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furafila
📖Português

Produção
e Interpretação
de Texto

Os dois pilares da prova discursiva e objetiva. Coesão, coerência, progressão, informatividade. Inferência, implícito, pressuposto, estratégias de leitura. O núcleo do que a banca cobra.

Aula08 / 09
DisciplinaPortuguês
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Nove módulos sobre o ato de ler e escrever. A interpretação é ativa. A produção é estratégia.

  1. Texto: conceito e fatores
    O que faz um texto ser texto
    p. 04
  2. Coesão textual
    Referencial, sequencial, lexical, por conectivos
    p. 06
  3. Coerência textual
    Local, global, temática, pragmática
    p. 08
  4. Inferência e implícitos
    Pressuposto, subentendido, não-dito
    p. 10
  5. Ideia principal e secundária
    Como separar essencial de acessório
    p. 13
  6. Argumentação: estrutura
    Tese, argumento, contra-argumento, conclusão
    p. 15
  7. Produção textual
    Planejamento, rascunho, revisão
    p. 17
  8. Estratégias de leitura
    Skimming, scanning, leitura profunda
    p. 19
  9. Como cai em prova
    Padrões das bancas, pegadinhas comuns
    p. 21
  10. Mapa mental e revisão
    A aula inteira em duas páginas
    p. 23
  11. 10 questões comentadas
    Comentadas pelo Affonsinho
    p. 25
Meta desta aula
Ler com olhar crítico. Identificar tese, argumentos, implícitos. Produzir texto coeso, coerente, claro. O núcleo da prova de Português no concurso.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Definir texto

Unidade de sentido, com fatores de textualidade: coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade.

02
Identificar coesão

Tipos: referencial, sequencial, lexical. Pronomes, sinônimos, conectivos.

03
Analisar coerência

Local (entre frases), global (do todo), temática, pragmática.

04
Inferir implícitos

Pressuposto (em predicados), subentendido (contextual), não-dito (inferencial).

05
Identificar tese

O que o autor defende. Argumentos (razões). Conclusão (retomada).

06
Produzir texto

Planejar, redigir, revisar. Estruturação, paragrafação, conectivos adequados.

O Fuffu prepara o terreno

Esta aula é o coração da prova. Quase toda questão de Português no concurso envolve interpretar ou criar texto. Domine coesão, coerência e inferência e você garante muitos pontos.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Texto: conceito e fatores

Texto é uma unidade linguística dotada de sentido, produzida em situação comunicativa real. Pode ser oral ou escrito, curto ou longo. Tem autor, propósito, destinatário.

Os 7 fatores de textualidade (Beaugrande e Dressler)

  1. Coesão: conexões linguísticas entre partes do texto.
  2. Coerência: lógica de sentido, continuidade, não-contradição.
  3. Intencionalidade: o autor tem propósito (informar, persuadir, emocionar).
  4. Aceitabilidade: o leitor reconhece como texto válido para seus objetivos.
  5. Situacionalidade: adequação à situação comunicativa (contexto).
  6. Informatividade: equilíbrio entre novo e conhecido.
  7. Intertextualidade: diálogo com outros textos (ver aula 07).

Os dois pilares em prova

Coesão e coerência são os dois fatores mais cobrados em concurso. São complementares mas distintos:

  • Coesão: nível de SUPERFÍCIE, conexão entre elementos.
  • Coerência: nível de SENTIDO, lógica do todo.

Um texto pode ser coeso e incoerente (faz sentido nas partes, mas não no todo). Raro, mas possível. Geralmente estão juntas.

Exemplo comparativo

Coeso e coerente: 'Maria saiu cedo. Ela pegou o ônibus. Chegou no trabalho às 8h.'

Coeso mas incoerente: 'Maria saiu cedo. Ela pegou o ônibus. O elefante voou.' (coesão com 'Ela'; incoerente no conteúdo final)

Coerente sem coesão explícita: 'Maria saiu cedo. Pegou o ônibus. Chegou no trabalho às 8h.' (sem pronomes, mas o sentido se sustenta)

Dica do Fuffu

Pense em texto como CORPO. Coesão é o esqueleto (conexão entre partes). Coerência é a lógica vital (faz sentido no todo). Precisamos dos dois para que o texto viva.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Coesão textual

Coesão é a conexão LINGUÍSTICA entre elementos do texto. Mecanismos concretos, mensuráveis.

