Produção
e Interpretação
de Texto
Os dois pilares da prova discursiva e objetiva. Coesão, coerência, progressão, informatividade. Inferência, implícito, pressuposto, estratégias de leitura. O núcleo do que a banca cobra.
Sumário
Nove módulos sobre o ato de ler e escrever. A interpretação é ativa. A produção é estratégia.
- p. 04Texto: conceito e fatoresO que faz um texto ser texto
- p. 06Coesão textualReferencial, sequencial, lexical, por conectivos
- p. 08Coerência textualLocal, global, temática, pragmática
- p. 10Inferência e implícitosPressuposto, subentendido, não-dito
- p. 13Ideia principal e secundáriaComo separar essencial de acessório
- p. 15Argumentação: estruturaTese, argumento, contra-argumento, conclusão
- p. 17Produção textualPlanejamento, rascunho, revisão
- p. 19Estratégias de leituraSkimming, scanning, leitura profunda
- p. 21Como cai em provaPadrões das bancas, pegadinhas comuns
- p. 23Mapa mental e revisãoA aula inteira em duas páginas
- p. 2510 questões comentadasComentadas pelo Affonsinho

O que você vai aprender
Unidade de sentido, com fatores de textualidade: coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade.
Tipos: referencial, sequencial, lexical. Pronomes, sinônimos, conectivos.
Local (entre frases), global (do todo), temática, pragmática.
Pressuposto (em predicados), subentendido (contextual), não-dito (inferencial).
O que o autor defende. Argumentos (razões). Conclusão (retomada).
Planejar, redigir, revisar. Estruturação, paragrafação, conectivos adequados.
O Fuffu prepara o terreno
Esta aula é o coração da prova. Quase toda questão de Português no concurso envolve interpretar ou criar texto. Domine coesão, coerência e inferência e você garante muitos pontos.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 Texto: conceito e fatores
Texto é uma unidade linguística dotada de sentido, produzida em situação comunicativa real. Pode ser oral ou escrito, curto ou longo. Tem autor, propósito, destinatário.
Os 7 fatores de textualidade (Beaugrande e Dressler)
- Coesão: conexões linguísticas entre partes do texto.
- Coerência: lógica de sentido, continuidade, não-contradição.
- Intencionalidade: o autor tem propósito (informar, persuadir, emocionar).
- Aceitabilidade: o leitor reconhece como texto válido para seus objetivos.
- Situacionalidade: adequação à situação comunicativa (contexto).
- Informatividade: equilíbrio entre novo e conhecido.
- Intertextualidade: diálogo com outros textos (ver aula 07).
Os dois pilares em prova
Coesão e coerência são os dois fatores mais cobrados em concurso. São complementares mas distintos:
- Coesão: nível de SUPERFÍCIE, conexão entre elementos.
- Coerência: nível de SENTIDO, lógica do todo.
Um texto pode ser coeso e incoerente (faz sentido nas partes, mas não no todo). Raro, mas possível. Geralmente estão juntas.
Exemplo comparativo
Coeso e coerente: 'Maria saiu cedo. Ela pegou o ônibus. Chegou no trabalho às 8h.'
Coeso mas incoerente: 'Maria saiu cedo. Ela pegou o ônibus. O elefante voou.' (coesão com 'Ela'; incoerente no conteúdo final)
Coerente sem coesão explícita: 'Maria saiu cedo. Pegou o ônibus. Chegou no trabalho às 8h.' (sem pronomes, mas o sentido se sustenta)
Dica do Fuffu
Pense em texto como CORPO. Coesão é o esqueleto (conexão entre partes). Coerência é a lógica vital (faz sentido no todo). Precisamos dos dois para que o texto viva.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 Coesão textual
Coesão é a conexão LINGUÍSTICA entre elementos do texto. Mecanismos concretos, mensuráveis.
1. Coesão referencial
Usa pronomes, advérbios, artigos para RETOMAR ou ANTECIPAR elementos.
- Anáfora: retoma elemento anterior. 'João comprou um carro. ELE é vermelho.' ('Ele' retoma 'João' ou 'carro').
- Catáfora: antecipa elemento posterior. 'Ouça ISTO com atenção: a prova será amanhã.'
