Determinado gestor de pessoas, após assumir o cargo em um órgão público, decide promover algumas mudanças nas políticas de pessoal. Primeiramente, visando à redução da insatisfação dos colaboradores, ele consegue negociar um aumento salarial. Além disso, buscando motivar os funcionários, estabelece um programa de desenvolvimento dos colaboradores, por meio do oferecimento de cursos gratuitos e, concomitantemente, impõe metas complexas e delega mais responsabilidades às equipes. Assinale a opção que indica a teoria motivacional usada como base para as mudanças promovidas pelo gestor.
- A)Teoria da Hierarquia das Necessidades.
Errada, porque a Hierarquia das Necessidades é de Maslow e organiza as necessidades em níveis, mas o enunciado trabalha a separação entre fatores higiênicos e motivacionais.
- B)Teoria ERC.
Errada, porque a teoria ERC de Alderfer fala em existência, relacionamento e crescimento, e não explica diretamente a divisão entre salário como redutor de insatisfação e cursos/metas como motivadores.
- C)Teoria dos Dois Fatores.
Certa, porque a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg diferencia fatores higiênicos, que evitam insatisfação, e fatores motivacionais, que geram satisfação e engajamento.
- D)Teoria da Equidade.
Errada, porque a Teoria da Equidade trata da comparação entre o que a pessoa investe e o que recebe em relação aos outros, e não da classificação dos fatores de motivação apresentada no caso.
- E)Teoria da Autoeficácia.
Errada, porque autoeficácia é a crença na própria capacidade de לבצע tarefas, conceito ligado a Bandura, mas não é a base teórica descrita no enunciado.
Gabarito: C
A questão trata da Teoria dos Dois Fatores, de Frederick Herzberg, que separa os elementos que afetam a satisfação no trabalho em dois grupos: fatores higiênicos e fatores motivacionais. Os fatores higiênicos não geram motivação duradoura, mas evitam insatisfação quando estão adequados. Já os motivacionais elevam o interesse e o engajamento, porque estão ligados ao conteúdo do trabalho e ao crescimento pessoal. No enunciado, o gestor age exatamente nessa lógica. Quando ele negocia aumento salarial, ele atua sobre um fator higiênico, porque salário ajuda a reduzir a insatisfação, mas não é o que, sozinho, faz o servidor ficar realmente motivado por muito tempo. É aquele clássico: paga mal e a pessoa reclama; paga melhor e você tira um peso, mas ainda não acendeu o motor da motivação. Depois, ao oferecer cursos gratuitos, impor metas desafiadoras e delegar mais responsabilidades, ele mexe com fatores motivacionais, como desenvolvimento, realização, reconhecimento e responsabilidade. Esses elementos são os que, na teoria de Herzberg, estimulam de verdade o desempenho e a satisfação mais profunda com o trabalho. Por isso, o gabarito é a letra C. A banca FGV gosta muito de cobrar essa distinção entre o que apenas evita insatisfação e o que realmente motiva, então vale decorar a lógica: salário e condições de trabalho aliviam o desconforto; crescimento, desafio e responsabilidade impulsionam a motivação.