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furafila
📖Português

Tipos de
Textos e
Gêneros

Narração, descrição, dissertação, exposição, injunção. Gêneros textuais do cotidiano ao literário. Intertextualidade: paráfrase, paródia, citação, alusão, epígrafe. Tudo o que a banca pede de leitura.

Aula07 / 09
DisciplinaPortuguês
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Oito módulos sobre texto: do que é tipo, do que é gênero, como se relacionam, e como a intertextualidade aparece em prova.

  1. Tipologia × gênero textual
    Conceitos-base, distinção fundamental
    p. 04
  2. 5 tipos textuais
    Narração, descrição, dissertação, exposição, injunção
    p. 06
  3. Gêneros textuais: classificação
    Do cotidiano ao especializado
    p. 09
  4. Gêneros literários × não-literários
    Fronteiras e sobreposições
    p. 11
  5. Domínios discursivos
    Jornalístico, jurídico, acadêmico, digital
    p. 13
  6. Intertextualidade
    Paráfrase, paródia, citação, alusão, epígrafe
    p. 15
  7. Textos publicitários e digitais
    Propaganda, memes, blog, e-mail
    p. 18
  8. Como cai em prova
    Padrões das bancas, pegadinhas
    p. 20
  9. Mapa mental e revisão
    A aula inteira em duas páginas
    p. 22
  10. 10 questões comentadas
    Comentadas pelo Affonsinho
    p. 24
Meta desta aula
Distinguir TIPO (só 5: estruturas fixas) de GÊNERO (centenas: situações sociais). Saber identificar cada tipo no trecho. Reconhecer recursos de intertextualidade.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Diferenciar tipo × gênero

Tipo: ESTRUTURA (5 moldes fixos). Gênero: USO SOCIAL (centenas). Um gênero pode ter vários tipos.

02
Identificar cada tipo

Narração conta. Descrição pinta. Dissertação argumenta. Exposição informa. Injunção instrui.

03
Classificar gêneros

Por esfera (jornalística, jurídica, literária, digital). Reconhecer marcadores de cada esfera.

04
Dominar intertextualidade

Paráfrase (reescreve), paródia (subverte), citação (transcreve), alusão (referência indireta), epígrafe (abre texto com outro).

05
Reconhecer gêneros digitais

E-mail, blog, post, meme, tweet. Marcas linguísticas e estruturais.

06
Analisar funções comunicativas

Cada gênero tem função: informar, persuadir, instruir, entreter. Identifica pela intenção.

O Fuffu prepara o terreno

Tipo textual é como o esqueleto. Gênero é como a roupa. Um mesmo tipo (narração) aparece em vários gêneros (conto, reportagem, piada, caso jurídico). A prova quer ver se você sabe os dois.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Tipologia × gênero textual

Dois conceitos essenciais que a banca adora confundir.

Tipo textual (tipologia)

É uma estrutura linguística FIXA, definida pelos modos de organização do conteúdo. São apenas 5 tipos:

  1. Narração: sequência de fatos no tempo.
  2. Descrição: características de um ser, objeto ou cena.
  3. Dissertação-argumentativa: defesa de uma tese com argumentos.
  4. Dissertação-expositiva (exposição): apresentação de informações.
  5. Injunção: ordens, instruções, comandos.

Tipo responde: COMO o texto está organizado linguisticamente?

Gênero textual

É uma categoria social de texto, definida pela situação de uso. São centenas, crescem com o tempo: carta, e-mail, receita, bula, tweet, contrato, sentença, oração, meme, reportagem, poema, piada.

Gênero responde: ONDE e PARA QUÊ o texto é usado socialmente?

Como se relacionam

Um gênero pode combinar vários tipos. Exemplos:

  • Reportagem (gênero): mistura narração + exposição + descrição.
  • Receita de bolo (gênero): combina descrição (ingredientes) + injunção (modo de preparo).
  • Artigo de opinião (gênero): dissertação-argumentativa predominante.
  • Conto (gênero): narração predominante, com descrição.

