Planejamento Estratégico
missão, visão, SWOT, Porter, BSC e OKR
A primeira função do PODC, em profundidade. De Ansoff a Mintzberg, de Porter a Kaplan-Norton: o que é estratégia, como diagnosticar ambiente externo e interno, como definir missão, visão, valores e objetivos, como construir uma SWOT que vale algo, como escolher entre liderança em custo e diferenciação, como traduzir estratégia em indicadores via BSC e OKR. Tudo o que cai em concurso e o que faz sentido na prática.
Sumário
Dez módulos densos. Conceito e tipologia, evolução do pensamento estratégico, identidade organizacional, análise externa e interna, SWOT cruzada, estratégias genéricas, objetivos SMART e KPIs, Balanced Scorecard, OKR e planejamento no setor público brasileiro.
- p. 04Conceito de planejamento e tipologiaEstratégico, tático, operacional - quem faz o quê
- p. 07Evolução do pensamento estratégicoAnsoff, Andrews, Porter, Mintzberg - 60 anos em uma página
- p. 10Missão, Visão e ValoresIdentidade organizacional - o que é cada um
- p. 13Análise externaPorter 5 forças, PESTEL, cenários e stakeholders
- p. 17Análise internaCadeia de valor de Porter, RBV, modelo VRIO
- p. 20SWOT / FOFAMatriz, postura estratégica e SWOT cruzada (TOWS)
- p. 23Estratégias genéricas e matrizesPorter (custo/diferenciação/foco), Ansoff e BCG
- p. 27Objetivos, metas e indicadoresSMART, KPIs, hierarquia de objetivos
- p. 30Balanced Scorecard (BSC)Quatro perspectivas, mapa estratégico, relações de causa-efeito
- p. 33OKR e planejamento no setor públicoOKR vs BSC; PPA, LDO, LOA; Decreto 9.203/2017
- p. 37Mapa mental e revisãoA aula inteira em uma página
- p. 39Questões comentadas12 questões nos pontos campeões
O que você vai aprender
Estratégico (cúpula, longo prazo, abrangente, genérico, externo + interno). Tático (gerência intermediária, médio prazo, áreas funcionais). Operacional (supervisão, curto prazo, detalhado, foco em método). Característica-chave: o tempo, a abrangência e a especificidade aumentam ou diminuem juntos.
Ansoff (1965, planejamento corporativo), Andrews (LCAG/SWOT, 1965), Porter (1980, 5 forças e estratégias genéricas), Hamel-Prahalad (core competence, 1990), Kaplan-Norton (BSC, 1992), Mintzberg (10 escolas, 1998), Barney (RBV/VRIO, 1991), Doerr/Grove (OKR).
MISSÃO: razão de existir, presente. VISÃO: estado futuro desejado, aspiracional. VALORES: princípios inegociáveis. Não confunda - são três coisas distintas, e a banca adora trocar.
5 FORÇAS: rivalidade, novos entrantes, produtos substitutos, poder de barganha de fornecedores e poder de barganha de clientes - ferramenta de análise de atratividade do setor. SWOT: forças, fraquezas, oportunidades e ameaças - cruzamento gera as 4 posturas (sobrevivência, crescimento, manutenção, desenvolvimento).
BSC (Balanced Scorecard, Kaplan-Norton 1992): 4 perspectivas (financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento) + mapa estratégico de causa-efeito. OKR (Andy Grove/Doerr): Objectives + Key Results, ciclo curto trimestral, ambicioso, transparente. BSC = sistema de gestão da estratégia. OKR = framework de execução por ciclos.
PPA (4 anos, CF Art. 165 III), LDO (anual, CF Art. 165 II), LOA (anual, CF Art. 165 IV). LRF (LC 101/2000) na disciplina fiscal. Decreto 9.203/2017 institui a política de governança da Adm Pública Federal: liderança, estratégia e controle.
Dica do Fuffu
O ponto mais cobrado dessa aula é a tabela "estratégico x tático x operacional" e a SWOT cruzada (TOWS). Se você fixar essas duas, ganha metade das questões. As outras metades vêm das pegadinhas Porter x Ansoff, BSC x OKR e missão x visão.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 Conceito de planejamento e tipologia
Planejar é a primeira função do PODC. É o processo pelo qual a organização decide para onde quer ir, o que precisa fazer para chegar lá, e quais recursos vai usar. A definição clássica de Djalma Rebouças (Planejamento Estratégico, ed. Atlas): "Planejamento é o processo desenvolvido para o alcance de uma situação futura desejada, de um modo mais eficiente e eficaz, com a melhor concentração de esforços e recursos pela empresa".
Três elementos sempre presentes: onde estamos (diagnóstico), onde queremos chegar (objetivos), e como vamos chegar (estratégia + planos de ação).
Características essenciais
- É processo: contínuo, não evento único.
- É sistêmico: olha a organização inteira em interação com o ambiente.
- É decisório: implica escolhas, com renúncia.
- É baseado em premissas: hipóteses sobre o futuro - cenários.
- É iterativo: revisa-se e ajusta-se constantemente.
Tipologia clássica - 3 níveis
O planejamento se desdobra em três níveis hierárquicos, cada um com características próprias. Esta tabela cai sempre:
| Característica | Estratégico | Tático | Operacional |
|---|---|---|---|
| Quem faz | Cúpula (presidência, alta direção) | Gerência intermediária | Supervisão / equipes operacionais |
| Horizonte | Longo prazo (3 a 10 anos) | Médio prazo (1 a 3 anos) | Curto prazo (dias a 1 ano) |
| Abrangência | Toda a organização | Áreas funcionais | Tarefas e processos específicos |
| Detalhamento | Genérico, sintético | Detalhado por área | Analítico, minucioso |
| Foco | Externo + interno | Interno (área) | Interno (tarefa) |
| Risco | Alto | Médio | Baixo |
| Reversibilidade | Difícil reverter | Reversível com custo | Facilmente revisável |
Como os três níveis se conectam
Os planos não se isolam - se desdobram. O estratégico é a moldura. O tático é o desenho de cada área dentro da moldura. O operacional é a tinta no quadro. Visualmente:
- Estratégico define a missão, a visão e os objetivos estratégicos da organização.
- Tático traduz cada objetivo estratégico em metas para as áreas (marketing, finanças, RH, operações).
- Operacional transforma cada meta tática em programações detalhadas: cronogramas, escalas, especificações.
A regra é simples: o planejamento operacional não pode contrariar o tático, e o tático não pode contrariar o estratégico. É uma cascata de cima para baixo - o que se cria de baixo (orçamentos, cronogramas) precisa fechar com o de cima (estratégia).
Vantagens do planejamento
- Reduz incerteza e ansiedade.
- Fornece direção clara para a organização inteira.
- Otimiza alocação de recursos.
- Cria padrões para o controle posterior.
- Gera coordenação entre áreas.
- Facilita a tomada de decisão sob pressão.
Limites do planejamento
Mintzberg, no clássico The Rise and Fall of Strategic Planning (1994), foi especialmente duro com a ideia de planejamento estratégico formal. Os limites mais cobrados:
- Rigidez: planos engessam a organização em ambiente turbulento.
- Falácia da previsão: o futuro não é extrapolação do passado.
- Desconexão entre planejamento e execução: quem planeja não é quem faz.
- Tempo e custo: ciclos longos consomem energia.
- Visão de túnel: o que está fora do plano fica invisível.
Alerta do Examinador
Pegadinha clássica: dizer que o planejamento operacional é responsabilidade da alta administração, ou que o estratégico é detalhado e específico. Errado nos dois casos. A regra é: cúpula faz estratégico (genérico, longo prazo); supervisão faz operacional (detalhado, curto prazo). Inversão direta = alternativa errada.
Filosofias de planejamento (Ackoff)
Russell Ackoff (1981) classificou as filosofias de planejamento em quatro tipos. Cobrança recorrente, especialmente em FCC e FGV:
| Filosofia | Postura | Foco temporal |
|---|---|---|
| Reativa | Olhar para o passado, voltar a ele, evitar mudança | Passado |
| Inativa | Manter o presente, sobreviver, não fazer ondas | Presente |
| Pré-ativa | Antecipar o futuro, preparar-se, planejar com base em previsões | Futuro previsto |
| Pró-ativa (interativa) | Construir o futuro desejado, ser agente da mudança | Futuro desejado |
O planejamento estratégico moderno é predominantemente pró-ativo (interativo) - quer construir o futuro, não apenas reagir. Mas em ambientes muito instáveis, abordagens pré-ativas (cenários) ganham espaço.
Princípios do planejamento
Há quatro princípios gerais de planejamento que toda banca cobra. Decora:
- Contribuição aos objetivos: todo plano deve facilitar o alcance dos objetivos da organização.
- Precedência: o planejamento antecede as outras funções (organização, direção, controle).
- Maior penetração e abrangência: planejar provoca mudanças em pessoas, tecnologia e estrutura.
- Maior eficiência, eficácia e efetividade: maximizar resultados e minimizar desperdícios.
Princípios específicos (segundo a doutrina de Djalma Rebouças):
- Planejamento participativo: maior valor está no processo, não no plano em si.
- Planejamento coordenado: aspectos interdependentes devem ser planejados juntos.
- Planejamento integrado: planos dos diversos níveis devem se integrar.
