Controle e Avaliação
a função que fecha o ciclo do PODC
A função C do PODC, em profundidade. Ciclo do controle (estabelecer padrões, monitorar, comparar, agir corretivamente), tipos (preventivo, concomitante, posterior; estratégico, tático, operacional), indicadores de desempenho (KPIs), avaliação organizacional (BSC, Six Sigma, MEG/FNQ), avaliação de pessoas (360°, traços, comportamentos, resultados), auditoria, COSO, e controle no setor público brasileiro (CF Arts. 70-75, TCU, CGU, controladorias, controle social, LAI, LRF, Lei 14.133/2021).
Sumário
Oito módulos sobre a função que fecha o ciclo do PODC. Conceito de controle, ciclo de quatro fases, tipologia, indicadores, avaliação organizacional, avaliação de pessoas, auditoria e controle no setor público.
- p. 04A função C e o conceito de controleVerificar realizado x previsto e agir corretivamente
- p. 06Ciclo do controle (4 fases)Padrões, monitorar, comparar, agir corretivamente
- p. 09Tipos de controlePreventivo/concomitante/posterior; estratégico/tático/operacional; finalidade
- p. 12Indicadores de desempenho (KPIs)Eficiência, eficácia, efetividade, economicidade; SMART
- p. 15Avaliação organizacionalBSC, Six Sigma, MEG/FNQ, benchmarking
- p. 18Avaliação de desempenho individual360°, traços, comportamentos, resultados
- p. 21Auditoria e controles internos (COSO)3 linhas de defesa, gestão de riscos, COSO ERM
- p. 24Controle no setor público brasileiroCF Arts. 70-75, TCU, CGU, controle social, LAI, LRF
- p. 27Mapa mental e revisãoA aula inteira em uma página
- p. 29Questões comentadas10 questões nos pontos campeões
O que você vai aprender
Função C do PODC. Verificação se a execução está alinhada com o planejado e aplicação de correções. Não é só fiscalizar - é monitorar, comparar e corrigir, fechando o ciclo do PODC e realimentando o planejamento.
(1) ESTABELECER PADRÕES (KPIs, metas); (2) MONITORAR DESEMPENHO (coletar dados); (3) COMPARAR realizado x previsto, identificando desvios; (4) AGIR CORRETIVAMENTE (ajustar plano, processo ou pessoas).
Por TEMPO: preventivo (a priori, antes da execução), concomitante (em tempo real, durante), posterior (a posteriori, depois). Por NÍVEL: estratégico, tático, operacional. Por FINALIDADE: financeiro, operacional, qualidade, gestão de pessoas.
Specific, Measurable, Attainable, Relevant, Time-bound. Tipos: insumo (input), processo, produto (output), resultado (outcome), impacto. Critérios: eficiência, eficácia, efetividade, economicidade.
BSC (Kaplan-Norton): 4 perspectivas em causa-efeito. SIX SIGMA: 3,4 defeitos por milhão; metodologia DMAIC. MEG (FNQ): Modelo de Excelência da Gestão; 8 fundamentos.
Múltiplas fontes de feedback: superior, pares, subordinados, cliente, autoavaliação. Tipos: por traços, por comportamentos (BARS), por resultados (APO). Cobrança recorrente em prova de RH.
COSO (1992 - controles internos; 2004/2017 - ERM - gestão integrada de riscos). 3 LINHAS DE DEFESA (IIA): 1ª gestão operacional, 2ª funções de risco/conformidade, 3ª auditoria interna independente. Aplicado pela Lei 14.133/2021.
CF Arts. 70-75: controle EXTERNO (Congresso + TCU/TCEs) + INTERNO (cada Poder); CONTROLE SOCIAL (CF Art. 5º LXXIII; LAI Lei 12.527/2011; Portal da Transparência; Lei 13.460/2017 - serviços ao usuário). LRF (LC 101/2000). Decreto 9.203/2017 (governança).
Dica do Fuffu
Os pontos mais cobrados desta aula são: (1) as 4 fases do ciclo na ordem certa; (2) tipos de controle por tempo; (3) eficiência/eficácia/efetividade (já vimos); (4) controle externo x interno do setor público; (5) o papel do TCU. Domina esses cinco e mata 70% das questões.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 A função C e o conceito de controle
Depois de planejar, organizar e dirigir, a função Controle fecha o ciclo do PODC. É a função que realimenta as outras três: o resultado do controle volta ao planejamento e gera correções de rota, ajustes de estrutura, mudança de pessoas ou de objetivos. Sem controle, a organização anda às cegas.
Conceito
Definição clássica de Henri Fayol (1916): "Controlar consiste em verificar se tudo ocorre em conformidade com o plano adotado, com as instruções dadas e com os princípios estabelecidos." O objetivo do controle é identificar erros e desvios para corrigi-los e impedir sua repetição.
Definição moderna de Chiavenato: "Controle é o processo administrativo que estabelece padrões de desempenho, mede o desempenho atual, compara o desempenho atual com os padrões estabelecidos e toma ações corretivas para corrigir desvios."
Controle ≠ fiscalização
Atenção a uma distinção que cai em prova: controle não é apenas fiscalização. Controle gerencial inclui:
- Estabelecer padrões (proativo).
- Monitorar desempenho (presencial, contínuo).
- Comparar realizado x previsto (analítico).
- Agir corretivamente (decisório).
Fiscalização é apenas a parte de monitorar e comparar - sem necessariamente agir corretivamente. Controle gerencial vai além.
Por que controlar?
Cinco razões clássicas:
- Detectar desvios: nem tudo o que se planejou se realiza como esperado.
- Corrigir o curso: ajustar a tempo, antes que o desvio cause dano.
- Identificar oportunidades: o desvio pode ser positivo (superação) ou indicar tendência.
- Prestar contas: cidadãos, acionistas, conselhos exigem accountability.
- Aprender: o que aconteceu (e por quê) realimenta o próximo ciclo.
Princípios do controle (Maximiano e Chiavenato)
- Garantia de objetivos: o controle existe para servir aos objetivos, não para gerar burocracia.
- Definição dos padrões: o que será medido precisa estar claro - sem padrão, não há comparação.
- Exceção: o gestor não monitora tudo - foca em desvios significativos (princípio da exceção, de Taylor).
- Ação corretiva: identificar desvio sem agir = perda de tempo. O controle só é completo com a correção.
- Velocidade: o controle precisa chegar a tempo de orientar a ação.
- Eficiência do controle: o custo do controle não pode ser maior que o benefício gerado.
- Adequação: o tipo de controle escolhido deve ser apropriado ao tipo de atividade controlada.
Controle e as outras funções do PODC
O controle se conecta com:
- Planejamento: o plano define os padrões; os desvios alimentam novo plano.
- Organização: a estrutura precisa ter pontos claros de controle - quem controla o quê.
- Direção: o líder dá feedback baseado em controle (avaliação de desempenho).
Sem o controle, o ciclo não fecha. Sem ciclo fechado, o aprendizado organizacional é frágil.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 Ciclo do controle - 4 fases
Toda banca cobra esta sequência. Decora as 4 fases na ordem exata: 1. Padrões → 2. Monitorar → 3. Comparar → 4. Agir corretivamente. Pular ou inverter etapas é pegadinha clássica.
Fase 1: Estabelecer padrões
O padrão é o nível esperado de desempenho. Pode ser numérico ("100 unidades por hora"), qualitativo ("zero reclamações de cliente") ou comportamental ("respeitar o código de ética"). Bons padrões:
- Específicos (claros, sem ambiguidade).
- Mensuráveis (com indicador definido).
- Realistas (atingíveis com esforço).
- Definidos no tempo (com prazo).
- Comunicados (todo mundo sabe qual é o padrão).
