Direção e Liderança
o lado humano da gestão
A função D do PODC, em profundidade. Liderança em todas as suas escolas (traços, comportamental, situacional, transformacional, servidora). Motivação no conteúdo (Maslow, Herzberg, McClelland, Alderfer, McGregor) e no processo (Vroom, Adams, Locke). Comunicação organizacional, gestão de conflitos (Thomas-Kilmann) e liderança no setor público brasileiro.
Sumário
Oito módulos sobre o lado humano da gestão. Direção como função, liderança em quatro escolas históricas, contemporâneas, motivação por teorias de conteúdo e processo, comunicação organizacional e setor público.
- p. 04A função D e o conceito de direçãoLiderar pessoas, não só coordenar tarefas
- p. 06Teoria dos Traços de LiderançaLíder nasce ou se faz? - escola pioneira (1900-1950)
- p. 08Teorias ComportamentaisWhite-Lippitt-Lewin, Ohio, Michigan, Blake-Mouton, Likert
- p. 11Teorias Situacionais (Contingenciais)Fiedler, Hersey-Blanchard, House e Vroom-Yetton
- p. 14Liderança contemporâneaTransformacional (Bass), servidora (Greenleaf), autêntica, Goleman
- p. 17Motivação - teorias de conteúdoMaslow, Herzberg, McClelland, Alderfer, McGregor
- p. 20Motivação - teorias de processoVroom (expectância), Adams (equidade), Locke (objetivos)
- p. 23Comunicação, conflitos e setor públicoShannon-Weaver, Thomas-Kilmann, liderança em órgãos públicos
- p. 26Mapa mental e revisãoA aula inteira em uma página
- p. 28Questões comentadas10 questões nos pontos campeões
O que você vai aprender
DIREÇÃO é a função D do PODC: liderar, motivar, comunicar, decidir. LIDERANÇA é a influência interpessoal exercida em uma situação, dirigida pela comunicação humana ao alcance de objetivos (Chiavenato). Liderança ≠ chefia: chefia vem do cargo (autoridade formal); liderança vem da capacidade de influenciar.
TRAÇOS (1900-1950 - líder nasce); COMPORTAMENTAL (1950-1960 - líder se faz por treino); SITUACIONAL/CONTINGENCIAL (1960-1980 - depende do contexto); CONTEMPORÂNEAS (1980+ - transformacional, servidora, autêntica, emocional).
Modelo de Liderança Situacional (1969). 4 estilos em função da MATURIDADE do liderado: S1-determinar (pouco maduro), S2-persuadir, S3-compartilhar, S4-delegar (muito maduro). Mais cobrado em prova.
MASLOW (5 níveis em pirâmide); HERZBERG (higiênicos x motivacionais - 2 fatores); MCCLELLAND (3 necessidades aprendidas: realização, afiliação, poder); ALDERFER ERG (3: existência, relacionamento, crescimento); MCGREGOR (X-pessimista vs Y-otimista).
Teoria da Expectativa: Motivação = Expectativa × Instrumentalidade × Valência (V-I-E). EXPECTATIVA: esforço → desempenho. INSTRUMENTALIDADE: desempenho → recompensa. VALÊNCIA: importância da recompensa. Multiplicação - se um for zero, motivação é zero.
5 estilos de gestão de conflito: COMPETIR (alta assertividade, baixa cooperação); ACOMODAR (oposto); EVITAR (baixa nas duas); COLABORAR (alta nas duas - ideal); CEDER/CONCILIAR (médio nas duas).
Dica do Fuffu
O ponto mais cobrado dessa aula é Maslow x Herzberg. Decore: Maslow = 5 níveis em pirâmide. Herzberg = 2 fatores (higiênicos evitam insatisfação; motivacionais geram satisfação). Não inverta - é a pegadinha mais comum.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 A função D e o conceito de direção
Depois de planejar e organizar, vem a parte mais difícil: fazer as pessoas executarem. A função Direção do PODC é onde o plano sai do papel e vira ação. Não é só "dar ordens" - é mobilizar, orientar, motivar, comunicar e decidir sobre pessoas.
Conceito
Definição clássica de Chiavenato: "Direção é a função administrativa que se refere ao relacionamento interpessoal do administrador com os seus subordinados, estabelecendo o relacionamento que une os esforços individuais e coletivos para atingir objetivos.".
A Direção é a função mais humana do PODC. Enquanto Planejamento e Organização lidam com objetivos, recursos e estruturas, Direção lida com pessoas. As outras funções podem ser feitas no escritório fechado; a Direção, não.
Conteúdos da função Direção
O que cabe sob a função D:
- Liderança: influenciar pessoas para alcançar objetivos.
- Motivação: criar condições para que as pessoas queiram contribuir.
- Comunicação: transmitir e receber informações com clareza e direção.
- Tomada de decisão: escolher entre alternativas em condições de incerteza.
- Gestão de conflitos: lidar com tensões e divergências entre pessoas e grupos.
- Cultura organizacional: cultivar valores, crenças e padrões de comportamento.
- Desenvolvimento de pessoas: treinar, capacitar, dar feedback.
Esta aula foca nos quatro primeiros: liderança, motivação, comunicação e gestão de conflitos. Cultura e desenvolvimento aprofundamos na aula de Gestão de Pessoas.
Liderança x chefia
Distinção clássica e cobrada quase sempre:
| Aspecto | Chefia | Liderança |
|---|---|---|
| Origem da autoridade | Cargo formal (nomeação) | Capacidade de influenciar (informal) |
| Como obtém obediência | Pela autoridade formal e poder | Pela influência, exemplo, confiança |
| Foco | Tarefa, controle, resultado | Pessoas, visão, mudança |
| Pode existir sem o outro? | Sim - há chefe sem liderança | Sim - há líder sem cargo |
| Ideal | Coexistir: chefe que também lidera | Coexistir: líder que também tem cargo |
Em prova, frase típica: "todo chefe é líder" - errada. O contrário também é errado: "todo líder é chefe". Os dois conceitos são distintos e podem ou não coincidir na mesma pessoa.
A definição-pivô de liderança
Chiavenato sintetiza, com base em Tannenbaum e Schmidt: "Liderança é a influência interpessoal exercida em uma situação, dirigida pela comunicação humana ao alcance de um ou mais objetivos específicos." Quatro elementos:
- Influência interpessoal: relação entre pessoas, não imposição.
- Em uma situação: contexto importa - liderança não é universal.
- Dirigida pela comunicação humana: depende de comunicação eficaz.
- Para alcance de objetivos: tem propósito - não é mero relacionamento.
Os 5 tipos de poder de French e Raven (1959)
John French e Bertram Raven estudaram as bases sociais do poder. 5 tipos clássicos cobrados em prova:
- Poder coercitivo: medo de punição.
- Poder de recompensa: capacidade de premiar.
- Poder legítimo: autoridade formal do cargo.
- Poder de referência: identificação, carisma (líder admirado).
- Poder de especialista: conhecimento técnico reconhecido.
Os três primeiros (coercitivo, recompensa, legítimo) derivam do cargo (poder posicional). Os dois últimos (referência, especialista), derivam da pessoa (poder pessoal). Liderança forte combina poder posicional com pessoal.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 Teoria dos Traços de Liderança
A primeira escola da liderança como objeto científico. Vigorou de 1900 a 1950 e parte de uma hipótese intuitiva: existem traços de personalidade que distinguem o líder do não-líder. O líder, portanto, nasce - é dotado de qualidades inatas. Quem não tem, não vai virar.
Origem
A escola dos traços é tributária da teoria do "grande homem" de Thomas Carlyle (século XIX), que via a história como produto de líderes geniais (Napoleão, César, Lincoln). A pesquisa científica tentou identificar quais traços faziam o "grande homem".
Traços tipicamente listados
- Físicos: estatura, energia, aparência.
- Intelectuais: inteligência, julgamento, agilidade mental.
- Sociais: extroversão, sociabilidade, habilidade interpessoal.