- Planejamento permanente: nenhum plano mantém valor com o tempo - exige revisão constante.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 Evolução do pensamento estratégico
"Estratégia" vem do grego strategos (general). A palavra entrou na administração nos anos 1960, num movimento que tirou as escolas de negócios da prescrição genérica de Fayol e levou para o pensamento estratégico de longo prazo. Em 60 anos, a disciplina passou por seis ondas:
Ondas do pensamento estratégico
| Onda | Período | Foco | Pioneiros e obras |
|---|---|---|---|
| 1. Planejamento financeiro | 1950-1960 | Orçamento anual, controle de variações | Práticas corporativas, sem teoria forte |
| 2. Planejamento de longo prazo | 1960 | Projeções por extrapolação do passado | George Steiner (Top Management Planning, 1969) |
| 3. Planejamento estratégico | 1970 | Análise SWOT, segmentação, posicionamento | Igor Ansoff (Corporate Strategy, 1965); Andrews et al. (LCAG/Harvard, 1965); Albert Humphrey (SWOT, Stanford anos 60-70) |
| 4. Administração estratégica | 1980 | Estratégia + estrutura + cultura + execução | Michael Porter (Competitive Strategy, 1980; Competitive Advantage, 1985); McKinsey 7S |
| 5. Gestão estratégica | 1990 | RBV, core competence, capacidade dinâmica, BSC | Jay Barney (RBV, 1991); Hamel e Prahalad (HBR 1990; Competing for the Future, 1994); Kaplan e Norton (BSC, HBR 1992; Strategy Maps, 2004) |
| 6. Estratégia em ambiente VUCA | 2000-hoje | Agilidade, OKR, scrum estratégico, pivots, oceano azul | Henry Mintzberg (Strategy Safari, 1998); Andy Grove (Intel/OKR); John Doerr (Measure What Matters, 2018); Kim e Mauborgne (Blue Ocean Strategy, 2005) |
Cada onda não substitui a anterior - se sobrepõe. Hoje uma empresa moderna usa simultaneamente orçamento (onda 1), análise SWOT (onda 3), 5 forças (onda 4), BSC (onda 5) e OKR (onda 6). A disciplina é cumulativa.
Os 4 momentos da escola clássica de estratégia
Igor Ansoff é considerado o pai do planejamento estratégico empresarial. Em Corporate Strategy (1965), ele propôs o que hoje chamamos de planejamento estratégico clássico: começa com diagnóstico, define objetivos, escolhe estratégia, implementa. A escola clássica aprofunda esse modelo.
Já o modelo LCAG (sigla dos autores Learned, Christensen, Andrews, Guth, da Harvard Business School, 1965) é o que popularizou a SWOT como base do diagnóstico estratégico. Por isso a SWOT é também chamada de análise LCAG em alguns livros.
Albert S. Humphrey, da Stanford Research Institute (anos 60-70), é creditado por outros autores como o originador efetivo da SWOT, depois de um projeto chamado SOFT (que virou SWOT por adaptação). A origem é debatida, mas a função é a mesma.
As 10 escolas de estratégia (Mintzberg)
Em Strategy Safari (1998), Henry Mintzberg, Bruce Ahlstrand e Joseph Lampel agruparam o pensamento estratégico em 10 escolas. Cobrança decisiva em provas avançadas (FGV, CESPE):
| Escola | Estratégia como… | Tipo |
|---|---|---|
| Design | Concepção | Prescritiva |
| Planejamento | Processo formal | Prescritiva |
| Posicionamento (Porter) | Análise competitiva | Prescritiva |
| Empreendedora | Visão de líder | Descritiva |
| Cognitiva | Processo mental | Descritiva |
| Aprendizado | Processo emergente | Descritiva |
| Poder | Negociação política | Descritiva |
| Cultural | Coletivo cultural | Descritiva |
| Ambiental | Resposta ao ambiente | Descritiva |
| Configuração | Transformação contextual | Híbrida |
Três prescritivas (dizem como deve ser): Design, Planejamento, Posicionamento. Seis descritivas (descrevem como é). Uma híbrida (Configuração). Decora 3-6-1.
Estratégia deliberada x emergente (Mintzberg)
Outra contribuição de Mintzberg muito cobrada: a distinção entre estratégia deliberada e estratégia emergente.
- Estratégia pretendida: o que a alta direção planejou e quis fazer.
- Estratégia deliberada: a parte da pretendida que efetivamente se realizou.
- Estratégia emergente: o que aconteceu mas não foi planejado - surgiu da prática.
- Estratégia não realizada: a parte da pretendida que ficou pelo caminho.
- Estratégia realizada: deliberada + emergente. É o que de fato foi executado.
A lição de Mintzberg: a estratégia real raramente é só deliberada. Em ambientes complexos, parte da estratégia emerge da execução, da experimentação, do aprendizado. Por isso ele critica os planos rígidos.
Os 5 Ps da estratégia (Mintzberg)
Mintzberg também propôs cinco definições complementares de estratégia, os 5 Ps:
- Plano (Plan): estratégia como guia consciente para o futuro.
- Padrão (Pattern): estratégia como consistência de comportamento ao longo do tempo.
- Posicionamento (Position): como a organização se localiza no mercado.
- Perspectiva (Perspective): o jeito da organização ver o mundo, sua personalidade.
- Pretexto / artimanha (Ploy): estratégia como manobra para enganar concorrentes.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Banca adora misturar a SWOT (de Andrews/LCAG) com Porter. SWOT é diagnóstico (forças, fraquezas, oportunidades, ameaças). Porter trabalha com 5 forças (modelo de análise de setor) e estratégias genéricas (custo, diferenciação, foco). São ferramentas distintas, embora se complementem. Quando a questão atribuir as 5 forças a Andrews ou a SWOT a Porter, está errada.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 Missão, Visão e Valores
O trio identitário. A banca cobra como se fosse trivial, mas a maior parte dos candidatos confunde os três. Decora a definição-pivô e nunca mais erra.
Missão
É a razão de existir da organização. Responde "por que existimos?", "o que fazemos?", "para quem fazemos?", "como fazemos?". Foco no presente. Características de uma boa missão:
- Curta, memorável, autêntica.
- Define o negócio (não o produto - exemplo clássico: a missão da Disney não é "fazer filmes", é "criar felicidade").
- Aponta o público que se atende.
- Pode incluir o "como" (princípios de atuação).
- É perene - muda raramente.
Exemplo: "Promover a justiça e o estado democrático de direito, defendendo os interesses sociais e individuais indisponíveis." (missão típica do Ministério Público).
Visão
É o estado futuro desejado. Responde "para onde vamos?", "o que queremos ser?", "onde queremos chegar?". Foco no futuro, com horizonte de tempo definido (geralmente 3 a 10 anos). Características de uma boa visão:
- Inspiradora: motiva a equipe.
- Ambiciosa, mas atingível: nem covarde, nem fantasia.
- Específica: dá pra saber se chegou (mensurável).
- Limitada no tempo: tem um prazo.
- Compartilhada: toda a organização entende e abraça.
Exemplo: "Ser, até 2030, a polícia mais bem avaliada da América Latina pelo cidadão." (visão típica de uma corporação policial moderna).
Valores
São os princípios inegociáveis que guiam o comportamento. Responde "o que defendemos sempre?", "como agimos diante de dilemas?", "o que nunca abrimos mão?". Diferente de slogans bonitinhos: valores reais aparecem em decisões difíceis.
Características de bons valores:
- Poucos (3 a 7 - se passar disso, vira lista de qualidades).
- Específicos (não "qualidade" genérica - mas "qualidade que garante zero defeitos no primeiro mês").
- Aplicáveis: têm consequência prática.
- Compartilhados em todos os níveis.
- Estáveis: mudam menos do que a visão.
Exemplos típicos no setor público: integridade, transparência, eficiência, impessoalidade, ética, respeito ao cidadão.
Tabela síntese: Missão, Visão, Valores
| Atributo | Missão | Visão | Valores |
|---|---|---|---|
| Tempo | Presente | Futuro | Atemporal |
| Pergunta | Por que existimos? | Onde queremos chegar? | Como agimos? |
| Estabilidade | Perene (muda raramente) | Limitada no tempo (revisa-se) | Estável |
| Tom | Funcional | Aspiracional, inspirador | Comportamental |
| Quantidade ideal | Uma frase | Uma frase com horizonte | 3 a 7 valores |
Outros elementos da identidade organizacional
- Negócio: o que a organização entrega de valor (produto, serviço, experiência) - mais amplo que produto.
- Propósito: razão de existir conectada a impacto social - vai além da missão tradicional.
- Princípios: regras de conduta derivadas dos valores.
- Crenças: convicções fundamentais sobre o mundo e o que é importante.
Negócio - o "o que" da organização
O conceito de negócio é distinto do produto e cai como pegadinha. Theodore Levitt, no clássico Marketing Myopia (1960), denunciou as empresas que se definiam pelo produto e morriam quando o produto ficava obsoleto. Exemplo paradigmático: as ferrovias americanas se definiam como "negócio de trens" - quando o avião e o caminhão chegaram, sumiram. Se tivessem se definido como "negócio de transporte", teriam migrado.
Definição de negócio segundo Maximiano: o conjunto de problemas que a organização resolve para seus clientes. Não é o que ela faz, é o que ela resolve.
- Negócio da Coca-Cola: refresco e bem-estar (não "garrafas de refrigerante").
- Negócio do Detran: mobilidade e segurança no trânsito (não "emitir CNH").
- Negócio de uma escola: formar pessoas (não "dar aulas").
Os 5 elementos da identidade (visão sintética)
Quase todo planejamento estratégico moderno organiza assim:
- Negócio: o problema que resolvemos.
- Missão: por que existimos.
- Visão: para onde vamos.
- Valores: como agimos.
- Propósito (mais recente): impacto que queremos gerar no mundo.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
No setor público, o "negócio" é definido pela LEI que cria o órgão. Você não escolhe o seu negócio - ele vem na lei de criação, no decreto regulamentador, na competência constitucional. Por isso, no público, a missão é mais derivada da norma do que estratégica. A visão e os valores, por outro lado, são construções legítimas da gestão e podem (e devem) ser revisados a cada ciclo de planejamento - é o que dá margem à inovação dentro da legalidade.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 Análise externa
Diagnóstico do fora: macroambiente (variáveis amplas, indiretas) e microambiente (setor, concorrência, clientes diretos). O resultado da análise externa é a lista de oportunidades e ameaças da SWOT. Três ferramentas dominam:
PESTEL (ou PEST, STEEP) - macroambiente
O macroambiente é dividido em seis categorias - mnemônico PESTEL:
- Político: governo, regulação, estabilidade política, políticas públicas.
- Econômico: PIB, juros, câmbio, inflação, emprego, consumo.
- Social: demografia, valores, estilos de vida, educação, saúde.