Padrão geralmente é definido na fase de Planejamento - é o ponto onde Planejamento e Controle se conectam.
Fase 2: Monitorar / Mensurar desempenho
Coletar dados sobre o que está acontecendo. Pode ser:
- Observação direta: gestor visita o local, observa o trabalho.
- Relatórios: produção, vendas, qualidade, financeiros.
- Sistemas automatizados: ERP, CRM, dashboards em tempo real.
- Inspeções e auditorias: verificações pontuais aprofundadas.
- Pesquisas: satisfação de cliente, clima organizacional.
Princípio da exceção (Taylor): o gestor não consegue olhar tudo, então foca os desvios significativos. Bons sistemas de controle alertam o gestor só quando algo importante está fora do padrão.
Fase 3: Comparar (analisar desvios)
Confronta o realizado com o previsto. Resultado: identificação de desvios, suas causas e magnitude.
Tipos de desvio:
- Desvio positivo (favorável): realizado melhor que o esperado. Investiga causa para replicar.
- Desvio negativo (desfavorável): realizado pior que o esperado. Exige correção.
- Desvio aceitável (dentro da tolerância): variação dentro de uma faixa pré-definida. Não exige ação.
- Desvio significativo: variação que ultrapassa a tolerância. Exige ação.
Análise de causa-raiz é uma técnica recorrente nesta fase. Ferramentas:
- 5 Porquês (Toyota): pergunte "por quê?" cinco vezes para chegar à causa fundamental.
- Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe): organiza causas em 6 categorias - método, máquina, material, mão-de-obra, meio ambiente, medição (6Ms).
- Diagrama de Pareto: princípio 80/20. 20% das causas geram 80% dos problemas.
- FMEA (Failure Mode and Effects Analysis): análise de modos e efeitos de falhas, mais sofisticada.
Fase 4: Agir corretivamente
Aqui o controle deixa de ser observação e vira ação. Tipos de ação corretiva:
- Corrigir o desempenho: melhorar treinamento, mudar método, alocar mais recursos.
- Corrigir o padrão: o padrão estava irrealista. Ajustar.
- Corrigir o plano: o plano subjacente precisa ser revisto. Replanejar.
- Não agir (controle negativo): se o desvio for aceitável ou se a correção custar mais que o problema, não age.
A regra de ouro do controle: identificar desvio sem agir = perda total. O ciclo do controle só fecha com correção efetiva.
PDCA - o ciclo do controle como ciclo de melhoria
O ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), de Walter Shewhart e Edwards Deming, é uma extensão do ciclo do controle aplicada à melhoria contínua. Não confundir com PODC (funções administrativas).
- P (Plan): planejar - definir objetivos e como alcançá-los.
- D (Do): executar o plano.
- C (Check): verificar resultados (= fase 3 do ciclo do controle).
- A (Act): agir - padronizar o que funcionou ou corrigir o que não funcionou (= fase 4).
PDCA é circular: termina o ciclo, recomeça em P, num espiral ascendente de melhoria. A ideia central de Deming: nenhum processo é estático - todos podem (e devem) melhorar continuamente.
Variantes do PDCA
- SDCA (Standardize-Do-Check-Act): variante focada em estabilização, antes de melhorar. Padroniza, executa, verifica, ajusta.
- PDSA (Plan-Do-Study-Act): variante onde "Check" virou "Study" para enfatizar análise mais profunda.
- OPDCA: acrescenta "Observe" (observar) antes de planejar - associado a Lean.
Alerta do Examinador
Pegadinha clássica: trocar PODC por PDCA. PODC = funções administrativas (Planejar, Organizar, Dirigir, Controlar). PDCA = ciclo de melhoria contínua de qualidade (Plan, Do, Check, Act). PDCA está DENTRO do controle (e do planejamento) - não é função administrativa. Se a banca pedir "funções administrativas", é PODC. Se pedir "ciclo de melhoria", é PDCA.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 Tipos de controle
O controle se classifica por três critérios principais: tempo, nível e finalidade. Decora as três tipologias - cada uma cai em prova.
1. Por momento da aplicação (tempo)
| Tipo | Quando ocorre | Função | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Preventivo (a priori, prévio) | ANTES da execução | Evitar desvios antes que aconteçam | Aprovação prévia de orçamento; pré-empenho na Adm Pública; verificação de qualidade no recebimento; due diligence em contratação |
| Concomitante (em tempo real, simultâneo) | DURANTE a execução | Monitorar e ajustar enquanto a ação acontece | Supervisão direta; dashboards em tempo real; controles de produção em linha; SCADA industrial |
| Posterior (a posteriori, corretivo, feedback) | DEPOIS da execução | Comparar realizado x previsto, aprender, corrigir o futuro | Auditoria contábil; balanço anual; relatório de desempenho; tomada de contas; pós-mortem de projeto |
Os três tipos coexistem em qualquer organização. Dominantemente:
- Setor público brasileiro: alto controle preventivo (legalidade prévia) - característica burocrática.
- Manufatura moderna: forte controle concomitante (Six Sigma, qualidade em linha).
- Auditoria e relatórios financeiros: controle posterior.
Em prova: a banca adora confundir os termos "preventivo" e "concomitante". Preventivo é antes da ação. Concomitante é durante. Posterior é depois.
2. Por nível hierárquico
Robert Anthony, em Planning and Control Systems (1965), classificou o controle gerencial em três níveis, paralelos aos níveis de planejamento (estratégico, tático, operacional):
| Nível | Foco | Horizonte | Exemplos típicos |
|---|---|---|---|
| Estratégico | Cumprimento da missão e objetivos estratégicos | Longo prazo (3-10 anos) | Mapa estratégico, BSC corporativo, indicadores de market share |
| Tático (gerencial) | Cumprimento de metas das áreas funcionais | Médio prazo (1-3 anos) | Orçamento por área, KPIs departamentais, controles de gestão |
| Operacional | Cumprimento de tarefas e processos diários | Curto prazo (dias a 1 ano) | Cartões de controle de produção, controle de estoque, controle de presença |
3. Por finalidade
Tipologia mais variada e mais sutil:
- Controle financeiro: orçamento, fluxo de caixa, contas a pagar/receber, demonstrações financeiras.
- Controle de produção: volumes, prazos, qualidade na linha de produção.
- Controle de qualidade: aderência a especificações, defeitos, satisfação do cliente.
- Controle de estoques: níveis, giro, perdas, ruptura.
- Controle de gestão de pessoas: avaliação de desempenho, frequência, turnover, clima.
- Controle de marketing/vendas: market share, NPS, taxa de conversão, ticket médio.
- Controle de TI: disponibilidade, segurança, performance, SLAs.
- Controle de conformidade (compliance): aderência a leis, regulamentos, normas internas.
Outras classificações
Algumas bancas trazem variações menos comuns - vale conhecer:
- Controle direto vs indireto: direto é fiscalização presencial; indireto é por relatórios e indicadores.
- Controle formal vs informal: formal segue regras escritas; informal vem da cultura, normas sociais e valores.
- Controle interno vs externo: interno é exercido pela própria organização; externo é exercido por terceiros (no setor público, esta classificação é a mais cobrada - veremos no Módulo 8).
- Controle preventivo, detectivo e corretivo (versão de COSO): preventivo (impede desvio), detectivo (identifica desvio que ocorreu), corretivo (corrige depois de detectar).
Controle estratégico - aprofundamento
O controle estratégico merece destaque. É o controle que verifica se a organização está cumprindo sua estratégia geral. Características:
- Foco em missão, visão e objetivos estratégicos.
- Indicadores típicos: market share, posição competitiva, ROI, valor para o acionista, IDH (no setor público).