- Exófora: referência ao contexto extratextual. 'Olha AQUI!' (aponta).
2. Coesão sequencial
Cria RELAÇÃO LÓGICA entre enunciados através de conectivos.
- Adição: e, além disso, também, ademais.
- Oposição: mas, porém, contudo, entretanto, no entanto.
- Causa: pois, porque, já que, visto que.
- Consequência: logo, portanto, por isso, assim.
- Conclusão: enfim, finalmente, portanto, em suma.
- Finalidade: para que, a fim de que, com o intuito de.
- Condição: se, caso, contanto que.
- Tempo: quando, enquanto, depois, antes, assim que.
- Comparação: como, tal qual, mais que, menos que.
3. Coesão lexical
Conecta através de recursos de vocabulário.
- Repetição: 'A casa era pequena. A casa era antiga.'
- Sinônimos: 'O juiz decidiu. O magistrado sentenciou.'
- Hiperônimos/hipônimos: 'Comprei um cachorro. O animal é fofo.'
- Antônimos: 'Saiu rico. Voltou pobre.'
4. Elipse (coesão por omissão)
Omite termo já mencionado: 'João comprou carro. (João) Pagou à vista.' A lacuna mantém conexão.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Em prova, banca adora pedir para identificar a QUE PALAVRA um pronome se refere, ou o QUE liga um conectivo. Ler devagar os períodos, rastreando as referências. Coesão é rastreamento.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 Coerência textual
Coerência é a LÓGICA INTERNA do texto. Não-contradição, continuidade, progressão, propósito.
4 princípios de Van Dijk
- Continuidade: repetir, retomar temas.
- Progressão: adicionar novas informações.
- Não-contradição: afirmações não se contradizem.
- Relação: os enunciados se conectam ao tema central.
Tipos de coerência
- Local: entre frases vizinhas. Ex.: 'Choveu muito. Por isso fiquei em casa.'
- Global: do texto como um todo. Introdução, desenvolvimento e conclusão se articulam?
- Temática: mantém o tema central. Não divaga para assunto estranho.
- Pragmática: adequação ao contexto. Registrar linguagem formal em ofício; coloquial em bilhete.
Exemplos de incoerência
- CONTRADIÇÃO: 'O carro é vermelho. Seu carro azul é lindo.' (troca de cor).
- FALTA DE RELAÇÃO: 'Precisamos combater a corrupção. Eu gosto de sorvete.'
- AUSÊNCIA DE PROGRESSÃO: repetir a mesma ideia sem avanço.
- INADEQUAÇÃO PRAGMÁTICA: usar gíria em relatório oficial.
Conhecimento de mundo
Coerência depende também do REPERTÓRIO do leitor. Um texto sobre filosofia exige conhecimento prévio; um texto infantil não. Banca avalia coerência dentro do repertório esperado de um leitor concurseiro.
Coach Jeff, macete
Se a banca perguntar 'o texto é coerente?', verifique os 4 princípios. Se todos aparecerem: sim. Se algum faltar (contradição, divagação, repetição infinita): não.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 Inferência e implícitos
Texto comunica em camadas. Além do EXPLÍCITO (o que está dito), há o IMPLÍCITO (o que se infere).
Pressuposto
Informação pressuposta como VERDADE pelo autor, marcada no PRÓPRIO ENUNCIADO. Não pode ser contestada sem contradição.
Exemplo: 'João PAROU de fumar.' → Pressupõe que ele FUMAVA antes.
Marcadores de pressuposição:
- Verbos como PARAR, CONTINUAR, COMEÇAR, TERMINAR.
- Advérbios como AINDA, JÁ.
- Palavras como OUTRO ('Queremos outro café' pressupõe que já houve um).
Subentendido
Insinuação que depende do CONTEXTO. Pode ser negada pelo autor ('não foi isso que quis dizer'). Não está no texto de forma tão clara quanto o pressuposto.
Exemplo: 'Está frio aqui.' (dito perto de uma janela aberta) SUBENTENDE 'feche a janela'.
Inferência
Conclusão que o leitor extrai ligando informações do texto com conhecimento de mundo.