- Tecnológico: inovação, automação, digitalização, IA, P&D.
- Ecológico (ambiental): clima, sustentabilidade, ESG, recursos naturais.
- Legal: leis, normas, regulamentação setorial, jurisprudência.
Variantes: PEST (4 fatores - sem ecológico e legal), STEEP (mesmas 5 com ordem diferente), STEEPLE (acrescenta ético). Em prova brasileira, PESTEL é o mais comum.
As 5 forças de Porter (1980) - microambiente
Michael Porter, em Competitive Strategy (1980), propôs o modelo das 5 forças para analisar a atratividade de um setor (quanto maior o número de forças desfavoráveis, menos atrativo o setor). É a ferramenta estratégica mais cobrada em concurso.
- Rivalidade entre concorrentes existentes: intensidade da concorrência atual.
- Ameaça de novos entrantes: facilidade com que novas empresas podem entrar no setor.
- Ameaça de produtos substitutos: outros produtos/serviços que satisfazem a mesma necessidade.
- Poder de barganha dos fornecedores: quanto os fornecedores conseguem cobrar e impor condições.
- Poder de barganha dos compradores (clientes): quanto os clientes conseguem pressionar preços e condições.
Determinantes de cada força
| Força | Determinantes (o que aumenta a força) |
|---|---|
| Rivalidade | Muitos concorrentes, crescimento lento, baixa diferenciação, custos fixos altos, barreiras à saída |
| Novos entrantes | Baixas barreiras à entrada (capital, regulação, escala, marcas), alta atratividade do setor |
| Substitutos | Produtos alternativos com bom custo-benefício, baixo custo de mudança para o cliente |
| Fornecedores | Poucos fornecedores concentrados, ausência de substitutos para o insumo, alto custo de troca |
| Compradores | Clientes concentrados, baixos custos de mudança, produto não diferenciado, alta sensibilidade a preço |
A 6ª força - complementadores
Adam Brandenburger e Barry Nalebuff, em Co-opetition (1996), propuseram a 6ª força: os complementadores. São empresas cujos produtos aumentam o valor do seu (ex.: fabricantes de joystick aumentam o valor de um console; empresas de software aumentam o valor do hardware). Não está no Porter original, mas algumas bancas modernas cobram. Se cair, é a 6ª.
Stakeholders
O conceito de stakeholders (públicos de interesse) foi popularizado por R. Edward Freeman em Strategic Management: A Stakeholder Approach (1984). Stakeholder é qualquer pessoa, grupo ou organização que afete ou seja afetado pela atividade da organização. Tipos:
- Internos: empregados, gestores, sócios, conselheiros.
- Externos: clientes, fornecedores, acionistas, governo, comunidade, mídia, sindicatos, ONGs.
- Primários (essenciais à operação): clientes, empregados, acionistas, fornecedores.
- Secundários (afetados, mas não essenciais à operação direta): mídia, comunidade, ONGs.
Mapeamento de stakeholders é hoje obrigatório em qualquer planejamento estratégico moderno - especialmente no setor público, onde a multiplicidade de partes interessadas é maior.
Cenários (Royal Dutch Shell, anos 70)
Em ambientes de alta incerteza, a Royal Dutch Shell foi pioneira no uso de cenários nos anos 70. Cenário é uma narrativa coerente sobre como o futuro pode se desenrolar - não é previsão, é exploração de futuros possíveis.
Tipologia clássica de cenários:
- Otimista: tudo dá certo - taxas favoráveis, demanda alta, regulação benigna.
- Pessimista: tudo dá errado - crise, recessão, regulação adversa.
- Mais provável (tendencial): extrapolação razoável das tendências.
- Disruptivo: choque inesperado (cisne negro de Taleb) - pandemia, guerra, mudança tecnológica radical.
O planejamento por cenários consiste em definir 3 a 5 cenários, identificar premissas e construir planos de contingência para cada um. É especialmente útil quando a incerteza é alta.
Análise de stakeholders - matriz poder x interesse
Mendelow (1991) propôs a matriz poder x interesse para classificar stakeholders e definir estratégia de relacionamento:
| Quadrante | Poder | Interesse | Estratégia |
|---|---|---|---|
| 1 | Alto | Alto | Gerenciar de perto (key players) |
| 2 | Alto | Baixo | Manter satisfeito |
| 3 | Baixo | Alto | Manter informado |
| 4 | Baixo | Baixo | Monitoramento mínimo |
Dica do Raffinha
Para acertar questão de Porter, decore: as 5 forças convergem sobre a empresa do meio (rivalidade), com 4 forças "ao redor" (entrantes em cima, substitutos embaixo, fornecedores à esquerda, clientes à direita). Algumas bancas chamam esse desenho de "diagrama da estrela" - é a mesma coisa.
Análise externa no setor público
No serviço público, a análise externa tem peculiaridades:
- Concorrência em geral inexiste (monopólio do serviço público), mas pode existir competição inter-organizacional (ex.: estados disputando investimentos).
- Stakeholders são mais numerosos: cidadãos, controle externo (TCU, TCEs), Ministério Público, Legislativo, mídia, ONGs, organismos internacionais.
- Macroambiente legal é central - o quadro jurídico (CF, leis, decretos, atos normativos) define o que pode e o que não pode.
- Pressão política é variável-chave que não aparece em PESTEL clássico.
Por isso, no setor público, costuma-se substituir parte do diagnóstico externo por:
- Análise de stakeholders ampliada.
- Análise institucional (mapeamento de competências, normas, atores).
- Análise de demandas (cidadãos, ouvidoria, controle social).
Tabela síntese: ferramentas de análise externa
| Ferramenta | Foco | Saída |
|---|---|---|
| PESTEL | Macroambiente | Lista de fatores político-econômico-social-tecnológico-ecológico-legal |
| 5 Forças de Porter | Microambiente / setor | Atratividade do setor |
| Cenários | Futuro incerto | 3-5 narrativas e planos de contingência |
| Análise de stakeholders | Públicos de interesse | Mapa de partes interessadas + estratégia de relacionamento |
| Benchmarking | Concorrentes e referências | Comparação de práticas e indicadores |
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Análise interna
Diagnóstico do dentro. Identifica recursos, capacidades, pontos fortes e fracos. Resultado: a coluna F (forças) e f (fraquezas) da SWOT. Três ferramentas centrais.
Cadeia de valor (Porter, 1985)
Em Competitive Advantage (1985), Michael Porter propôs decompor a empresa em 9 atividades que geram valor. A análise dessas atividades revela onde a vantagem competitiva pode ser construída.
5 atividades primárias (envolvidas na criação física e venda do produto):
- Logística de entrada: recebimento, armazenagem, controle de matéria-prima.
- Operações: transformação de insumos em produto.
- Logística de saída: armazenagem, distribuição, entrega.
- Marketing e vendas: relação com cliente, propaganda, canais.
- Serviços (pós-venda): instalação, manutenção, atendimento.
4 atividades de apoio (sustentam as primárias):
- Infraestrutura da empresa: planejamento, contabilidade, jurídico.
- Gestão de RH: recrutamento, treinamento, remuneração.
- Desenvolvimento de tecnologia: P&D, melhoria de processos.
- Aquisição (suprimentos): compra de insumos.
Total: 9 atividades (5 primárias + 4 apoio). A diferença valor gerado - custos é a margem. A vantagem competitiva sustentável vem de configurar as atividades de modo que a empresa entregue mais valor ou opere com menor custo que os concorrentes.
Visão Baseada em Recursos (RBV) - Barney 1991
A Resource-Based View (RBV) é a perspectiva alternativa à de Porter. Enquanto Porter olha para fora (estrutura do setor), a RBV olha para dentro (recursos da firma). A tese central: a vantagem competitiva sustentável vem de recursos raros, valiosos, difíceis de imitar e organizados que a empresa controla. É o modelo que justifica por que duas empresas no mesmo setor têm desempenhos diferentes.
Tipos de recursos (Barney, 1991):
- Recursos físicos: instalações, equipamentos, localização, matérias-primas.
- Recursos humanos: experiência, conhecimento, julgamento, relacionamentos.
- Recursos organizacionais: estrutura formal, sistemas de planejamento, controle, coordenação, cultura.
- Recursos financeiros: capital próprio, capital de terceiros, fluxo de caixa.
Modelo VRIO (Barney, 1991-1995)
Para um recurso virar vantagem competitiva sustentável, ele precisa passar em quatro testes - VRIO:
| Critério | Pergunta | Resultado se "não" |
|---|---|---|
| Vaor | O recurso permite explorar uma oportunidade ou neutralizar uma ameaça? | Desvantagem competitiva |
| Raridade | O recurso é controlado por poucos concorrentes? | Paridade competitiva |
| Inimitabilidade | É difícil/caro imitar o recurso? | Vantagem competitiva temporária |
| Organização | A empresa tem políticas, procedimentos e estrutura para explorar o recurso? | Vantagem competitiva sustentável NÃO REALIZADA |
Antes do VRIO, Barney usava VRIN (com "N" de Não-substituível em vez de "O" de Organização). VRIO substituiu VRIN, mas em alguns livros antigos a sigla aparece como VRIN. As bancas hoje cobram VRIO.
Core competence (Hamel e Prahalad, 1990)
No artigo The Core Competence of the Corporation (HBR, 1990), Gary Hamel e C.K. Prahalad introduziram o conceito de competências essenciais. Uma competência essencial tem três características:
- Acesso a múltiplos mercados: pode ser aplicada em diversos negócios e produtos.
- Contribuição perceptível para o cliente: o cliente percebe valor.
- Difícil de imitar pelos concorrentes: é resultado de aprendizado coletivo, integração de habilidades e tecnologias.
Exemplo clássico: a Honda construiu competência essencial em motores que aplicou a carros, motos, geradores, cortadores de grama, barcos. A 3M é exemplo em adesivos. Cada uma protege e amplia sua competência ao longo de décadas.