- Ferramentas: BSC, mapas estratégicos, análise SWOT periódica.
- Periodicidade: revisão trimestral ou anual.
- Decisor: alta administração, conselho.
Atenção especial: o controle estratégico tem caráter preventivo (em parte) - antecipa mudanças no ambiente que podem exigir reformulação da estratégia. Não é só controle posterior.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 Indicadores de desempenho (KPIs)
Sem indicador, não há controle. Indicador é a variável que se mede para acompanhar o desempenho. KPI (Key Performance Indicator) é o indicador chave - aquele realmente decisivo para a estratégia.
Critérios de um bom indicador
Já vimos na aula 02. Repasso aqui pelo TCU/IBGC:
- Validade: mede o que se pretende medir.
- Confiabilidade: produz o mesmo resultado em medições repetidas.
- Sensibilidade: detecta variações relevantes.
- Comparabilidade: permite comparação no tempo e entre unidades.
- Simplicidade: fácil de entender, calcular e comunicar.
- Economicidade: o custo de medir é menor que o benefício gerado.
- Disponibilidade dos dados: a informação para construí-lo existe e é acessível.
- Tempestividade: chega a tempo de orientar decisão.
Tipos de indicador (cadeia de valor)
| Tipo | O que mede | Exemplo (saúde pública) |
|---|---|---|
| De insumo (input) | Recursos consumidos | Orçamento aplicado, número de médicos contratados |
| De processo | Atividades em execução | Tempo de espera médio, % de prontuários eletrônicos preenchidos |
| De produto (output) | Entregas realizadas | Número de consultas realizadas, pacientes vacinados |
| De resultado (outcome) | Efeito sobre o público | Cobertura vacinal, taxa de cura |
| De impacto | Transformação na realidade | Mortalidade infantil, IDH local, expectativa de vida |
Indicadores por critério de desempenho
Conexão com a aula 01 (eficiência, eficácia, efetividade):
| Critério | O que mede | Indicadores típicos |
|---|---|---|
| Eficiência | Recursos x produtos (meio) | Custo unitário, produtividade, taxa de utilização da capacidade, retrabalho |
| Eficácia | Alcance da meta (resultado) | % de metas atingidas, cobertura, índice de cumprimento de prazo |
| Efetividade | Impacto (transformação) | Mudanças socioeconômicas, satisfação do beneficiário, IDH |
| Economicidade | Custo x benefício | Preço pago vs preço de mercado, economia em licitações, redução de custo unitário |
| Equidade | Distribuição justa | Acesso por região, distribuição entre grupos vulneráveis |
| Qualidade | Aderência a especificações + satisfação | Taxa de defeitos, NPS, taxa de devolução, retrabalho |
Indicadores leading vs lagging
Distinção popularizada por Kaplan-Norton e usada em BSC:
- Leading (antecedentes / driver): indicam o que vai acontecer. Antecipam resultado. Exemplo: número de leads (antecede vendas), horas de treinamento (antecede produtividade futura).
- Lagging (resultantes / outcome): indicam o que já aconteceu. Confirmam resultado. Exemplo: faturamento, lucro, satisfação do cliente realizada.
Sistema de gestão balanceado precisa dos dois: leading orienta ação preventiva; lagging valida o resultado final.
SMART e indicadores
Já vimos na aula 02 - bons indicadores derivam de bons objetivos SMART (Specific, Measurable, Attainable, Relevant, Time-bound). Indicador sem objetivo bem formulado = controle sem direção.
Painéis de controle (dashboards)
Painéis (dashboards) consolidam indicadores em uma visão única. Boas práticas:
- Hierarquia: 5-7 indicadores principais por painel; mais que isso vira ruído.
- Visualização: gráficos, semáforos, gauges - dados visualizados batem texto puro.
- Periodicidade: tempo real, diário, semanal, mensal - conforme o nível.
- Drill-down: clicar em um indicador-resumo para ver detalhamento.
- Tendência: ver evolução no tempo, não só ponto isolado.
- Comparação: realizado x previsto x histórico x benchmark.
Erros comuns no uso de indicadores
- Excesso de indicadores: 50 KPIs num painel = ninguém olha. Foque em 5-7 que importam.
- Indicador sem dono: ninguém é responsável pelo resultado.
- Goodhart's Law: "quando uma métrica vira meta, deixa de ser uma boa métrica" - pessoas otimizam o indicador, não o resultado real.
- Gaming the metric: manipular dados ou processo para parecer bem no indicador.
- Indicador desatualizado: continuar medindo o que não importa mais.
- Sem ação: indicador desfavorável sem providência - controle sem fechamento.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Pergunta clássica: "indicadores de impacto são mais imediatos que indicadores de produto?". Errado. Indicadores de impacto são os mais lentos - exigem tempo para a transformação social acontecer. Os mais imediatos são os de insumo e processo. A cadeia: insumo → processo → produto (output) → resultado (outcome) → impacto. O impacto é o último e mais lento.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Avaliação organizacional - BSC, Six Sigma, MEG
Da medição de indicadores isolados, evolui-se para sistemas integrados de avaliação organizacional. Quatro abordagens centrais.
1. Balanced Scorecard (BSC)
Já estudado na aula 02. Reforço aqui o uso como ferramenta de controle estratégico. Kaplan-Norton (HBR 1992) propuseram 4 perspectivas que se controlam em conjunto, em hierarquia de causa-efeito (de baixo para cima):
- Aprendizado e crescimento (base).
- Processos internos.
- Clientes.
- Financeira (topo, no setor privado; cidadão/sociedade no setor público).
O BSC é controle: define padrões (objetivos), mede (KPIs), compara (com metas), age (revê estratégia). É também sistema de gestão estratégica.
2. Six Sigma
Metodologia de qualidade desenvolvida pela Motorola (1986) e disseminada pela GE com Jack Welch (1995). Meta absurdamente exigente: 3,4 defeitos por milhão de oportunidades (DPMO) - "qualidade Six Sigma" é 99,99966% de perfeição.
Metodologia DMAIC para projetos de melhoria:
- D - Define (Definir): o problema, o objetivo, o escopo.
- M - Measure (Medir): a situação atual, indicadores, capacidade do processo.
- A - Analyze (Analisar): causas-raiz dos defeitos.
- I - Improve (Melhorar): implementar soluções.
- C - Control (Controlar): institucionalizar a melhoria.
Variante: DMADV (Define-Measure-Analyze-Design-Verify) para criar processos novos. Six Sigma usa papéis especializados: Champions, Master Black Belts, Black Belts, Green Belts, Yellow Belts (do mais especializado ao menos).
3. Modelo de Excelência da Gestão (MEG / FNQ)
O Brasil tem seu próprio modelo de avaliação organizacional, criado pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). O MEG é referência para o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ). Aplica-se também ao setor público (com adaptações).
O MEG atual (após revisões) opera com 8 fundamentos da excelência:
- Pensamento sistêmico: ver a organização como sistema.
- Aprendizado organizacional e inovação.
- Liderança transformadora.
- Compromisso com partes interessadas.
- Adaptabilidade: agilidade em ambiente em mudança.
- Desenvolvimento sustentável: resultado econômico + social + ambiental.
- Orientação por processos.
- Geração de valor: para todas as partes interessadas.
O MEG não é só checklist - é instrumento de autoavaliação com pontuação de 0 a 1000 pontos. Organizações se avaliam (e podem ser avaliadas externamente) para identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria.
4. Benchmarking
Conceito popularizado por Robert Camp em Benchmarking (1989). Comparação sistemática do desempenho da organização com:
- Benchmarking interno: comparação entre unidades da mesma organização.
- Benchmarking competitivo: comparação com concorrentes diretos.
- Benchmarking funcional: comparação com líderes em uma função específica (mesmo de setores diferentes).
