Um gerente de RH precisa definir o salário inicial para um cargo novo de nível superior em sua organização: o de analista em sustentabilidade ambiental. O gerente não tem ideia de um valor adequado. Assim, usou a média dos salários iniciais dos cargos de nível superior da organização e, a partir desse valor, estabeleceu um salário inicial 30% maior – considerando a urgência na contratação desses profissionais. Em seu processo de tomada de decisão, o gerente incorreu no viés conhecido como:
- A)ancoragem;
Certa, porque o salário médio funcionou como ponto de referência inicial e a decisão foi ajustada a partir dele.
- B)disponibilidade;
Errada, pois viés de disponibilidade ocorre quando a decisão é influenciada pelo que vem mais facilmente à mente, como exemplos recentes ou marcantes.
- C)representatividade;
Errada, porque representatividade é julgar algo pela semelhança com um estereótipo ou padrão típico, não por um valor-base numérico.
- D)framing;
Errada, pois framing é efeito da forma como a informação é apresentada, mudando a decisão conforme a moldura da mensagem.
- E)evidência confirmadora.
Errada, porque evidência confirmadora é buscar ou valorizar informações que reforcem uma crença prévia, e não partir de uma âncora numérica.
Gabarito: A
A questão trata de vieses cognitivos na tomada de decisão. Aqui, o gerente não sabia qual seria um valor adequado e, para preencher essa incerteza, partiu de um valor inicial encontrado na média dos salários da própria organização. Depois, ajustou esse número para cima em 30%. Isso é clássico de ancoragem: você fixa a decisão em um ponto de referência inicial e faz ajustes ao redor dele, mesmo que esse ponto não seja necessariamente o mais correto. Na prática, a ancoragem acontece quando a primeira informação disponível ou um valor inicial influencia fortemente o julgamento final. O detalhe importante é que o valor de partida não precisa ser perfeito, basta funcionar como “base mental” para a decisão. Foi exatamente isso que ocorreu no enunciado: a média salarial serviu como âncora, e o reajuste de 30% veio depois, como ajuste a partir dessa base. A banca da FGV gosta muito desse tipo de situação em que um número inicial guia a decisão. Em vez de buscar uma análise totalmente independente do valor, o decisor se prende ao primeiro ponto disponível e faz uma correção mais ou menos intuitiva. É um atalho mental comum e bem explorado em provas. Por isso, o gabarito é a alternativa A. O gerente não decidiu com base em comparação ampla, nem em lembranças fáceis, nem em moldura de apresentação. Ele começou de um valor de referência e ajustou a partir dele, que é exatamente o viés de ancoragem.