Quadro resumo

AspectoTipoGênero
Quantos existem5 fixosCentenas, surgem novos
Definido porEstrutura linguísticaSituação social
ExemploNarraçãoConto, piada, fofoca
MudançaEstáveisMudam com a sociedade

Dica do Fuffu

Se a questão diz 'predominantemente narrativo', está falando do TIPO. Se diz 'é um texto do gênero reportagem', está falando do GÊNERO. Fique atento ao vocabulário da banca.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 5 tipos textuais

Narração

Conta fatos que acontecem no TEMPO. Tem personagens, ações, espaço, narrador. Usa verbos de ação (pretérito perfeito, imperfeito).

Marca típica: 'Certo dia...', 'Era uma vez...', 'Em 1822, D. Pedro proclamou...'

Gêneros: conto, romance, fábula, crônica, piada, reportagem, caso jurídico.

Descrição

PINTA com palavras. Retrata características de ser, objeto, cena, lugar. Verbos de estado (ser, estar, parecer). Adjetivos abundantes.

Marca típica: 'Era alto, magro, de olhos claros. A sala estava vazia, com paredes amareladas.'

Gêneros: descrição literária, bula, manual, anúncio, laudo.

Dissertação-argumentativa

DEFENDE tese com argumentos. Estrutura: introdução (tese) → desenvolvimento (argumentos) → conclusão. Conectivos lógicos (portanto, entretanto, pois, contudo).

Marca típica: 'É preciso combater a corrupção, pois ela destrói a confiança institucional.'

Gêneros: artigo de opinião, editorial, redação de vestibular/ENEM, ensaio, manifesto, sentença judicial.

Dissertação-expositiva (exposição)

EXPÕE informação, explica conceito sem defender tese. Neutralidade. Comum em textos didáticos/científicos.

Marca típica: 'A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas produzem energia a partir da luz solar.'

Gêneros: verbete de enciclopédia, artigo científico, texto didático, reportagem informativa, matéria técnica.

Injunção

INSTRUI, dá comando, orienta ação. Verbos no imperativo ou infinitivo. Sequência de passos.

Marca típica: 'Bata os ovos. Junte a farinha. Leve ao forno por 40 minutos.'

Gêneros: receita, manual de instruções, bula, regulamento, edital de concurso, ordem de serviço.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Atenção: dissertação-argumentativa X expositiva. A primeira DEFENDE uma tese (polêmica, ponto de vista). A segunda só APRESENTA informação (neutralidade). Um editorial argumenta; uma matéria jornalística expõe.

Como identificar cada tipo

TipoVerbos típicosPalavra-chave
NarraçãoPretérito perfeito/imperfeitoOntem, então, depois, certa vez
DescriçãoSer, estar, ter, parecerEra, parecia, tinha, na sua frente
Dissertação-argumentativaPresente, futuroPortanto, entretanto, pois, assim
ExposiçãoPresente atemporalÉ, consiste em, define-se como
InjunçãoImperativo, infinitivoFaça, coloque, observe, acompanhe

Texto híbrido

Quase todo texto longo mistura tipos. A banca pergunta pela PREDOMINÂNCIA. Conte o tempo verbal predominante, observe a estrutura geral, identifique a INTENÇÃO central do autor.

Exemplo: Uma reportagem pode começar narrando (fato ocorrido), descrever o local, expor estatísticas, terminar com opinião argumentativa. O gênero é reportagem, o tipo predominante varia.

Pegadinhas da banca

  • Confundir DESCRIÇÃO com NARRAÇÃO. Descrição PINTA momento estático; narração TEMPO.
  • Confundir ARGUMENTAÇÃO com EXPOSIÇÃO. Argumenta = tese + defesa. Expõe = só informa.
  • Chamar injunção de 'instrucional' ou 'prescritivo'. São sinônimos na terminologia.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Nem todo texto que tem personagem é NARRAÇÃO. Um conto com flashback pode ser predominantemente descritivo (pintando cenas sem avanço temporal). Olhe se há sequência de ações no tempo. Sem isso, não é narração.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Gêneros textuais: classificação

Os gêneros se multiplicam com a sociedade. Não há lista fechada, mas classificamos por esferas de uso.

