Gestão de Pessoas
conceitos, evolução e processos
A área que evoluiu mais radicalmente nas últimas décadas. De Departamento Pessoal (controle de folha) a RH (administração) a Gestão de Pessoas (estratégica) a Gestão Estratégica de Pessoas (humano como vantagem competitiva). Esta aula percorre conceitos, escolas históricas, os 5 subsistemas de Chiavenato (provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento, monitoração), recrutamento e seleção, cargos e remuneração, treinamento e desenvolvimento, avaliação, gestão por competências (CHA - McClelland, Le Boterf, Fleury, Dutra) e gestão de pessoas no setor público brasileiro (CF Arts. 37-41, Lei 8.112/1990, PNDP - Decreto 9.991/2019, PGD - Decreto 11.069/2022).
Sumário
Oito módulos sobre o coração humano da gestão. Conceito e evolução histórica, os 5 subsistemas de RH, recrutamento e seleção, cargos e remuneração, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho, gestão por competências e gestão de pessoas no setor público brasileiro.
- p. 04Conceito e evolução históricaDP → RH → Gestão de Pessoas → Gestão Estratégica de Pessoas
- p. 07Os 5 subsistemas de RH (Chiavenato)Provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento, monitoração
- p. 10Recrutamento e seleçãoTipos, técnicas, processo seletivo, indicadores
- p. 13Cargos e remuneraçãoDescrição, análise; remuneração tradicional, por competências, variável
- p. 16Treinamento, Desenvolvimento e EducaçãoDiferenças T/D/E; ciclo (LNT, planejamento, execução, avaliação); Kirkpatrick 4 níveis
- p. 19Avaliação de desempenhoMétodos clássicos, 360°, vieses (aprofundamento RH)
- p. 22Gestão por competênciasCHA (Conhecimentos, Habilidades, Atitudes); McClelland, Le Boterf, Fleury, Dutra
- p. 25Gestão de pessoas no setor públicoCF Arts. 37-41, Lei 8.112/1990, PNDP, PGD, concursos, estabilidade
- p. 28Mapa mental e revisãoA aula inteira em uma página
- p. 30Questões comentadas10 questões nos pontos campeões
O que você vai aprender
Conjunto integrado de políticas e práticas pelas quais a organização atrai, desenvolve, motiva e retém pessoas para alcançar seus objetivos. Pessoa é vista como PARCEIRA (capital humano), não recurso. Chiavenato distingue: enquanto RH foca administração de processos, GP foca relacionamento estratégico.
(1) DP - Departamento Pessoal (até 1950, foco em folha, controle, conformidade legal); (2) RH - Administração de Recursos Humanos (1950-1990, foco em processos integrados); (3) Gestão de Pessoas (1990+, foco em parceria); (4) Gestão Estratégica de Pessoas (2000+, pessoas como vantagem competitiva sustentável - RBV/Barney).
(1) PROVISÃO (recrutamento, seleção); (2) APLICAÇÃO (cargo, descrição, avaliação); (3) MANUTENÇÃO (remuneração, benefícios, segurança); (4) DESENVOLVIMENTO (treinamento, desenvolvimento, mudança); (5) MONITORAÇÃO (banco de dados, sistemas de informação, auditoria de RH).
RECRUTAMENTO: atração de candidatos. Tipos: interno (vacância preenchida com pessoa da casa); externo (mercado); misto. Técnicas: anúncio, banco de currículos, indicação, redes sociais, agências, headhunters, eventos. SELEÇÃO: triagem (currículo), entrevistas (técnica + comportamental), provas (conhecimento, capacidade, personalidade), dinâmicas, assessment center.
Donald Kirkpatrick (1959) propôs 4 níveis: (1) REAÇÃO (gostou?); (2) APRENDIZAGEM (aprendeu?); (3) COMPORTAMENTO (aplica no trabalho?); (4) RESULTADOS (gerou impacto na organização?). Jack Phillips (1996) acrescentou (5) ROI - retorno sobre investimento. Cobrança certa em prova de RH.
