Determinada organização pública, reconhecida por suas práticas inovadoras de gestão, decidiu instituir um arranjo físico do ambiente de trabalho associado ao conceito aberto, onde não existem quaisquer divisões físicas entre as mesas de cada colaborador, tendo como intuito a interação entre as diferentes áreas e indivíduos. Considerando a situação apresentada, em consonância com os diferentes níveis da cultura organizacional, a ação da organização está relacionada ao conceito de
- A)rituais, considerados difíceis de serem modificados, por representarem as “verdades absolutas” na organização.
Errada, porque rituais são práticas repetidas e formais da organização, e não o arranjo físico do ambiente.
- B)pressupostos básicos, que abrangem também o código de vestimenta dos colaboradores.
Errada, pois pressupostos básicos são crenças profundas e inconscientes, e código de vestimenta é artefato, não pressuposto.
- C)símbolos, constituídos pelas regras implícitas que ditam comportamentos aceitáveis na organização.
Errada, porque símbolos não são regras implícitas; eles são manifestações visíveis da cultura, como objetos, linguagem e disposição do espaço.
- D)valores e crenças, a camada mais superficial da cultura, sendo também conhecida como clima organizacional, em função de sua transitoriedade.
Errada, já que valores e crenças não são a camada mais superficial nem se confundem com clima organizacional.
- E)artefatos, considerados como o nível mais tangível da cultura organizacional.
Certa, porque o layout aberto do ambiente é um elemento visível e tangível da cultura organizacional, ou seja, um artefato.
Gabarito: E
Na cultura organizacional, é comum dividir os elementos em camadas: artefatos, valores e pressupostos básicos. Os artefatos são a parte mais visível e concreta do jeito de a organização funcionar: layout do escritório, uniforme, linguagem, cerimônias, símbolos, tecnologia e até a disposição das mesas. É aquilo que você bate o olho e pensa: “isso aqui diz muito sobre como essa organização quer se apresentar”. No enunciado, a organização adotou um ambiente aberto, sem divisões físicas entre as mesas, justamente para estimular interação entre áreas e pessoas. Isso é um exemplo clássico de artefato, porque se trata de uma manifestação tangível da cultura. Não é algo abstrato ou profundo, mas sim um sinal externo do modo de agir e de pensar da instituição. Já os valores e crenças ficam em um nível mais interno, orientando o que a organização considera importante. E os pressupostos básicos são ainda mais profundos, quase invisíveis, como verdades aceitas sem discussão. Por isso, quando a questão fala de arranjo físico do ambiente de trabalho, ela está olhando para a superfície da cultura, não para sua base escondida. Doutrinariamente, essa leitura é compatível com o modelo de Edgar Schein, muito cobrado em Administração: artefatos na camada mais visível, valores no meio e pressupostos básicos no núcleo. A banca adora trocar a embalagem pela essência, então vale lembrar: layout, símbolos e aparência organizacional costumam cair como artefatos.