Exemplo: 'Ele chegou encharcado.' → Inferimos que choveu ou caiu água, mesmo sem o texto dizer.
Não-dito
O que o autor deixou de dizer intencionalmente. O silêncio também comunica. Pode indicar omissão estratégica, elipse discursiva, tabu, ironia.
Diferença crucial
| Recurso | Está onde | Pode ser negado? |
|---|---|---|
| Pressuposto | No enunciado (marcador) | Não |
| Subentendido | No contexto | Sim |
| Inferência | Entre texto e leitor | Depende |
Vilão Rivotril ataca
Questão clássica: 'Qual das alternativas NÃO pode ser INFERIDA do texto?'. Aqui o vilão quer te pegar no 'quase certo'. Infira SÓ o que o texto SUPORTA. Se depende de imaginação, não é inferência válida.
Como a banca cobra
- 'O autor pressupõe que...'
- 'Do texto INFERE-SE que...'
- 'Qual das alternativas NÃO pode ser depreendida do texto?'
- 'A frase X subentende que...'
Exemplos práticos
Frase: 'Depois do escândalo, o político voltou a dizer a verdade.'
Pressupostos:
- Houve um escândalo.
- O político já havia dito a verdade antes.
- Durante o escândalo, o político não dizia a verdade (mentia).
Frase: 'Maria finalmente passou no concurso.'
Pressupostos:
- Maria tentou antes.
- Havia expectativa de aprovação.
- Há um sentimento de alívio ou celebração.
Cuidados
- Não INFERIR mais do que o texto permite.
- Não confundir PRESSUPOSTO com SUBENTENDIDO.
- Leitura pressupositiva exige atenção aos MARCADORES (parar, continuar, ainda, já, outro).
Aviso do Examinador
Questão de inferência premia o leitor PRUDENTE. Nunca vá além do texto. Se a alternativa exige conhecimento que o texto NÃO oferece, está errada. Inferência é costurar o que o texto dá, não inventar.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Ideia principal × secundária
Em qualquer texto, há níveis hierárquicos de informação. Saber separar o essencial do acessório é chave.
Ideia principal
É a TESE, o argumento central, o propósito. Responde: 'do que este texto está tratando, em essência?'
Marcadores comuns:
- Aparece em posição privilegiada: título, primeira frase, última frase do parágrafo.
- Repetida ou reforçada ao longo do texto.
- Associada a conectivos de conclusão: 'portanto', 'em suma', 'enfim'.
Ideia secundária
São as que APOIAM a principal. Argumentos, exemplos, dados, explicações.
Funções:
- Exemplificar
- Detalhar
- Justificar
- Contrastar
- Ilustrar
Técnicas para identificar
- Leia o texto todo, sem parar.
- Identifique o título ou primeira frase.
- Verifique a última frase (conclusão).
- Procure marcadores de conclusão (em suma, por isso, portanto).
- Teste: 'se eu tirar esta frase, o texto perde o essencial?' Se sim, é principal. Se não, secundária.
Pergunta mágica
'De que se trata fundamentalmente?' A resposta é a ideia principal. 'Como o autor justifica?' As respostas são as secundárias.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Questão clássica: 'Qual é a tese do texto?' ou 'Qual o principal propósito do autor?'. Foque no TÍTULO, na FRASE FINAL e nos CONECTIVOS DE CONCLUSÃO. A resposta está aí.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 Argumentação: estrutura
Texto argumentativo defende uma TESE com argumentos. Estrutura clássica:
1. Introdução
Apresenta o TEMA e a TESE (posição do autor).
- Contextualização.
- Problema.
- Tese: 'Defendo que...' ou 'É preciso que...'
2. Desenvolvimento
Apresenta ARGUMENTOS que sustentam a tese.
Tipos de argumento:
- Autoridade: citação de especialista. 'Como afirmou Rui Barbosa...'
- Dados/estatísticas: 'Segundo o IBGE, 30% dos brasileiros...'
- Exemplo: caso concreto que ilustra.
- Causa-consequência: 'Se X, então Y.'
- Analogia: comparação com situação análoga.
- Contra-argumento refutado: reconhece objeção e responde.
- Histórico: referência a fatos passados.