1. Coesão referencial

Usa pronomes, advérbios, artigos para RETOMAR ou ANTECIPAR elementos.

  • Anáfora: retoma elemento anterior. 'João comprou um carro. ELE é vermelho.' ('Ele' retoma 'João' ou 'carro').
  • Catáfora: antecipa elemento posterior. 'Ouça ISTO com atenção: a prova será amanhã.'
  • Exófora: referência ao contexto extratextual. 'Olha AQUI!' (aponta).

2. Coesão sequencial

Cria RELAÇÃO LÓGICA entre enunciados através de conectivos.

  • Adição: e, além disso, também, ademais.
  • Oposição: mas, porém, contudo, entretanto, no entanto.
  • Causa: pois, porque, já que, visto que.
  • Consequência: logo, portanto, por isso, assim.
  • Conclusão: enfim, finalmente, portanto, em suma.
  • Finalidade: para que, a fim de que, com o intuito de.
  • Condição: se, caso, contanto que.
  • Tempo: quando, enquanto, depois, antes, assim que.
  • Comparação: como, tal qual, mais que, menos que.

3. Coesão lexical

Conecta através de recursos de vocabulário.

  • Repetição: 'A casa era pequena. A casa era antiga.'
  • Sinônimos: 'O juiz decidiu. O magistrado sentenciou.'
  • Hiperônimos/hipônimos: 'Comprei um cachorro. O animal é fofo.'
  • Antônimos: 'Saiu rico. Voltou pobre.'

4. Elipse (coesão por omissão)

Omite termo já mencionado: 'João comprou carro. (João) Pagou à vista.' A lacuna mantém conexão.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova, banca adora pedir para identificar a QUE PALAVRA um pronome se refere, ou o QUE liga um conectivo. Ler devagar os períodos, rastreando as referências. Coesão é rastreamento.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Coerência textual

Coerência é a LÓGICA INTERNA do texto. Não-contradição, continuidade, progressão, propósito.

4 princípios de Van Dijk

  1. Continuidade: repetir, retomar temas.
  2. Progressão: adicionar novas informações.
  3. Não-contradição: afirmações não se contradizem.
  4. Relação: os enunciados se conectam ao tema central.

Tipos de coerência

  • Local: entre frases vizinhas. Ex.: 'Choveu muito. Por isso fiquei em casa.'
  • Global: do texto como um todo. Introdução, desenvolvimento e conclusão se articulam?
  • Temática: mantém o tema central. Não divaga para assunto estranho.
  • Pragmática: adequação ao contexto. Registrar linguagem formal em ofício; coloquial em bilhete.

Exemplos de incoerência

  • CONTRADIÇÃO: 'O carro é vermelho. Seu carro azul é lindo.' (troca de cor).
  • FALTA DE RELAÇÃO: 'Precisamos combater a corrupção. Eu gosto de sorvete.'
  • AUSÊNCIA DE PROGRESSÃO: repetir a mesma ideia sem avanço.
  • INADEQUAÇÃO PRAGMÁTICA: usar gíria em relatório oficial.

Conhecimento de mundo

Coerência depende também do REPERTÓRIO do leitor. Um texto sobre filosofia exige conhecimento prévio; um texto infantil não. Banca avalia coerência dentro do repertório esperado de um leitor concurseiro.

Coach Jeff, macete

Se a banca perguntar 'o texto é coerente?', verifique os 4 princípios. Se todos aparecerem: sim. Se algum faltar (contradição, divagação, repetição infinita): não.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 Inferência e implícitos

Texto comunica em camadas. Além do EXPLÍCITO (o que está dito), há o IMPLÍCITO (o que se infere).

Pressuposto

Informação pressuposta como VERDADE pelo autor, marcada no PRÓPRIO ENUNCIADO. Não pode ser contestada sem contradição.

Exemplo: 'João PAROU de fumar.' → Pressupõe que ele FUMAVA antes.

Marcadores de pressuposição:

  • Verbos como PARAR, CONTINUAR, COMEÇAR, TERMINAR.
  • Advérbios como AINDA, JÁ.
  • Palavras como OUTRO ('Queremos outro café' pressupõe que já houve um).

Subentendido

Insinuação que depende do CONTEXTO. Pode ser negada pelo autor ('não foi isso que quis dizer'). Não está no texto de forma tão clara quanto o pressuposto.