- De personalidade: autoconfiança, ambição, determinação, integridade, dominância.
- Relacionados à tarefa: iniciativa, persistência, busca por responsabilidade.
A revisão de Stogdill (1948)
Em 1948, Ralph Stogdill publicou meta-análise dos estudos de traços. Conclusão devastadora: nenhum traço, isolado ou em conjunto, prediz consistentemente quem será líder eficaz. Pessoas com os traços listados às vezes lideravam, às vezes não. Pessoas sem os traços às vezes lideravam.
A revisão de Stogdill foi a "morte oficial" da escola dos traços. A pesquisa migrou para o que o líder faz (escola comportamental) e depois para o contexto (situacional).
Limitações reconhecidas da escola
- Determinismo: ignora aprendizado e contexto - se líder nasce, treinamento é inútil.
- Listas inconsistentes: cada autor listava traços diferentes.
- Causalidade dúbia: traço causa liderança, ou liderança desenvolve traço?
- Contexto ignorado: o mesmo traço serve em qualquer situação?
- Viés masculino: a maior parte dos estudos focava em homens em posições de comando militar/empresarial.
Renovação contemporânea (anos 1990+)
A escola dos traços foi parcialmente reabilitada por estudos baseados no modelo dos Big Five (cinco grandes traços de personalidade): abertura à experiência, conscienciosidade, extroversão, amabilidade, neuroticismo. Estudos modernos mostram correlação positiva moderada entre extroversão e conscienciosidade e emergência de liderança - mas não correlação forte com eficácia.
Daniel Goleman (anos 1990-2000) também trouxe de volta a ideia de traços, agora como inteligência emocional (autoconsciência, autorregulação, motivação, empatia, habilidade social) - aprofundamos no Módulo 5.
Síntese para prova
Para concurso, basta saber:
- Escola dos traços é a primeira histórica.
- Tese central: líder nasce, tem qualidades inatas.
- Foi refutada por Stogdill (1948).
- Cedeu lugar à escola comportamental.
- Reabilitação parcial moderna (Big Five, inteligência emocional).
Alerta do Examinador
Pegadinha: dizer que a escola dos traços é a abordagem dominante hoje. Errado. Foi a primeira historicamente, mas foi superada. Hoje a literatura adota abordagem situacional ou contemporânea (transformacional). Traços ainda têm peso, mas como parte da explicação - não como explicação única.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 Teorias Comportamentais de Liderança
Após o fracasso da escola dos traços, a pesquisa migrou para o que o líder faz. Se traços não predizem, talvez comportamentos predizem. E comportamentos podem ser aprendidos - isso muda tudo: liderança vira treinável.
3 estilos de Lewin, Lippitt e White (1939)
Estudo clássico de Kurt Lewin, Ronald Lippitt e Ralph White na Universidade de Iowa. Observaram crianças em atividades de grupo sob três estilos de liderança. Resultados forneceram a tipologia mais cobrada de toda a aula:
| Estilo | Característica | Resultados observados |
|---|---|---|
| Autocrático | Líder decide sozinho, dá ordens, controla rigidamente | Maior produtividade quantitativa, mas baixa criatividade, alta tensão, dependência do líder |
| Democrático | Líder consulta, decide com o grupo, delega, orienta | Boa produtividade, alta qualidade, autonomia, satisfação, engajamento |
| Liberal (laissez-faire) | Líder se omite, deixa o grupo decidir tudo, oferece pouca direção | Baixa produtividade, falta de coordenação, frustração, descontrole |
Conclusão do estudo: o estilo democrático obteve os melhores resultados em qualidade e satisfação. Mas, atenção - a banca pode dizer que o autocrático foi o de "maior produtividade" em quantidade. Ambas as afirmações são verdadeiras conforme o ângulo: democrático em qualidade e satisfação; autocrático em volume.
Estudos de Ohio State (anos 1940)
Pesquisadores da Ohio State University, ao questionar líderes e seus subordinados, identificaram 2 dimensões independentes do comportamento de liderança:
- Estrutura inicial (initiating structure): foco na tarefa, organização, definição de papéis, supervisão.
- Consideração (consideration): foco nas pessoas, relações, apoio, escuta.
Os dois eixos são independentes - um líder pode ser alto em ambos, alto em um e baixo em outro, ou baixo em ambos. A combinação ideal seria alta em ambos.
Estudos de Michigan (anos 1940-1960)
Paralelos aos de Ohio. A Universidade de Michigan, com Rensis Likert e equipe, identificou duas orientações de liderança equivalentes mas formuladas como opostas (não independentes):
- Orientação para a produção: foco em volume, eficiência, supervisão técnica.
- Orientação para o empregado: foco em pessoas, satisfação, desenvolvimento.
Conclusão de Michigan: orientação para o empregado gera melhor desempenho de longo prazo - mas no curto prazo, orientação para a produção pode render mais. Estudos de Ohio e Michigan dialogam: as duas dimensões existem, mas são tratadas de forma diferente.
Sistemas de Likert (1961)
Rensis Likert, em New Patterns of Management (1961), propôs 4 sistemas administrativos que descrevem como uma organização toma decisões e exerce liderança. Cobrança recorrente em prova:
| Sistema | Característica | Decisão |
|---|---|---|
| 1. Autoritário coercitivo | Autocrata duro, ameaças, punição | Centralizada |
| 2. Autoritário benevolente | Autocrata "paternalista", recompensas eventuais | Centralizada com pequenas concessões |
| 3. Consultivo | Consulta os subordinados antes de decidir | Compartilhada com retenção pela cúpula |
| 4. Participativo | Decisão em grupo, alta autonomia | Descentralizada |
Likert defendia que organizações tendem a ser mais eficazes quanto mais próximas do sistema 4 (participativo). Decora a sequência 1 → 4 e a característica de cada um.
Grade gerencial de Blake e Mouton (1964)
Robert Blake e Jane Mouton, em The Managerial Grid (1964), propuseram um plano cartesiano com:
- Eixo X (preocupação com a produção): 1 (baixa) a 9 (alta).
- Eixo Y (preocupação com as pessoas): 1 (baixa) a 9 (alta).
O cruzamento gera 81 posições possíveis. A literatura destaca 5 estilos típicos:
| Coordenadas | Estilo | Característica |
|---|---|---|
| (1, 1) | Empobrecido / Negligente | Pouca preocupação com produção e com pessoas. Líder ausente. |
| (9, 1) | Autoritário / Tarefa | Preocupação máxima com produção, mínima com pessoas. Eficiência a qualquer custo. |
| (1, 9) | Country Club / Clube de campo | Preocupação máxima com pessoas, mínima com produção. Boa convivência mas baixa produtividade. |
| (5, 5) | Meio-termo / Equilibrado | Preocupação intermediária com ambos. Médio sempre - sem extremos. |
| (9, 9) | Equipe / Time | Preocupação máxima com produção e com pessoas. Estilo ideal segundo Blake-Mouton. |
O estilo (9, 9) é, para Blake-Mouton, o ideal universalmente. Eles foram contestados por autores situacionais (Hersey-Blanchard, Fiedler), que argumentaram que não há estilo único melhor para toda situação.
Continuum de Tannenbaum e Schmidt (1958)
Robert Tannenbaum e Warren Schmidt propuseram que liderança não é dicotômica - é um continuum com graus de uso da autoridade pelo líder e de liberdade dos subordinados. Sete pontos do continuum, indo do mais autoritário ao mais democrático:
- Líder decide e anuncia.
- Líder "vende" a decisão.
- Líder apresenta ideias e pede perguntas.
- Líder apresenta decisão tentativa, sujeita a mudança.
- Líder apresenta o problema, recebe sugestões e decide.
- Líder define limites e pede ao grupo que decida.
- Líder permite que o grupo decida dentro de certos limites.
