Em uma situação na qual um gestor de pessoas se baseie na Teoria do Recurso Cognitivo para o desenvolvimento de ações para a motivação de seus funcionários, é esperado que:
- A)um colaborador deve aumentar sua motivação ao receber uma atividade de seu superior, ao perceber que tem competência para a realizá-la, além de valorizar a recompensa que pode conquistar.
Errada, porque a descrição mistura expectativa de competência e valor da recompensa, mas a teoria cobrada destaca o efeito da recompensa sobre a motivação intrínseca, não essa fórmula geral.
- B)um colaborador pode ficar desmotivado ao se comparar com um colega que realiza as mesmas tarefas que ele, mas com um salário superior ao dele.
Errada, porque comparação salarial remete mais à teoria da equidade de Adams do que à teoria do recurso cognitivo.
- C)um colaborador que ainda não tenha suas necessidades de segurança atendidas, como estabilidade empregatícia, não deve se motivar, caso receba tarefas desafiadoras para realizar.
Errada, porque necessidade de segurança não é condição absoluta para existir motivação; a teoria não diz que tarefas desafiadoras deixam de motivar só por isso.
- D)um colaborador que receba um aumento salarial, ao final do ano, deve ter apenas a sua insatisfação reduzida, mas não o aumento da motivação.
Errada, porque um aumento salarial pode reduzir insatisfação e também afetar a motivação, dependendo de como a recompensa é percebida.
- E)um colaborador que, em seu tempo livre, organize as confraternizações na organização, por prazer, pode ficar desmotivado, caso seja remunerado para isso.
Certa, porque uma recompensa externa por uma atividade antes feita por prazer pode reduzir a motivação intrínseca do colaborador.
Gabarito: E
A ideia central aqui é que nem toda recompensa ajuda a motivar. Em algumas situações, quando a pessoa já realiza uma atividade por prazer, interesse ou senso de autonomia, um pagamento extra pode mudar a percepção dela sobre a tarefa: aquilo que era divertido ou espontâneo passa a parecer “trabalho por dinheiro”. Aí a motivação interna enfraquece. Esse raciocínio aparece nas teorias de motivação que diferenciam motivação intrínseca e extrínseca, especialmente na teoria da avaliação cognitiva, ligada a Deci e Ryan. A lógica é simples e bem conhecida em prova: a recompensa externa pode aumentar o comportamento, mas também pode reduzir o prazer de fazer a atividade por conta própria. Por isso, a alternativa E está correta. Se o colaborador já organizava confraternizações no tempo livre por prazer, e depois passa a ser remunerado por isso, há risco de ele perder a motivação intrínseca. O dinheiro pode funcionar como “sinal de controle” e deslocar o foco do prazer para a remuneração. Em concurso, a banca gosta muito dessa troca entre motivação interna e externa. Então, quando a questão fala em tarefa feita espontaneamente, por gosto, e depois remunerada, desconfie: a recompensa nem sempre soma. Às vezes, ela tira o encanto da história.