Uma empresa de médio porte está avaliando a criação de um plano de gerenciamento de riscos corporativos. Durante uma reunião, o gestor propõe que o apetite ao risco seja alto em todas as áreas, visando maior agressividade nos investimentos. De acordo com o COSO ERM 2017, qual deve ser a abordagem correta para determinar o apetite ao risco?
- A)Evitar o uso do conceito de apetite ao risco e trabalhar apenas com tolerância a riscos.
Errada, porque o COSO ERM 2017 valoriza tanto o apetite ao risco quanto a tolerância, e não manda abandonar o conceito de apetite.
- B)Determinar um único apetite ao risco para toda a organização, independentemente das áreas.
Errada, porque um único apetite para toda a organização ignora diferenças entre áreas, objetivos e níveis de exposição ao risco.
- C)Estabelecer apetite ao risco individualizado para diferentes áreas, alinhado aos objetivos estratégicos.
Certa, porque o apetite ao risco deve ser definido de forma alinhada aos objetivos estratégicos e pode variar conforme a área.
- D)Definir um apetite ao risco baseado exclusivamente no histórico de perdas financeiras da organização.
Errada, porque o histórico de perdas pode ajudar na análise, mas não é o único critério para definir apetite ao risco.
Gabarito: C
No COSO ERM 2017, o apetite ao risco não é um número mágico único jogado sobre a empresa inteira como se todas as áreas fossem iguais. A lógica do modelo é ligar risco e estratégia: primeiro você entende quais objetivos a organização quer alcançar e, depois, define quanto risco está disposta a aceitar para cada objetivo, processo ou unidade relevante. Por isso, o apetite ao risco pode variar conforme a área, a atividade e o tipo de decisão. Um setor mais inovador pode aceitar mais risco para buscar crescimento, enquanto uma área mais crítica para conformidade ou continuidade deve ter limites bem mais conservadores. Faz sentido, né? A empresa não vai tratar a tesouraria, a operação e o compliance como se fossem a mesma coisa. O COSO ERM 2017 destaca justamente esse alinhamento entre apetite ao risco, estratégia e desempenho. Ou seja, o apetite deve ser definido de forma consistente com os objetivos estratégicos e desdobrado conforme o contexto de cada parte da organização, para orientar decisões melhores e mais coerentes. Assim, a alternativa C está correta porque reconhece a necessidade de um apetite ao risco individualizado por áreas, sempre conectado aos objetivos estratégicos. Isso evita generalizações grosseiras e torna a gestão de riscos realmente útil, em vez de virar um slogan corporativo bonito na apresentação.