Exemplo: 'Está frio aqui.' (dito perto de uma janela aberta) SUBENTENDE 'feche a janela'.

Inferência

Conclusão que o leitor extrai ligando informações do texto com conhecimento de mundo.

Exemplo: 'Ele chegou encharcado.' → Inferimos que choveu ou caiu água, mesmo sem o texto dizer.

Não-dito

O que o autor deixou de dizer intencionalmente. O silêncio também comunica. Pode indicar omissão estratégica, elipse discursiva, tabu, ironia.

Diferença crucial

RecursoEstá ondePode ser negado?
PressupostoNo enunciado (marcador)Não
SubentendidoNo contextoSim
InferênciaEntre texto e leitorDepende

Vilão Rivotril ataca

Questão clássica: 'Qual das alternativas NÃO pode ser INFERIDA do texto?'. Aqui o vilão quer te pegar no 'quase certo'. Infira SÓ o que o texto SUPORTA. Se depende de imaginação, não é inferência válida.

Como a banca cobra

  • 'O autor pressupõe que...'
  • 'Do texto INFERE-SE que...'
  • 'Qual das alternativas NÃO pode ser depreendida do texto?'
  • 'A frase X subentende que...'

Exemplos práticos

Frase: 'Depois do escândalo, o político voltou a dizer a verdade.'

Pressupostos:

  • Houve um escândalo.
  • O político já havia dito a verdade antes.
  • Durante o escândalo, o político não dizia a verdade (mentia).

Frase: 'Maria finalmente passou no concurso.'

Pressupostos:

  • Maria tentou antes.
  • Havia expectativa de aprovação.
  • Há um sentimento de alívio ou celebração.

Cuidados

  • Não INFERIR mais do que o texto permite.
  • Não confundir PRESSUPOSTO com SUBENTENDIDO.
  • Leitura pressupositiva exige atenção aos MARCADORES (parar, continuar, ainda, já, outro).

Aviso do Examinador

Questão de inferência premia o leitor PRUDENTE. Nunca vá além do texto. Se a alternativa exige conhecimento que o texto NÃO oferece, está errada. Inferência é costurar o que o texto dá, não inventar.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Ideia principal × secundária

Em qualquer texto, há níveis hierárquicos de informação. Saber separar o essencial do acessório é chave.

Ideia principal

É a TESE, o argumento central, o propósito. Responde: 'do que este texto está tratando, em essência?'

Marcadores comuns:

  • Aparece em posição privilegiada: título, primeira frase, última frase do parágrafo.
  • Repetida ou reforçada ao longo do texto.
  • Associada a conectivos de conclusão: 'portanto', 'em suma', 'enfim'.

Ideia secundária

São as que APOIAM a principal. Argumentos, exemplos, dados, explicações.

Funções:

  • Exemplificar
  • Detalhar
  • Justificar
  • Contrastar
  • Ilustrar

Técnicas para identificar

  1. Leia o texto todo, sem parar.
  2. Identifique o título ou primeira frase.
  3. Verifique a última frase (conclusão).
  4. Procure marcadores de conclusão (em suma, por isso, portanto).
  5. Teste: 'se eu tirar esta frase, o texto perde o essencial?' Se sim, é principal. Se não, secundária.

Pergunta mágica

'De que se trata fundamentalmente?' A resposta é a ideia principal. 'Como o autor justifica?' As respostas são as secundárias.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Questão clássica: 'Qual é a tese do texto?' ou 'Qual o principal propósito do autor?'. Foque no TÍTULO, na FRASE FINAL e nos CONECTIVOS DE CONCLUSÃO. A resposta está aí.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Argumentação: estrutura

Texto argumentativo defende uma TESE com argumentos. Estrutura clássica:

1. Introdução

Apresenta o TEMA e a TESE (posição do autor).

  • Contextualização.
  • Problema.
  • Tese: 'Defendo que...' ou 'É preciso que...'

2. Desenvolvimento

Apresenta ARGUMENTOS que sustentam a tese.

Tipos de argumento:

  • Autoridade: citação de especialista. 'Como afirmou Rui Barbosa...'
  • Dados/estatísticas: 'Segundo o IBGE, 30% dos brasileiros...'
  • Exemplo: caso concreto que ilustra.
  • Causa-consequência: 'Se X, então Y.'
  • Analogia: comparação com situação análoga.
  • Contra-argumento refutado: reconhece objeção e responde.
  • Histórico: referência a fatos passados.

