A abordagem dos fluxos múltiplos (Multiple Streams Framework) para o estudo da formação de agendas busca explicar como políticas públicas são construídas em contextos de ambiguidade. Em relação a esta abordagem é correto afirmar que
- A)dá ênfase a três “fluxos” que correm em paralelo: 1) as escolhas dos políticos eleitos, 2) as ações das burocracias técnicas e 3) a participação da sociedade em espaços institucionalizados.
Errada, porque os três fluxos do modelo não são políticos, burocracias e sociedade, mas sim problemas, soluções e política.
- B)foi elaborada a partir de insights da Teoria da Lata do Lixo da escolha organizacional, conforme desenvolvida por Cohen, March e Olsen (1972).
Certa, pois o Multiple Streams Framework foi inspirado nos insights da Teoria da Lata do Lixo, de Cohen, March e Olsen.
- C)considera, em contextos democráticos complexos e ambíguos, o papel central de atores do Poder Judiciário na definição das políticas públicas.
Errada, porque o modelo não atribui papel central ao Poder Judiciário na definição da agenda pública.
- D)afirma que políticas públicas são, em grande medida, construídas a partir da manipulação política operada por políticos eleitos.
Errada, porque o enfoque não é na manipulação política de eleitos, e sim no encaixe entre fluxos que abre janelas de oportunidade.
- E)foi elaborada com base nos modelos de racionalidade limitada, especialmente a partir da obra de clássicos da administração pública como Herbert Simon.
Errada, porque a base teórica principal não é a racionalidade limitada de Herbert Simon, mas a lógica da ambiguidade da Lata do Lixo.
Gabarito: B
A abordagem dos Fluxos Múltiplos, ou Multiple Streams Framework, ajuda a entender como um tema entra na agenda governamental mesmo sem um roteiro totalmente racional. A ideia central é que a formação da agenda acontece quando três fluxos correm paralelamente: problemas, soluções e política. Quando esses fluxos se alinham, abre-se a famosa “janela de oportunidade” para o assunto ganhar prioridade. Esse modelo ficou conhecido principalmente pela obra de John Kingdon, que analisou como alternativas surgem, disputam espaço e, em certos momentos, conseguem entrar na pauta decisória. Ele dialoga com a lógica da ambiguidade e da decisão pouco ordenada, bem próxima da chamada Teoria da Lata do Lixo, de Cohen, March e Olsen (1972), que descreve organizações como ambientes em que problemas, soluções e participantes se encontram de modo nem sempre linear. Por isso, o gabarito é a letra B: ela reconhece a origem conceitual da abordagem nos insights da Teoria da Lata do Lixo. As demais alternativas tentam puxar o tema para explicações que não são do Multiple Streams Framework, como participação institucionalizada, Judiciário ou manipulação direta de políticos. Aqui, a banca quer que você lembre do trio problemas-soluções-política e da lógica da janela de oportunidade, não de uma teoria de tudo.