7S da McKinsey (1980)
Modelo da consultoria McKinsey (Tom Peters e Robert Waterman) que diagnostica a coerência interna entre sete elementos. Decora os 7S - cobrança recorrente:
- Strategy (estratégia)
- Structure (estrutura)
- Systems (sistemas / processos)
- Shared values (valores compartilhados - centro do modelo)
- Style (estilo de gestão / liderança)
- Staff (pessoal)
- Skills (habilidades)
Três hard: estratégia, estrutura, sistemas (mais fáceis de mudar). Quatro soft: valores, estilo, staff, skills (mais difíceis de mudar). Os valores compartilhados ficam no centro porque influenciam todos os outros. Modelo é prescritivo: a coerência interna entre os 7S é condição para o desempenho.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 SWOT / FOFA - matriz e estratégias derivadas
SWOT é a ferramenta mais cobrada de toda a Administração - junto com PODC. Originada nos anos 60 (Harvard / Stanford), serve para sintetizar o diagnóstico estratégico em quatro caixas que se cruzam.
A matriz
Em inglês: Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats. Em português: Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças (FOFA). Mapeada em duas dimensões:
- Origem: interno (forças e fraquezas) vs externo (oportunidades e ameaças).
- Natureza: positivo (forças e oportunidades) vs negativo (fraquezas e ameaças).
| Positivo (ajuda) | Negativo (atrapalha) | |
|---|---|---|
| Interno | Forças (S) Recursos, capacidades, vantagens controladas pela organização | Fraquezas (W) Deficiências internas, gaps de capacidade, recursos faltantes |
| Externo | Oportunidades (O) Tendências favoráveis, mudanças no ambiente que beneficiam | Ameaças (T) Tendências adversas, riscos do ambiente |
Erros mais comuns ao montar SWOT
- Trocar interno x externo: colocar concorrência (externo) como fraqueza (interno).
- Listar fatos genéricos: "alta concorrência" como ameaça sem especificar.
- Não priorizar: dezenas de itens em cada quadrante sem hierarquia.
- Listar metas, não diagnósticos: "aumentar vendas" não é força, é objetivo.
- Confundir oportunidade com força: "ter equipe qualificada" é força, não oportunidade.
As 4 posturas estratégicas (SWOT cruzada)
O cruzamento dos quadrantes da SWOT gera quatro posturas estratégicas distintas. Esta é a parte mais sofisticada da SWOT e a mais cobrada em prova:
| Cruzamento | Postura | Lógica |
|---|---|---|
| F + O | DESENVOLVIMENTO (alavancagem) | Usar forças para aproveitar oportunidades. "Crescer onde sou forte e o ambiente ajuda." |
| F + A | MANUTENÇÃO (confronto) | Usar forças para neutralizar ameaças. "Defender posição." |
| f + O | CRESCIMENTO (capacitação) | Reduzir fraquezas para aproveitar oportunidades. "Investir em capacidade onde o mercado puxa." |
| f + A | SOBREVIVÊNCIA | Reduzir fraquezas e neutralizar ameaças. "Reduzir exposição, reestruturar." |
Variantes da SWOT cruzada
A versão mais conhecida nas bancas brasileiras (Chiavenato/Maximiano/Djalma) usa: desenvolvimento, manutenção, crescimento, sobrevivência.
Em literatura internacional, a SWOT cruzada também é chamada de matriz TOWS (Heinz Weihrich, 1982) com quatro estratégias:
- SO (Maxi-Maxi): aproveitar forças para aproveitar oportunidades = DESENVOLVIMENTO.
- WO (Mini-Maxi): superar fraquezas para aproveitar oportunidades = CRESCIMENTO.
- ST (Maxi-Mini): usar forças para minimizar ameaças = MANUTENÇÃO.
- WT (Mini-Mini): minimizar fraquezas e ameaças = SOBREVIVÊNCIA.
Conhecer as duas nomenclaturas evita confusão. As bancas brasileiras usam a primeira; bancas mais internacionais (FGV em provas avançadas) misturam.
SWOT e Matriz GE/McKinsey - comparação
A SWOT é qualitativa. Uma evolução quantitativa é a Matriz GE/McKinsey (criada na General Electric com a consultoria McKinsey nos anos 70), que avalia unidades de negócio em duas dimensões:
- Atratividade do setor (eixo Y) - alta, média, baixa.
- Posição competitiva da unidade (eixo X) - forte, média, fraca.
Resultado: matriz 3x3 com 9 quadrantes, agrupados em 3 zonas:
- Zona verde (alta-forte, alta-média, média-forte): investir e crescer.
- Zona amarela (alta-fraca, média-média, baixa-forte): seletividade.
- Zona vermelha (média-fraca, baixa-média, baixa-fraca): colher / desinvestir.
SWOT no setor público
SWOT no público tem nuances:
- Forças: competência técnica do quadro, estabilidade institucional, missão clara, autoridade legal.
- Fraquezas: rigidez orçamentária, processos lentos, falta de cultura de resultado, defasagem tecnológica.
- Oportunidades: novas tecnologias (gov digital), parcerias com OSC, demanda por transparência, abertura de dados.
- Ameaças: instabilidade política, contingenciamento orçamentário, judicialização, resistência interna.
O vilão da aula: Professor Famoso
Esse vilão tem doutrina própria que diverge de Porter, Mintzberg e Kaplan-Norton, mas a banca cobra o consenso. Cuidado: ele vai te dizer que SWOT só serve pra empresa privada, que o BSC foi superado, ou que Porter "não funciona mais". Em prova, a versão consagrada é a que vale - mesmo que a doutrina alternativa exista.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Estratégias genéricas e matrizes de portfólio
Definido o diagnóstico, a organização escolhe um caminho estratégico. Três modelos dominam a literatura: estratégias genéricas de Porter, Matriz Ansoff e Matriz BCG.
Estratégias genéricas de Porter (1980)
Em Competitive Strategy (1980), Porter sustentou que existem essencialmente três caminhos para a vantagem competitiva:
| Estratégia | Vantagem | Como se constrói |
|---|---|---|
| Liderança em custo | Custo mais baixo do setor | Escala, eficiência operacional, controle rígido de custos, automação, padronização |
| Diferenciação | Produto/serviço único, percebido como superior | Marca forte, qualidade, design, atendimento, inovação, exclusividade |
| Foco (enfoque) | Atende um nicho específico melhor que ninguém | Especialização em segmento estreito (geográfico, demográfico, de necessidade) |
O foco se subdivide em foco em custo (atende o nicho com o menor custo) e foco em diferenciação (atende o nicho com produto único). Por isso alguns livros listam quatro estratégias genéricas - mas a estrutura original de Porter é 3: custo, diferenciação, foco.
A pegadinha do "meio-termo"
Porter foi categórico: a empresa que tenta ser tudo ao mesmo tempo (custo baixo + diferenciada + ampla) cai no que ele chamou de stuck in the middle ("ficar no meio do caminho"). Tem custo médio e diferenciação média - perde para os especialistas em cada extremo. A regra clássica é escolher uma e ir até o fim.
Críticas posteriores (especialmente Hamel-Prahalad e Kim-Mauborgne) mostraram que algumas empresas conseguem combinar custo baixo + diferenciação - é o que Kim-Mauborgne batizam de oceano azul (criar mercado novo onde a competição não existe ainda). Mas em prova brasileira, a versão Porter clássica é a que vale: ou custo, ou diferenciação, ou foco. Não combine.
Matriz Ansoff (1957) - estratégias de crescimento
Igor Ansoff propôs a matriz produto-mercado em Strategies for Diversification (HBR, 1957) - um dos artigos mais influentes da história da gestão. Quatro estratégias para crescer:
| Mercado existente | Mercado novo | |
|---|---|---|
| Produto existente | Penetração de mercado Vender mais para os clientes atuais ou ganhar clientes da concorrência | Desenvolvimento de mercado Levar o produto atual para novos segmentos ou regiões |
| Produto novo | Desenvolvimento de produto Lançar produtos novos para a base atual de clientes | Diversificação Produto novo em mercado novo - estratégia de maior risco |
A diversificação subdivide-se em três tipos:
- Concêntrica (relacionada): novo produto/mercado tem sinergia com o atual.
- Horizontal: novo produto para o mesmo cliente atual.
- Conglomerada (não relacionada): novo produto e novo mercado sem sinergia - máximo risco.
Matriz BCG (Boston Consulting Group, 1970)
Modelo de portfólio criado pela Boston Consulting Group para empresas com múltiplas unidades de negócio. Avalia cada UEN (unidade estratégica de negócio) em duas dimensões:
- Taxa de crescimento do mercado (eixo Y) - alta ou baixa.
- Participação relativa de mercado (eixo X) - alta ou baixa.
Matriz 2x2 com 4 quadrantes, cada um com nome próprio que cai sempre em prova:
| Alta participação | Baixa participação | |
|---|---|---|
| Alto crescimento | Estrela (Star) Líder em mercado em crescimento. Gera caixa, mas precisa investir muito. Estratégia: investir/crescer. | Ponto de interrogação (Question Mark / Criança Problema) Pequeno em mercado em crescimento. Pode virar estrela ou abacaxi. Estratégia: avaliar e decidir investir ou desinvestir. |
| Baixo crescimento | Vaca leiteira (Cash Cow) Líder em mercado maduro. Gera muito caixa com pouco investimento. Estratégia: ordenhar - usar caixa para financiar estrelas e interrogações. | Abacaxi (Dog / Vira-lata) Pequeno em mercado maduro. Não vai crescer e não dá lucro. Estratégia: desinvestir / liquidar. |
Lógica do equilíbrio do portfólio BCG
A regra do BCG é manter o portfólio equilibrado: vacas leiteiras financiam estrelas (que serão as vacas de amanhã) e pontos de interrogação (que podem virar estrelas). Abacaxis são liquidados ou descontinuados. O perigo é ter:
- Só vacas: sem futuro, decadência inevitável.
- Só estrelas: alto consumo de caixa, sem geração - cresce mas falta dinheiro.
- Só interrogações: portfólio especulativo, alto risco.
- Só abacaxis: empresa em colapso.
Limitações da BCG
- Considera só duas variáveis - simplificação excessiva.
- Assume que participação de mercado leva a vantagem competitiva (nem sempre).
- Ignora sinergias entre unidades.