3. Conclusão

Retoma e reafirma a tese. Pode propor solução ou encerramento sintético.

  • Retomada.
  • Síntese.
  • Projeção / proposta.

Como analisar texto argumentativo

  1. Qual é a TESE?
  2. Quais os ARGUMENTOS?
  3. A CONCLUSÃO confirma ou modifica a tese?
  4. Há contra-argumentos considerados? Como são refutados?

O Raffinha organiza

Toda redação dissertativa-argumentativa (ENEM, CESPE) segue esse mapa: intro (tese) → desenvolvimento (argumentos) → conclusão (síntese). Aprender a estrutura facilita na leitura e na produção.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Produção textual

Escrever bem é seguir processo. Três etapas:

1. Planejamento

  • Ler o tema com atenção: identifique a questão-problema, o público-alvo, o gênero pedido.
  • Brainstorm: anote 5-8 ideias soltas. Sem julgar ainda.
  • Escolher a tese: posicione-se. Escolha a tese que você pode defender melhor.
  • Selecionar argumentos: escolha 2 a 3 argumentos fortes.
  • Organizar em esquema: intro → argumento 1 → argumento 2 → conclusão.

2. Redação (rascunho)

  • Introdução: 3-4 linhas. Contextualiza e apresenta a tese.
  • Desenvolvimento: 2 parágrafos, cada um com um argumento + exemplo + dado.
  • Conclusão: 3-4 linhas. Retoma tese e propõe solução.
  • Conectivos adequados entre parágrafos.
  • Paragrafação clara.

3. Revisão

  • Leia em voz alta.
  • Elimine repetições.
  • Corrija concordância, regência, pontuação.
  • Verifique clareza: um leitor que não sabe nada entenderia?
  • Confira coesão (pronomes, conectivos) e coerência (tese mantida?).
  • Cheque erros ortográficos.

Defeitos comuns

  • Introdução rasa (só repete o tema).
  • Desenvolvimento sem argumentação (só opinião solta).
  • Conclusão vazia (só repete a tese sem evoluir).
  • Uso excessivo de conectivos fracos (e, aí, então).
  • Repetição de palavras (procure sinônimos).
  • Frases longuíssimas sem pontuação.

Coach Jeff, treino

Redação é músculo. Treine uma por semana. Peça correção, analise erros, refaça. Em 3 meses você melhora muito. A prática constante é mais importante do que dicas isoladas.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Estratégias de leitura

Para a prova, você tem tempo limitado. Precisa de técnicas de leitura eficiente.

1. Skimming (leitura panorâmica)

Leitura RÁPIDA para captar ideia geral. Passe os olhos por títulos, subtítulos, primeira e última frase dos parágrafos.

Use quando: primeiro contato com o texto, muitos textos em pouco tempo.

2. Scanning (leitura seletiva)

Leitura DIRIGIDA, buscando informação específica. Olho varredor procurando palavra-chave.

Use quando: o enunciado pergunta dado específico (data, nome, estatística).

3. Leitura analítica (profunda)

Leitura LENTA, com parada. Analisa tese, argumentos, recursos linguísticos.

Use quando: a questão exige interpretação profunda, identificação de pressupostos.

Ordem recomendada em prova

  1. Leia o ENUNCIADO primeiro. Saiba o que a banca pergunta.
  2. Faça skimming do texto. Capte tema e tese.
  3. Leia as ALTERNATIVAS. Saiba o que está em jogo.
  4. Faça scanning/leitura analítica no que a questão pede.
  5. Escolha a alternativa melhor suportada pelo texto.

Sublinhar e anotar

Use LÁPIS na prova (se permitido):

  • Sublinhe a TESE.
  • Circule CONECTIVOS-CHAVE (portanto, contudo, entretanto).
  • Marque REPETIÇÕES (podem indicar ênfase).
  • Anote ARGUMENTOS numerados ao lado.

