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Administração Geral · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Administração Geral

O funcionário típico dos anos 60 e 70 comparecia ao trabalho de segunda à sexta-feira e cumpria horários fixos para uma jornada diária de oito a nove horas. O local de trabalho e os horários eram claramente especificados. Isso não acontece mais atualmente com uma grande parte da força de trabalho. Os trabalhadores se queixam, cada vez mais, de que a linha divisória entre os períodos dedicados ao trabalho e à vida pessoal se tornou obscura, provocando conflitos pessoais e estresse. Uma série de fatores contribuíram para esta confusão entre trabalho e vida pessoal. Em primeiro lugar, a criação de organizações globais significa que o mundo empresarial nunca dorme. A qualquer hora, em qualquer dia, milhares de funcionários em diferentes empresas estão trabalhando em algum lugar. A necessidade de consultas com colegas ou clientes em oito ou dez fusos horários diferentes faz com que os funcionários das empresas globais precisem estar “à disposição” 24 horas por dia. Em segundo lugar, a tecnologia de comunicação permite que os funcionários façam o seu trabalho em casa, no carro, ou em uma praia no Taiti. Isto permite que muitas pessoas de áreas técnicas ou em profissões liberais trabalhem horário e em qualquer lugar. O terceiro fator é que as empresas estão pedindo a seus funcionários que trabalhem mais tempo. Finalmente, poucas famílias têm apenas um membro que trabalha fora atualmente. Os funcionários de hoje, em sua maioria, integram um casal de trabalhadores. Isto torna muito difícil para essas pessoas encontrar tempo para atender a compromissos domésticos, conjugais ou com os filhos, parentes e amigos. Os trabalhadores percebem que o trabalho vem tomando cada vez mais espaço de suas vidas pessoais [...]. (ROBBINS, S. R. Comportamento organizacional. 11 ed. São Paulo: Pearson, 2005. p. 19. Adaptado.) De acordo com o texto, a situação descrita trata-se de:

Gabarito: B

A questão descreve um cenário bem típico da abordagem comportamental, mais especificamente de um tema muito cobrado em Administração: qualidade de vida no trabalho. Repare no foco do texto: mistura entre vida pessoal e profissional, aumento do estresse, necessidade de disponibilidade constante e dificuldade de conciliar família, lazer e trabalho. Isso não é sobre produção em si, mas sobre como o trabalho afeta a pessoa por inteiro. Na prática, quando a organização expande, acelera, conecta fusos horários e exige resposta o tempo todo, surge o conflito trabalho-vida. A tecnologia ajuda, mas também “gruda” o funcionário na rotina do emprego, até no sofá de casa ou na praia. O efeito é exatamente o que o enunciado aponta: mais tensão, mais desgaste e menos equilíbrio. Por isso, o gabarito é a letra B, porque qualidade de vida no trabalho envolve justamente condições que preservem o bem-estar físico, psicológico e social do trabalhador. A doutrina de comportamento organizacional trata o tema como um conjunto de fatores que reduzem o estresse e melhoram a satisfação, o equilíbrio e o desempenho. Não é luxo corporativo, é gestão inteligente da relação pessoa-trabalho. As outras alternativas tentam puxar a questão para temas que não aparecem no texto. O enunciado fala de rotina, limites, estresse e conciliação de papéis, não de falta de trabalhadores, diversidade ou ética. É aquela questão clássica em que a banca descreve um problema humano e espera que você reconheça o rótulo correto.

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