- Tratamento determinístico de "abacaxi" - alguns negócios pequenos em setor maduro são lucrativos.
Estratégias coletivas e cooperativas
Além das genéricas, a literatura cobra também:
- Alianças estratégicas: parceria entre empresas para compartilhar recursos sem perder identidade.
- Joint ventures: criação de uma terceira empresa em conjunto.
- Fusões e aquisições (M&A): consolidação - horizontal (concorrentes) ou vertical (cadeia).
- Integração vertical: para frente (controla cliente) ou para trás (controla fornecedor).
- Terceirização (outsourcing): delegar atividades não-essenciais.
- Off-shoring: levar operação para outro país (custo).
- Reshoring: trazer operação de volta para o país de origem.
Estratégia do oceano azul (Kim e Mauborgne, 2005)
W. Chan Kim e Renée Mauborgne, em Blue Ocean Strategy (2005), contrapõem oceano vermelho (mercado existente, alta concorrência - rivalizar com Porter) ao oceano azul (criar mercado novo, sem concorrência - inovação de valor). Ferramentas: matriz 4 ações (Eliminar, Reduzir, Aumentar, Criar - ERAC), curva de valor, mapa pioneiros-migrantes-colonos.
Tabela síntese das estratégias
| Modelo | Foco | Saída |
|---|---|---|
| Genéricas de Porter | Vantagem competitiva | Custo / Diferenciação / Foco |
| Matriz Ansoff | Crescimento | Penetração / Desenv. mercado / Desenv. produto / Diversificação |
| Matriz BCG | Portfólio de UENs | Estrela / Vaca / Interrogação / Abacaxi |
| GE/McKinsey | Portfólio (mais sofisticado) | Investir / Selecionar / Colher (matriz 3x3) |
| Oceano azul | Inovação de valor | Criar mercado novo |
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 Objetivos, metas e indicadores
Definida a estratégia, ela vira objetivo. Objetivos viram metas. Metas geram indicadores. Indicadores alimentam o controle. É a engrenagem que conecta a estratégia ao chão de operação.
Hierarquia: objetivo, meta, indicador
- Objetivo: declaração qualitativa do que se quer alcançar. Ex.: "ser referência em atendimento ao cidadão".
- Meta: quantificação do objetivo, com prazo. Ex.: "reduzir o tempo médio de atendimento para 5 minutos até dezembro de 2027".
- Indicador (KPI): variável que mede o progresso. Ex.: "tempo médio de atendimento (em minutos)".
- Iniciativa / projeto: ação concreta para atingir a meta. Ex.: "implementar fila digital".
Critérios SMART
Para uma meta ser bem formulada, ela deve atender aos critérios SMART (George T. Doran, 1981, popularizado por Drucker e outros). É o framework mais cobrado:
- S - Specific (específica): clara e bem definida, sem ambiguidade.
- M - Measurable (mensurável): pode ser medida com indicador.
- A - Attainable / Achievable (atingível): possível de alcançar.
- R - Relevant (relevante): importa para a estratégia.
- T - Time-bound (com prazo): tem data limite.
Variantes incluem SMARTER (acrescenta Evaluated e Reviewed), e versões em que o A é "Aceitável" e o R "Realista". A versão original é S-M-A-R-T com Specific-Measurable-Attainable-Relevant-Time-bound.
Tipos de indicadores
Indicadores se classificam por dimensão. As bancas cobram especialmente os tipos abaixo:
| Tipo | O que mede | Exemplo |
|---|---|---|
| De insumo (input) | Recursos consumidos | Orçamento utilizado, hora-homem aplicada |
| De processo | Atividades em execução | Número de etapas concluídas, tempo de ciclo |
| De produto (output) | Entregas realizadas | Número de procedimentos realizados, atendimentos feitos |
| De resultado (outcome) | Efeito sobre o público | Satisfação do cidadão, taxa de cura |
| De impacto | Transformação na realidade | Mortalidade infantil, IDH local |
Outra classificação importante:
- Indicadores de eficiência: relacionam recursos x resultados.
- Indicadores de eficácia: medem cumprimento de metas.
- Indicadores de efetividade: medem o impacto / transformação.
- Indicadores de qualidade: medem aderência a padrões e satisfação.
- Indicadores de economicidade: relacionam custo x benefício.
Atributos de um bom indicador
Um indicador útil precisa atender, no mínimo, a estas características (TCU/IBGC e literatura geral):
- Validade: mede o que se pretende medir.
- Confiabilidade: produz o mesmo resultado em medições repetidas.
- Sensibilidade: detecta variações relevantes.
- Comparabilidade: permite comparação no tempo e entre unidades.
- Simplicidade: fácil de entender, calcular e comunicar.
- Economicidade: o custo de medir é menor que o benefício gerado.
- Disponibilidade dos dados: a informação para construí-lo existe e é acessível.
- Tempestividade: chega a tempo de orientar decisão.
APO - Administração por Objetivos (Drucker, 1954)
Em The Practice of Management (1954), Peter Drucker propôs a Administração por Objetivos (APO, em inglês MBO - Management by Objectives) como sistema de gestão. Cinco passos:
- Definição conjunta dos objetivos: entre superior e subordinado (não imposição).
- Estabelecimento de objetivos individuais: alinhados aos da unidade e aos da organização.
- Plano de ação: como serão alcançados.
- Autocontrole: o subordinado monitora o próprio desempenho.
- Avaliação periódica: revisão e correção de rumo.
Características da APO:
- Foco em resultados, não em atividades.
- Descentralização da decisão.
- Avaliação de desempenho baseada em metas.
- Participação dos níveis inferiores na definição dos objetivos.
- Cascateamento de objetivos: cada nível desdobra os do nível acima.
Críticas à APO
- Foco excessivo em metas quantitativas - distorce o que é qualitativo.
- Pode incentivar comportamento orientado só a indicadores (gaming the metric).
- Burocratiza-se: vira papelada.
- Não capta intangíveis (cultura, inovação).
Críticas que motivaram, mais tarde, a evolução para BSC (que acrescenta perspectivas não-financeiras) e OKR (que diminui peso burocrático e aumenta agilidade).
Prof. Affonsinho explica, Módulo 099 Balanced Scorecard (BSC)
Robert Kaplan (Harvard) e David Norton publicaram em The Balanced Scorecard - Measures that Drive Performance (HBR, jan/fev 1992) o framework mais influente de gestão estratégica das últimas três décadas. A premissa: medidas financeiras isoladas não bastam para gerir a estratégia - é preciso equilibrar com medidas não-financeiras que antecipam o resultado financeiro.
As 4 perspectivas do BSC
A versão original tem quatro perspectivas, em ordem de causalidade de baixo para cima:
- Aprendizado e crescimento (base): pessoas, sistemas, cultura, capacidade organizacional. Resposta a "podemos continuar a melhorar e a criar valor?"
- Processos internos: o que precisa ser feito de excelente para entregar valor. Resposta a "em que devemos ser excelentes?"
- Clientes: como os clientes nos veem, o que entregamos a eles. Resposta a "como os clientes nos veem?"
- Financeira (topo): resultado econômico para os acionistas. Resposta a "como aparecemos para os acionistas?"
A lógica: investimentos em pessoas e cultura (aprendizado) geram processos internos eficientes, que geram clientes satisfeitos, que geram resultado financeiro. A causalidade vai de baixo para cima. As medidas das perspectivas inferiores são indicadores antecedentes (leading); as financeiras, resultantes (lagging).
Mapa estratégico
Em Strategy Maps (2004), Kaplan e Norton aprofundaram o BSC com o mapa estratégico: representação visual dos objetivos estratégicos em cada perspectiva, ligados por setas que mostram as relações de causa-efeito.
Estrutura típica do mapa estratégico (de baixo para cima):
- Aprendizado e crescimento: capital humano, capital da informação, capital organizacional.
- Processos internos: gestão de operações, gestão de clientes, inovação, processos regulatórios e sociais.
- Clientes: proposta de valor (atributos do produto, relacionamento, imagem).
- Financeira: produtividade (eficiência de custos) e crescimento (receitas).
BSC no setor público
No setor público a hierarquia das perspectivas se inverte: a perspectiva financeira deixa de ser o topo (lucro não é o objetivo) e o topo passa a ser cidadão / sociedade / missão. A versão pública típica:
- Aprendizado e crescimento (base) - servidores capacitados, cultura, sistemas.
- Processos internos - excelência operacional.
- Financeira (orçamento) - boa gestão dos recursos.
- Cidadão / Sociedade (topo) - cumprimento da missão pública.
Outros autores invertem só financeira com cliente, mantendo a base. Ambas as adaptações são reconhecidas. Em prova, a versão pública mais cobrada é a que coloca cidadão/sociedade no topo.
As 4 fases de implementação do BSC (Kaplan e Norton)
- Tradução da estratégia: transformar visão e estratégia em objetivos operacionais (mapa estratégico + indicadores).
- Comunicação e ligação: comunicar a estratégia a todos os níveis e ligar metas individuais aos objetivos estratégicos.
- Planejamento e definição de metas: alocar recursos e definir metas anuais.
- Feedback estratégico e aprendizado: revisar a estratégia com base nos resultados.
Componentes essenciais de um BSC bem feito
- Mapa estratégico: visualização dos objetivos por perspectiva.
- Objetivos estratégicos: 3 a 5 por perspectiva.
- Indicadores: 1 a 3 por objetivo, tipicamente.
- Metas: alvo numérico e prazo para cada indicador.
- Iniciativas estratégicas: projetos que vão mover os indicadores.
- Painel de controle: dashboard com a situação atual dos indicadores.
Críticas ao BSC
- Pode virar burocracia se mal aplicado (dezenas de indicadores que ninguém olha).
- Foco em causa-efeito linear nem sempre se sustenta empiricamente.
- Difícil de adaptar em ambientes muito instáveis.
- Implementação cara e demorada.