Armadilha do tempo

Não passe mais que 3-5 min por questão de interpretação no concurso médio. Se travar, marque e volte depois. Gerenciamento de tempo é parte da prova.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Treinar skimming e scanning reduz o tempo de prova em 30%. Experimente: pegue um texto de concurso, use 1 minuto para skimming, 30 segundos por alternativa em scanning. Vira reflexo.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 09

9 Como cai em prova

Tipos de questão mais comuns

  1. Ideia principal/tese: 'o texto defende que...'
  2. Inferência: 'infere-se do texto que...'
  3. Pressuposto: 'o autor pressupõe que...'
  4. Função de parágrafo: 'o 2º parágrafo serve para...'
  5. Referência pronominal: 'o pronome X refere-se a...'
  6. Relação entre parágrafos: 'P1 e P2 se relacionam por...'
  7. Sinônimo em contexto: 'a palavra X poderia ser substituída por...'
  8. Conectivo: 'se substituirmos PORTANTO por ENTRETANTO, o sentido...'

Pegadinhas comuns

  • Alternativa que repete exatamente uma frase do texto (geralmente não é a melhor).
  • Alternativa que extrapola (vai além do que o texto diz).
  • Alternativa que contradiz outra parte do texto.
  • Alternativa parcialmente correta (atenção: se tem parte errada, está errada).
  • Alternativa 'lógica em si' mas não suportada pelo texto.

Técnica de eliminação

  1. Elimine alternativas FALSAS (contradizem o texto).
  2. Elimine as que EXTRAPOLAM (vão além).
  3. Das restantes, escolha a mais FIEL e ABRANGENTE.

Erros da cabeça

  • Confiar no 'feeling' sem conferir no texto.
  • Escolher a primeira alternativa 'bonitinha'.
  • Pular questões sem marcar pra voltar.
  • Ler a questão depois do texto (inverte a ordem).

Aviso do Examinador

O Examinador escolhe distratores sedutores. Texto diz 'muitos brasileiros'; alternativa errada diz 'todos os brasileiros'. Cuidado com QUANTIFICADORES. 'Todo', 'sempre', 'nunca', 'nenhum' são absolutos e raros em texto.

Aula inteira em uma página

Mapa mental

Produção e Interpretação
Texto: 7 fatores
  • Coesão
  • Coerência
  • Intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade
Coesão
  • Referencial (pronome)
  • Sequencial (conectivos)
  • Lexical (sinônimos, hiperônimos)
  • Elipse
Coerência
  • 4 princípios (Van Dijk)
  • Local × global
  • Temática × pragmática
Implícitos
  • Pressuposto (no enunciado)
  • Subentendido (no contexto)
  • Inferência (texto + mundo)
  • Não-dito
Ideias
  • Principal: tese
  • Secundárias: argumentos, exemplos
  • Pergunta: 'de que se trata?'
Argumentação
  • Intro (tese)
  • Desenvolvimento (argumentos)
  • Conclusão (síntese)
Produção
  • Planejar
  • Rascunho
  • Revisar (leitura em voz alta)
Leitura
  • Skimming (panorâmica)
  • Scanning (seletiva)
  • Analítica (profunda)
Em 90 segundos

Revisão relâmpago

01
7 fatores

Coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade.

02
Coesão

Conexão linguística. Referencial, sequencial, lexical.

03
Coerência

Lógica interna. Continuidade, progressão, não-contradição, relação.

04
Pressuposto × Subentendido

Pressuposto: no enunciado. Subentendido: no contexto, pode ser negado.

05
Tese

O que o autor defende. Aparece em posição privilegiada (título, início, fim).

06
Argumentação

Intro (tese) → Desenvolvimento (argumentos) → Conclusão.

07
Produção

Planejar → Redigir → Revisar. Três etapas sempre.

08
Leitura estratégica

Enunciado → Skimming → Alternativas → Scanning → Marcação.

Fuffu resume
Texto é sentido organizado. Coesão + Coerência fazem texto funcionar. Inferir com cuidado, argumentar com método, produzir em etapas. Prática constante consolida.
Fixação

10 questões comentadas

Dez questões sobre produção e interpretação de texto, comentadas pelo Prof. Affonsinho.

Aviso do Examinador

Em interpretação, fidelidade ao texto é regra de ouro. A alternativa correta é aquela que o texto SUPORTA, não a que 'parece lógica'. Prove cada resposta com trecho.

Q1 Questão 01 · Comentada

Enunciado. Coesão textual refere-se a:

A) A lógica interna do texto.

B) A conexão linguística entre elementos do texto (pronomes, conectivos, sinônimos).

C) A intenção do autor.

D) O contexto social em que o texto foi produzido.

E) O diálogo com outros textos.