- Benchmarking genérico: comparação com práticas de excelência amplamente adotadas.
Benchmarking como ferramenta de controle: define-se como padrão o desempenho do líder (interno, competitivo ou funcional) e mede-se o gap a fechar.
Outras ferramentas de avaliação organizacional
- EFQM Excellence Model: equivalente europeu do MEG. Usado em centenas de empresas e órgãos públicos europeus.
- Malcolm Baldrige (EUA): referência americana de excelência da gestão.
- ISO 9001: norma internacional de sistema de gestão da qualidade. Mais focada em conformidade.
- Lean Management: foco em eliminação de desperdícios (mudas), valor para o cliente, fluxo contínuo. Origem na Toyota (TPS).
- TQM (Total Quality Management): gestão da qualidade total. Filosofia abrangente.
- Maturidade de processos (CMMI, BPMM): avaliação por nível de maturidade do processo (1-Inicial, 2-Gerenciado, 3-Definido, 4-Quantitativamente Gerenciado, 5-Otimizado).
Tabela síntese das abordagens de avaliação organizacional
| Abordagem | Origem | Foco |
|---|---|---|
| BSC | Kaplan-Norton (HBR 1992) | Estratégia em 4 perspectivas + causa-efeito |
| Six Sigma | Motorola (1986); GE (1995) | Qualidade extrema, redução de defeitos (DMAIC) |
| MEG / FNQ | Fundação Nacional da Qualidade (Brasil) | Excelência da gestão; 8 fundamentos |
| Benchmarking | Robert Camp (1989, Xerox) | Comparação com referências |
| EFQM | Europa | Equivalente europeu do MEG |
| Lean | Toyota (TPS) | Eliminação de desperdício, fluxo |
| ISO 9001 | ISO (internacional) | Sistema de gestão da qualidade certificável |
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 Avaliação de desempenho individual
Controle aplicado a pessoas. A avaliação de desempenho é um dos processos centrais de RH e instrumento essencial para o gestor identificar quem está performando, quem precisa de apoio, e tomar decisões de desenvolvimento, promoção e remuneração.
Para que serve a avaliação de desempenho
- Feedback ao colaborador: orienta autodesenvolvimento.
- Identificar gaps: o que precisa ser desenvolvido (treinamento).
- Decisões de promoção e movimentação: quem está pronto para o próximo passo.
- Remuneração variável: bônus, PLR, mérito.
- Documentação para decisões disciplinares: incluindo desligamento.
- Validar processos seletivos: quem foi bem na seleção performa bem?
- Cumprir obrigações legais: no setor público, avaliação periódica é obrigatória (Lei 8.112, Decreto 9.991/2019).
Métodos de avaliação - 3 grandes famílias
Stephen Robbins classifica em três famílias - decora os três:
- Por traços (personalidade/atributos): avalia o que a pessoa é. Ex.: liderança, iniciativa, comprometimento. Subjetivo.
- Por comportamentos: avalia o que a pessoa faz. Ex.: usa EPI, atende cliente educadamente, entrega no prazo. Mais objetivo.
- Por resultados: avalia o que a pessoa entrega. Ex.: vendas realizadas, projetos concluídos, KPIs atingidos. Mais objetivo ainda.
Métodos modernos costumam combinar comportamentos (como faz o trabalho) e resultados (o que entrega). Avaliação só por traços é considerada frágil hoje.
Métodos clássicos de avaliação
| Método | Característica | Limitação |
|---|---|---|
| Escalas gráficas | Lista de fatores avaliados em escala (1-5, ruim-ótimo) | Subjetivo, efeito halo |
| Escolha forçada | Avaliador escolhe uma frase entre alternativas pré-definidas | Reduz vieses, mas é trabalhoso |
| Pesquisa de campo | RH conduz entrevista com o gestor sobre cada subordinado | Caro e demorado |
| Incidentes críticos | Anota episódios excepcionalmente bons ou ruins ao longo do período | Foco em extremos, ignora desempenho médio |
| BARS (Behaviorally Anchored Rating Scales) | Escalas com âncoras comportamentais específicas | Difícil de construir, mas mais objetivo |
| APO (Avaliação por objetivos) | Avalia o cumprimento de metas pré-acordadas (Drucker) | Foco só em resultado, pode incentivar comportamento errado |
| Avaliação 360° | Múltiplas fontes (superior, pares, subordinados, cliente, autoavaliação) | Caro, complexo, exige cultura madura |
Avaliação 360° - aprofundamento
Método mais cobrado em prova. Originada nos EUA nos anos 1990. Coleta feedback de múltiplas fontes:
- Autoavaliação: o próprio avaliado.
- Superior imediato (90°): o chefe direto.
- Pares (180°): colegas do mesmo nível.
- Subordinados (270°): pessoas que se reportam ao avaliado.
- Clientes internos e/ou externos (360°): pessoas atendidas pelo avaliado.
Variantes: 180° (autoavaliação + chefe + pares); 270° (acima + subordinados); 360° puro (todas as fontes); 540° (ainda inclui fornecedores e família, raríssimo).
Vieses e erros na avaliação
A avaliação humana é cheia de vieses cognitivos. Os mais cobrados em prova:
- Efeito halo: avaliador deixa uma impressão geral (boa ou má) contaminar todos os fatores. "Ele é simpático, então deve ser produtivo também."
- Tendência central: avaliador evita extremos e dá notas medianas para todos.
- Leniência: avaliador é generoso, dá notas altas para todos.
- Severidade (rigor): avaliador é duro, dá notas baixas para todos.
- Recência: episódios recentes pesam mais que o desempenho do período inteiro.
- Estereótipo: avaliação influenciada por atributos como gênero, idade, raça, formação.
- Projeção: avaliador projeta seus próprios traços no avaliado.
- Erro de contraste: avaliador compara avaliado com outro recém-avaliado, em vez de com o padrão.
- Erro de similaridade: avaliador favorece quem é parecido com ele.
- Erro de primeira impressão: opinião formada cedo dificulta atualização.
Boas práticas para reduzir vieses: treinamento de avaliadores, múltiplas fontes, padrões claros, acompanhamento periódico (não anual apenas), avaliação dupla (calibração).
Avaliação no setor público
No setor público brasileiro, a avaliação de desempenho é obrigatória e regulamentada. Marcos:
- CF Art. 41 §1º III: servidor estável só perde o cargo por avaliação periódica de desempenho insatisfatória, com ampla defesa.
- Lei 8.112/1990: estabelece avaliação como instrumento.
- Decreto 9.991/2019 (PNDP): Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas - avaliação por competências.
- Programa de Gestão de Desempenho (PGD): gestão por entregas no teletrabalho (IN 65/2020).
- Avaliação de Estágio Probatório: 3 anos para nomeação efetiva.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Auditoria e controles internos (COSO)
Controle interno é o conjunto de regras, processos e atividades que dão razoável segurança de que os objetivos serão atingidos. Auditoria é a função que verifica se esses controles funcionam.
COSO - referência mundial em controle interno
O COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission) é uma organização privada americana que publicou os frameworks mais influentes do mundo em controle interno e gestão de riscos:
- COSO Internal Control - Integrated Framework (1992, atualizado em 2013): framework de controle interno. Cubo de 3 dimensões.
- COSO ERM (Enterprise Risk Management): gestão integrada de riscos. Lançado em 2004; atualizado em 2017 como ERM-Integrated Framework: Aligning Risk with Strategy and Performance.
Os 5 componentes do controle interno (COSO 2013)
Cinco componentes interconectados, cada um com princípios. Cobrança certa em prova:
- Ambiente de controle: cultura, valores, integridade, tom da liderança.
