Assinale a opção que indica as características da administração pública quanto aos modelos pós-burocráticos, ancorados nos padrões gerenciais contemporâneos.
- A)Controles rígidos dos processos administrativos.
Errada, porque controles rígidos dos processos administrativos são típicos da administração burocrática, não dos modelos pós-burocráticos.
- B)Autorreferência e ineficiência no atendimento ao cidadão.
Errada, porque autorreferência e ineficiência no atendimento ao cidadão são características de uma administração voltada para si mesma, e não para resultados e qualidade do serviço.
- C)Caráter arbitrário das decisões.
Errada, porque o caráter arbitrário das decisões é próprio do patrimonialismo, marcado por personalismo e baixa impessoalidade.
- D)Formas flexíveis de gestão e incentivos à criatividade.
Certa, porque os modelos pós-burocráticos valorizam flexibilidade, autonomia, inovação e incentivos à criatividade para melhorar o desempenho público.
- E)Ausência de carreiras administrativas.
Errada, porque a ausência de carreiras administrativas contraria justamente a profissionalização que o modelo burocrático e o gerencial procuram preservar e aperfeiçoar.
Gabarito: D
A administração pública brasileira passou por três grandes modelos: o patrimonialista, o burocrático e o gerencial. No patrimonialismo, o Estado se mistura com os interesses pessoais do governante; na burocracia, a resposta foi criar regras, carreiras e controles para reduzir favoritismos; e, com a evolução recente, surge a lógica gerencial, voltada para resultados, eficiência e foco no cidadão. É aqui que entram os modelos pós-burocráticos, que tentam deixar a máquina pública menos engessada e mais capaz de entregar valor de verdade. Nos padrões gerenciais contemporâneos, a administração deixa de olhar só para o processo e passa a olhar também para desempenho, qualidade do serviço e inovação. Em vez de controle excessivo e hierarquia travada, busca-se flexibilidade, autonomia responsável, metas e incentivos para melhorar o atendimento. É uma espécie de troca: menos carimbo por carimbo, mais entrega por entrega. Por isso, a alternativa D está correta, porque descreve exatamente essa lógica de gestão moderna: formas flexíveis de gestão e incentivos à criatividade. Isso combina com a Administração Gerencial, associada à Reforma do Estado e a ideias de eficiência, descentralização e orientação para resultados, muito presentes no debate brasileiro a partir da década de 1990, especialmente com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995), inspirado em autores como Luiz Carlos Bresser-Pereira. As demais alternativas apontam traços que pertencem ao modelo burocrático rígido ou até ao patrimonialismo, e não aos padrões pós-burocráticos. Em questão de concurso, desconfie sempre quando aparecerem palavras como rigidez, arbitrariedade, ineficiência e ausência de profissionalização: normalmente elas estão descrevendo o que a administração gerencial tentou superar.