Considere que certa escola de governo implementou um programa de formação continuada para servidores públicos, com o objetivo de melhorar competências técnicas e comportamentais. O projeto busca avaliar tanto o aumento na eficiência de processos e redução de erros administrativos quanto às mudanças na percepção dos servidores em relação à sua capacitação e impacto no clima organizacional. Diante do desafio de planejar essa avaliação, é necessário selecionar instrumentos e abordagens metodológicas que respondam de forma integrada às demandas do projeto. Considerando os objetivos do programa e os desafios descritos, a estratégia será:
- A)Conduzir uma pesquisa documental, analisando relatórios de desempenho organizacional pré e pós-implementação do programa, eliminando a necessidade de coleta direta de dados junto aos servidores, evitando possíveis vieses.
Errada, porque pesquisa documental isolada não capta bem percepções, clima organizacional e efeitos subjetivos do programa diretamente junto aos servidores.
- B)Utilizar questionários com perguntas fechadas aplicadas a todos os servidores participantes, priorizando uma análise quantitativa, pois tal abordagem facilita a comparação entre as unidades organizacionais e permite maior objetividade nos resultados.
Errada, porque só questionários fechados geram uma visão quantitativa limitada e deixam de lado a profundidade necessária para entender percepções e impactos qualitativos.
- C)Desenvolver entrevistas em profundidade com uma amostra de servidores selecionada de acordo com critérios de antiguidade e área de atuação, optando exclusivamente por uma análise qualitativa para captar percepções subjetivas mais desenvolvidas.
Errada, porque entrevistas em profundidade ajudam a entender percepções, mas uma análise exclusivamente qualitativa não atende bem ao objetivo de medir eficiência e redução de erros.
- D)Realizar observações diretas nos setores-alvo, documentando o comportamento dos servidores após o programa de formação, concentrando-se em uma abordagem descritiva, que permita identificar mudanças sem a necessidade de instrumentos adicionais.
Errada, porque observação direta sozinha é insuficiente para avaliar de forma completa mudanças de desempenho e percepção após a formação.
- E)Elaborar um plano de avaliação mista, incluindo questionários com perguntas fechadas para mensurar variáveis quantitativas e entrevistas semiestruturadas para explorar percepções qualitativas, garantindo a triangulação de dados para maior consistência analítica.
Certa, porque combina instrumentos quantitativos e qualitativos, permitindo medir resultados objetivos e explorar percepções, com triangulação de dados.
Gabarito: E
Quando o enunciado fala em avaliar, ao mesmo tempo, resultados “duros” do programa e efeitos mais subjetivos, a palavra-chave é integração. Não basta olhar só números, nem só percepção: você precisa medir desempenho e também entender como os servidores enxergaram a formação e seus impactos no ambiente de trabalho. Em gestão estratégica, isso é bem comum em avaliação de programas, projetos e políticas públicas: os resultados costumam aparecer em mais de uma camada. Por isso, a melhor escolha é uma abordagem mista. Os questionários com perguntas fechadas ajudam a quantificar mudanças, comparar unidades e observar tendências com mais objetividade. Já as entrevistas semiestruturadas abrem espaço para captar percepções, nuances e explicações que os números sozinhos não contam. Juntar os dois instrumentos melhora a qualidade da análise e permite triangulação de dados, isto é, cruzar fontes para dar mais consistência às conclusões. O gabarito é a letra E porque ela casa exatamente com o objetivo descrito: medir eficiência, redução de erros, percepção dos servidores e impacto no clima organizacional. Se você usa só um tipo de dado, corre o risco de enxergar apenas metade do filme. A banca quer que você perceba que o desenho da avaliação precisa ser coerente com a complexidade do programa. Em termos metodológicos, isso conversa com a lógica de avaliação de programas e com a triangulação, muito usada em pesquisa aplicada e em avaliação de políticas públicas. Não é só “contar” nem só “ouvir”, é combinar as duas coisas para responder melhor à pergunta da gestão.