3. Conclusão
Retoma e reafirma a tese. Pode propor solução ou encerramento sintético.
- Retomada.
- Síntese.
- Projeção / proposta.
Como analisar texto argumentativo
- Qual é a TESE?
- Quais os ARGUMENTOS?
- A CONCLUSÃO confirma ou modifica a tese?
- Há contra-argumentos considerados? Como são refutados?
O Raffinha organiza
Toda redação dissertativa-argumentativa (ENEM, CESPE) segue esse mapa: intro (tese) → desenvolvimento (argumentos) → conclusão (síntese). Aprender a estrutura facilita na leitura e na produção.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Produção textual
Escrever bem é seguir processo. Três etapas:
1. Planejamento
- Ler o tema com atenção: identifique a questão-problema, o público-alvo, o gênero pedido.
- Brainstorm: anote 5-8 ideias soltas. Sem julgar ainda.
- Escolher a tese: posicione-se. Escolha a tese que você pode defender melhor.
- Selecionar argumentos: escolha 2 a 3 argumentos fortes.
- Organizar em esquema: intro → argumento 1 → argumento 2 → conclusão.
2. Redação (rascunho)
- Introdução: 3-4 linhas. Contextualiza e apresenta a tese.
- Desenvolvimento: 2 parágrafos, cada um com um argumento + exemplo + dado.
- Conclusão: 3-4 linhas. Retoma tese e propõe solução.
- Conectivos adequados entre parágrafos.
- Paragrafação clara.
3. Revisão
- Leia em voz alta.
- Elimine repetições.
- Corrija concordância, regência, pontuação.
- Verifique clareza: um leitor que não sabe nada entenderia?
- Confira coesão (pronomes, conectivos) e coerência (tese mantida?).
- Cheque erros ortográficos.
Defeitos comuns
- Introdução rasa (só repete o tema).
- Desenvolvimento sem argumentação (só opinião solta).
- Conclusão vazia (só repete a tese sem evoluir).
- Uso excessivo de conectivos fracos (e, aí, então).
- Repetição de palavras (procure sinônimos).
- Frases longuíssimas sem pontuação.
Coach Jeff, treino
Redação é músculo. Treine uma por semana. Peça correção, analise erros, refaça. Em 3 meses você melhora muito. A prática constante é mais importante do que dicas isoladas.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 Estratégias de leitura
Para a prova, você tem tempo limitado. Precisa de técnicas de leitura eficiente.
1. Skimming (leitura panorâmica)
Leitura RÁPIDA para captar ideia geral. Passe os olhos por títulos, subtítulos, primeira e última frase dos parágrafos.
Use quando: primeiro contato com o texto, muitos textos em pouco tempo.
2. Scanning (leitura seletiva)
Leitura DIRIGIDA, buscando informação específica. Olho varredor procurando palavra-chave.
Use quando: o enunciado pergunta dado específico (data, nome, estatística).
3. Leitura analítica (profunda)
Leitura LENTA, com parada. Analisa tese, argumentos, recursos linguísticos.
Use quando: a questão exige interpretação profunda, identificação de pressupostos.
Ordem recomendada em prova
- Leia o ENUNCIADO primeiro. Saiba o que a banca pergunta.
- Faça skimming do texto. Capte tema e tese.
- Leia as ALTERNATIVAS. Saiba o que está em jogo.
- Faça scanning/leitura analítica no que a questão pede.
- Escolha a alternativa melhor suportada pelo texto.
Sublinhar e anotar
Use LÁPIS na prova (se permitido):
- Sublinhe a TESE.
- Circule CONECTIVOS-CHAVE (portanto, contudo, entretanto).
- Marque REPETIÇÕES (podem indicar ênfase).
- Anote ARGUMENTOS numerados ao lado.
Armadilha do tempo
Não passe mais que 3-5 min por questão de interpretação no concurso médio. Se travar, marque e volte depois. Gerenciamento de tempo é parte da prova.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Treinar skimming e scanning reduz o tempo de prova em 30%. Experimente: pegue um texto de concurso, use 1 minuto para skimming, 30 segundos por alternativa em scanning. Vira reflexo.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 099 Como cai em prova
Tipos de questão mais comuns
- Ideia principal/tese: 'o texto defende que...'