Esfera cotidiana

Uso diário, informal. Conversa telefônica, bilhete, e-mail pessoal, recado, lista de compras, piada, fofoca.

Esfera jornalística

Informar e opinar sobre o mundo. Notícia (fato), reportagem (fato + contexto), editorial (opinião do jornal), artigo de opinião, entrevista, crônica.

Esfera literária

Arte da palavra. Romance, conto, novela, crônica, poema, soneto, peça teatral.

Esfera acadêmica

Produção e divulgação de conhecimento. Artigo científico, tese, dissertação, resenha, resumo, palestra, aula, paper.

Esfera jurídica

Relações legais e institucionais. Petição, sentença, acórdão, contrato, parecer, ação, apelação, procuração, estatuto.

Esfera administrativa/oficial

Documentos públicos. Ofício, memorando, ata, relatório, circular, requerimento, edital, portaria, parecer técnico.

Esfera publicitária

Persuasão ao consumo. Anúncio, propaganda, folder, banner, panfleto, jingle, slogan.

Esfera religiosa

Espiritualidade e ritual. Oração, sermão, hino, louvor, parábola, homilia, cântico.

Esfera digital

Surgida nas últimas décadas. E-mail, blog, post de rede social, tweet, meme, videochamada, live, podcast, stories.

Coach Jeff, macete

A esfera ajuda a identificar o gênero. 'Acórdão' = jurídica. 'Ofício' = administrativa. 'Soneto' = literária. 'Tweet' = digital. Identifica a esfera primeiro, o gênero se apresenta.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 Literários × não-literários

Textos literários

Preocupação ESTÉTICA, uso artístico da linguagem. Função poética predominante (segundo Jakobson). Admitem plurissignificação, subjetividade, figuras de linguagem.

Gêneros:

  • Poema (soneto, haicai, trova, verso livre)
  • Conto, crônica, novela, romance
  • Peça teatral
  • Fábula, lenda, mito

Textos não-literários

Preocupação PRÁTICA, funcional. Linguagem denotativa (sentido direto), objetiva. Função referencial, apelativa ou metalinguística predominante.

Gêneros:

  • Notícia, reportagem
  • Artigo científico, tese
  • Bula, manual, receita
  • Documento jurídico, ofício
  • Publicidade

Linguagem literária × não-literária

LiteráriaNão-literária
Conotativa (figurada)Denotativa (direta)
SubjetivaObjetiva
PlurissignificativaMonossignificativa
Ênfase no códigoÊnfase no referente
Figuras de linguagemRaras figuras

Fronteira

Alguns textos ocupam posição intermediária. Crônica é literária mas parte de fato real. Reportagem pode usar recursos literários. Publicidade mistura persuasão e artifício estético. A fronteira é FLUIDA.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O que distingue não é o ASSUNTO, mas o TRATAMENTO. Um romance sobre a Segunda Guerra é literário; uma tese de história sobre o mesmo tema é não-literário. A diferença está na elaboração estética da linguagem.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Domínios discursivos

Um domínio é o CAMPO social onde o gênero circula. Dominá-los ajuda a decodificar o texto na prova.

Domínio jornalístico

Objetivo: informar o grande público sobre fatos recentes.

  • Notícia: relato objetivo de fato novo. Estrutura: lide (quem, quando, onde, como, por quê), corpo, fechamento.
  • Reportagem: aprofunda a notícia, com contexto, entrevistas, dados.
  • Editorial: opinião institucional do jornal. Anônimo.
  • Artigo de opinião: visão assinada de articulista.
  • Crônica: texto híbrido (literário e jornalístico), sobre cotidiano.

Domínio jurídico

Linguagem técnica, vocabulário especializado, formalismo.

