Um investidor, durante a preparação para o acerto de um acordo milionário com um parceiro, descobre que sua meia, utilizada em todas as negociações bem-sucedidas, estava rasgada. Ao perceber o ocorrido, entende aquilo como um sinal e liga, em seguida, para o cancelamento do acordo com seu parceiro. É correto afirmar que o investidor, ao tomar esta decisão, foi afetado
- A)pela seleção natural.
Errada, porque seleção natural é um conceito biológico/evolutivo, não um viés de decisão humana nesse contexto.
- B)pelo custo irrecuperável.
Errada, porque custo irrecuperável ocorre quando alguém insiste em uma decisão por causa de recursos já perdidos, e aqui o problema é outro.
- C)pela escalada de comprometimento.
Errada, porque escalada de comprometimento é a insistência crescente em uma decisão anterior, não o cancelamento por superstição.
- D)pelo erro de aleatoriedade.
Certa, porque o investidor atribui significado causal a um fato aleatório, cometendo um erro de aleatoriedade.
- E)pela compreensão tardia.
Errada, porque compreensão tardia se relaciona a perceber depois, com atraso, algo que já estava em curso, e não a ler um sinal supersticioso.
Gabarito: D
No processo decisório, nem toda escolha é puramente racional. Muitas vezes, a pessoa mistura fatos, experiência, crenças e, claro, um pouco de superstição de ocasião. É justamente aí que aparecem os vieses cognitivos, que distorcem a avaliação da situação e podem levar a decisões ruins. Na Administração, isso é muito cobrado em provas de processo decisório, porque a banca adora mostrar um comportamento aparentemente “lógico”, mas que na verdade é emocional ou enviesado. No caso, o investidor vê a meia rasgada e interpreta isso como um sinal negativo, cancelando um acordo milionário por causa de uma associação sem base racional. Isso é típico do erro de aleatoriedade: confundir coincidência, acaso ou um fato sem relação causal com um padrão ou presságio. Em outras palavras, a pessoa enxerga sentido onde não existe relação objetiva. Esse tipo de erro é um viés de julgamento muito comum em situações de incerteza. Em vez de analisar riscos, números e estratégia, a decisão passa a ser guiada por uma leitura supersticiosa do acaso. A lógica fica em segundo plano e a “mística da meia” assume o comando da negociação. Por isso, o gabarito é a letra D. Não há aqui custo afundado, escalada de comprometimento ou nada parecido: o ponto central é a interpretação equivocada de um evento aleatório como se ele tivesse significado especial para a decisão.