Joana, gerente de RH em uma fundação privada, recebeu a incumbência de definir o orçamento de treinamento de toda a organização para o ano de 2024. Joana acaba de assumir o cargo e não tem muita experiência com elaboração de orçamentos, então, decidiu tomar como base o valor do orçamento de treinamento de 2023 e estabeleceu um valor 20% maior para 2024. Em seu processo de tomada de decisão, Joana incorreu no viés conhecido como:
- A)evidência confirmadora;
Errada, porque evidência confirmadora ocorre quando você busca ou valoriza apenas informações que reforçam uma crença já existente.
- B)representatividade;
Errada, porque representatividade é julgar algo pela semelhança com um estereótipo ou padrão típico, não por usar um valor anterior como base.
- C)filtragem;
Errada, porque filtragem é a seleção ou distorção de informações relevantes, e não o uso de um número de referência para estimar outro.
- D)ancoragem;
Certa, porque Joana usou o orçamento anterior como ponto de partida e ajustou a decisão a partir dele, caracterizando ancoragem.
- E)framing.
Errada, porque framing é o efeito da forma como a informação é apresentada na decisão, e não o apego a um valor inicial.
Gabarito: D
Joana caiu em um clássico viés de decisão: ela pegou um valor anterior como referência e, a partir dele, ajustou o número para chegar ao novo orçamento. Quando a mente se ancora em um dado inicial, esse dado funciona como uma espécie de “ponto de partida” que puxa a estimativa para perto dele, mesmo que a análise devesse ser mais ampla. Na Administração e na Psicologia Cognitiva, isso é chamado de ancoragem. Você vê isso muito em negociações, previsões e orçamentos: primeiro aparece um número inicial, e depois a decisão fica gravitacionando em torno dele. Às vezes a pessoa até tenta “corrigir”, mas continua presa à referência inicial. No caso da questão, Joana usou o orçamento de 2023 como base e apenas aplicou um aumento de 20%. Ela não construiu o orçamento do zero nem partiu de uma análise independente das necessidades de treinamento de 2024. Ou seja, o valor anterior serviu como âncora decisória. Por isso o gabarito é a letra D. A banca quer que você perceba a diferença entre usar uma referência inicial e outros vieses mais conhecidos, como confirmar crenças, distorcer informações ou mudar o enquadramento da decisão. Aqui, a pista principal é justamente o número do ano anterior puxando a estimativa do ano seguinte.