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Administração Geral · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Administração Geral

O propósito de decifrar ou avaliar uma cultura pode variar desde a pesquisa pura, em que o pesquisador tenta apresentar o retrato de uma cultura a colegas pesquisadores e outras partes interessadas, a ajudar uma organização a chegar a um acordo com sua própria cultura, porque seus líderes estão comprometidos com algum projeto de mudança. Os levantamentos por questionários e entrevistas individuais podem ser a melhor forma de comparar e contrastar eficientemente conjuntos de organizações; mas, se a cultura for o alvo do pesquisador, as limitações desses métodos de levantamento de dados culturais devem ser levadas muito a sério. No uso de um questionário ou de um instrumento de levantamento corre-se o risco de: I. Selecionar dimensões de mensuração que não sejam relevantes ou importantes em termos da dinâmica cultural de uma dada organização. II. Mensurar apenas as características superficiais da cultura, em razão de os instrumentos não serem adequados para descobrir as suposições tácitas compartilhadas mais profundas que definem a essência das culturas. III. O instrumento de levantamento não ser confiável nem válido, porque validar medidas formais de algo tão complexo e profundo quanto as suposições culturais é intrinsecamente muito difícil. IV. A padronização das suposições culturais em um paradigma não poder ser revelada por um questionário. V. Os respondentes não estarem preparados para responder de modo confiável às questões do levantamento porque as suposições culturais são tácitas. Está correto o que se afirma em

Gabarito: A

Quando a questão trata de cultura organizacional, o ponto central é lembrar que cultura não é só o que está escrito no manual ou o que aparece em relatório bonito. Ela envolve valores, crenças, hábitos, símbolos e, principalmente, suposições tácitas, aquelas ideias profundas que muitas vezes nem os próprios membros da organização conseguem explicar com facilidade. Por isso, instrumentos como questionários e entrevistas ajudam, mas têm limites importantes quando o objetivo é realmente entender a cultura em profundidade. O texto da questão lista exatamente os riscos clássicos apontados pela doutrina de cultura organizacional: o pesquisador pode escolher dimensões pouco relevantes para aquela organização, captar só a parte superficial da cultura, usar instrumentos com validade e confiabilidade frágeis para algo tão complexo, não conseguir revelar a padronização das suposições culturais e ainda contar com respondentes que não conseguem responder com precisão porque grande parte dessas suposições é implícita. Essa visão é compatível com a literatura de Administração, especialmente com autores como Edgar Schein, que destacam que a cultura tem níveis: artefatos visíveis, valores declarados e suposições básicas. Quanto mais profundo o nível, mais difícil é mensurar por questionário. Então, quando a banca apresenta as assertivas I a V, ela está apenas desdobrando os limites metodológicos de se estudar cultura organizacional por instrumentos padronizados. Por isso o gabarito A está correto: todas as afirmações refletem riscos reais do uso de questionários e levantamentos para avaliar cultura. Em provas, sempre desconfie quando a banca quiser tratar cultura como se fosse algo totalmente mensurável por formulário de múltipla escolha. Cultura até aceita planilha, mas não se deixa contar com tanta facilidade.

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