Gabarito: B

COESÃO é a conexão LINGUÍSTICA entre elementos (pronomes, conectivos, sinônimos, elipse). É a superfície concreta do texto.

A) é coerência. C) intencionalidade. D) situacionalidade. E) intertextualidade. Todos são outros fatores de textualidade.

Comentário do Prof. Affonsinho

Coesão: superfície conectiva

Coesão está na SUPERFÍCIE. Você vê no texto: pronome retomando nome, conectivo ligando ideias, sinônimo evitando repetição. Coerência, diferente, é o SENTIDO GLOBAL. Ambas são cobradas em prova.

Q2 Questão 02 · Comentada

Enunciado. Em 'Maria parou de fumar', qual o pressuposto?

A) Maria nunca fumou.

B) Maria fumava antes.

C) Maria vai fumar novamente.

D) Maria nunca pretendia fumar.

E) Maria não gosta de cigarro.

Gabarito: B

O verbo PARAR pressupõe que a ação OCORRIA antes. 'Parou de fumar' pressupõe 'fumava'. Pressuposição está marcada no próprio verbo.

Outros verbos pressupositivos: continuar, começar, terminar, deixar de. Advérbios: ainda, já.

Comentário do Prof. Affonsinho

Pressuposto: marca no enunciado

Pressupostos não dependem de contexto, estão INSCRITOS no enunciado. 'João continua trabalhando' pressupõe que trabalhava antes. 'Pedro ainda chora' pressupõe que chorava antes também.

Q3 Questão 03 · Comentada

Enunciado. Em 'Paulo comprou um livro. Ele é professor', o pronome 'ele' é exemplo de:

A) Catáfora.

B) Anáfora.

C) Exófora.

D) Elipse.

E) Hiperônimo.

Gabarito: B

ANÁFORA: o pronome RETOMA elemento anterior. 'Ele' retoma 'Paulo'.

CATÁFORA: antecipa elemento posterior ('Ouça isto: ...'). EXÓFORA: refere-se a algo fora do texto. ELIPSE: omite termo.

Comentário do Prof. Affonsinho

Anáfora × catáfora

Anáfora vem ANTES do referente ser apresentado? Não: vem DEPOIS. O pronome RETOMA. 'O carro chegou. Ele era azul'. Catáfora ANTECIPA: 'Olha só ISTO: vai chover amanhã'.

Q4 Questão 04 · Comentada

Enunciado. Na frase 'Choveu, portanto fiquei em casa', o conectivo PORTANTO indica:

A) Causa.

B) Consequência / conclusão.

C) Oposição.

D) Tempo.

E) Adição.

Gabarito: B

PORTANTO indica CONSEQUÊNCIA/CONCLUSÃO. 'Choveu' é a causa; 'fiquei em casa' é a consequência. Portanto = por isso, assim, logo.

Cuidado: a CAUSA pode ser introduzida por 'pois', 'porque', 'já que'. A conclusão por 'portanto', 'logo', 'assim'.

Comentário do Prof. Affonsinho

Conectivos de conclusão

Portanto, logo, por isso, assim, pois (em final de oração): todos conclusivos. Conectam o QUE aconteceu com a CONSEQUÊNCIA. Dominar conectivos = dominar raciocínio textual.

Q5 Questão 05 · Comentada

Enunciado. Em um texto dissertativo-argumentativo clássico, a TESE aparece normalmente em qual posição?

A) Apenas na conclusão.

B) Apenas no desenvolvimento.

C) Na introdução (explícita ou implicitamente) e retomada na conclusão.

D) Em qualquer lugar, aleatoriamente.

E) Não aparece diretamente.

Gabarito: C

Na estrutura clássica, a TESE aparece na INTRODUÇÃO (explícita ou implícita) e é RETOMADA na conclusão. O desenvolvimento apresenta ARGUMENTOS que a sustentam.

Comentário do Prof. Affonsinho

Tese: antecipação + retomada

Autor apresenta a tese logo na introdução, desenvolve com argumentos, conclui retomando e reforçando. O leitor sai reforçado no convencimento. É o ciclo clássico da argumentação retórica.

Q6 Questão 06 · Comentada

Enunciado. Qual a diferença entre PRESSUPOSTO e SUBENTENDIDO?

A) Pressuposto é escrito; subentendido é oral.

B) Pressuposto está marcado no enunciado (por verbos como 'parar'); subentendido depende do contexto.