É a primeira tentativa de transição entre comportamental e situacional - o estilo correto depende de fatores como urgência, capacitação dos subordinados, cultura organizacional. Tannenbaum-Schmidt é uma ponte para a próxima escola.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 Teorias Situacionais (Contingenciais)
Anos 1960-1980. Tese central: não existe estilo de liderança universal. O melhor estilo depende do contexto - da maturidade dos liderados, da natureza da tarefa, do ambiente, da urgência. Quatro modelos centrais caem em prova.
1. Modelo Contingencial de Fiedler (1967)
Fred Fiedler, em A Theory of Leadership Effectiveness (1967), propôs que a eficácia da liderança depende da combinação entre:
- Estilo do líder: medido pela escala LPC (Least Preferred Coworker - colega de quem você menos gosta). Líder que descreve o LPC de forma favorável = orientado para relacionamento. Líder que descreve o LPC de forma desfavorável = orientado para tarefa.
- Favorabilidade da situação: combinação de três variáveis: relação líder-membros (boa/ruim), estrutura da tarefa (estruturada/não estruturada), poder de posição do líder (forte/fraco).
Conclusão: líderes orientados para tarefa se saem melhor em situações muito favoráveis ou muito desfavoráveis. Líderes orientados para relacionamento se saem melhor em situações moderadamente favoráveis.
Tese polêmica de Fiedler: o estilo do líder é relativamente fixo (parte da personalidade). Logo, em vez de mudar o estilo, deve-se mudar a situação ou o líder.
2. Liderança Situacional de Hersey e Blanchard (1969)
Modelo mais cobrado em prova. Paul Hersey e Ken Blanchard propuseram que o estilo do líder deve variar conforme a maturidade dos liderados (combinação de competência técnica + disposição psicológica). 4 níveis de maturidade (M1-M4) e 4 estilos correspondentes (S1-S4):
| Maturidade | Estilo | Comportamento de tarefa | Comportamento de relacionamento |
|---|---|---|---|
| M1 (baixa) Não sabe + não quer | S1 - Determinar (Telling) | Alto - direção clara | Baixo - pouco apoio emocional |
| M2 (baixa-média) Não sabe + quer | S2 - Persuadir (Selling) | Alto - explicar o porquê | Alto - dar suporte |
| M3 (média-alta) Sabe + não quer (ou inseguro) | S3 - Compartilhar (Participating) | Baixo - dar autonomia técnica | Alto - estimular, encorajar |
| M4 (alta) Sabe + quer | S4 - Delegar (Delegating) | Baixo - autonomia total | Baixo - acompanhar de longe |
Decora a sequência S1 Determinar → S2 Persuadir → S3 Compartilhar → S4 Delegar como o liderado vai amadurecendo. À medida que o liderado cresce, o líder reduz direção e, em algum momento, também reduz apoio emocional - porque o liderado já se autorregula.
3. Teoria Caminho-Meta de House (1971)
Robert House propôs que o líder eficaz esclarece o caminho que leva o liderado aos seus objetivos pessoais e organizacionais, removendo obstáculos e dando recompensas. Quatro estilos:
- Diretivo: líder dá orientações claras, prazos, padrões. Bom para tarefa pouco estruturada e liderado novato.
- Apoiador: líder mostra preocupação com o bem-estar do liderado. Bom para tarefa rotineira e tediosa.
- Participativo: líder consulta liderados e usa sugestões. Bom para liderados qualificados.
- Orientado para realização: líder define metas desafiadoras e espera que o liderado se supere. Bom para liderados ambiciosos.
Variáveis que moderam: características do liderado (locus de controle, experiência, capacidade) e características da tarefa (estrutura, sistema formal, grupo de trabalho).
4. Modelo Decisório de Vroom e Yetton (1973)
Victor Vroom e Phillip Yetton propuseram árvore de decisão para o líder escolher entre cinco modos de decisão:
- AI: líder decide sozinho com a informação que tem.
- AII: líder coleta informação dos subordinados, mas decide sozinho.
- CI: líder consulta subordinados individualmente, depois decide.
- CII: líder consulta subordinados em grupo, depois decide.
- GII: líder + grupo decidem juntos por consenso.
A escolha entre os modos depende de 7 perguntas sobre a situação (qualidade da decisão, informação disponível, estruturação do problema, aceitação dos subordinados, etc.). Modelo prescritivo - "sob essas condições, use AI; sob aquelas, use GII".
Em 1988, Vroom e Jago revisaram o modelo, ampliando para 12 questões e tornando-o mais sofisticado (Vroom-Jago, 1988). Mas a versão original Vroom-Yetton (1973) ainda é a mais cobrada.
Tabela síntese das teorias situacionais
| Modelo | Variável central | Saída |
|---|---|---|
| Fiedler (1967) | LPC + favorabilidade da situação | Estilo orientado para tarefa ou para relacionamento |
| Hersey-Blanchard (1969) | Maturidade do liderado (M1-M4) | 4 estilos: S1 determinar, S2 persuadir, S3 compartilhar, S4 delegar |
| House Caminho-Meta (1971) | Características do liderado e da tarefa | 4 estilos: diretivo, apoiador, participativo, orientado para realização |
| Vroom-Yetton (1973) | 7 perguntas sobre a decisão | 5 modos de decisão: AI, AII, CI, CII, GII |
Pegadinha da Dotôra Soffya
Banca adora trocar a sequência de Hersey-Blanchard. Decora: M1 (não sabe + não quer) → S1 Determinar; M2 (não sabe + quer) → S2 Persuadir; M3 (sabe + inseguro) → S3 Compartilhar; M4 (sabe + quer) → S4 Delegar. Inversão clássica é dizer que líder DELEGA para liderado de baixa maturidade - isso é desastre, não delegação.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Liderança contemporânea
De 1980 em diante, a literatura propôs novas formas de pensar a liderança - mais focadas em mudança, valores, propósito e dimensões emocionais. Cinco abordagens caem em prova.
1. Liderança Transformacional x Transacional (Bass, 1985)
James MacGregor Burns propôs (1978) e Bernard Bass operacionalizou (1985) a distinção entre dois grandes estilos:
| Aspecto | Transacional | Transformacional |
|---|---|---|
| Lógica | Troca: você produz, eu pago | Inspiração: você se transforma comigo |
| Recompensa | Contingente (atinge meta = recebe bônus) | Intrínseca (sentido, propósito, crescimento) |
| Mudança | Manutenção do status quo | Mudança organizacional, ruptura |
| Foco | Tarefa, processo, controle | Visão, valores, desenvolvimento |
| Resultado típico | Cumprimento de metas | Performance além do esperado |
Bass identificou 4 dimensões da liderança transformacional - os "4 Is":
- Influência idealizada (carisma): o líder serve de modelo, é admirado.
- Inspiração motivacional: o líder transmite visão e desperta entusiasmo.
- Estimulação intelectual: o líder questiona crenças e estimula novas formas de pensar.
- Consideração individualizada: o líder cuida do desenvolvimento de cada um.
Liderança transacional tem 3 dimensões (Bass): recompensa contingente, gerenciamento por exceção (ativa) e gerenciamento por exceção (passiva).
2. Liderança Servidora (Greenleaf, 1977)
Robert Greenleaf, em The Servant as Leader (1977), propôs que o líder verdadeiro é antes de tudo um servidor. A liderança não é privilégio - é serviço. O foco está em desenvolver os liderados, não em ser servido por eles.
Princípios da liderança servidora:
- Ouvir antes de falar.
- Empatia profunda com o liderado.
- Construir comunidade.
- Conscientização (sobre si e sobre os outros).
- Comprometimento com o crescimento das pessoas.
- Cura emocional (ajudar a recuperar de feridas).
- Visão e capacidade conceitual.
- Persuasão (sem coerção).
- Mordomia (responsabilidade pelos recursos).
- Habilidade de prever consequências de decisões.
Movimento bastante influente em ONGs, empresas com forte cultura de propósito e setor público em transição.
3. Liderança Carismática
Robert House (1976) e depois Conger e Kanungo (1987) descreveram a liderança carismática. Carisma é a qualidade de inspirar devoção e admiração. Líderes carismáticos têm:
- Visão extraordinária e capacidade de articulá-la.