- Avaliação de riscos: identificação e análise dos riscos que ameaçam objetivos.
- Atividades de controle: políticas e procedimentos para mitigar riscos (autorizações, segregação de funções, conciliações, controles de TI).
- Informação e comunicação: canais para que a informação relevante chegue às pessoas certas em tempo.
- Atividades de monitoramento: avaliações contínuas e periódicas dos controles.
Mnemônico: AAAIM (Ambiente, Avaliação, Atividades, Informação, Monitoramento).
As 3 linhas de defesa (Three Lines of Defense - IIA)
Modelo do Institute of Internal Auditors (IIA), complementar ao COSO. Define a divisão de responsabilidades entre quem opera, quem supervisiona e quem audita. Recepcionado pela Lei 14.133/2021 (nova Lei de Licitações) no setor público brasileiro:
| Linha | Quem é | Função |
|---|---|---|
| 1ª linha | Gestão operacional | Quem executa o processo. Responsável direto pelos riscos e pelos controles do dia a dia. |
| 2ª linha | Funções de risco e conformidade (compliance, controladoria, gestão de riscos, jurídico, segurança da informação) | Define políticas, supervisiona controles, dá suporte à 1ª linha. Não opera, mas ajuda a operar com segurança. |
| 3ª linha | Auditoria interna independente | Avalia objetivamente a eficácia das 1ª e 2ª linhas. Reporta ao mais alto nível (conselho/auditoria). |
Há ainda elementos externos:
- Órgãos de controle externo (TCU, TCEs, auditoria externa independente): fora das 3 linhas, atuam como verificação independente externa.
- Alta administração e conselho: instâncias de governança que exercem supervisão geral.
O modelo foi atualizado em 2020 pelo IIA para "Three Lines Model", com mais ênfase em colaboração e governança - mas a versão "3 linhas de defesa" ainda é a mais cobrada em provas brasileiras.
Tipos de auditoria
- Auditoria interna: realizada por equipe da própria organização (ou contratada com mandato interno). Foco em melhoria.
- Auditoria externa: realizada por auditor independente. Foco em validar demonstrações financeiras e dar opinião.
- Auditoria de conformidade (legalidade): verifica se atende a leis e normas.
- Auditoria operacional (de gestão): avalia eficiência e eficácia dos processos.
- Auditoria contábil: foca demonstrações financeiras.
- Auditoria de TI: foca controles de tecnologia da informação.
- Auditoria forense: investiga fraudes e desvios.
COSO ERM (gestão de riscos)
O COSO ERM (atualizado em 2017) integra gestão de riscos à estratégia. Princípios em 5 componentes:
- Governança e cultura.
- Estratégia e definição de objetivos.
- Performance (identificação, avaliação e priorização de riscos).
- Revisão e aprimoramento.
- Informação, comunicação e divulgação.
Categorias de risco usadas no ERM:
- Estratégicos: ameaças à estratégia e missão.
- Operacionais: ameaças aos processos do dia a dia.
- Financeiros: ameaças à saúde financeira.
- Conformidade (compliance): ameaças por não cumprimento de leis e regulamentos.
- Reputacionais: ameaças à imagem e marca.
- Tecnológicos / cibernéticos: ameaças por falhas de TI ou ataques.
Tratamento dos riscos: aceitar (assumir o risco - apetite), evitar (eliminar a atividade), mitigar (reduzir probabilidade ou impacto), transferir (seguro, terceirização).
Auditoria no setor público brasileiro
- CGU (Controladoria-Geral da União): órgão central de controle interno do Executivo Federal. Auditoria, ouvidoria, transparência, anticorrupção.
- SFC (Secretaria Federal de Controle): braço de auditoria da CGU.
- IN CGU 03/2017: framework de auditoria interna.
- Lei 14.133/2021 Art. 169: institui as 3 linhas de defesa nas licitações e contratações públicas.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 Controle no setor público brasileiro
O setor público tem moldura constitucional explícita para o controle. CF Arts. 70-75. Controles externo e interno coexistem e se complementam.
Controle externo (CF Art. 70)
Exercido pelo Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas. Critérios constitucionais (CF Art. 70 caput):
- Legalidade: aderência à lei.
- Legitimidade: aderência ao interesse público (vai além da legalidade estrita).
- Economicidade: relação custo-benefício adequada.
- Aplicação das subvenções e renúncia de receitas: também são objeto de controle externo.
O TCU julga as contas dos administradores públicos federais, fiscaliza despesas, aplica sanções, e ainda emite parecer prévio sobre as contas anuais do Presidente da República (julgadas pelo Congresso Nacional - CF Art. 71 I, II).
Controle interno (CF Art. 74)
Exercido por cada um dos Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário). Finalidades constitucionais:
- Avaliar o cumprimento das metas do PPA, dos programas de governo e dos orçamentos.
- Comprovar a legalidade e avaliar os resultados (eficácia, eficiência) da gestão orçamentária, financeira e patrimonial.
- Exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias.
- Apoiar o controle externo no exercício da sua missão.
Órgãos típicos: CGU (federal), Controladorias estaduais e municipais, Auditorias Internas em cada entidade.
Controle social (controle pela sociedade)
A CF/88 introduziu múltiplos canais para o cidadão controlar a Administração Pública. Os principais:
- Direito de petição (CF Art. 5º XXXIV): a qualquer cidadão.
- Ação popular (CF Art. 5º LXXIII; Lei 4.717/1965): qualquer cidadão pode propor para anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente, ao patrimônio cultural.
- Lei de Acesso à Informação - LAI (Lei 12.527/2011): direito de acesso a informações públicas; transparência ativa e passiva; prazo padrão de 20 dias para resposta.
- Lei 13.460/2017: defesa do usuário do serviço público; obrigatoriedade de Carta de Serviços; ouvidorias.
- Portal da Transparência: divulgação ativa de despesas, contratos, servidores.
- Conselhos de políticas públicas: saúde, educação, assistência social - participação da sociedade na fiscalização.
- Audiências públicas: para debater leis, planos, projetos.
Controle social complementa os controles externo e interno - não substitui. Mas é fundamental para legitimar a administração e prevenir abusos.
Os 4 tipos de controle administrativo no setor público
Síntese clássica (Hely Lopes Meirelles, Maria Sylvia Di Pietro):
| Critério | Tipos |
|---|---|
| Quanto ao MOMENTO | Prévio, concomitante, posterior (subsequente) |
| Quanto à AMPLITUDE | De legalidade (legalidade estrita) e de mérito (oportunidade e conveniência) |
| Quanto ao ÓRGÃO QUE EXERCE | Administrativo (interno), legislativo (externo), judicial |
| Quanto à POSIÇÃO DO ÓRGÃO | Interno (próprio Poder) ou externo (outro Poder ou sociedade) |
Marcos legais centrais do controle público
- CF/88 Arts. 70-75: controle externo e interno.
- Lei 8.443/1992: Lei Orgânica do TCU.
- LC 101/2000 (LRF): responsabilidade fiscal - controle do gasto público, limites de despesa com pessoal e dívida.
- Lei 12.527/2011 (LAI): acesso à informação.
- Lei 12.846/2013 (Lei Anticorrupção / Lei da Empresa Limpa): responsabilidade administrativa e civil de pessoas jurídicas por atos contra a administração pública.
- Decreto 9.203/2017: governança da administração pública federal - 3 mecanismos (liderança, estratégia, controle).
- Lei 13.460/2017: defesa do usuário do serviço público.
- Lei 14.133/2021 (nova Lei de Licitações): controles de contratações; 3 linhas de defesa (Art. 169).
- Lei 14.129/2021: governo digital - dados abertos, plataformas, transparência.
- IN CGU 03/2017: framework de auditoria interna.