C) Não há diferença.

D) Subentendido é sempre negativo.

E) Pressuposto só ocorre em texto literário.

Gabarito: B

PRESSUPOSTO está marcado no ENUNCIADO (verbos como parar, continuar, começar; advérbios como já, ainda). Não pode ser negado sem contradição.

SUBENTENDIDO depende do CONTEXTO, pode ser negado pelo autor ('não foi isso que quis dizer'). É mais sutil.

Comentário do Prof. Affonsinho

Subentendido: negável

Cliente diz ao atendente: 'Que fila enorme!'. Subentende-se uma reclamação, mas o cliente pode negar: 'só estou comentando'. Pressuposto não tem essa fuga. 'Parei de reclamar' IMPLICA que reclamei.

Q7 Questão 07 · Comentada

Enunciado. A técnica de leitura em que passamos os olhos RAPIDAMENTE pelo texto para captar ideia geral é:

A) Scanning.

B) Skimming.

C) Leitura analítica.

D) Leitura decorada.

E) Leitura integral.

Gabarito: B

SKIMMING é a leitura RÁPIDA, panorâmica. Olho passa pelos títulos, primeira e última frases, captando ideia geral. Inglês 'to skim' = desnatar, passar por cima.

SCANNING é dirigido (buscar info específica, como nome ou data). LEITURA ANALÍTICA é lenta, com parada.

Comentário do Prof. Affonsinho

Skimming: sobrevoo

Em prova, skimming é o primeiro passo após ler o enunciado. Você capta o tema em 30 segundos. Depois, scanning ou análise, dependendo do que se pede. É técnica, vira reflexo com prática.

Q8 Questão 08 · Comentada

Enunciado. Um texto onde todas as frases se conectam linguisticamente (com pronomes corretos e conectivos) mas que no final afirma o contrário do início, é:

A) Coeso e coerente.

B) Coeso mas incoerente.

C) Incoerente e incoeso.

D) Coerente mas incoeso.

E) Sem texto.

Gabarito: B

COESO (conexões linguísticas corretas) mas INCOERENTE (contradiz o início no final, viola princípio de não-contradição de Van Dijk). Os dois conceitos são distintos: você pode ter um sem o outro.

Comentário do Prof. Affonsinho

Coeso × coerente

Pode haver coesão sem coerência: texto com frases bem conectadas mas ideias contraditórias. E coerência sem coesão aparente: texto com lacunas mas cuja lógica se entende. Dominar essa distinção = questão certa na prova.

Q9 Questão 09 · Comentada

Enunciado. 'Ele chegou encharcado.' Do enunciado INFERE-SE que:

A) Ele gosta de nadar.

B) Esteve em contato com água (chuva, piscina, rio, etc.).

C) É verão.

D) Ele é atleta.

E) Ele estava chorando.

Gabarito: B

INFERÊNCIA válida: 'encharcado' implica contato com água. As outras alternativas EXTRAPOLAM: o texto não permite concluir que gosta de nadar, que é verão ou que é atleta.

Comentário do Prof. Affonsinho

Inferência: costura do que o texto dá

Inferência legítima usa apenas o que o texto oferece + conhecimento de mundo mínimo. 'Encharcado' = contato com água. 'Chegou': veio de algum lugar. Inferir 'é atleta' exige supor, não inferir.

Q10 Questão 10 · Comentada

Enunciado. O processo de produção textual envolve as etapas:

A) Apenas redigir.

B) Planejar, redigir, revisar.

C) Apenas revisar.

D) Apenas planejar.

E) Copiar, colar, enviar.

Gabarito: B

Produção textual envolve TRÊS ETAPAS: PLANEJAR (escolher tese, selecionar argumentos), REDIGIR (escrever rascunho), REVISAR (ler em voz alta, corrigir).

Pular etapas compromete o texto. Planejar evita desvios. Revisar elimina erros.

Comentário do Prof. Affonsinho

Ciclo completo

Escritor experiente planeja bem antes de escrever, redige com fluência, revisa criticamente. Quem escreve direto sem planejamento perde coesão e coerência. Quem não revisa publica erros. As três etapas são essenciais.

Você interpreta e produz!

Coesão e coerência dominadas.
Pressupostos e implícitos decodificados.
Tese, argumentos, conclusão identificados.
Leitura estratégica em 3 camadas.
Você agora lê como examinador quer.

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furafila

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