A política de formação de jovens empreendedores de periferias encontrava-se na fase de elaboração de indicadores de avaliação. Um assessor da secretaria sugeriu a construção de dois indicadores a serem mensurados a cada 6 meses após o término do curso: número de negócios próprios criados ainda em funcionamento e nível de renda e melhoria de qualidade de vida. Considerando-se os diferentes objetivos e fases na avaliação, entende-se que os indicadores propostos se relacionam à dimensão de
- A)custo-eficiência.
Custo-eficiência olha para a relação entre recursos usados e resultados obtidos, mas não para a mudança social final descrita no enunciado.
- B)efetividade transformacional.
Correta, porque os indicadores propostos medem os efeitos concretos da política na vida dos beneficiários, isto é, seu impacto transformador.
- C)eficácia processual.
Eficácia processual verifica se as etapas e procedimentos foram cumpridos, e não se houve melhoria real de renda ou criação de negócios sustentáveis.
- D)insumo-produto.
Insumo-produto relaciona recursos aplicados com bens/serviços entregues, mas ainda fica no nível operacional, sem medir transformação social.
- E)marco zero.
Marco zero é a linha de base inicial para comparação futura, não o tipo de indicador que mede os resultados alcançados após a política.
Gabarito: B
Quando a Administração avalia uma política pública, ela pode olhar para momentos diferentes: antes da ação, durante a execução e depois dos efeitos aparecerem. É aí que entram os indicadores, que são como "placas de trânsito" da política: mostram se ela andou, se andou bem e, principalmente, se mudou a vida de alguém. Na questão, os indicadores sugeridos não medem só se o curso aconteceu ou se os alunos concluíram. Eles querem saber o que veio depois, alguns meses mais tarde: quantos negócios foram criados e continuam de pé, e se houve aumento de renda e melhoria de qualidade de vida. Perceba que isso aponta para transformação concreta na realidade do público atendido. Esse tipo de medida é típico da efetividade transformacional, porque observa o impacto social produzido pela política. Em outras palavras, a pergunta não é apenas "foi executado?" ou "produziu entregas?", mas "mudou a vida das pessoas?". Em avaliação de políticas públicas, isso costuma ser tratado como o nível mais alto de análise de resultados, muito ligado ao efeito final sobre a realidade social. Por isso o gabarito é a letra B. A lógica aqui é: acompanhar a consequência real e duradoura da ação estatal, e não só sua execução imediata. É a diferença entre contar quantas aulas foram dadas e verificar se os jovens realmente conseguiram empreender e melhorar de vida. A banca FGV adora esse salto da entrega para o impacto, então vale ficar atento.