Alerta do Examinador
Pegadinha clássica: trocar a ordem das perspectivas, dizer que são 5 ou 6 (são 4 no BSC clássico), ou afirmar que a perspectiva financeira está na base (está no TOPO no BSC privado, e tem hierarquia adaptada no público). Memorize a sequência de baixo para cima: aprendizado → processos → clientes → financeira.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 1010 OKR e planejamento no setor público
O OKR (Objectives and Key Results) é o framework mais popular de execução estratégica das duas últimas décadas. Andy Grove (CEO da Intel) formulou-o nos anos 70-80 a partir do MBO de Drucker. John Doerr levou para Google, Amazon, LinkedIn. O livro Measure What Matters (Doerr, 2018) consolidou a popularização.
Estrutura do OKR
- Objective (O): declaração qualitativa, ambiciosa, inspiradora do que se quer alcançar. Tipicamente 3 a 5 por ciclo.
- Key Results (KR): 2 a 5 resultados quantitativos por objetivo, que medem se o objetivo foi atingido.
Exemplo:
- O: Tornar-se a melhor experiência de atendimento bancário do país.
- KR1: Atingir NPS de 70 até o fim do trimestre (atual: 55).
- KR2: Reduzir tempo médio de atendimento de 12 para 7 minutos.
- KR3: Aumentar resolução em primeiro contato de 60% para 80%.
Princípios do OKR
- Ambicioso: a meta padrão não é atingir 100% - é atingir 60-70%. Se você sempre atinge 100%, suas metas estão fáceis demais.
- Transparente: todo mundo vê os OKRs de todo mundo (radical em organizações tradicionais).
- Cíclico e curto: ciclos trimestrais (em geral), com revisão semanal e fechamento ao fim.
- Alinhamento vertical e horizontal: cada equipe define seus OKRs de forma que somem aos da organização.
- Não vinculado a remuneração: separa avaliação de desempenho de OKR (caso contrário, vira meta conservadora).
BSC vs OKR - comparação
| Aspecto | BSC | OKR |
|---|---|---|
| Origem | Harvard, Kaplan-Norton, 1992 | Intel, Andy Grove, 1970-80; Google/Doerr, 1999+ |
| Natureza | Sistema de gestão estratégica integrada | Framework de execução por ciclos |
| Ciclo | Anual (com revisões) | Trimestral (em regra) |
| Alvo | Realista, atingível, balanceado | Ambicioso (stretch goals - 60-70% de atingimento esperado) |
| Estrutura | 4 perspectivas + mapa estratégico | O + KRs (sem perspectivas pré-definidas) |
| Transparência | Top-down | Pública, todos veem |
| Remuneração | Pode estar ligada | Não-ligada à remuneração (princípio) |
| Foco | Equilíbrio e alinhamento | Foco e velocidade |
BSC e OKR não são excludentes - muitas organizações usam BSC no nível estratégico (visão de longo prazo) e OKR no nível tático/operacional (execução trimestral). Em prova, fique atento à pergunta: se foca estratégia integrada, é BSC; se foca execução ágil e ciclos curtos, é OKR.
Planejamento no setor público brasileiro
O setor público tem instrumentos próprios. A CF/88 (Art. 165) estabelece três peças de planejamento e orçamento que se articulam:
| Instrumento | Horizonte | Conteúdo | Base legal |
|---|---|---|---|
| PPA (Plano Plurianual) | 4 anos (segundo ano de mandato + três seguintes) | Diretrizes, objetivos e metas regionalizadas | CF Art. 165 III |
| LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) | Anual | Metas e prioridades; orientações para a LOA; alterações na legislação tributária | CF Art. 165 II |
| LOA (Lei Orçamentária Anual) | Anual | Receita prevista e despesa fixada; orçamento fiscal, da seguridade social e de investimento das estatais | CF Art. 165 IV |
A integração PPA-LDO-LOA
A integração funciona em cascata:
- PPA define o quê fazer nos próximos 4 anos (programas, metas físicas e financeiras).
- LDO seleciona, de dentro do PPA, o que será priorizado no próximo ano e dá as regras de elaboração da LOA.
- LOA aloca os recursos financeiros para executar o que foi priorizado pela LDO, dentro do PPA.
É o tripé orçamentário-financeiro brasileiro. Os três se comunicam e nenhuma despesa pode ser executada se não passar pelo PPA, LDO e LOA.
LRF (LC 101/2000) e Arcabouço Fiscal (LC 200/2023)
Além dos três instrumentos do Art. 165, dois marcos legais definem disciplina fiscal:
- LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal, LC 101/2000): estabelece limites de gasto com pessoal, dívida pública, regras de fim de mandato, transparência fiscal.
- Arcabouço Fiscal (LC 200/2023): substituiu o Teto de Gastos (EC 95/2016). Banda de crescimento real da despesa primária entre 0,6% e 2,5%, vinculado ao crescimento da receita.
Decreto 9.203/2017 - Governança da Adm Pública Federal
O decreto institui a política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Estabelece três mecanismos de governança:
- Liderança: práticas de natureza humana ou comportamental que asseguram a existência das condições mínimas para o exercício da boa governança.
- Estratégia: formulação e implementação da estratégia organizacional alinhada à missão pública.
- Controle: gestão de riscos, controle interno, transparência e accountability.
Princípios da governança pública (Decreto 9.203/2017, Art. 3): capacidade de resposta, integridade, confiabilidade, melhoria regulatória, prestação de contas e responsabilidade, e transparência.
Planejamento estratégico no setor público - a cascata completa
Visão sintética de como tudo se articula no setor público brasileiro:
- Plano de governo: programa de longo prazo do executivo eleito (não obrigatório, mas comum).
- Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD, instituída pelo Decreto 10.531/2020): horizonte de 12 anos.
- PPA (4 anos): traduz a estratégia em programas e metas regionalizadas.
- Planejamento estratégico do órgão: cada órgão tem o seu (3-5 anos), ancorado no PPA.
- Plano tático / setorial: por área (TI, RH, finanças).
- Plano operacional: anual, por equipe.
- LDO + LOA: alinham o orçamento à priorização anual.
- Execução e monitoramento: relatórios trimestrais (SIOP, integradores).
Tendências contemporâneas no planejamento público
- Gestão por resultados: foco em outcomes, não outputs.
- Governo digital (Lei 14.129/2021): plataformas de governo, transparência ativa, simplificação.
- Orçamento por programa / orçamento por resultados: amarra recurso a entrega.
- Avaliação de políticas públicas (Decreto 9.203/2017): obrigatoriedade de avaliação ex-ante e ex-post.
- Open government: dados abertos, participação social, accountability ampliada.
- OKR no setor público: experiências em governos digitais e estatais (já adotado em diversas iniciativas federais e estaduais).
Bate-papo com o Seu Teoffilo
O grande desafio do planejamento no setor público é a descontinuidade: troca de governo, troca de gestores, troca de prioridades. PPA dura 4 anos e atravessa duas gestões. Por isso o planejamento estratégico do órgão (não o de governo) costuma ser ancorado em missão constitucional e em compromissos institucionais de longo prazo (ENAP, decisões judiciais, normas internacionais), que sobrevivem a trocas. Decora: planejamento de Estado > planejamento de governo. Quem entende isso, sai na frente.
Mapa mental
Conceito (Mód. 1-2)
- 3 níveis: estratégico (longo, cúpula) / tático (médio, gerência) / operacional (curto, supervisão)
- Filosofias Ackoff: reativa, inativa, pré-ativa, pró-ativa
- 10 escolas Mintzberg (3 prescritivas, 6 descritivas, 1 híbrida)
- Estratégia: deliberada x emergente
Identidade (Mód. 3)
- Missão: por que existimos (presente)
- Visão: onde queremos chegar (futuro)
- Valores: como agimos (atemporal)
- Negócio: o problema que resolvemos
Diagnóstico externo (Mód. 4)
- PESTEL: político, econômico, social, tecnológico, ecológico, legal
- 5 forças Porter: rivalidade, entrantes, substitutos, fornecedores, clientes
- Cenários (Shell): otimista, pessimista, tendencial, disruptivo
- Stakeholders (Freeman 1984; Mendelow poder x interesse)
Diagnóstico interno (Mód. 5)
- Cadeia de valor Porter: 5 primárias + 4 apoio (9 atividades)
- RBV / VRIO (Barney 1991): valor, raridade, inimitabilidade, organização
- Core competence (Hamel-Prahalad 1990)
- 7S McKinsey: 3 hard + 4 soft
SWOT cruzada (Mód. 6)
- F+O = Desenvolvimento
- F+A = Manutenção
- f+O = Crescimento
- f+A = Sobrevivência
- TOWS = SO-WO-ST-WT
Estratégia (Mód. 7)
- Porter: liderança em custo, diferenciação, foco
- Ansoff: penetração, desenv. mercado, desenv. produto, diversificação
- BCG: estrela, vaca leiteira, interrogação, abacaxi
- Oceano azul (Kim-Mauborgne 2005)
Indicadores e BSC (Mód. 8-9)
- SMART: específico, mensurável, atingível, relevante, com prazo
- APO Drucker 1954: definição conjunta + autocontrole
- BSC: 4 perspectivas (aprendizado → processos → clientes → financeira)
- Mapa estratégico - relações de causa-efeito
Execução e setor público (Mód. 10)
- OKR: ambicioso, transparente, trimestral, não-vinculado a remuneração
- BSC público: cidadão/sociedade no topo
- PPA (4 anos) + LDO (anual) + LOA (anual)
- LRF (LC 101/2000) + Arcabouço (LC 200/2023)
- Decreto 9.203/2017 - 3 mecanismos: liderança, estratégia, controle
Revisão relâmpago
Estratégico (cúpula, longo prazo, abrangente, genérico). Tático (gerência intermediária, médio prazo, áreas funcionais). Operacional (supervisão, curto prazo, tarefas).
Reativa (passado), inativa (presente), pré-ativa (futuro previsto), pró-ativa/interativa (futuro construído).
Missão = razão de existir (presente). Visão = futuro desejado (com prazo). Valores = princípios atemporais. Negócio = problema que resolvemos.
Rivalidade entre concorrentes + ameaça de entrantes + ameaça de substitutos + poder fornecedores + poder compradores. Avalia atratividade do setor.
