Analise o texto a seguir sobre uma concepção de gestão. A gestão da qualidade implica níveis elevados de autonomia e de controle. Uma solução dialética para este dilema passa pelo recurso às chamadas estruturas mínimas. Estruturas mínimas são sistemas de controlo em que são definidos apenas alguns elementos (prazos, responsabilidades, objetivos), sendo os restantes deixados à autonomia da equipe. A função da organização e dos seus líderes e gestores consiste em zelar pelo respeito e cumprimento do conjunto de regras que constituem a essência da estrutura mínima. No interior dessa estrutura, a equipe dispõe de um espaço de controle e autonomia que parece crucial para o cumprimento das suas funções. Adaptado de CUNHA, M. P.; CUNHA, J. V.; DAHAB, S. Gestão da Qualidade: uma Abordagem Dialéctica, RAC, Edição Especial 2001. Segundo essa concepção, as estruturas mínimas são
- A)modelos rígidos de controle organizacional, nos quais a autonomia da equipe é reduzida ao mínimo necessário.
Errada, porque o texto não fala em controle rígido nem em reduzir a autonomia ao mínimo, mas em preservar espaço de decisão para a equipe.
- B)sistemas de gestão baseados na ausência de regras formais, privilegiando a liberdade de operação das equipes.
Errada, porque estruturas mínimas não significam ausência de regras formais, e sim regras básicas bem definidas.
- C)mecanismos que conciliam controle e autonomia, permitindo flexibilidade dentro de diretrizes básicas.
Certa, porque expressa exatamente a combinação de controle essencial com autonomia operacional descrita no texto.
- D)estruturas burocráticas altamente regulamentadas, que detalham todas as etapas e processos de trabalho.
Errada, porque uma estrutura burocrática altamente regulamentada faz o oposto do que o texto propõe ao detalhar tudo.
- E)modelos de gestão que eliminam a supervisão, transferindo a responsabilidade para os colaboradores.
Errada, porque o modelo não elimina supervisão nem transfere toda a responsabilidade, já que a organização continua zelando pelo cumprimento das regras essenciais.
Gabarito: C
A ideia central do texto é simples: nem tudo na gestão precisa ser engessado. Em vez de criar uma estrutura pesada, cheia de regras para cada detalhe, a organização define apenas o essencial: prazos, responsabilidades e objetivos. O resto fica com a equipe, que ganha espaço para decidir como fazer o trabalho acontecer. Isso combina controle com liberdade, sem cair nem no caos nem na burocracia excessiva. Na gestão da qualidade, essa lógica é bem útil porque qualidade não nasce só de fiscalização. Ela também depende de envolvimento, iniciativa e capacidade de adaptação de quem executa o processo. Por isso, as chamadas estruturas mínimas funcionam como um “esqueleto” organizacional: sustentam o trabalho, mas não sufocam a equipe. É exatamente por isso que o gabarito é a letra C. O texto descreve mecanismos que conciliam controle e autonomia, permitindo flexibilidade dentro de diretrizes básicas. A organização controla o núcleo do processo e deixa margem para a equipe organizar a própria atuação dentro desses limites. As outras alternativas fogem dessa lógica e vão para extremos: ou defendem controle rígido demais, ou ausência total de regras, ou burocracia pesada. E a proposta do texto é justamente escapar desses exageros, mantendo uma estrutura mínima, porém funcional.