- Disposição para correr riscos pessoais.
- Sensibilidade ao ambiente e aos seguidores.
- Comportamentos não-convencionais.
Carisma se sobrepõe parcialmente à liderança transformacional (a "influência idealizada" é o carisma). Distinção: carisma é mais sobre a pessoa do líder; transformacional é mais sobre o efeito no liderado.
Risco: líder carismático pode levar à idolatria, tomada de decisão acrítica, "culto à personalidade". Histórico tem exemplos terríveis.
4. Liderança Autêntica (Bill George, 2003)
Bill George, em Authentic Leadership (2003), propôs que o líder eficaz é aquele que age com autenticidade: alinhamento entre valores, palavras e ações. Cinco características:
- Consciência de propósito: sabe por que faz o que faz.
- Valores sólidos: tem princípios que não negocia sob pressão.
- Lidera com o coração: combina razão e emoção.
- Constrói relações duradouras: foco em conexão real.
- Autodisciplina: ação consistente com os valores.
Resposta às fraudes corporativas dos anos 2000 (Enron, WorldCom): líderes autênticos não tomariam aquelas decisões. Movimento ainda relevante hoje em ESG e governança.
5. Inteligência Emocional e os 6 estilos de Goleman
Daniel Goleman, em Emotional Intelligence (1995) e Leadership That Gets Results (HBR 2000), propôs cinco competências emocionais e seis estilos de liderança. As 5 competências da inteligência emocional:
- Autoconsciência: reconhecer as próprias emoções.
- Autorregulação: gerenciar as próprias emoções.
- Motivação: drive interno para superar.
- Empatia: reconhecer emoções nos outros.
- Habilidade social: gerir relacionamentos.
Os 6 estilos de Goleman, cada um adequado a uma situação:
- Coercitivo (autoritário): use só em crise; cria ressentimento se constante.
- Visionário (autoritativo): ideal para mobilizar mudança em visão clara.
- Afetivo (afiliativo): bom para curar relações ou reconectar equipes feridas.
- Democrático: bom quando consenso é importante.
- Marcador de ritmo (pace-setting): usar com cuidado; pode esgotar a equipe.
- Treinador (coaching): bom para desenvolver pessoas no longo prazo.
Líder eficaz domina vários estilos e os usa conforme a situação. Goleman é parente próximo das teorias situacionais.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 Motivação - teorias de conteúdo
As teorias de motivação se dividem em duas grandes famílias: teorias de conteúdo (o que motiva - quais necessidades) e teorias de processo (como a motivação acontece - quais mecanismos). Este módulo cobre as de conteúdo. As de processo no Módulo 7.
1. Hierarquia de Necessidades de Maslow (1943, 1954)
Abraham Maslow, em A Theory of Human Motivation (Psychological Review, 1943), propôs que as necessidades humanas se organizam em hierarquia: a satisfação de uma camada inferior é condição para emergência da próxima. Pirâmide com 5 níveis (de baixo para cima):
- Fisiológicas: comida, água, sono, abrigo, sexo.
- Segurança: estabilidade, proteção, ordem, segurança financeira.
- Sociais (afeto, pertencimento): amizade, amor, aceitação, grupo.
- Estima: reconhecimento, status, autoestima, prestígio.
- Autorrealização (topo): desenvolvimento pessoal, atingir todo o potencial.
Princípios de Maslow:
- Necessidade satisfeita não motiva mais (o foco vai para a próxima camada).
- Necessidade não satisfeita gera tensão e direciona o comportamento.
- A camada inferior precisa estar (em parte) atendida para a superior virar foco.
- Na pirâmide, fisiológicas e segurança = primárias (de carência); sociais, estima e autorrealização = secundárias (de crescimento).
Críticas: dificuldade empírica em comprovar a hierarquia rígida; pessoas em condições de fome ainda buscam estima; cultura influencia (em coletivismo, sociais podem vir antes da segurança).
2. Teoria Bifatorial de Herzberg (1959, 1968)
Frederick Herzberg, em The Motivation to Work (1959) e One More Time: How Do You Motivate Employees? (HBR, 1968), entrevistou trabalhadores sobre o que os deixava satisfeitos e o que os deixava insatisfeitos. Conclusão: as duas coisas não são opostos - são dimensões independentes.
| Tipo de fator | Origem | Quando ausente | Quando presente |
|---|---|---|---|
| Higiênicos (extrínsecos) | Ambiente de trabalho | Insatisfação | Não-insatisfação (mas não satisfação) |
| Motivacionais (intrínsecos) | Conteúdo do trabalho | Não-motivação (mas não insatisfação) | Satisfação e motivação |
Exemplos:
- Higiênicos: salário, benefícios, condições físicas do ambiente, segurança no emprego, política da empresa, qualidade da supervisão, relacionamento com colegas.
- Motivacionais: realização, reconhecimento, conteúdo da tarefa em si, responsabilidade, crescimento, autonomia.
Insight central de Herzberg: aumentar salário evita insatisfação, mas não gera motivação verdadeira. Para motivar de fato, é preciso enriquecer o trabalho - dar mais autonomia, desafios, reconhecimento, oportunidades de crescimento. Isso gerou o conceito de enriquecimento de cargos (job enrichment).
Maslow x Herzberg - paralelo
As duas teorias dialogam:
- Necessidades fisiológicas, segurança e parcialmente sociais (Maslow) ≈ fatores higiênicos (Herzberg).
- Necessidades de estima e autorrealização (Maslow) ≈ fatores motivacionais (Herzberg).
Banca adora cruzar as duas. Memorize: higiênicos evitam insatisfação (não motivam); motivacionais geram motivação verdadeira.
3. Teoria das Necessidades Adquiridas de McClelland (1961)
David McClelland, em The Achieving Society (1961), propôs que as pessoas têm 3 necessidades aprendidas socialmente:
- Necessidade de Realização (nAch - need for achievement): vontade de superar metas, desempenhar tarefas desafiadoras, alcançar excelência. Pessoas com alta nAch preferem riscos moderados, feedback imediato, responsabilidade pessoal.
- Necessidade de Afiliação (nAff - need for affiliation): vontade de relacionamentos próximos, aceitação social, harmonia. Preferem cooperação a competição.
- Necessidade de Poder (nPow - need for power): vontade de influenciar, controlar, ter impacto. Pode ser pessoal (dominação) ou socializado (servir um grupo/causa).
Diferente de Maslow, em McClelland as três necessidades coexistem em todas as pessoas em proporções diferentes - não há hierarquia. E são aprendidas ao longo da vida, não inatas.
Aplicações: alto nAch tende a empreendedores; alta nAff tende a vendedores e atendimento; alta nPow tende a executivos.
4. Teoria ERG de Alderfer (1969)
Clayton Alderfer revisou Maslow e propôs 3 categorias de necessidades em vez de 5:
- E - Existência (Existence): equivalente a fisiológicas + segurança de Maslow.
- R - Relacionamento (Relatedness): equivalente a sociais + parte da estima.
- G - Crescimento (Growth): equivalente ao restante da estima + autorrealização.
Diferenças centrais entre Alderfer e Maslow:
- Necessidades não são estritamente hierárquicas - podem coexistir.
- Princípio da frustração-regressão: se uma necessidade superior é frustrada, o foco volta a uma inferior. Maslow não previa isso.
- Mais de uma necessidade pode estar ativa simultaneamente.