- Lei 8.429/1992: improbidade administrativa.
Decreto 9.203/2017 - reforço
Já visto na aula 02. Para a função de Controle, vale destacar que o terceiro mecanismo de governança é o controle, com seus componentes:
- Gestão de riscos.
- Controle interno.
- Auditoria interna.
- Accountability (prestação de contas).
- Compliance (conformidade).
- Transparência ativa.
O vilão da aula: Desembargador Severo
Esse vilão adora cobrar pegadinha em jurisprudência fiscal. Cuidado: o TCU NÃO é parte do Poder Judiciário, NÃO é órgão jurisdicional, mas suas decisões sobre contas TÊM eficácia executiva (CF Art. 71 §3º). O TCU é um órgão auxiliar do Legislativo. Em prova, marque a alternativa que distinguir TCU (auxilia o Legislativo) de tribunal judicial (decide com força de coisa julgada).
Tabela síntese - controle no setor público
| Tipo | Quem exerce | Sobre o quê |
|---|---|---|
| Controle Externo | Congresso Nacional + TCU/TCEs | Atos do Executivo, Legislativo, Judiciário, MP - todos os entes (CF 70-71) |
| Controle Interno | Cada Poder, na sua esfera. Federal: CGU. Outras: Controladorias. | Atos de gestão da própria estrutura (CF 74) |
| Controle Judicial | Poder Judiciário | Atos administrativos que ferem a legalidade ou direitos dos administrados |
| Controle Social | Cidadão, sociedade civil, mídia | Atos de gestão e do gestor - via LAI, ouvidoria, ação popular, conselhos |
| Controle Hierárquico | Superior sobre subordinado dentro do mesmo órgão | Atos do subordinado - revisão, anulação, revogação |
Tendências contemporâneas no controle público
- Controle por resultados: avaliação não só de legalidade, mas de eficiência e efetividade.
- Auditoria operacional: TCU avalia desempenho de programas, não só conformidade.
- Governo digital e dados abertos: cidadão acessa informações em tempo real.
- Compliance e integridade: programas de integridade obrigatórios em órgãos e fornecedores.
- Painéis de transparência: dashboards públicos com indicadores de desempenho.
- Análise de dados (data analytics): TCU e CGU usam ferramentas de big data e IA para detectar fraudes.
- Avaliação de políticas públicas: ex-ante e ex-post (Decreto 9.203/2017).
Bate-papo com o Seu Teoffilo
O segredo do controle público brasileiro está em entender que ele é multi-camadas: controle hierárquico interno + controle interno do órgão + controle externo do TCU + controle judicial + controle social. Cada camada acrescenta um filtro. Boa gestão pública sabe usar todos eles a favor (não como ameaça): o controle bem feito antecipa problema, evita prejuízo e blinda o gestor de boa-fé.
Mapa mental
Conceito (Mód. 1)
- Função C do PODC - fecha o ciclo
- Definição Fayol: verificar conformidade com plano e princípios
- Princípios: garantia de objetivos, exceção, ação corretiva, eficiência
- Controle ≠ fiscalização (controle agrega ação corretiva)
Ciclo do controle - 4 fases (Mód. 2)
- 1. Estabelecer padrões
- 2. Monitorar / mensurar
- 3. Comparar (analisar desvios) - Ishikawa, 5 Porquês, Pareto
- 4. Agir corretivamente
- PDCA (Deming): Plan-Do-Check-Act - melhoria contínua
Tipos de controle (Mód. 3)
- Por TEMPO: preventivo (antes), concomitante (durante), posterior (depois)
- Por NÍVEL: estratégico, tático, operacional (Anthony 1965)
- Por FINALIDADE: financeiro, produção, qualidade, RH, marketing, TI, compliance
Indicadores - KPIs (Mód. 4)
- Critérios: validade, confiabilidade, sensibilidade, simplicidade, economicidade
- Cadeia: insumo → processo → produto → resultado → impacto
- Por critério: eficiência, eficácia, efetividade, economicidade, qualidade
- Leading (antecedente) x Lagging (resultante)
- Goodhart's Law: metric vira meta = perde valor como métrica
Avaliação organizacional (Mód. 5)
- BSC (Kaplan-Norton 1992) - 4 perspectivas em causa-efeito
- Six Sigma - 3,4 defeitos por milhão; DMAIC; Black Belts
- MEG / FNQ - 8 fundamentos; PNQ Brasil
- Benchmarking (Camp 1989) - interno, competitivo, funcional, genérico
- Lean, ISO 9001, EFQM, Malcolm Baldrige
Avaliação de pessoas (Mód. 6)
- 3 famílias: traços, comportamentos (BARS), resultados (APO)
- Métodos: escalas gráficas, escolha forçada, incidentes críticos, 360°
- 360°: superior + pares + subordinados + cliente + autoavaliação
- Vieses: halo, tendência central, leniência, recência, estereótipo
- Setor público: CF 41 §1º III, Lei 8.112, PNDP (Decreto 9.991/2019)
Auditoria e COSO (Mód. 7)
- COSO 2013: 5 componentes (Ambiente, Avaliação de riscos, Atividades, Informação, Monitoramento)
- 3 LINHAS DE DEFESA (IIA): gestão operacional / risco-conformidade / auditoria interna
- COSO ERM 2017: gestão integrada de riscos
- Tratamento de risco: aceitar, evitar, mitigar, transferir
Setor público (Mód. 8)
- CF Art. 70-75: controle externo (Congresso + TCU) + interno (cada Poder)
- TCU julga contas, fiscaliza, aplica sanções, parecer prévio sobre contas do Presidente
- CGU: controle interno federal
- Controle social: LAI (Lei 12.527/2011), ação popular, ouvidorias
- LRF (LC 101/2000), Lei Anticorrupção (12.846/2013), Lei 14.133/2021 (3 linhas)
Revisão relâmpago
Fecha o ciclo PODC. Realimenta planejamento. Mais que fiscalização: monitora, compara, age.
Padrões → Monitorar → Comparar → Agir corretivamente. Decora a ordem.
PDCA é melhoria contínua (Plan-Do-Check-Act). PODC é função administrativa. Não confunda.
Preventivo (antes), concomitante (durante), posterior (depois). Setor público brasileiro = forte preventivo.
Insumo → processo → produto → resultado → impacto. Impacto é o mais lento e abrangente.
BSC (4 perspectivas em causa-efeito). Six Sigma (3,4 defeitos/milhão; DMAIC). MEG (Brasil; 8 fundamentos).
Traços (o que é) / Comportamentos (o que faz) / Resultados (o que entrega). Modernos: comportamentos + resultados.
Superior + pares + subordinados + cliente + autoavaliação. Variantes: 90°, 180°, 270°.
Ambiente, Avaliação de riscos, Atividades de controle, Informação e comunicação, Monitoramento.
1ª gestão operacional / 2ª risco e conformidade / 3ª auditoria interna independente. Aplicado pela Lei 14.133/2021.
Controle externo (Congresso + TCU/TCEs - critérios: legalidade, legitimidade, economicidade) + interno (cada Poder).
LRF (LC 101/2000), LAI (Lei 12.527/2011), Lei Anticorrupção (12.846/2013), Decreto 9.203/2017, Lei 14.133/2021, Lei 13.460/2017.
10 questões comentadas
Questões nos pontos campeões da aula. Cada uma com gabarito e análise do Prof. Affonsinho. Estilo de cobrança das principais bancas (CESPE/Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp).
Questão 01 · Comentada
Enunciado. O ciclo do controle, no contexto da função administrativa de Controle do PODC, é composto por quatro fases sequenciais. A respeito dessas fases, é correto afirmar:
- A) As fases são, na ordem: agir corretivamente, monitorar, comparar, estabelecer padrões.