CHA = Conhecimentos (saber - cognitivo) + Habilidades (saber fazer - técnico) + Atitudes (querer fazer - comportamental). Origem em McClelland (1973) - "testar competência ao invés de inteligência". Le Boterf: competência é mobilizar saberes em situação. Fleury: competência agrega valor econômico e social.
Dica do Fuffu
Os pontos mais cobrados desta aula são (1) os 5 subsistemas de Chiavenato; (2) os 4 níveis de Kirkpatrick; (3) CHA + McClelland; (4) avaliação 360°; (5) art. 37 e 41 da CF/88. Decora isso e fica em paz.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 Conceito e evolução histórica da Gestão de Pessoas
A gestão de pessoas é o nome que ganhou nos últimos 30 anos a área que cuida do principal recurso da organização. O nome mudou conforme o pensamento sobre pessoas mudou.
Conceito atual
Definição clássica de Idalberto Chiavenato (Gestão de Pessoas, ed. Atlas): "Gestão de Pessoas é o conjunto integrado de políticas, práticas e processos que envolvem a obtenção, manutenção, desenvolvimento, motivação e desligamento das pessoas em uma organização." Características da abordagem moderna:
- Pessoa é parceira da organização (não recurso descartável).
- Visão estratégica (alinhada à estratégia corporativa).
- Processos integrados entre si.
- Capital humano como ativo principal (Gary Becker, 1964; Theodore Schultz).
- Foco em resultados, não só atividades.
- Cultura organizacional como pilar.
As 4 fases evolutivas (Chiavenato)
Cobrança recorrente em prova. Decora a sequência:
| Fase | Período | Foco | Visão da pessoa |
|---|---|---|---|
| 1. Departamento Pessoal (DP) | até ~1950 | Folha de pagamento, registro, controle, conformidade legal | Mão-de-obra (custo) |
| 2. Administração de RH | 1950-1990 | Processos integrados (R&S, T&D, remuneração, avaliação) | Recurso a ser administrado |
| 3. Gestão de Pessoas | 1990-2010 | Parceria, alinhamento estratégico, descentralização | Parceiro, capital humano |
| 4. Gestão Estratégica de Pessoas (GEP) | 2010+ | Pessoas como vantagem competitiva sustentável (RBV de Barney) | Capital humano estratégico |
Tendências contemporâneas
O que vem depois da Gestão Estratégica de Pessoas?
- People Analytics: uso de dados e IA para decisões de RH.
- Employee experience (EX): pensar a jornada do colaborador como se pensa a do cliente (CX).
- Trabalho híbrido e remoto: pós-pandemia 2020.
- Gestão por OKRs (visto na aula 02): metas trimestrais ambiciosas.
- Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I): política central das organizações modernas.
- Saúde mental e bem-estar: pós-pandemia tornou-se prioridade.
- Aprendizagem contínua (lifelong learning): organização que aprende (Senge).
- Liderança humanizada: pós-burnout, foco em propósito e cuidado.
Os 4 papéis do RH (David Ulrich, 1997)
David Ulrich, em Human Resource Champions (1997), propôs que o RH moderno desempenha quatro papéis simultaneamente, em duas dimensões: foco (estratégico/operacional) x atividade (processos/pessoas):
| Foco em Processos | Foco em Pessoas | |
|---|---|---|
| Foco Estratégico | Parceiro Estratégico Alinha RH à estratégia corporativa | Agente de Mudança Promove transformação cultural |
| Foco Operacional | Especialista Administrativo Eficiência em processos de RH | Defensor dos Empregados Cuida do bem-estar e engajamento |
Ulrich propôs que o RH eficaz dosa esses 4 papéis. Foi atualizado por Ulrich nos anos 2000 e 2010.
Visão estratégica de pessoas - capital humano
Conceito de capital humano. Gary Becker (Nobel 1992) e Theodore Schultz (Nobel 1979) trouxeram para a economia a ideia de que as habilidades, o conhecimento e a saúde das pessoas são investimentos econômicos - tão produtivos quanto máquinas. A organização que investe em formação, saúde e desenvolvimento dos colaboradores aumenta seu capital humano e, com isso, sua produtividade.