- Inferência: 'infere-se do texto que...'
- Pressuposto: 'o autor pressupõe que...'
- Função de parágrafo: 'o 2º parágrafo serve para...'
- Referência pronominal: 'o pronome X refere-se a...'
- Relação entre parágrafos: 'P1 e P2 se relacionam por...'
- Sinônimo em contexto: 'a palavra X poderia ser substituída por...'
- Conectivo: 'se substituirmos PORTANTO por ENTRETANTO, o sentido...'
Pegadinhas comuns
- Alternativa que repete exatamente uma frase do texto (geralmente não é a melhor).
- Alternativa que extrapola (vai além do que o texto diz).
- Alternativa que contradiz outra parte do texto.
- Alternativa parcialmente correta (atenção: se tem parte errada, está errada).
- Alternativa 'lógica em si' mas não suportada pelo texto.
Técnica de eliminação
- Elimine alternativas FALSAS (contradizem o texto).
- Elimine as que EXTRAPOLAM (vão além).
- Das restantes, escolha a mais FIEL e ABRANGENTE.
Erros da cabeça
- Confiar no 'feeling' sem conferir no texto.
- Escolher a primeira alternativa 'bonitinha'.
- Pular questões sem marcar pra voltar.
- Ler a questão depois do texto (inverte a ordem).
Aviso do Examinador
O Examinador escolhe distratores sedutores. Texto diz 'muitos brasileiros'; alternativa errada diz 'todos os brasileiros'. Cuidado com QUANTIFICADORES. 'Todo', 'sempre', 'nunca', 'nenhum' são absolutos e raros em texto.
Mapa mental
- Coesão
- Coerência
- Intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade
- Referencial (pronome)
- Sequencial (conectivos)
- Lexical (sinônimos, hiperônimos)
- Elipse
- 4 princípios (Van Dijk)
- Local × global
- Temática × pragmática
- Pressuposto (no enunciado)
- Subentendido (no contexto)
- Inferência (texto + mundo)
- Não-dito
- Principal: tese
- Secundárias: argumentos, exemplos
- Pergunta: 'de que se trata?'
- Intro (tese)
- Desenvolvimento (argumentos)
- Conclusão (síntese)
- Planejar
- Rascunho
- Revisar (leitura em voz alta)
- Skimming (panorâmica)
- Scanning (seletiva)
- Analítica (profunda)
Revisão relâmpago
Coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade, intertextualidade.
Conexão linguística. Referencial, sequencial, lexical.
Lógica interna. Continuidade, progressão, não-contradição, relação.
Pressuposto: no enunciado. Subentendido: no contexto, pode ser negado.
O que o autor defende. Aparece em posição privilegiada (título, início, fim).
Intro (tese) → Desenvolvimento (argumentos) → Conclusão.
Planejar → Redigir → Revisar. Três etapas sempre.
Enunciado → Skimming → Alternativas → Scanning → Marcação.

10 questões comentadas
Dez questões sobre produção e interpretação de texto, comentadas pelo Prof. Affonsinho.
Aviso do Examinador
Em interpretação, fidelidade ao texto é regra de ouro. A alternativa correta é aquela que o texto SUPORTA, não a que 'parece lógica'. Prove cada resposta com trecho.
Q1 Questão 01 · Comentada
Enunciado. Coesão textual refere-se a:
A) A lógica interna do texto.
B) A conexão linguística entre elementos do texto (pronomes, conectivos, sinônimos).
C) A intenção do autor.
D) O contexto social em que o texto foi produzido.
E) O diálogo com outros textos.
Gabarito: B
COESÃO é a conexão LINGUÍSTICA entre elementos (pronomes, conectivos, sinônimos, elipse). É a superfície concreta do texto.
A) é coerência. C) intencionalidade. D) situacionalidade. E) intertextualidade. Todos são outros fatores de textualidade.
Comentário do Prof. Affonsinho
Coesão: superfície conectiva
Coesão está na SUPERFÍCIE. Você vê no texto: pronome retomando nome, conectivo ligando ideias, sinônimo evitando repetição. Coerência, diferente, é o SENTIDO GLOBAL. Ambas são cobradas em prova.