- B) As fases são, na ordem: estabelecer padrões, monitorar/mensurar desempenho, comparar realizado x previsto, agir corretivamente.
- C) O controle é constituído por uma única fase de fiscalização, dispensando ações posteriores.
- D) A fase de comparação é a primeira do ciclo, antes da definição de padrões.
- E) A fase de ação corretiva é opcional e pode ser dispensada na maioria dos casos.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Sequência clássica do ciclo do controle. As quatro fases são interligadas e a ordem importa - cada uma depende da anterior.
- A errada: Inversão completa da ordem. Agir corretivamente é a ÚLTIMA fase, não a primeira.
- B CORRETA: Sequência exata das 4 fases. Padrões definem o esperado; monitoramento coleta dado; comparação identifica desvio; ação corretiva fecha o ciclo.
- C errada: Controle gerencial inclui ação corretiva - não é só fiscalização. Sem ação corretiva, o ciclo não se fecha.
- D errada: Comparação é a TERCEIRA fase, não a primeira. Sem padrões definidos antes, não há com o que comparar.
- E errada: Ação corretiva é a fase que fecha o ciclo. Identificar desvio sem agir = controle incompleto, perda total.
Tese central: Ciclo do controle (4 fases): 1. Estabelecer padrões → 2. Monitorar/mensurar → 3. Comparar → 4. Agir corretivamente. Sequência rígida; a falta de qualquer fase quebra o controle.
Questão 02 · Comentada
Enunciado. Acerca dos tipos de controle classificados pelo momento de aplicação, julgue: O controle preventivo é aquele exercido após a execução de uma atividade, com o objetivo de identificar desvios e aplicar correções no próximo ciclo. (Certo / Errado)
Gabarito: Errado
Prof. Affonsinho comenta
Pegadinha clássica. A descrição é do controle POSTERIOR (a posteriori), não do preventivo. Preventivo é ANTES da execução.
- E ERRADO: Inversão de tipos. PREVENTIVO (a priori, prévio) ocorre ANTES da execução, com o objetivo de evitar desvios antes que aconteçam (ex.: aprovação prévia de orçamento, due diligence). POSTERIOR (a posteriori, corretivo, feedback) é que ocorre DEPOIS da execução, para comparar realizado x previsto e aprender (ex.: auditoria, balanço). CONCOMITANTE é durante.
Tese central: Tipos de controle por TEMPO: PREVENTIVO (antes - evita desvios), CONCOMITANTE (durante - ajusta em tempo real), POSTERIOR (depois - aprende e corrige o futuro).
Questão 03 · Comentada
Enunciado. O ciclo PDCA, popularizado por W. Edwards Deming, é frequentemente associado à melhoria contínua de processos. Sobre esse ciclo, é correto afirmar:
- A) PDCA significa Planejar-Dirigir-Controlar-Agir, sendo equivalente ao PODC.
- B) PDCA significa Plan-Do-Check-Act (Planejar-Executar-Verificar-Agir), sendo um ciclo de melhoria contínua aplicável a qualquer processo.
- C) PDCA é uma função administrativa equivalente à organização.
- D) PDCA tem natureza linear, não devendo ser repetido após o término do ciclo.
- E) PDCA é incompatível com gestão por indicadores e métricas de desempenho.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
PDCA (Plan-Do-Check-Act). Não confundir com PODC (funções administrativas). PDCA é DENTRO do controle e do planejamento.
- A errada: PDCA significa Plan-Do-Check-Act, não Planejar-Dirigir-Controlar-Agir. Não é equivalente a PODC. PDCA é DENTRO do controle (e do planejamento).
- B CORRETA: Definição correta. PDCA é ciclo de melhoria contínua de Shewhart-Deming. Aplicável a qualquer processo.
- C errada: PDCA não é função administrativa. PODC sim. PDCA é metodologia de melhoria DENTRO de processos.
- D errada: PDCA é CIRCULAR e contínuo. Termina o ciclo e recomeça em P, num espiral ascendente de melhoria.
- E errada: PDCA é altamente compatível com indicadores. A fase Check (verificar) usa indicadores intensivamente.
Tese central: PDCA = Plan-Do-Check-Act, ciclo de melhoria contínua de Deming. Diferente de PODC (funções administrativas). Circular, contínuo, aplicável a qualquer processo.
Questão 04 · Comentada
Enunciado. Um indicador de desempenho que mede o número de pacientes vacinados durante uma campanha de imunização é classificado, na cadeia de valor de indicadores, como:
- A) Indicador de insumo (input).
- B) Indicador de processo.
- C) Indicador de produto (output).
- D) Indicador de resultado (outcome).
- E) Indicador de impacto.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Cadeia: insumo → processo → produto (output) → resultado (outcome) → impacto. Pacientes vacinados = entrega realizada = produto.
- A errada: Insumo seria o número de DOSES disponíveis ou orçamento aplicado - recursos consumidos.
- B errada: Processo seria o tempo de espera ou número de unidades de saúde abertas - atividades em execução.
- C CORRETA: Pacientes vacinados = entrega realizada = produto (output). É o que a campanha entrega diretamente.
- D errada: Resultado (outcome) seria a COBERTURA VACINAL atingida (% da população-alvo imunizada). Mede o efeito sobre o público.
- E errada: Impacto seria a REDUÇÃO da incidência da doença, da mortalidade, do impacto socioeconômico. Transformação na realidade.
Tese central: Cadeia de valor de indicadores: INSUMO (recursos) → PROCESSO (atividades) → PRODUTO/output (entregas) → RESULTADO/outcome (efeito) → IMPACTO (transformação real). Pacientes vacinados = produto.
Questão 05 · Comentada
Enunciado. O Six Sigma, metodologia de gestão da qualidade desenvolvida pela Motorola na década de 1980, propõe um padrão de qualidade extrema. Sobre essa metodologia, é correto afirmar:
- A) O Six Sigma admite até 10% de defeitos como aceitáveis, sendo considerado um padrão flexível.
- B) Six Sigma corresponde a 3,4 defeitos por milhão de oportunidades, e usa a metodologia DMAIC (Define-Measure-Analyze-Improve-Control) em projetos de melhoria.
- C) DMAIC significa Decidir-Modelar-Adotar-Investigar-Cumprir.
- D) Six Sigma foi proposto pelo Comitê COSO.
- E) Six Sigma é incompatível com a aplicação no setor público.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Padrão Six Sigma = 3,4 defeitos por milhão (99,99966% de perfeição). Metodologia DMAIC para melhoria. Origem na Motorola, popularizado pela GE.
- A errada: Six Sigma é o oposto. Padrão extremamente exigente: 3,4 defeitos por milhão de oportunidades = quase perfeição.
- B CORRETA: Definição correta. Six Sigma = 3,4 DPMO. Metodologia DMAIC: Define-Measure-Analyze-Improve-Control. Variante DMADV para criar processos novos.
- C errada: DMAIC = Define, Measure, Analyze, Improve, Control. Sigla inglesa.
- D errada: Six Sigma foi criado na Motorola (Mikel Harry, Bill Smith, anos 1980). COSO trata de controle interno e gestão de riscos - é outra coisa.
- E errada: Six Sigma é aplicado em vários órgãos públicos, especialmente em processos repetitivos (TI, atendimento, logística).
Tese central: Six Sigma: 3,4 defeitos por milhão de oportunidades (DPMO). Metodologia DMAIC (Define, Measure, Analyze, Improve, Control). Origem Motorola; popularizado pela GE.