5. Teorias X e Y de McGregor (1960)
Douglas McGregor, em The Human Side of Enterprise (1960), propôs que os gestores operam segundo dois conjuntos opostos de pressupostos sobre as pessoas:
| Aspecto | Teoria X | Teoria Y |
|---|---|---|
| Visão do trabalhador | Pessimista: o ser humano não gosta do trabalho, evita responsabilidade, precisa ser controlado e ameaçado | Otimista: o trabalho é tão natural quanto descansar, as pessoas buscam responsabilidade, têm autocontrole |
| Estilo gerencial decorrente | Autocrático, controle estrito, supervisão próxima, recompensas/punições externas | Participativo, delegação, autonomia, motivação intrínseca, desenvolvimento |
| Resultado esperado | Conformidade mínima, baixa criatividade | Engajamento, criatividade, alta performance |
McGregor não propunha que pessoas fossem X ou Y - propunha que GESTORES vissem as pessoas assim, e o estilo de gestão seria coerente com essa visão. Profecia auto-realizadora: gestor X cria ambiente que reforça comportamento X.
McGregor defendia que a Teoria Y é mais correta empiricamente e gera melhores resultados. Em prova brasileira, decora: X = pessimista; Y = otimista.
Teoria Z de Ouchi (acréscimo)
William Ouchi, em Theory Z (1981), propôs uma terceira teoria, observando empresas japonesas. Combina elementos americanos (responsabilidade individual, decisão rápida) com japoneses (emprego vitalício, decisão coletiva, atenção à pessoa total). Não é continuação direta de McGregor, mas dialoga.
Tabela síntese das teorias de conteúdo
| Teoria | Autor | Estrutura |
|---|---|---|
| Hierarquia das necessidades | Maslow (1943, 1954) | 5 níveis em pirâmide |
| Bifatorial | Herzberg (1959, 1968) | Higiênicos x Motivacionais (independentes) |
| Necessidades adquiridas | McClelland (1961) | 3 necessidades: realização, afiliação, poder |
| ERG | Alderfer (1969) | Existência, Relacionamento, Crescimento - frustração-regressão |
| X e Y | McGregor (1960) | 2 conjuntos de pressupostos sobre o trabalhador |
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Motivação - teorias de processo
As teorias de processo perguntam como a motivação acontece - quais cálculos, comparações e mecanismos a pessoa faz para decidir agir. Três modelos centrais.
1. Teoria da Expectativa de Vroom (1964)
Victor Vroom, em Work and Motivation (1964), propôs que a motivação depende de três variáveis multiplicadas:
Motivação = Expectativa × Instrumentalidade × Valência
- Expectativa (E): probabilidade percebida de que esforço gerará desempenho. "Se eu me esforçar, eu consigo atingir essa meta?" - vai de 0 a 1.
- Instrumentalidade (I): probabilidade percebida de que desempenho gerará recompensa. "Se eu atingir a meta, vou receber a recompensa prometida?" - vai de 0 a 1.
- Valência (V): valor que a pessoa atribui à recompensa. "Eu quero essa recompensa?" - pode ser negativo, zero ou positivo.
Como é multiplicação, se qualquer variável for zero, a motivação é zero. Implicações práticas:
- Se o liderado acha que esforço não leva a desempenho (expectativa zero), não vai se esforçar - não importa quanto pague.
- Se o liderado acha que cumprir meta não vai gerar recompensa real (instrumentalidade zero), também desmotiva.
- Se a recompensa não tem valor para ele (valência zero), tanto faz.
Para gerir motivação, o líder precisa atuar nas três frentes: garantir que o esforço seja capaz de gerar desempenho (capacitação, recursos), que o desempenho será de fato recompensado (regras claras), e que a recompensa seja valorizada (saber o que o liderado quer).
2. Teoria da Equidade de Adams (1963)
John Stacy Adams propôs que as pessoas comparam o que recebem (resultados) com o que investem (insumos), e comparam essa razão com a de outras pessoas. Quando percebem injustiça, agem para corrigir.
Razão = Resultados (recompensas) / Insumos (esforços, conhecimento, tempo).
A pessoa compara sua razão com a razão de outros relevantes (colegas, mercado). Possíveis resultados:
- Razões iguais (equidade): motivação preservada.
- Sub-recompensa (sua razão menor): percebe injustiça. Reações: reduzir esforço, pedir aumento, sair, distorcer percepção, mudar pessoa de comparação.
- Sobre-recompensa (sua razão maior): percebe culpa ou tensão. Reações: aumentar esforço (raro), distorcer percepção (mais comum), sentir-se valorizado.
A consequência prática: a percepção de equidade importa mais do que o valor absoluto da recompensa. Aumento que parece bom isolado pode parecer pequeno se outro colega ganhou muito mais.
Em organizações, política salarial e transparência salarial são respostas diretas à teoria da equidade.
3. Teoria da Definição de Objetivos de Locke e Latham (1968)
Edwin Locke (1968) e depois com Gary Latham consolidaram a teoria de que objetivos específicos e desafiadores levam a desempenho superior, desde que aceitos pela pessoa. Princípios:
- Especificidade: objetivos específicos motivam mais que vagos ("faça o seu melhor").
- Desafio: objetivos desafiadores (mas atingíveis) motivam mais que fáceis.
- Aceitação: pessoa precisa aceitar o objetivo como seu.
- Feedback: pessoa precisa saber como está progredindo.
- Comprometimento: pessoa se compromete com o objetivo (especialmente quando participa da definição).
Locke e Latham são a base teórica do SMART (visto na aula 02) e da APO de Drucker.
4. Teoria do Reforçamento (Skinner)
B.F. Skinner aplicou behaviorismo à motivação no trabalho. Comportamentos seguidos de reforço positivo tendem a se repetir. Comportamentos seguidos de punição ou ausência de recompensa tendem a se extinguir.
Tipos de reforçamento:
- Reforço positivo: dar algo bom (elogio, bônus) após comportamento desejado.
- Reforço negativo: retirar algo ruim (escala difícil, supervisão pesada) após comportamento desejado. Não confundir com punição.
- Punição: dar algo ruim (advertência) após comportamento indesejado.
- Extinção: ignorar (não reforçar) o comportamento, levando-o a desaparecer.
Em prova, atenção: reforço negativo é diferente de punição. Reforço negativo retira algo ruim para fortalecer um comportamento bom; punição introduz algo ruim para enfraquecer um comportamento ruim.
Tabela síntese das teorias de processo
| Teoria | Autor | Foco |
|---|---|---|
| Expectância | Vroom (1964) | Cálculo: M = E × I × V |
| Equidade | Adams (1963) | Comparação social das razões resultado/insumo |
| Definição de objetivos | Locke (1968) e Latham | Objetivos específicos e desafiadores melhoram desempenho |
| Reforçamento | Skinner | Consequências moldam comportamento futuro |
Dica do Raffinha
Para diferenciar conteúdo x processo: conteúdo responde "o quê motiva" (Maslow, Herzberg, McClelland, Alderfer, McGregor). Processo responde "como motiva" (Vroom, Adams, Locke, Skinner). Banca adora cruzar autores - se aparecer "Vroom de hierarquia de necessidades", está errado.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 Comunicação, conflitos e setor público
Fechar a função D exige comunicação eficaz e gestão de conflitos. E aplicar tudo isso ao setor público brasileiro tem suas peculiaridades.
Comunicação organizacional
Modelo clássico de Shannon e Weaver (1948), aplicado a contexto organizacional:
- Emissor: quem envia a mensagem.
- Codificação: tradução da intenção em palavras, gestos, símbolos.
- Mensagem: o conteúdo transmitido.
- Canal: meio de transmissão (oral, escrito, digital).
- Decodificação: tradução pelo receptor.
- Receptor: quem recebe.
- Feedback: resposta que volta ao emissor (transforma comunicação em via dupla).
- Ruído: tudo que distorce a mensagem (físico, semântico, psicológico).
Tipos de comunicação organizacional:
- Vertical descendente: do superior ao subordinado (ordens, instruções).
- Vertical ascendente: do subordinado ao superior (relatórios, sugestões).
- Horizontal: entre pares de mesmo nível.
- Diagonal: entre níveis e áreas diferentes (atalho).
- Formal: pelos canais oficiais (memorando, e-mail corporativo).
- Informal: rede informal, "rádio peão", boca a boca.
Barreiras à comunicação
- Físicas: distância, equipamentos defeituosos, ruído ambiental.