Q2 Questão 02 · Comentada
Enunciado. Em 'Maria parou de fumar', qual o pressuposto?
A) Maria nunca fumou.
B) Maria fumava antes.
C) Maria vai fumar novamente.
D) Maria nunca pretendia fumar.
E) Maria não gosta de cigarro.
Gabarito: B
O verbo PARAR pressupõe que a ação OCORRIA antes. 'Parou de fumar' pressupõe 'fumava'. Pressuposição está marcada no próprio verbo.
Outros verbos pressupositivos: continuar, começar, terminar, deixar de. Advérbios: ainda, já.
Comentário do Prof. Affonsinho
Pressuposto: marca no enunciado
Pressupostos não dependem de contexto, estão INSCRITOS no enunciado. 'João continua trabalhando' pressupõe que trabalhava antes. 'Pedro ainda chora' pressupõe que chorava antes também.
Q3 Questão 03 · Comentada
Enunciado. Em 'Paulo comprou um livro. Ele é professor', o pronome 'ele' é exemplo de:
A) Catáfora.
B) Anáfora.
C) Exófora.
D) Elipse.
E) Hiperônimo.
Gabarito: B
ANÁFORA: o pronome RETOMA elemento anterior. 'Ele' retoma 'Paulo'.
CATÁFORA: antecipa elemento posterior ('Ouça isto: ...'). EXÓFORA: refere-se a algo fora do texto. ELIPSE: omite termo.
Comentário do Prof. Affonsinho
Anáfora × catáfora
Anáfora vem ANTES do referente ser apresentado? Não: vem DEPOIS. O pronome RETOMA. 'O carro chegou. Ele era azul'. Catáfora ANTECIPA: 'Olha só ISTO: vai chover amanhã'.
Q4 Questão 04 · Comentada
Enunciado. Na frase 'Choveu, portanto fiquei em casa', o conectivo PORTANTO indica:
A) Causa.
B) Consequência / conclusão.
C) Oposição.
D) Tempo.
E) Adição.
Gabarito: B
PORTANTO indica CONSEQUÊNCIA/CONCLUSÃO. 'Choveu' é a causa; 'fiquei em casa' é a consequência. Portanto = por isso, assim, logo.
Cuidado: a CAUSA pode ser introduzida por 'pois', 'porque', 'já que'. A conclusão por 'portanto', 'logo', 'assim'.
Comentário do Prof. Affonsinho
Conectivos de conclusão
Portanto, logo, por isso, assim, pois (em final de oração): todos conclusivos. Conectam o QUE aconteceu com a CONSEQUÊNCIA. Dominar conectivos = dominar raciocínio textual.
Q5 Questão 05 · Comentada
Enunciado. Em um texto dissertativo-argumentativo clássico, a TESE aparece normalmente em qual posição?
A) Apenas na conclusão.
B) Apenas no desenvolvimento.
C) Na introdução (explícita ou implicitamente) e retomada na conclusão.
D) Em qualquer lugar, aleatoriamente.
E) Não aparece diretamente.
Gabarito: C
Na estrutura clássica, a TESE aparece na INTRODUÇÃO (explícita ou implícita) e é RETOMADA na conclusão. O desenvolvimento apresenta ARGUMENTOS que a sustentam.
Comentário do Prof. Affonsinho
Tese: antecipação + retomada
Autor apresenta a tese logo na introdução, desenvolve com argumentos, conclui retomando e reforçando. O leitor sai reforçado no convencimento. É o ciclo clássico da argumentação retórica.
Q6 Questão 06 · Comentada
Enunciado. Qual a diferença entre PRESSUPOSTO e SUBENTENDIDO?
A) Pressuposto é escrito; subentendido é oral.
B) Pressuposto está marcado no enunciado (por verbos como 'parar'); subentendido depende do contexto.
C) Não há diferença.
D) Subentendido é sempre negativo.
E) Pressuposto só ocorre em texto literário.
Gabarito: B
PRESSUPOSTO está marcado no ENUNCIADO (verbos como parar, continuar, começar; advérbios como já, ainda). Não pode ser negado sem contradição.
