A Indústria 4.0 é a integração de diversas inovações tecnológicas, como robótica avançada, inteligência artificial, Internet das Coisas e fabricação digital, em uma cadeia de valor global compartilhada por empresas de vários países. Para enfrentar esses desafios, o papel dos gerentes deve ser redefinido com o abandono da visão tradicional de que o direcionamento futuro da organização pode e deve ser estabelecido e capitaneado pelos gerentes. O novo papel da gerência consiste em capacitar, delegar e fomentar a necessária instabilidade para estimular as potencialidades acêntricas latentes nas pessoas para que possam surgir as condições de aprendizado e de trocas de informação por meio das interações. Assinale, dentre as alternativas abaixo, a que apresenta competências gerenciais de gestores da atualidade.
- A)Percepção renovada das circunstâncias ambientais internas.
Errada, porque foca em circunstâncias internas de forma estreita e não captura a lógica atual de gestão em ambientes complexos e interativos.
- B)Estímulo à desordem para gerar criatividade e inovação.
Certa, pois expressa a ideia de que uma certa instabilidade pode estimular criatividade, aprendizado e inovação nas organizações.
- C)Atuação como coaching para guiar as ações das pessoas em direção a metas previamente definidas.
Errada, porque mantém a figura do gerente como quem guia pessoas rumo a metas previamente definidas, o que é mais tradicional e menos alinhado à gestão contemporânea descrita no enunciado.
- D)Legitimação da ordem para mudar padrões de comportamento vigentes e estacionários.
Errada, porque fala em legitimar a ordem para mudar padrões, mas o texto-base destaca justamente a necessidade de romper a visão centrada na ordem e no controle.
- E)Incentivo à identidade organizacional em transitória mudança e modernização.
Errada, porque enfatiza identidade organizacional e modernização de modo genérico, sem refletir o papel gerencial de fomentar autonomia, interação e instabilidade criativa.
Gabarito: B
A questão trabalha a mudança do papel do gerente na Administração moderna, especialmente em cenários de Indústria 4.0, que exigem menos comando centralizado e mais capacidade de adaptação. A lógica aqui é abandonar a ideia do gestor como “chefe da verdade” e enxergar a organização como um sistema vivo, com aprendizado, troca de informações e inovação surgindo das interações. Nesse contexto, a gerência atual não fica tentando controlar tudo no detalhe. Ela atua criando condições para que as pessoas experimentem, compartilhem conhecimento e respondam melhor a um ambiente instável. Isso combina muito com abordagens ligadas à complexidade e à inovação, nas quais certa instabilidade pode ser útil para romper padrões engessados. Por isso, o gabarito é a letra B. “Estímulo à desordem para gerar criatividade e inovação” traduz bem essa visão contemporânea: o gerente deixa de ser apenas um controlador e passa a ser um facilitador de processos, abrindo espaço para iniciativa, colaboração e soluções novas. Em linguagem de prova, é a gestão que aceita o desconforto produtivo como motor de mudança. As demais alternativas mantêm uma visão mais tradicional, mais centrada em direção unilateral, controle ou preservação de ordem. A banca quer exatamente perceber se você entendeu que, na gestão atual, liderança eficaz não é rigidez, mas capacidade de ativar pessoas e contextos para gerar adaptação e inovação.