- Semânticas: vocabulário diferente, jargões técnicos, ambiguidade.
- Psicológicas: preconceitos, atenção seletiva, medo, defensividade.
- Organizacionais: hierarquia, tamanho, especialização, distância entre áreas.
- Culturais: diferenças de idioma, cultura nacional, geração.
Gestão de Conflitos - Modelo de Thomas e Kilmann (1974)
Kenneth Thomas e Ralph Kilmann propuseram cinco estilos de gestão de conflito, baseados em duas dimensões:
- Assertividade: o quanto a pessoa busca atender aos próprios interesses.
- Cooperação: o quanto busca atender aos interesses do outro.
| Estilo | Assertividade | Cooperação | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Competir | Alta | Baixa | Decisão urgente, impopular mas necessária; uma das partes claramente certa |
| Acomodar | Baixa | Alta | O assunto importa muito mais para o outro; preservar relação é prioridade |
| Evitar | Baixa | Baixa | Conflito trivial; precisa "esfriar"; não há ganho em encarar agora |
| Colaborar | Alta | Alta | Buscar solução win-win quando interesses são importantes para ambos |
| Conciliar (compromisso) | Média | Média | Solução temporária; tempo curto; partes têm poder igual |
Modelo conhecido como TKI (Thomas-Kilmann Conflict Mode Instrument). Cobrança certa em prova de RH e Comportamento Organizacional.
Tipos e níveis de conflito
Tipologia clássica de Robbins:
- Conflito de tarefa: divergência sobre conteúdo do trabalho. Em níveis moderados, pode ser funcional (estimula reflexão).
- Conflito de processo: divergência sobre como o trabalho deve ser feito.
- Conflito de relacionamento: divergência interpessoal. Quase sempre disfuncional.
Níveis: intrapessoal (interno), interpessoal (entre pessoas), intragrupal (dentro do grupo), intergrupal (entre grupos), interorganizacional (entre organizações).
Liderança no setor público brasileiro
O setor público brasileiro tem desafios próprios para o exercício da Direção:
- Estabilidade do servidor (CF Art. 41) limita uso clássico de recompensa/punição. Líder precisa apostar mais em poder de referência e especialista.
- Restrições legais ao trabalho gerencial: o gestor não pode dispor livremente de cargos, salários, promoções - tudo regulado por lei.
- Múltiplos princípios (LIMPE, Art. 37): o gestor é também guardião da legalidade e impessoalidade.
- Continuidade x ruptura: troca de gestão a cada 4 anos exige líderes que mantenham institucionalidade.
- Indicadores de pessoal: PDI (plano de desenvolvimento individual), avaliação de desempenho periódica, programas de capacitação obrigatórios.
Iniciativas modernas:
- Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas (PNDP) - Decreto 9.991/2019.
- Programa de Gestão de Desempenho (PGD) - Instrução Normativa SGP-ENAP/SEDGG-ME 65/2020 (teletrabalho e gestão por entregas).
- Política Nacional de Inovação - Decreto 10.534/2020.
Principais legislações de gestão de pessoas no setor público federal
- Lei 8.112/1990: Estatuto dos servidores civis federais. Direitos, deveres, responsabilidades, regime disciplinar.
- Decreto 9.991/2019: Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas (PNDP) - capacitação por competências.
- Decreto 9.235/2017 e seguintes: regulamentos sobre avaliação de desempenho e cargos.
- Lei 11.091/2005: carreira dos técnicos-administrativos em Educação.
- Lei 14.133/2021: nova Lei de Licitações - cria a figura do gestor de contratos (papel típico de Direção).
Direção, Gestão de Pessoas e Adm Pública conversam intensamente. Esta aula foca a função D em sentido amplo. A aula seguinte (Aula 05 Controle e Avaliação) aprofunda a parte de avaliação. As aulas 7 a 9 (Gestão de Pessoas - conceitos, motivação e comunicação, trabalho em equipe) detalham a parte humana.
O vilão da aula: Concurseiro Aprovado
Esse vilão passou na sua época e adora dizer: "no meu tempo, o líder mandava e pronto". Ou seja: defende o estilo autocrático como universal. A literatura moderna o desmente - liderança é situacional/contingencial. Não há estilo único melhor. Em prova, marque sempre as alternativas que sustentam que o estilo varia conforme o contexto.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Direção no setor público é exercício de paciência e consistência. Quem ali tem é o servidor, não o gestor - e bom líder público sabe disso. A receita é construir confiança, dar exemplo, reconhecer mérito (com os instrumentos legais disponíveis) e formar sucessor. Quem aprende isso bem, lidera mesmo sem mandar - que é o ideal de Greenleaf.
Mapa mental
Conceito (Mód. 1)
- Função D do PODC: liderar, motivar, comunicar, decidir
- Liderança = influência interpessoal (Chiavenato/Tannenbaum-Schmidt)
- Liderança ≠ chefia (cargo formal)
- 5 tipos de poder: French-Raven (coercitivo, recompensa, legítimo, referência, especialista)
4 escolas de liderança (Mód. 2-5)
- Traços (1900-1950) - líder nasce - Stogdill 1948 refutou
- Comportamental: Lewin (autocrático/democrático/liberal), Ohio (estrutura+consideração), Likert (sistemas 1-4), Blake-Mouton (grade 9x9)
- Situacional: Fiedler, Hersey-Blanchard (4 estilos S1-S4 por maturidade), House (caminho-meta), Vroom-Yetton
- Contemporânea: Bass (transformacional - 4 Is), Greenleaf (servidora), Goleman (6 estilos + IE), George (autêntica)
Hersey-Blanchard (Mód. 4)
- M1: não sabe + não quer → S1 Determinar
- M2: não sabe + quer → S2 Persuadir
- M3: sabe + inseguro → S3 Compartilhar
- M4: sabe + quer → S4 Delegar
Motivação - conteúdo (Mód. 6)
- Maslow: 5 níveis (fisiológica, segurança, social, estima, autorrealização)
- Herzberg: higiênicos (evitam insatisfação) x motivacionais (geram satisfação)
- McClelland: realização, afiliação, poder
- Alderfer ERG: existência, relacionamento, crescimento (frustração-regressão)
- McGregor X (pessimista) x Y (otimista)
Motivação - processo (Mód. 7)
- Vroom: M = E × I × V (zero em qualquer = motivação zero)
- Adams: equidade - razão resultado/insumo comparada a outros
- Locke: objetivos específicos + desafiadores + aceitos + com feedback
- Skinner: reforço positivo / negativo / punição / extinção
Comunicação e conflitos (Mód. 8)
- Shannon-Weaver: emissor → codificação → mensagem → canal → decodificação → receptor + feedback + ruído
- Comunicação: vertical / horizontal / diagonal; formal / informal
- Thomas-Kilmann: 5 estilos (competir, acomodar, evitar, colaborar, conciliar)
- Setor público: Lei 8.112/1990, PNDP (Decreto 9.991/2019), PGD
Revisão relâmpago
Chefia = cargo formal. Liderança = capacidade de influenciar. Podem ou não coincidir.
Coercitivo, recompensa, legítimo (= posicionais). Referência, especialista (= pessoais).
Traços (1900-1950) → Comportamental (1950-1960) → Situacional (1960-1980) → Contemporânea (1980+).
Autocrático (líder decide), Democrático (consulta), Liberal/Laissez-faire (omisso). Democrático teve melhores resultados em qualidade.
Grade 9x9. (1,1) empobrecido; (9,1) tarefa; (1,9) clube; (5,5) meio-termo; (9,9) equipe (ideal).
Maturidade do liderado guia o estilo: M1 Determinar → M2 Persuadir → M3 Compartilhar → M4 Delegar.
4 Is: Influência idealizada (carisma), Inspiração motivacional, Estimulação intelectual, Consideração individualizada. Transacional é troca.
5 níveis: fisiológicas → segurança → sociais → estima → autorrealização. Hierarquia rígida.