SUBENTENDIDO depende do CONTEXTO, pode ser negado pelo autor ('não foi isso que quis dizer'). É mais sutil.
Comentário do Prof. Affonsinho
Subentendido: negável
Cliente diz ao atendente: 'Que fila enorme!'. Subentende-se uma reclamação, mas o cliente pode negar: 'só estou comentando'. Pressuposto não tem essa fuga. 'Parei de reclamar' IMPLICA que reclamei.
Q7 Questão 07 · Comentada
Enunciado. A técnica de leitura em que passamos os olhos RAPIDAMENTE pelo texto para captar ideia geral é:
A) Scanning.
B) Skimming.
C) Leitura analítica.
D) Leitura decorada.
E) Leitura integral.
Gabarito: B
SKIMMING é a leitura RÁPIDA, panorâmica. Olho passa pelos títulos, primeira e última frases, captando ideia geral. Inglês 'to skim' = desnatar, passar por cima.
SCANNING é dirigido (buscar info específica, como nome ou data). LEITURA ANALÍTICA é lenta, com parada.
Comentário do Prof. Affonsinho
Skimming: sobrevoo
Em prova, skimming é o primeiro passo após ler o enunciado. Você capta o tema em 30 segundos. Depois, scanning ou análise, dependendo do que se pede. É técnica, vira reflexo com prática.
Q8 Questão 08 · Comentada
Enunciado. Um texto onde todas as frases se conectam linguisticamente (com pronomes corretos e conectivos) mas que no final afirma o contrário do início, é:
A) Coeso e coerente.
B) Coeso mas incoerente.
C) Incoerente e incoeso.
D) Coerente mas incoeso.
E) Sem texto.
Gabarito: B
COESO (conexões linguísticas corretas) mas INCOERENTE (contradiz o início no final, viola princípio de não-contradição de Van Dijk). Os dois conceitos são distintos: você pode ter um sem o outro.
Comentário do Prof. Affonsinho
Coeso × coerente
Pode haver coesão sem coerência: texto com frases bem conectadas mas ideias contraditórias. E coerência sem coesão aparente: texto com lacunas mas cuja lógica se entende. Dominar essa distinção = questão certa na prova.
Q9 Questão 09 · Comentada
Enunciado. 'Ele chegou encharcado.' Do enunciado INFERE-SE que:
A) Ele gosta de nadar.
B) Esteve em contato com água (chuva, piscina, rio, etc.).
C) É verão.
D) Ele é atleta.
E) Ele estava chorando.
Gabarito: B
INFERÊNCIA válida: 'encharcado' implica contato com água. As outras alternativas EXTRAPOLAM: o texto não permite concluir que gosta de nadar, que é verão ou que é atleta.
Comentário do Prof. Affonsinho
Inferência: costura do que o texto dá
Inferência legítima usa apenas o que o texto oferece + conhecimento de mundo mínimo. 'Encharcado' = contato com água. 'Chegou': veio de algum lugar. Inferir 'é atleta' exige supor, não inferir.
Q10 Questão 10 · Comentada
Enunciado. O processo de produção textual envolve as etapas:
A) Apenas redigir.
B) Planejar, redigir, revisar.
C) Apenas revisar.
D) Apenas planejar.
E) Copiar, colar, enviar.
Gabarito: B
Produção textual envolve TRÊS ETAPAS: PLANEJAR (escolher tese, selecionar argumentos), REDIGIR (escrever rascunho), REVISAR (ler em voz alta, corrigir).
Pular etapas compromete o texto. Planejar evita desvios. Revisar elimina erros.
Comentário do Prof. Affonsinho
Ciclo completo
Escritor experiente planeja bem antes de escrever, redige com fluência, revisa criticamente. Quem escreve direto sem planejamento perde coesão e coerência. Quem não revisa publica erros. As três etapas são essenciais.
Você interpreta e produz!
Coesão e coerência dominadas.
Pressupostos e implícitos decodificados.
Tese, argumentos, conclusão identificados.
Leitura estratégica em 3 camadas.
Você agora lê como examinador quer.
Próxima aula: 09 · Redação Oficial