  • Petição inicial: abre processo, estruturada (endereçamento, fatos, direito, pedidos).
  • Sentença: decisão do juiz. Relatório, fundamentação, dispositivo.
  • Acórdão: decisão colegiada (turmas, plenário).
  • Parecer: opinião técnica jurídica.

Domínio administrativo

Regido pelo Manual de Redação Oficial. Impessoalidade, clareza, concisão.

  • Ofício: comunicação entre órgãos ou de órgão para pessoa.
  • Memorando: antes usado internamente, hoje substituído por ofício no Padrão Ofício.
  • Circular: comunicação para grupo amplo.
  • Ata: registro de reunião.

Domínio acadêmico

  • Artigo científico: resultado de pesquisa. Estrutura IMRAD (intro, método, resultado, discussão).
  • Resenha: descrição + avaliação crítica de obra.
  • Resumo: síntese objetiva de texto maior.
  • Abstract: resumo em outro idioma, comum em artigos.

O Raffinha conecta

Você vai cair nesses domínios no trabalho público. Prova de concurso cobra porque você vai USAR. Saber identificar um acórdão ou uma portaria em 10 segundos é diferencial.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Intertextualidade

INTERTEXTUALIDADE é a relação entre textos. Um texto dialoga com outro, cita, modifica, referencia. Julia Kristeva cunhou o termo (1966). Bakhtin já falava de dialogismo.

1. Paráfrase

Reescrita de um texto MANTENDO o sentido original. Outras palavras, mesma ideia.

Exemplo: Original: 'Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá'. Paráfrase: 'Em meu país há palmeiras, e os sabiás cantam neles'.

2. Paródia

Reescrita que SUBVERTE o sentido, frequentemente com humor ou crítica.

Exemplo: Oswald de Andrade parodiou 'Canção do Exílio' de Gonçalves Dias: 'Minha terra tem palmares / onde gorjeia o mar'. Inverte nacionalismo ufanista.

3. Citação

Transcrição LITERAL de trecho de outro autor, com indicação da fonte (aspas, itálico, referência).

Exemplo: Como dizia Machado: 'Não há nada mais complicado do que não fazer nada'.

4. Alusão

Referência INDIRETA a texto ou fato. O autor espera que o leitor reconheça.

Exemplo: 'Aquele episódio foi um cavalo de Troia para a empresa.' (alusão à Odisseia)

5. Epígrafe

Texto (em geral breve) colocado NO INÍCIO de outro texto para orientar a leitura, estabelecer diálogo.

Exemplo: Muitos capítulos de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' começam com citação de Shakespeare, Pascal, Dante.

6. Pastiche

Imitação do estilo de outro autor, sem intenção crítica (diferente da paródia).

Exemplo: Escrever um conto imitando o estilo de Machado: frases curtas, ironia, narrador intruso.

7. Tradução

Versão em outro idioma também é intertextualidade, pois recria o sentido em outra língua.

Cuidado, o vilão Concurseiro Rival está de olho

A banca confunde PARÁFRASE e PARÓDIA. Paráfrase mantém sentido; paródia subverte. Se o texto reescrito ironiza o original, é paródia. Se preserva a ideia, é paráfrase.

Intertextualidade explícita × implícita

  • Explícita: citação com fonte, epígrafe assinada, paródia declarada.
  • Implícita: alusão, paráfrase sem fonte, pastiche. Leitor identifica pelo repertório.

Como a banca cobra

  1. Apresenta dois textos e pergunta qual relação existe entre eles (paráfrase? paródia? citação?).
  2. Dá um texto com epígrafe e pergunta a função da epígrafe (comenta, contrapõe, confirma o texto).
  3. Indaga sobre alusão: pede identificação da referência implícita.
  4. Pergunta o efeito da paródia (humor, crítica, homenagem).

Exemplo clássico de paródia brasileira

Original (Gonçalves Dias, 1846):
'Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.'

Paródia (Oswald de Andrade, 1925):
'Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.'

Oswald troca 'palmeiras' por 'palmares' (referência ao Quilombo), ironiza o ufanismo. Paródia crítica.

