque procedimentos rígidos e imutáveis são traços da burocracia clássica, e não da lógica gerencial e adaptativa.
- E)adoção de práticas gerenciais focadas em eficácia, inovação e capacidade adaptativa, para enfrentar o ambiente de mudanças.
Certa, porque expressa a administração gerencial, com foco em eficácia, inovação e adaptação ao ambiente de mudanças.
Gabarito: E
A Administração Pública no Brasil passou por uma evolução bem conhecida: do patrimonialismo, com confusão entre o público e o privado, para a burocracia, que trouxe regras, hierarquia e impessoalidade para organizar a máquina estatal. Depois, com as reformas administrativas e a influência da chamada Administração Gerencial, o foco deixou de ser apenas o procedimento e passou a ser o resultado, a eficiência e a capacidade de adaptação. É aí que entra a lógica pós-burocrática: menos apego à formalidade pelo formalismo e mais preocupação com desempenho, inovação e resposta rápida às mudanças. O modelo pós-burocrático não significa bagunça nem ausência de controle. Ele mantém mecanismos de responsabilização, mas tenta reduzir rigidez excessiva, estimular flexibilidade e aproximar a gestão pública de metas e entregas concretas. Em vez de a máquina pública viver para preencher formulário, ela passa a existir para resolver problemas do cidadão. Por isso, a alternativa E está correta: ela descreve exatamente a adoção de práticas gerenciais voltadas à eficácia, à inovação e à capacidade adaptativa. Isso conversa com a Reforma do Estado no Brasil, especialmente a lógica do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de 1995, ligado à administração gerencial. A ideia central é trocar o foco do procedimento pelo foco no resultado. Já as demais alternativas erram porque descrevem extremos ou características do modelo burocrático/patrimonialista, não do pós-burocrático. Em prova, desconfie quando aparecer hierarquia rígida, centralização absoluta ou tradição oligárquica, porque isso costuma ser justamente o oposto da tendência gerencial.