Questão 06 · Comentada
Enunciado. Sobre os métodos de avaliação de desempenho individual, julgue: A avaliação 360 graus é caracterizada pela coleta de feedback exclusivamente do superior imediato e do próprio avaliado, em um processo bilateral, sendo equivalente à avaliação 90 graus. (Certo / Errado)
Gabarito: Errado
Prof. Affonsinho comenta
A avaliação 360° é justamente o oposto: múltiplas fontes (não bilateral). 90° é só superior, 180° é superior+pares+autoavaliação, 360° é todas as fontes.
- E ERRADO: Confusão clássica. 360° NÃO é bilateral - envolve MÚLTIPLAS fontes: superior imediato, pares (mesmo nível), subordinados, clientes (internos e/ou externos), autoavaliação. 90° = só superior; 180° = superior + pares + autoavaliação; 270° = adiciona subordinados; 360° = todas as fontes; 540° (raro) = inclui fornecedores e família. Confundir 360° com 90° é inversão grave.
Tese central: Avaliação 360°: múltiplas fontes (superior + pares + subordinados + cliente + autoavaliação). Variantes: 90°, 180°, 270°, 360° (clássico), 540° (raro).
Questão 07 · Comentada
Enunciado. O modelo das três linhas de defesa, proposto pelo IIA (Institute of Internal Auditors) e recepcionado pela Lei 14.133/2021 no setor público brasileiro, atribui a função de auditoria interna independente à:
- A) Primeira linha de defesa.
- B) Segunda linha de defesa.
- C) Terceira linha de defesa.
- D) Linha externa de fiscalização (Tribunal de Contas).
- E) Conselho fiscal.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Modelo das 3 linhas de defesa. 1ª = gestão operacional (executa); 2ª = funções de risco e compliance (supervisiona); 3ª = auditoria interna (independente).
- A errada: 1ª linha = gestão operacional (quem executa o processo, responsável direto pelos riscos do dia a dia).
- B errada: 2ª linha = funções de risco/conformidade (compliance, controladoria, gestão de riscos) - supervisiona, não audita.
- C CORRETA: 3ª linha = auditoria interna independente. Avalia objetivamente a eficácia das 1ª e 2ª linhas. Reporta ao mais alto nível (conselho/comitê de auditoria) - daí 'independente'.
- D errada: TCU/TCEs são CONTROLE EXTERNO, fora das 3 linhas de defesa.
- E errada: Conselho fiscal não é parte do modelo das 3 linhas - é instância de governança.
Tese central: 3 linhas de defesa (IIA): 1ª gestão operacional (executa) / 2ª funções de risco e conformidade (supervisiona) / 3ª auditoria interna independente (audita). Recepcionado pela Lei 14.133/2021.
Questão 08 · Comentada
Enunciado. Acerca do controle externo no setor público brasileiro, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, é correto afirmar:
- A) O controle externo é exercido pelo Poder Executivo, com auxílio do Tribunal de Contas.
- B) O controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas (CF Art. 70).
- C) O Tribunal de Contas é órgão integrante do Poder Judiciário e suas decisões fazem coisa julgada.
- D) Os critérios do controle externo são apenas legalidade e oportunidade.
- E) O controle externo somente abrange órgãos do Poder Executivo.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
CF/88 Art. 70 caput. Controle externo = Poder Legislativo + Tribunal de Contas. Critérios: legalidade, legitimidade, economicidade.
- A errada: Inversão. Controle externo é do PODER LEGISLATIVO, não do Executivo. O Executivo é o controlado, não o controlador externo.
- B CORRETA: Definição precisa, conforme CF Art. 70. Controle externo = Poder Legislativo + auxílio do TCU/TCEs/TCMs. Critérios: legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de subvenções e renúncia de receitas.
- C errada: TCU NÃO integra o Poder Judiciário. É órgão auxiliar do Legislativo, com natureza administrativa. Suas decisões sobre contas têm eficácia executiva (CF Art. 71 §3º) mas não fazem coisa julgada material judicial.
- D errada: Critérios do controle externo (CF Art. 70 caput): legalidade, LEGITIMIDADE, ECONOMICIDADE, aplicação de subvenções e renúncia de receitas. 'Oportunidade' é critério de mérito do ato administrativo, não do controle externo no caput do Art. 70.
- E errada: Controle externo abrange TODOS os Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário, MP) e qualquer pessoa que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros públicos.
Tese central: Controle externo (CF Art. 70): exercido pelo Poder Legislativo, com auxílio do TCU/TCEs/TCMs. Critérios: legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de subvenções e renúncia de receitas. Abrange todos os Poderes.
Questão 09 · Comentada
Enunciado. Sobre os componentes do controle interno propostos pelo COSO Internal Control - Integrated Framework (1992, atualizado em 2013), é correto afirmar:
- A) O COSO propõe três componentes: planejamento, organização e direção.
- B) O COSO propõe cinco componentes: ambiente de controle, avaliação de riscos, atividades de controle, informação e comunicação, e atividades de monitoramento.
- C) O componente 'ambiente de controle' refere-se exclusivamente ao espaço físico onde as auditorias são realizadas.
- D) O COSO propõe oito componentes, incluindo o sistema de remuneração variável.
- E) Avaliação de riscos não é componente do COSO 2013.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
COSO 2013: 5 componentes (mnemônico AAAIM - Ambiente, Avaliação, Atividades, Informação, Monitoramento). Cobrança certa em prova de auditoria.
- A errada: Esses são componentes do PODC, não do COSO. Mistura de modelos.
- B CORRETA: Os 5 componentes exatos do COSO 2013. Mnemônico AAAIM: Ambiente de controle, Avaliação de riscos, Atividades de controle, Informação e comunicação, Atividades de Monitoramento.
- C errada: Ambiente de controle é a CULTURA, valores, integridade, tom da liderança. Não é espaço físico.
- D errada: 5 componentes, não 8. COSO ERM (gestão de riscos, distinto) tem versões com 5 ou 8 componentes - mas a pergunta é sobre o COSO Internal Control.
- E errada: Avaliação de riscos é o segundo dos 5 componentes.
Tese central: COSO Internal Control 2013: 5 componentes (AAAIM): Ambiente de controle, Avaliação de riscos, Atividades de controle, Informação e comunicação, Atividades de Monitoramento.
Questão 10 · Comentada
Enunciado. Acerca dos vieses cognitivos comuns em processos de avaliação de desempenho, julgue: O efeito halo ocorre quando uma característica positiva (ou negativa) do avaliado contamina a avaliação de outras características distintas, gerando notas indevidamente correlacionadas em fatores que deveriam ser independentes. (Certo / Errado)
Gabarito: Certo
Prof. Affonsinho comenta
Efeito halo é viés clássico - definição correta. Avaliador deixa uma impressão geral contaminar fatores distintos.
- C CERTO: Definição precisa do efeito halo. Exemplo típico: o avaliado é simpático; o avaliador conclui que ele 'também' é produtivo, criativo e bom líder - mesmo sem evidência. Vieses comuns que caem em prova: efeito halo, tendência central, leniência, severidade (rigor), recência, estereótipo, projeção, contraste, similaridade, primeira impressão. Boa prática para reduzir: treinamento de avaliadores, múltiplas fontes (360°), padrões claros, calibração entre avaliadores.
Tese central: Efeito halo: viés em que uma característica geral contamina a avaliação de fatores distintos. Junto a tendência central, leniência, severidade, recência, estereótipo - principais vieses cognitivos em avaliação de desempenho.
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Aula 06 - Processo Decisório
Você fechou o ciclo PODC. Hora do tema que atravessa todas as funções: DECIDIR. Próxima aula: tipos de decisão (estruturada, semi-estruturada, não estruturada), modelos (racional, intuitivo, político, lata de lixo), Simon e a racionalidade limitada, decisão em grupo, vieses (Kahneman), nudges. Bora?