Exemplo de alusão

Quando Drummond escreve 'Stop. A vida parou / ou foi o automóvel?' ele alude à modernização, à velocidade urbana. O leitor reconhece o contexto.

Coach Jeff, macete

Para distinguir rapidamente: SE MANTÉM sentido = paráfrase. SE SUBVERTE = paródia. SE CITA com aspas = citação. SE REFERENCIA sem citar = alusão. SE ABRE outro texto = epígrafe.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Textos publicitários e digitais

Texto publicitário

Objetivo: PERSUADIR ao consumo. Função apelativa predominante (Jakobson).

Características:

  • Verbal + visual: imagem, cor, tipografia são parte do texto.
  • Slogan: frase-síntese memorável.
  • Marcador apelativo: 2ª pessoa, imperativo (compre, experimente, aproveite).
  • Jogo de palavras: metáforas, trocadilhos, referências culturais.
  • Intertextualidade frequente: alusão a filmes, músicas, ditados.

Exemplo clássico: 'Tomou Doril, a dor sumiu'. Rima, promessa, imperativo implícito.

Gêneros digitais

Surgidos com internet. Combinam recursos verbais, visuais, sonoros.

  • E-mail: substituiu carta formal e bilhete. Variação de registro (formal a íntimo).
  • Blog: diário digital, tom pessoal. Mistura opinião, informação, cotidiano.
  • Post de rede social: curto, visual, interativo (curtidas, compartilhamentos, comentários).
  • Tweet: 280 caracteres. Síntese, humor, polêmica.
  • Meme: imagem + texto curto. Viraliza, se transforma. Intertextualidade forte.
  • Podcast: áudio programado, geralmente conversacional.
  • Stories: conteúdo efêmero, 24h, verbal-visual.

Marcadores dos gêneros digitais

  • Hashtags (#concurso, #portugues).
  • Arrobas (@usuario).
  • Abreviações e emojis.
  • Hiperlinks, marcações.
  • Registro coloquial, velocidade.
  • Interatividade esperada.

Multimodalidade

Textos contemporâneos são MULTIMODAIS: combinam linguagem verbal, imagem, som, vídeo. A leitura exige decodificar TODOS os modos. A banca cobra interpretação de infográfico, charge, tirinha, meme.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Banca atualizada cobra charge, tirinha, meme, infográfico. Sabe decodificar imagem + texto. Funções: entreter, informar, criticar, persuadir. A multimodalidade é realidade: concurso se atualizou.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Como cai em prova

Tipos mais cobrados

  1. Identificação de tipo predominante num trecho dado (narração? descrição? argumentação?).
  2. Identificação do gênero (é ofício? reportagem? crônica?).
  3. Reconhecimento de intertextualidade (paráfrase, paródia, citação, alusão, epígrafe).
  4. Função da linguagem em texto publicitário (apelativa, poética, referencial).
  5. Interpretação de texto multimodal (charge, infográfico, tirinha).

Marcadores que DENUNCIAM o tipo

Narração: pretérito perfeito + personagem + sequência temporal. Descrição: adjetivos + ser/estar + estado. Argumentação: conectivos lógicos + 1ª pessoa do plural + defesa. Exposição: presente atemporal + neutralidade + definições. Injunção: imperativo + sequência de ações.

Marcadores que DENUNCIAM o gênero

Ofício: número, endereçamento, linguagem formal. Reportagem: lide, contextualização, dados. Crônica: 1ª pessoa, cotidiano, humor. Receita: ingredientes + modo de preparo. Sentença: relatório + fundamentação + dispositivo.

Pegadinhas

  • Confundir tipo com gênero (questão pede tipo, mas resposta aponta gênero, ou vice-versa).
  • Confundir paráfrase com paródia (sentido mantido × subvertido).
  • Marcar 'argumentativo' num texto que só EXPÕE (sem tese defendida, é exposição).
  • Chamar toda narração em 1ª pessoa de literária (um depoimento é não-literário).