2 fatores. Higiênicos (extrínsecos) evitam insatisfação. Motivacionais (intrínsecos) geram satisfação. Independentes.
McClelland: realização, afiliação, poder (aprendidas). Alderfer ERG: existência, relacionamento, crescimento (frustração-regressão). McGregor X x Y.
M = Expectativa × Instrumentalidade × Valência. Multiplicativo. Zero em qualquer fator = motivação zero.
5 estilos: competir, acomodar, evitar, colaborar (ideal), conciliar (compromisso).
10 questões comentadas
Questões nos pontos campeões da aula. Cada uma com gabarito e análise do Prof. Affonsinho. Estilo de cobrança das principais bancas (CESPE/Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp).
Questão 01 · Comentada
Enunciado. A respeito da distinção entre chefia e liderança, é correto afirmar:
- A) Toda chefia implica liderança, e toda liderança implica posição de chefia.
- B) Chefia decorre da capacidade de influenciar pessoas, enquanto liderança decorre do cargo formal.
- C) Chefia é exercida com base na autoridade formal do cargo, enquanto liderança é exercida com base na capacidade de influenciar pessoas - sendo possível que coexistam ou não na mesma pessoa.
- D) Liderança e chefia são sinônimos no contexto da administração contemporânea.
- E) A liderança no contexto organizacional só pode ser exercida por quem ocupa cargo formal de gestão.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Distinção clássica e cobrada quase sempre. Chefia = cargo formal. Liderança = capacidade de influenciar. Podem ou não coincidir.
- A errada: Há chefes sem liderança (têm cargo mas não influenciam) e líderes sem cargo (influenciam sem ter posição formal).
- B errada: Inversão. Chefia = autoridade do CARGO. Liderança = capacidade de INFLUENCIAR.
- C CORRETA: Distinção precisa. Chefia origina-se na nomeação formal; liderança origina-se na influência. Coexistem no ideal, mas podem existir separadamente.
- D errada: São conceitos distintos.
- E errada: Liderança INFORMAL existe e é central na literatura. O líder informal não tem cargo.
Tese central: Chefia = autoridade formal do cargo. Liderança = capacidade de influenciar pessoas. Podem coexistir ou não na mesma pessoa - são conceitos distintos.
Questão 02 · Comentada
Enunciado. French e Raven (1959) identificaram cinco bases sociais do poder. As bases derivadas da posição (cargo formal) são:
- A) Coercitivo, recompensa e legítimo.
- B) Referência e especialista.
- C) Coercitivo, recompensa e referência.
- D) Legítimo e especialista.
- E) Coercitivo, referência e especialista.
Gabarito: A
Prof. Affonsinho comenta
5 bases do poder: 3 posicionais (do cargo) e 2 pessoais (da pessoa). Decora a divisão para acertar inversões.
- A CORRETA: Coercitivo (medo de punição), recompensa (premiar) e legítimo (autoridade formal) derivam do CARGO. Liderança sólida combina poder posicional + pessoal.
- B errada: Referência (carisma) e especialista (conhecimento técnico) são os PESSOAIS, não posicionais.
- C errada: Mistura. Referência é pessoal, não posicional.
- D errada: Legítimo é posicional, mas especialista é pessoal.
- E errada: Coercitivo é posicional; referência e especialista são pessoais.
Tese central: 5 bases de poder de French-Raven (1959): 3 POSICIONAIS (coercitivo, recompensa, legítimo) + 2 PESSOAIS (referência, especialista).
Questão 03 · Comentada
Enunciado. No estudo clássico de Lewin, Lippitt e White (1939) sobre os estilos de liderança, julgue: O estilo de liderança liberal (laissez-faire) caracteriza-se pela ausência de direção do líder e produziu, no estudo, os melhores resultados em termos de produtividade e satisfação dos liderados. (Certo / Errado)
Gabarito: Errado
Prof. Affonsinho comenta
O estilo liberal NÃO produziu os melhores resultados - produziu os PIORES (baixa produtividade, frustração, descontrole). Os melhores resultados em qualidade e satisfação foram do estilo democrático.
- E ERRADO: A primeira parte está certa (liberal = ausência de direção). A segunda está ERRADA. No estudo, o liberal teve os PIORES resultados em qualidade, satisfação e coordenação. O DEMOCRÁTICO teve os melhores resultados em qualidade e satisfação. O autocrático teve a maior produtividade quantitativa, mas com baixa criatividade e alta tensão. Banca clássica que prende quem decora apenas 'estilo liberal' sem ler o resultado.
Tese central: Lewin-Lippitt-White (1939): autocrático = maior volume; democrático = MELHORES resultados em qualidade e satisfação; liberal = PIORES resultados (descontrole).
Questão 04 · Comentada
Enunciado. No modelo de Liderança Situacional de Hersey e Blanchard, qual é o estilo de liderança recomendado para um liderado de baixa maturidade (M1 - não tem competência técnica nem disposição psicológica para a tarefa)?
- A) S1 - Determinar (Telling): alto comportamento de tarefa e baixo de relacionamento.
- B) S2 - Persuadir (Selling): alto comportamento de tarefa e alto de relacionamento.
- C) S3 - Compartilhar (Participating): baixo comportamento de tarefa e alto de relacionamento.
- D) S4 - Delegar (Delegating): baixo comportamento de tarefa e baixo de relacionamento.
- E) Liberal: o líder retira-se totalmente da relação.
Gabarito: A
Prof. Affonsinho comenta
Sequência clássica: M1 → S1 Determinar; M2 → S2 Persuadir; M3 → S3 Compartilhar; M4 → S4 Delegar. Para liderado de baixa maturidade, é S1 Determinar.
- A CORRETA: M1 (não sabe + não quer) exige direção alta e clara, com pouco apoio emocional - S1 Determinar (Telling).
- B errada: S2 Persuadir é para M2 (não sabe + QUER) - alto em tarefa e em relacionamento (precisa explicar e apoiar).
- C errada: S3 Compartilhar é para M3 (sabe + inseguro) - baixo em tarefa, alto em relacionamento.
- D errada: S4 Delegar é para M4 (sabe + quer) - baixo em ambos, autonomia total. Delegar para alguém de baixa maturidade é desastre.
- E errada: 'Liberal' não é estilo do modelo de Hersey-Blanchard. Pertence a Lewin.
Tese central: Hersey-Blanchard: M1 → S1 Determinar (alta tarefa, baixo relacionamento). M2 → S2 Persuadir. M3 → S3 Compartilhar. M4 → S4 Delegar (baixo em ambos).
Questão 05 · Comentada
Enunciado. A respeito da liderança transformacional descrita por Bernard Bass, é correto afirmar:
- A) A liderança transformacional baseia-se na lógica da troca: o liderado entrega o desempenho prometido em troca da recompensa contingente.
- B) A liderança transformacional possui quatro dimensões (4 Is): Influência idealizada (carisma), Inspiração motivacional, Estimulação intelectual e Consideração individualizada.
- C) A liderança transformacional é incompatível com a liderança transacional, devendo um líder optar exclusivamente por uma delas.
- D) A liderança transformacional foca no controle de variáveis e na manutenção do status quo organizacional.
- E) A liderança transformacional descarta a importância do desenvolvimento individual dos liderados.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Bass (1985): 4 Is da transformacional. Distingue-se da transacional (lógica de troca, status quo).
- A errada: A descrição é da liderança TRANSACIONAL, não transformacional. Transacional = troca.
- B CORRETA: Os 4 Is da liderança transformacional segundo Bass: influência idealizada, inspiração motivacional, estimulação intelectual, consideração individualizada.
- C errada: Bass argumenta que líderes eficazes COMBINAM transformacional + transacional - não são excludentes.
- D errada: Manutenção do status quo é da TRANSACIONAL. Transformacional busca mudança.
- E errada: Consideração individualizada (cuidar do desenvolvimento de cada um) é uma das 4 dimensões. Transformacional VALORIZA o desenvolvimento individual.
