A teoria dos traços, uma concepção antiga de liderança, visava identificar características distintivas de personalidade em indivíduos notáveis, como Napoleão, Lincoln e Getúlio Vargas, que se destacaram como líderes. No entanto, essa abordagem foi desacreditada devido a problemas na teorização, na mensuração e no reconhecimento da adequação do comportamento em diferentes situações. Atualmente, entende-se que certos traços de personalidade, combinados com outros aspectos da liderança, influenciam a percepção e a aprovação do comportamento dos líderes em muitas organizações. Assinale a opção que indica, corretamente, um traço de liderança contemporâneo.
- A)Herói.
Errada, porque “herói” remete à visão antiga e individualista de liderança, não ao traço contemporâneo de coordenação coletiva.
- B)Isolado.
Errada, pois “isolado” descreve afastamento do grupo, o oposto do papel atual de integração e articulação da equipe.
- C)Solitário.
Errada, porque “solitário” também sugere liderança centrada na pessoa e desconectada do grupo, sem a dimensão relacional contemporânea.
- D)Autoritário.
Errada, já que “autoritário” representa um estilo rígido e tradicional, pouco compatível com a abordagem moderna baseada em influência e contexto.
- E)Coreógrafo.
Certa, porque “coreógrafo” expressa o líder que coordena pessoas, papéis e esforços, ideia típica da visão contemporânea de liderança.
Gabarito: E
A teoria dos traços nasceu com a ideia de que liderar seria quase um dom natural: bastaria procurar, na pessoa certa, um conjunto fixo de características e pronto, líder encontrado. O problema é que a vida real gosta de complicar o roteiro. O mesmo traço pode funcionar bem em uma situação e mal em outra, e isso derrubou a visão antiga de que haveria um “perfil universal” de liderança. Na abordagem contemporânea, a discussão ficou mais madura: traços importam, sim, mas eles atuam junto com contexto, comportamento e percepção dos liderados. Ou seja, não basta parecer forte, brilhante ou carismático; é preciso conseguir mobilizar pessoas de acordo com a situação e com os objetivos da organização. É nesse ponto que a alternativa E faz sentido. “Coreógrafo” é uma metáfora para o líder que organiza, coordena, dá ritmo e encaixa talentos diferentes para produzir desempenho coletivo. Em vez de mandar sozinho como um general antigo, ele articula papéis, integra esforços e faz a equipe funcionar em conjunto. Por isso, entre opções que evocam figuras solitárias, autoritárias ou heroicas, a noção contemporânea está muito mais ligada ao líder que coordena e harmoniza a ação coletiva. É uma leitura coerente com a doutrina moderna de liderança, que combina traços pessoais com influência situacional e comportamental.