Aviso do Examinador

Banca adora apresentar texto ambíguo e perguntar 'qual o tipo predominante?'. Conte pistas: verbos, marcadores, intenção geral. Se ainda estiver em dúvida, foque no OBJETIVO do autor.

Aula inteira em uma página

Mapa mental

Tipos e Gêneros
Tipo × Gênero
  • Tipo: 5 estruturas fixas
  • Gênero: centenas de usos sociais
  • Um gênero = vários tipos
5 tipos
  • Narração (conta fatos)
  • Descrição (pinta)
  • Dissertação-argumentativa (defende tese)
  • Exposição (informa)
  • Injunção (instrui)
Esferas
  • Jornalística, jurídica, administrativa
  • Literária, acadêmica
  • Publicitária, religiosa, digital
Literário × Não-literário
  • Literário: estético, conotativo
  • Não-literário: prático, denotativo
  • Fronteira fluida (crônica)
Intertextualidade
  • Paráfrase (mantém sentido)
  • Paródia (subverte)
  • Citação (transcreve)
  • Alusão (indireta)
  • Epígrafe (abre texto)
  • Pastiche (imita estilo)
Publicitário
  • Função apelativa
  • Slogan memorável
  • Verbal + visual
Digitais
  • E-mail, blog, post, tweet
  • Meme, podcast, stories
  • Multimodalidade
Pegadinhas
  • Tipo × gênero confundidos
  • Paráfrase × paródia
  • Argumenta × expõe
Em 90 segundos

Revisão relâmpago

01
Tipo × Gênero

Tipo: 5 estruturas (narra, descreve, argumenta, expõe, instrui). Gênero: centenas de usos sociais.

02
Narração

Sequência temporal. Pretérito perfeito. Personagens, ação.

03
Descrição

Pinta cena, ser. Adjetivos, ser/estar.

04
Argumentação × Exposição

Argumenta: defende tese. Expõe: apenas informa, neutro.

05
Injunção

Comanda, instrui. Imperativo, infinitivo. Receita, manual, bula.

06
Esferas

Jornalística, jurídica, administrativa, literária, acadêmica, publicitária, digital.

07
Paráfrase × Paródia

Paráfrase preserva. Paródia subverte, ironiza.

08
Digitais

E-mail, blog, post, tweet, meme. Multimodalidade.

Fuffu resume
Tipos são ESQUELETO (5 formas). Gêneros são ROUPA (centenas de usos). Intertextualidade é diálogo entre textos. Domine os 3 e a interpretação vem junto.
Fixação

10 questões comentadas

Dez questões sobre tipos de textos, gêneros textuais e intertextualidade, comentadas pelo Prof. Affonsinho.

Aviso do Examinador

A banca confunde terminologia e cobra precisão: saber que 'tipo' é diferente de 'gênero', que 'paráfrase' é diferente de 'paródia'. Leia o enunciado com cuidado.

Q1 Questão 01 · Comentada

Enunciado. Quantos tipos textuais existem?

A) 3 (narração, descrição, dissertação).

B) 4 (narração, descrição, dissertação, injunção).

C) 5 (narração, descrição, dissertação-argumentativa, dissertação-expositiva, injunção).

D) 7 (com poema e carta).

E) Centenas, variam com a sociedade.

Gabarito: C

Há 5 tipos textuais: narração, descrição, dissertação-argumentativa, dissertação-expositiva (exposição) e injunção. Número fixo. GÊNEROS são centenas e variam com a sociedade.

Comentário do Prof. Affonsinho

5 tipos: memorize

Narração conta fatos. Descrição pinta. Argumentação defende tese. Exposição informa neutralmente. Injunção instrui. Esses cinco são TIPOS (estrutura). Não confunda com gêneros, que são centenas.

Q2 Questão 02 · Comentada

Enunciado. Uma receita de bolo é exemplo de qual tipo textual predominante?

A) Narração.

B) Descrição.

C) Dissertação-argumentativa.

D) Injunção.

E) Exposição.