Tese central: Liderança transformacional (Bass): 4 Is - Influência idealizada (carisma), Inspiração motivacional, Estimulação intelectual, Consideração individualizada. Distingue-se da transacional (troca, manutenção).
Questão 06 · Comentada
Enunciado. Sobre a hierarquia das necessidades de Maslow, julgue: As necessidades fisiológicas são consideradas necessidades secundárias na hierarquia de Maslow, pois decorrem da socialização e do aprendizado cultural ao longo da vida. (Certo / Errado)
Gabarito: Errado
Prof. Affonsinho comenta
Inversão clássica. Necessidades fisiológicas (comida, água, sono) são PRIMÁRIAS - estão na base da pirâmide e são inatas. SECUNDÁRIAS são sociais, estima e autorrealização (de crescimento).
- E ERRADO: Inversão. Maslow classifica fisiológicas e segurança como PRIMÁRIAS (de carência - inatas, ligadas à sobrevivência). Sociais, estima e autorrealização são SECUNDÁRIAS (de crescimento - adquiridas socialmente). Na pirâmide, fisiológicas são a BASE, não secundárias. Pegadinha clássica.
Tese central: Maslow - 5 níveis: PRIMÁRIAS (fisiológicas e segurança - base, inatas, de carência) e SECUNDÁRIAS (sociais, estima, autorrealização - de crescimento, sociais).
Questão 07 · Comentada
Enunciado. Sobre a Teoria Bifatorial de Frederick Herzberg, é correto afirmar:
- A) Herzberg propôs que satisfação e insatisfação são polos opostos de uma única dimensão.
- B) Salário, condições físicas, política da empresa e relacionamento com chefia são fatores motivacionais para Herzberg.
- C) Os fatores higiênicos, quando presentes, geram satisfação e motivação no trabalho.
- D) Os fatores higiênicos, quando ausentes ou inadequados, geram insatisfação; quando presentes em condições adequadas, eliminam a insatisfação, mas não geram motivação verdadeira. Os fatores motivacionais (conteúdo do trabalho) é que geram motivação intrínseca.
- E) Herzberg sustenta que dinheiro é o principal motivador no trabalho.
Gabarito: D
Prof. Affonsinho comenta
Insight central de Herzberg. Higiênicos evitam insatisfação. Motivacionais geram satisfação. São DIMENSÕES INDEPENDENTES, não polos opostos.
- A errada: Inversão completa. Para Herzberg, satisfação e insatisfação são DIMENSÕES INDEPENDENTES, não polos opostos.
- B errada: Esses são todos HIGIÊNICOS, não motivacionais. Motivacionais são conteúdo do trabalho (realização, reconhecimento, responsabilidade).
- C errada: Higiênicos NÃO geram satisfação. Eles apenas evitam insatisfação. Quem gera satisfação são os motivacionais.
- D CORRETA: Definição precisa. Higiênicos atuam só na dimensão da insatisfação (evitam ou geram). Motivacionais atuam na dimensão da satisfação. As duas são independentes.
- E errada: Para Herzberg, dinheiro é higiênico - evita insatisfação mas não motiva verdadeiramente. O que motiva é o conteúdo do trabalho.
Tese central: Herzberg (Bifatorial): higiênicos (extrínsecos - salário, condições, supervisão) evitam INSATISFAÇÃO; motivacionais (intrínsecos - realização, reconhecimento, conteúdo do trabalho) geram MOTIVAÇÃO. Dimensões independentes.
Questão 08 · Comentada
Enunciado. Considere a Teoria das Necessidades Adquiridas de David McClelland. Pessoas com alta necessidade de Realização (nAch - need for achievement) tendem a:
- A) Buscar relacionamentos próximos e harmonia interpessoal acima de tudo.
- B) Preferir tarefas com alto risco, sem feedback ou medição clara de resultado.
- C) Preferir tarefas com risco moderado, feedback claro e responsabilidade pessoal sobre o resultado.
- D) Buscar dominância sobre outros e exercer poder pessoal.
- E) Evitar qualquer tipo de meta ou desafio individual.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
McClelland: 3 necessidades (realização, afiliação, poder). Alta nAch tem perfil específico - risco moderado, feedback, responsabilidade pessoal.
- A errada: Esse é perfil de alta AFILIAÇÃO (nAff), não realização.
- B errada: Inversão parcial. Alta nAch prefere risco MODERADO (nem fácil demais, nem impossível) - é a chamada 'tarefa desafiadora'. E exige FEEDBACK CLARO.
- C CORRETA: Perfil clássico de alta nAch: tarefas desafiadoras de risco moderado, feedback rápido, responsabilidade pessoal pelo resultado. Empreendedores típicos têm alta nAch.
- D errada: Esse é perfil de alta nPow (poder), não realização.
- E errada: O contrário. Alta nAch BUSCA metas e desafios constantemente.
Tese central: McClelland (1961) - 3 necessidades aprendidas: REALIZAÇÃO (risco moderado, feedback, responsabilidade pessoal), AFILIAÇÃO (relações, harmonia), PODER (influência, controle). Coexistem em proporções diferentes.
Questão 09 · Comentada
Enunciado. Na Teoria da Expectativa de Vroom, a motivação é definida pela fórmula M = E × I × V. A respeito dessa teoria, julgue: Se um colaborador percebe que a recompensa oferecida pelo cumprimento de uma meta é, para ele, completamente irrelevante (valência igual a zero), sua motivação para buscar a meta também será zero - ainda que a expectativa e a instrumentalidade sejam altas. (Certo / Errado)
Gabarito: Certo
Prof. Affonsinho comenta
Como a fórmula é multiplicativa, qualquer fator zero zera o resultado. É a chave da teoria de Vroom: as três variáveis precisam ser positivas para haver motivação.
- C CERTO: Definição correta. M = E × I × V. Como é multiplicação, valência zero zera a motivação independentemente dos outros fatores. Implicação prática: o líder precisa não só garantir esforço-desempenho-recompensa (E e I), mas também identificar o que o liderado VALORIZA. Recompensa irrelevante para ele = sem efeito motivacional.
Tese central: Vroom: M = E × I × V (multiplicativa). Qualquer fator zero zera a motivação. Líder precisa atuar nas TRÊS dimensões: capacidade (E), regras de recompensa (I) e valor da recompensa para o liderado (V).
Questão 10 · Comentada
Enunciado. No modelo de gestão de conflitos de Thomas-Kilmann, o estilo caracterizado por alta assertividade (busca pelos próprios interesses) e alta cooperação (busca pelos interesses do outro) é chamado:
- A) Competir.
- B) Acomodar.
- C) Evitar.
- D) Colaborar.
- E) Conciliar (compromisso).
Gabarito: D
Prof. Affonsinho comenta
Thomas-Kilmann: 5 estilos cruzando assertividade x cooperação. Alta-Alta = colaborar (estilo win-win, ideal quando interesses são importantes para ambos).
- A errada: Competir = ALTA assertividade + BAIXA cooperação.
- B errada: Acomodar = BAIXA assertividade + ALTA cooperação.
- C errada: Evitar = BAIXA assertividade + BAIXA cooperação.
- D CORRETA: Colaborar = ALTA assertividade + ALTA cooperação. Estilo ideal quando interesses são importantes para ambos. Busca solução win-win.
- E errada: Conciliar (compromisso) = MÉDIA em ambas as dimensões. Solução parcial, compromisso.
Tese central: Thomas-Kilmann: 5 estilos. COMPETIR (alta assert + baixa coop). ACOMODAR (oposto). EVITAR (baixa nas duas). COLABORAR (alta nas duas - ideal win-win). CONCILIAR (média em ambas - compromisso).
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Aula 05 - Controle e Avaliação
Você sabe planejar, organizar e dirigir. Hora de fechar o ciclo: CONTROLAR. Próxima aula: o ciclo do controle (estabelecer padrões, monitorar, comparar, agir corretivamente), tipos de controle, indicadores, auditoria e avaliação de desempenho. Bora?