9 atividades: 5 primárias (logística entrada, operações, logística saída, marketing/vendas, serviços) + 4 apoio (infraestrutura, RH, tecnologia, aquisição).
Valor, Raridade, Inimitabilidade, Organização. Recurso que passa nos 4 = vantagem competitiva sustentável.
F+O = Desenvolvimento. F+A = Manutenção. f+O = Crescimento. f+A = Sobrevivência. TOWS: SO-WO-ST-WT.
3: liderança em custo, diferenciação, foco. Stuck in the middle = ficou no meio do caminho (errado, segundo Porter).
Ansoff (4): penetração, desenv. mercado, desenv. produto, diversificação. BCG (4): estrela, vaca, interrogação, abacaxi.
Specific, Measurable, Attainable, Relevant, Time-bound. Critérios de uma boa meta.
De baixo para cima: aprendizado e crescimento → processos internos → clientes → financeira. No setor público, cidadão/sociedade no topo.
PPA (4 anos, CF Art. 165 III) + LDO (anual, II) + LOA (anual, IV) + LRF (LC 101/2000) + Arcabouço (LC 200/2023) + Decreto 9.203/2017 (governança).
12 questões comentadas
Questões nos pontos campeões da aula. Cada uma com gabarito e análise do Prof. Affonsinho. Estilo de cobrança das principais bancas (CESPE/Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp).
Questão 01 · Comentada
Enunciado. Sobre os níveis de planejamento, é correto afirmar:
- A) O planejamento estratégico é elaborado pela supervisão direta com horizonte de curto prazo e detalhamento minucioso.
- B) O planejamento operacional, sendo o de menor abrangência, é responsabilidade exclusiva da alta direção da organização.
- C) O planejamento tático ocupa-se das áreas funcionais (marketing, finanças, RH, operações) com horizonte de médio prazo.
- D) Os três níveis (estratégico, tático e operacional) são independentes entre si, não havendo necessidade de articulação.
- E) O planejamento estratégico é o mais detalhado, prescrevendo cronogramas e procedimentos da execução diária.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Os três níveis têm características complementares: tempo, abrangência e detalhamento variam juntos. Inversões entre níveis são as pegadinhas mais comuns.
- A errada: Inversão. O estratégico é da cúpula, longo prazo, genérico. A descrição é do operacional.
- B errada: Operacional é da supervisão e equipes operacionais, não da alta direção.
- C CORRETA: Definição precisa do nível tático: gerência intermediária, áreas funcionais, médio prazo (1-3 anos).
- D errada: Os três níveis se articulam em cascata. Operacional não pode contrariar tático, que não pode contrariar estratégico.
- E errada: O estratégico é genérico e sintético; o operacional é o detalhado. Inversão.
Tese central: Estratégico = cúpula, longo, genérico, organização toda. Tático = gerência, médio, áreas funcionais. Operacional = supervisão, curto, tarefa. Tempo, abrangência e detalhamento variam juntos.
Questão 02 · Comentada
Enunciado. Acerca dos conceitos de missão, visão e valores em uma organização, julgue: A missão, a visão e os valores são sinônimos, podendo ser usados intercambiavelmente para descrever a identidade organizacional. (Certo / Errado)
Gabarito: Errado
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Os três conceitos são distintos. Missão é razão de existir (presente). Visão é estado futuro desejado. Valores são princípios inegociáveis (atemporais). Não são sinônimos.
- E ERRADO: Missão, visão e valores cumprem funções diferentes na identidade organizacional. Missão responde 'por que existimos?' (presente). Visão responde 'para onde vamos?' (futuro). Valores respondem 'como agimos?' (atemporal). Confundi-los é o erro mais comum em prova de Adm.
Tese central: Missão = presente / razão de existir. Visão = futuro / aspiração com prazo. Valores = princípios inegociáveis e atemporais. Três conceitos distintos.
Questão 03 · Comentada
Enunciado. Considerando o modelo das cinco forças de Porter, assinale a alternativa correta:
- A) As cinco forças são: rivalidade entre concorrentes, ameaça de novos entrantes, ameaça de produtos substitutos, poder de barganha dos fornecedores e poder de barganha dos compradores.
- B) O modelo de Porter inclui as forças política, econômica, social, tecnológica e ambiental.
- C) A força de 'novos entrantes' é favorável à empresa estabelecida quando as barreiras à entrada são baixas.
- D) O poder de barganha dos compradores aumenta quando o produto é altamente diferenciado e customizado.
- E) Porter propôs o modelo originalmente com seis forças, sendo a sexta a 'complementadores'.
Gabarito: A
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Modelo das 5 forças é a ferramenta mais cobrada de análise externa. As variantes (PESTEL, 6 forças com complementadores) são modelos diferentes ou extensões posteriores.
- A CORRETA: Lista exata das 5 forças de Porter (Competitive Strategy, 1980).
- B errada: Essa é a lista do PESTEL (macroambiente), não das 5 forças. Pegadinha clássica - mistura de modelos.
- C errada: Inversão. Barreiras à entrada BAIXAS são DESFAVORÁVEIS à empresa estabelecida (mais facilidade para entrantes a atacarem).
- D errada: Inversão. Compradores têm MENOS poder quando o produto é diferenciado e customizado (não conseguem trocar facilmente).
- E errada: Porter propôs originalmente 5 forças. A sexta (complementadores) é proposta posterior de Brandenburger e Nalebuff (1996), não Porter.
Tese central: Porter (1980) = 5 forças: rivalidade, entrantes, substitutos, poder fornecedores, poder compradores. Avalia atratividade do setor. Não confundir com PESTEL (macroambiente).
Questão 04 · Comentada
Enunciado. A análise SWOT é uma ferramenta de diagnóstico estratégico amplamente utilizada. O cruzamento das forças (F) com as oportunidades (O) gera uma postura estratégica conhecida como:
- A) Manutenção.
- B) Crescimento.
- C) Sobrevivência.
- D) Desenvolvimento.
- E) Diversificação.
Gabarito: D
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Cruzamento clássico da SWOT brasileira. Decore as 4 posturas: F+O=Desenvolvimento, F+A=Manutenção, f+O=Crescimento, f+A=Sobrevivência.
- A errada: Manutenção = F + A (forças usadas para neutralizar ameaças).
- B errada: Crescimento = f + O (reduzir fraquezas para aproveitar oportunidades).
- C errada: Sobrevivência = f + A (reduzir fraquezas e neutralizar ameaças).
- D CORRETA: Desenvolvimento (alavancagem) = F + O. Usar forças para aproveitar oportunidades é a postura mais ativa - 'crescer onde sou forte e o ambiente ajuda'.
- E errada: Diversificação é estratégia da Matriz Ansoff (produto novo + mercado novo), não postura da SWOT cruzada.
Tese central: Posturas SWOT cruzada: F+O=Desenvolvimento, F+A=Manutenção, f+O=Crescimento, f+A=Sobrevivência. Em TOWS: SO/ST/WO/WT.
Questão 05 · Comentada
Enunciado. Sobre as estratégias genéricas de Porter, assinale a alternativa correta:
- A) Porter propôs cinco estratégias genéricas: liderança em custo, diferenciação, foco, diversificação e penetração.
- B) A estratégia de foco subdivide-se em foco em custo e foco em diferenciação, sendo voltada para um segmento específico.
- C) A estratégia de diferenciação consiste em oferecer o menor preço do mercado.
- D) Porter recomendou que toda empresa adote simultaneamente a liderança em custo e a diferenciação para maximizar resultados.
- E) A estratégia de liderança em custo é incompatível com a busca pela qualidade do produto ou serviço.
Gabarito: B
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Estratégias genéricas de Porter: 3 (custo, diferenciação, foco). Foco subdivide-se em foco em custo e foco em diferenciação (alguns livros listam como 4). Combinação simultânea = stuck in the middle.
- A errada: Porter propôs 3 estratégias genéricas (não 5). Diversificação é da Matriz Ansoff, penetração também. Mistura de modelos - errada.
- B CORRETA: Foco subdivide-se em foco em custo (atender nicho com menor custo) e foco em diferenciação (atender nicho com produto único). Por isso alguns livros listam 4 estratégias - mas a estrutura conceitual de Porter é 3.
- C errada: Inversão. O menor preço é a liderança em CUSTO. Diferenciação oferece um produto único, percebido como superior, geralmente com preço-prêmio.
- D errada: Porter foi categórico contra a combinação simultânea (stuck in the middle). Combine = perde para os especialistas em cada extremo.
- E errada: Liderança em custo NÃO é incompatível com qualidade - exige qualidade ESPERADA, não premium. Empresas como Walmart e RyanAir são líderes em custo com qualidade aceitável.
Tese central: Porter (1980): 3 estratégias - liderança em custo, diferenciação, foco. Foco subdivide-se em foco em custo / foco em diferenciação. Combinação = stuck in the middle (errado, segundo Porter).
Questão 06 · Comentada
Enunciado. Considere a Matriz BCG (Boston Consulting Group). Uma unidade de negócio com baixa participação relativa de mercado em um setor com alto crescimento é classificada como:
- A) Estrela (Star).
- B) Vaca leiteira (Cash Cow).
- C) Ponto de interrogação (Question Mark).
- D) Abacaxi (Dog).
- E) Líder de mercado.
Gabarito: C
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Matriz BCG: 4 quadrantes pela combinação participação x crescimento. Decora a localização de cada um.
- A errada: Estrela = ALTA participação + alto crescimento. Líder em mercado em crescimento.
- B errada: Vaca leiteira = alta participação + BAIXO crescimento. Líder em mercado maduro.
- C CORRETA: Ponto de interrogação (Question Mark / Criança Problema) = BAIXA participação + ALTO crescimento. Pode virar estrela ou abacaxi - exige decisão de investir ou desinvestir.
- D errada: Abacaxi (Dog / Vira-lata) = baixa participação + BAIXO crescimento. Liquidar.
- E errada: 'Líder de mercado' não é categoria da BCG - são as 4 nominais (Estrela, Vaca, Interrogação, Abacaxi).