Gabarito: D

Receita predomina INJUNÇÃO: instrui, comanda ação ('Bata os ovos, adicione a farinha, leve ao forno'). Uso de verbos no imperativo ou infinitivo. Sequência de passos a executar.

Pode ter descrição (ingredientes), mas o modo de preparo é o cerne: injunção.

Comentário do Prof. Affonsinho

Injunção: ordens

Receita, manual, bula, regulamento, edital, ordem de serviço, comando de navegação (clique aqui), tutorial: todos têm INJUNÇÃO predominante. Verbo imperativo ou infinitivo é a marca.

Q3 Questão 03 · Comentada

Enunciado. Qual é a diferença entre dissertação-argumentativa e dissertação-expositiva?

A) Não há diferença, são sinônimos.

B) A argumentativa defende tese; a expositiva apenas informa.

C) A expositiva é mais longa.

D) A argumentativa é oral, a expositiva é escrita.

E) A expositiva é feita só por jornalistas.

Gabarito: B

A DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA defende uma TESE (ponto de vista) com argumentos. A DISSERTAÇÃO-EXPOSITIVA apenas apresenta informações de forma neutra, sem tomar partido.

Editorial = argumentativa. Verbete de enciclopédia = expositiva. Matéria jornalística = expositiva (deve ser neutra).

Comentário do Prof. Affonsinho

Argumenta × expõe

A tese é a chave. Se há defesa de ponto de vista, é ARGUMENTATIVA. Se há apenas apresentação de fatos, conceitos, dados, é EXPOSITIVA. A redação do ENEM é tipicamente argumentativa.

Q4 Questão 04 · Comentada

Enunciado. 'Minha terra tem palmares / onde gorjeia o mar' (Oswald de Andrade) em relação ao original 'Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá' (Gonçalves Dias) é um exemplo de:

A) Paráfrase.

B) Paródia.

C) Citação direta.

D) Epígrafe.

E) Plágio.

Gabarito: B

É PARÓDIA. Oswald SUBVERTE o sentido original, ironiza o ufanismo romântico. 'Palmares' (referência ao Quilombo dos Palmares) no lugar de 'palmeiras'. Crítica explícita.

Paráfrase manteria o sentido, apenas reformulando as palavras.

Comentário do Prof. Affonsinho

Paródia: subversão irônica

A paródia de Oswald é marco do Modernismo. Reescreve Gonçalves Dias (Romantismo) com crítica e humor. Típica postura modernista: revisar ironicamente a tradição. Antropofagia cultural.

Q5 Questão 05 · Comentada

Enunciado. O recurso intertextual em que um texto abre o texto seguinte, orientando sua leitura, chama-se:

A) Paráfrase.

B) Paródia.

C) Citação.

D) Epígrafe.

E) Alusão.

Gabarito: D

EPÍGRAFE é um texto (frase, verso, trecho) colocado NO INÍCIO de outro, para orientar sua leitura, estabelecer diálogo, ou sugerir contexto.

Machado abre vários capítulos de Brás Cubas com epígrafes de Shakespeare, Pascal, Dante.

Comentário do Prof. Affonsinho

Epígrafe: abertura dialogal

Serve para estabelecer tom ou tese do texto que se segue. Breve. Costuma ser de outro autor, com autoria indicada. Abre, não encerra. É intertextualidade explícita.

Q6 Questão 06 · Comentada

Enunciado. Texto: 'Era uma mulher alta, magra, com cabelos cacheados e um olhar profundo. Usava um vestido vermelho vivo que contrastava com a neutralidade do ambiente.' Qual o tipo predominante?

A) Narração.

B) Descrição.

C) Dissertação.

D) Injunção.

E) Exposição.

Gabarito: B

DESCRIÇÃO. O trecho PINTA características: alta, magra, cabelos cacheados, olhar profundo, vestido vermelho. Verbos de estado (era, usava). Nenhuma sequência temporal de ações. Adjetivos abundantes.

