Josué é gestor de pessoas em uma start-up do setor de tecnologia e, por ser uma pessoa muito tranquila, tem aversão a desentendimentos, suspendendo imediatamente quaisquer colaboradores que se envolvam em situação conflituosa. Embora seja apreciado por seus pares e subordinados, o CEO da start-up decide demiti-lo por não concordar com sua atuação, pois acredita que algum nível de conflito deve ser incentivado para fomentar a inovação na organização, especialmente no setor de negócios em que está inserida. À luz das abordagens teóricas que tratam dos conflitos nas organizações, assinale a afirmativa correta.
- A)Josué possui uma visão tradicional, enquanto o CEO, uma visão interacionista.
Correta, porque Josué adota a visão tradicional ao eliminar qualquer conflito, enquanto o CEO adota a visão interacionista ao enxergar algum conflito como útil para a inovação.
- B)Josué possui uma visão tradicional, enquanto o CEO, uma visão de relações humanas.
Errada, porque a visão de relações humanas não trata o conflito como algo a ser incentivado para gerar inovação, mas apenas como parte natural das relações.
- C)Josué possui uma visão interacionista, enquanto o CEO, uma visão tradicional.
Errada, porque está invertendo as posições: quem evita conflito atua pela visão tradicional, e quem o estimula atua pela visão interacionista.
- D)Josué possui uma visão interacionista, enquanto o CEO, uma visão de relações humanas.
Errada, porque o CEO não está na visão de relações humanas, já que ele não apenas aceita o conflito, mas quer estimulá-lo de modo funcional.
- E)Josué possui uma visão de relações humanas, enquanto o CEO, uma visão tradicional.
Errada, porque Josué não tem visão de relações humanas, e o CEO não é tradicional, já que defende conflito como elemento positivo.
Gabarito: A
A questão cobra as três visões clássicas sobre conflito nas organizações. Na visão tradicional, conflito é sempre ruim, sinal de falha e algo que deve ser evitado ou eliminado. Na visão de relações humanas, conflito aparece como algo natural e inevitável, que pode até ser aceito, mas sem aquela ideia de estimular briga como ferramenta de gestão. Já a visão interacionista vai além: ela entende que certo nível de conflito pode ser desejável, porque mantém o grupo vivo, questionador e mais criativo. Aplicando isso ao caso, Josué age como um gestor da visão tradicional. Ele tem aversão a desentendimentos e corta imediatamente qualquer conflito, tratando o problema como algo que precisa ser neutralizado. O CEO, por sua vez, pensa como interacionista: ele acredita que algum conflito deve existir e até ser incentivado para gerar inovação, o que faz muito sentido em uma start-up de tecnologia, onde mudanças e ideias novas são o combustível do negócio. Esse é o ponto central da resposta: conflito não é necessariamente um vilão. Em doses controladas, ele pode funcionar como uma espécie de cafeína organizacional, dando energia para debate, criatividade e melhoria. Mas, se virar excesso, aí vira caos. O concurso quer que você perceba exatamente essa diferença entre eliminar conflito e administrá-lo de forma produtiva. Em doutrina de Administração, essa é a classificação clássica das abordagens sobre conflito: tradicional, relações humanas e interacionista. A banca costuma cobrar isso de forma bem conceitual, trocando os papéis dos personagens para ver se você identifica quem quer evitar o conflito e quem quer estimulá-lo.