Tese central: Matriz BCG: Estrela (alta-alto), Vaca (alta-baixo), Interrogação (baixa-alto), Abacaxi (baixa-baixo). Eixo X = participação, Eixo Y = crescimento.
Questão 07 · Comentada
Enunciado. A respeito do Balanced Scorecard (BSC) de Kaplan e Norton, assinale a alternativa correta:
- A) O BSC contempla cinco perspectivas: financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento, e ambiental.
- B) A perspectiva financeira é a base da hierarquia de causa-efeito do BSC clássico.
- C) No BSC clássico, a relação de causa-efeito vai de baixo para cima: aprendizado e crescimento → processos internos → clientes → financeira.
- D) O BSC foi proposto como substituto definitivo do planejamento estratégico tradicional.
- E) No BSC adaptado ao setor público, a perspectiva financeira permanece no topo da hierarquia.
Gabarito: C
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BSC clássico: 4 perspectivas em hierarquia de causa-efeito. Aprendizado é a BASE, financeira é o TOPO no setor privado.
- A errada: BSC clássico tem 4 perspectivas (não 5): financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. 'Ambiental' não está no modelo original.
- B errada: Inversão. A financeira é o TOPO (resultado da cadeia). A base é aprendizado e crescimento.
- C CORRETA: Sequência exata. Investir em pessoas (aprendizado) gera processos eficientes, que geram clientes satisfeitos, que geram resultado financeiro. É a cadeia de causa-efeito do BSC.
- D errada: BSC é uma ferramenta DENTRO do planejamento estratégico, não substituto. Complementa, não substitui.
- E errada: No setor público, a hierarquia se inverte e CIDADÃO / SOCIEDADE / MISSÃO ocupam o topo, não a financeira. Lucro não é objetivo do setor público.
Tese central: BSC clássico: 4 perspectivas (aprendizado → processos → clientes → financeira), de baixo para cima. No setor público, cidadão/sociedade no topo, financeira (orçamento) intermediária.
Questão 08 · Comentada
Enunciado. O método VRIO, proposto por Jay Barney no contexto da Visão Baseada em Recursos (RBV), avalia se um recurso da empresa pode gerar vantagem competitiva sustentável. Os critérios do VRIO são:
- A) Valor, Recursos, Inovação, Operação.
- B) Volume, Raridade, Inimitabilidade, Ocupação.
- C) Valor, Raridade, Inimitabilidade, Organização.
- D) Visão, Recursos, Imagem, Originalidade.
- E) Valor, Receita, Inovação, Originalidade.
Gabarito: C
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Método VRIO de Barney (1991-1995): 4 testes que um recurso deve passar para ser vantagem competitiva sustentável.
- A errada: Mistura. R não é Recursos, é Raridade. I não é Inovação, é Inimitabilidade.
- B errada: V não é Volume, é Valor. O não é Ocupação, é Organização.
- C CORRETA: VRIO: Valor, Raridade, Inimitabilidade, Organização. O recurso que passa nos 4 = vantagem competitiva sustentável. Versão antiga era VRIN (com Não-substituível em vez de Organização).
- D errada: Sigla inventada, distinta do VRIO.
- E errada: Igualmente inventada.
Tese central: VRIO (Barney): Valor, Raridade, Inimitabilidade, Organização. Recurso que passa nos 4 = vantagem competitiva sustentável. Versão antiga era VRIN (substituiu pelo O).
Questão 09 · Comentada
Enunciado. Sobre a metodologia OKR (Objectives and Key Results), é correto afirmar:
- A) OKR foi desenvolvido por Kaplan e Norton em 1992 como evolução do Balanced Scorecard.
- B) Os Key Results são qualitativos, não devendo ser quantificados, para preservar a flexibilidade.
- C) O OKR adota o princípio do alvo ambicioso (stretch goal), em que atingir 60-70% do KR já é considerado bom desempenho.
- D) O OKR funciona em ciclos de 5 anos, alinhados ao planejamento estratégico de longo prazo.
- E) Os OKRs devem ser sempre vinculados à remuneração variável dos colaboradores para garantir foco.
Gabarito: C
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OKR tem origem na Intel (Andy Grove anos 70-80) e foi popularizado pelo Google (John Doerr, 1999). Características-chave: ambicioso, transparente, trimestral, não-vinculado a remuneração.
- A errada: OKR não é de Kaplan-Norton (esses criaram o BSC). OKR é de Andy Grove (Intel) e foi levado ao Google por John Doerr.
- B errada: Inversão. O Objective (O) é qualitativo. Os Key Results (KRs) DEVEM ser quantificados - é o que dá objetividade ao framework.
- C CORRETA: Princípio do stretch goal (meta ambiciosa). Atingir 60-70% é considerado bom no OKR. Atingir 100% sempre = metas conservadoras demais.
- D errada: Ciclos do OKR são curtos - tipicamente trimestrais, não 5 anos. Para o longo prazo, usa-se BSC ou planejamento estratégico tradicional.
- E errada: Princípio explícito do OKR é NÃO vincular à remuneração - se vincular, vira meta conservadora (gaming the metric). Avaliação de desempenho deve ser separada do OKR.
Tese central: OKR (Andy Grove/Intel/Doerr/Google): O qualitativo + KRs quantitativos, ciclo trimestral, ambicioso (60-70% bom), transparente, NÃO vinculado a remuneração.
Questão 10 · Comentada
Enunciado. No planejamento orçamentário brasileiro, a Constituição Federal de 1988 (Art. 165) prevê três instrumentos articulados em cascata. A respeito desses instrumentos, julgue: o Plano Plurianual (PPA) é elaborado a cada quatro anos, define diretrizes, objetivos e metas regionalizadas da administração pública federal, e tem vigência que inicia no segundo ano de mandato e se estende ao primeiro ano do mandato seguinte. (Certo / Errado)
Gabarito: Certo
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PPA é o instrumento de mais longo prazo do tripé. CF Art. 165 III. Vigência peculiar: inicia no segundo ano do mandato e termina no primeiro do seguinte (para garantir continuidade entre governos).
- C CERTO: Definição correta. PPA = 4 anos, do segundo ano de um mandato ao primeiro do mandato seguinte. CF Art. 165 III. A regra busca evitar descontinuidade total na transição de governo - cada gestor herda um PPA já em vigor e elabora outro para o próximo ciclo.
Tese central: PPA (CF Art. 165 III): 4 anos, vigência do 2º ano de mandato ao 1º do mandato seguinte. Define diretrizes, objetivos e metas regionalizadas. Articula com LDO (anual) e LOA (anual).
Questão 11 · Comentada
Enunciado. A Cadeia de Valor proposta por Michael Porter (Competitive Advantage, 1985) decompõe a empresa em atividades primárias e atividades de apoio. As atividades primárias incluem:
- A) Logística de entrada, operações, logística de saída, marketing/vendas e serviços.
- B) Planejamento, organização, direção e controle.
- C) Recursos humanos, infraestrutura da empresa, desenvolvimento de tecnologia e aquisição.
- D) Liderança em custo, diferenciação e foco.
- E) Aprendizado, processos internos, clientes e financeira.
Gabarito: A
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Cadeia de Valor: 9 atividades = 5 primárias + 4 apoio. As primárias estão envolvidas na criação física e venda do produto.
- A CORRETA: Lista exata das 5 atividades primárias da Cadeia de Valor de Porter (1985).
- B errada: Essas são as funções administrativas (PODC), não atividades da Cadeia de Valor.
- C errada: Essas são as 4 atividades de APOIO (não primárias). Pegadinha.
- D errada: Essas são as estratégias genéricas de Porter, não atividades da Cadeia de Valor.
- E errada: Essas são as 4 perspectivas do BSC, não atividades da Cadeia de Valor.
Tese central: Cadeia de Valor de Porter: 5 PRIMÁRIAS (logística entrada, operações, logística saída, marketing/vendas, serviços) + 4 APOIO (infraestrutura, RH, tecnologia, aquisição) = 9 atividades. Diferença valor-custos = margem.
Questão 12 · Comentada
Enunciado. Henry Mintzberg, em sua crítica ao planejamento estratégico tradicional, distinguiu entre estratégia deliberada e estratégia emergente. Sobre essa distinção, é correto afirmar:
- A) A estratégia deliberada é aquela que surge espontaneamente da prática, sem ter sido planejada.
- B) A estratégia emergente é a parte da estratégia pretendida que efetivamente foi implementada.
- C) A estratégia realizada é a soma da estratégia deliberada com a estratégia emergente.
- D) Mintzberg defende que toda estratégia deve ser exclusivamente deliberada, em rejeição às estratégias emergentes.
- E) Em ambientes estáveis, a estratégia emergente predomina sobre a deliberada.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Mintzberg em 'The Rise and Fall of Strategic Planning' (1994). A estratégia REALIZADA (a que aconteceu de fato) é a soma da deliberada (planejada e implementada) com a emergente (não planejada, que surgiu na prática).
- A errada: Inversão. A que surge espontaneamente é a EMERGENTE, não a deliberada.
- B errada: Inversão. A parte da pretendida que foi implementada é a DELIBERADA, não a emergente.
- C CORRETA: Estratégia realizada = deliberada (parte da pretendida que vingou) + emergente (a que apareceu sem ter sido planejada). Em ambientes complexos, a emergente é parte significativa.
- D errada: Mintzberg defende EXATAMENTE o contrário: a estratégia real é uma mistura, e o planejamento rígido (puramente deliberado) falha em ambientes complexos.
- E errada: Inversão. Em ambientes ESTÁVEIS predomina a deliberada. Em ambientes INSTÁVEIS, a emergente ganha peso.
Tese central: Mintzberg: estratégia pretendida → deliberada (vinga) + não realizada (perde). Estratégia realizada = deliberada + emergente (não planejada). Em ambientes complexos, emergente é parte central.
Próxima parada
Aula 03 - Organização e Estrutura Organizacional
Você já sabe planejar. Hora de organizar. Próxima aula: tipos de estrutura (funcional, divisional, matricial, em rede), departamentalização, cadeia de comando, amplitude de controle, centralização vs descentralização e organograma. Bora?