Comentário do Prof. Affonsinho

Marcas da descrição

Adjetivos + verbos de estado (ser, estar, parecer) = descrição. Quando a intenção é RETRATAR, não CONTAR. Se o texto avançasse para 'A mulher pegou a caneta e escreveu uma carta', entraria narração.

Q7 Questão 07 · Comentada

Enunciado. A diferença entre paráfrase e citação é:

A) Não há diferença.

B) A citação transcreve literalmente; a paráfrase reescreve mantendo o sentido.

C) A citação é oral; a paráfrase é escrita.

D) A paráfrase subverte o sentido; a citação preserva.

E) A citação é sempre literária.

Gabarito: B

CITAÇÃO: transcreve PALAVRAS LITERAIS do texto original, geralmente com aspas e indicação de autoria. PARÁFRASE: reescreve com OUTRAS PALAVRAS, mantendo o sentido.

Ambas preservam a ideia. A diferença é se reproduz o texto original (citação) ou reformula (paráfrase).

Comentário do Prof. Affonsinho

Citação × paráfrase

Citação é mais direta, textual. 'Como dizia Machado: Não há nada mais complicado do que não fazer nada'. Paráfrase é indireta. 'Machado observou que nada é mais difícil do que se manter na inércia'.

Q8 Questão 08 · Comentada

Enunciado. Um ofício expedido por órgão público pertence a qual esfera discursiva?

A) Jornalística.

B) Administrativa (oficial).

C) Acadêmica.

D) Literária.

E) Publicitária.

Gabarito: B

OFÍCIO é gênero da esfera ADMINISTRATIVA (também chamada oficial). Comunicação entre órgãos públicos, regida pelo Manual de Redação Oficial. Linguagem formal, impessoal, clara.

Comentário do Prof. Affonsinho

Esferas e gêneros

Ofício, memorando, ata, circular, portaria, decreto: esfera administrativa. Petição, sentença, contrato: jurídica. Artigo científico, resenha: acadêmica. Saber a esfera ajuda a identificar o gênero.

Q9 Questão 09 · Comentada

Enunciado. A frase 'Aquela empresa foi um verdadeiro cavalo de Troia' contém um recurso intertextual conhecido como:

A) Paráfrase.

B) Paródia.

C) Alusão.

D) Citação direta.

E) Epígrafe.

Gabarito: C

ALUSÃO: referência INDIRETA a outro texto/fato cultural. 'Cavalo de Troia' remete à Odisseia/Ilíada, sem citação direta. O autor espera que o leitor reconheça.

Comentário do Prof. Affonsinho

Alusão: referência implícita

Diferente da citação (que transcreve), a alusão apenas REMETE. 'Beijo de Judas' alude à Bíblia. 'Trabalho de Hércules' alude à mitologia grega. 'O calcanhar de Aquiles' idem. Leitor deve reconhecer.

Q10 Questão 10 · Comentada

Enunciado. A distinção entre texto literário e não-literário baseia-se principalmente em:

A) Tamanho do texto.

B) Presença ou ausência de personagens.

C) Tratamento estético da linguagem (literário) × finalidade prática (não-literário).

D) Assunto abordado.

E) Idade do autor.

Gabarito: C

A distinção está no TRATAMENTO da linguagem. Textos LITERÁRIOS têm preocupação estética, conotação, plurissignificação. Textos NÃO-LITERÁRIOS têm finalidade prática, linguagem denotativa, objetiva.

O assunto pode ser o mesmo (ex.: guerra). O que diferencia é COMO se trata da linguagem.

Comentário do Prof. Affonsinho

Forma importa mais que conteúdo

Um romance sobre guerra é literário; uma tese histórica sobre a mesma guerra é não-literária. Um poema sobre comida é literário; uma receita é não-literária. A diferença está na ELABORAÇÃO ESTÉTICA.

Tipos e gêneros dominados!

5 tipos textuais decorados.
Gêneros classificados por esfera.
Intertextualidade reconhecida.
Paráfrase, paródia, alusão separados.
Você já identifica qualquer texto em segundos.

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furafila

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