RBV/VRIO (visto na aula 02 - Jay Barney) reforça: pessoas são recurso que pode gerar vantagem competitiva sustentável quando: Valiosas (geram valor), Raras, Inimitáveis, e quando a Organização sabe explorá-las.
Princípios da Gestão de Pessoas moderna
Joel Souza Dutra (Gestão de Pessoas: Modelo, Processos, Tendências) sintetiza:
- Estratégica: alinhada aos objetivos do negócio.
- Sistêmica: processos integrados.
- Centrada em pessoas: as decisões consideram impacto humano.
- Baseada em competências: foco no que pessoas conseguem entregar.
- Descentralizada: gestores de linha têm corresponsabilidade pela gestão de pessoas (não só o RH central).
- Orientada a resultados: avaliação por entregas, não só por presença.
- Ética e responsável: respeito a direitos, diversidade, inclusão.
Alerta do Examinador
Pegadinha clássica: confundir Departamento Pessoal (DP) com Gestão de Pessoas (GP). DP é a fase mais antiga, foco em folha e controle. GP é a fase moderna, foco em parceria e estratégia. Outra pegadinha: dizer que "Recursos Humanos" é o termo MAIS moderno - na verdade, GESTÃO DE PESSOAS substituiu RH justamente por reconhecer que a pessoa não é "recurso" no mesmo sentido que máquina ou capital.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 Os 5 subsistemas de Gestão de Pessoas (Chiavenato)
A organização clássica da Gestão de Pessoas em 5 subsistemas integrados é proposta de Chiavenato e cobrança quase certa em prova. Decora os cinco e o que entra em cada um.
| Subsistema | O que faz | Atividades típicas |
|---|---|---|
| 1. Provisão (suprimento) | Atrair e selecionar pessoas | Pesquisa de mercado de RH; recrutamento (interno/externo/misto); seleção |
| 2. Aplicação | Definir o que cada pessoa fará | Desenho de cargos; descrição e análise de cargos; avaliação de desempenho |
| 3. Manutenção | Conservar as pessoas na organização | Remuneração; benefícios; higiene e segurança; relações sindicais |
| 4. Desenvolvimento | Capacitar e desenvolver pessoas | Treinamento; desenvolvimento de pessoas; desenvolvimento organizacional (mudança) |
| 5. Monitoração | Acompanhar e controlar pessoas | Banco de dados de RH; sistemas de informação; auditoria de RH |
Mnemônico: P-A-M-D-M (Provisão, Aplicação, Manutenção, Desenvolvimento, Monitoração).
Como os 5 subsistemas se conectam
Os subsistemas formam um fluxo:
- Provisão traz pessoas para a organização.
- Aplicação aloca as pessoas em cargos com responsabilidades definidas.
- Manutenção conserva as pessoas (remuneração, benefícios, segurança).
- Desenvolvimento capacita e prepara para o futuro.
- Monitoração controla e aprende com os dados.
São interdependentes: o que se decide na Aplicação (cargo, responsabilidades) afeta a Provisão (perfil a buscar), a Manutenção (remuneração apropriada), o Desenvolvimento (capacitação requerida) e a Monitoração (indicadores).
Detalhamento de cada subsistema
1. PROVISÃO (suprimento):
- Pesquisa de mercado de RH.
- Planejamento de pessoal.
- Recrutamento (interno, externo, misto).
- Seleção de pessoal.
- Integração / onboarding.
2. APLICAÇÃO:
- Análise e descrição de cargos.
- Desenho de cargos.
- Avaliação de desempenho.
- Plano de carreira.
3. MANUTENÇÃO:
- Administração de salários.
- Plano de benefícios.
- Higiene e segurança do trabalho (SST).
- Qualidade de vida no trabalho (QVT).
- Relações sindicais e trabalhistas.
4. DESENVOLVIMENTO:
- Treinamento de pessoal (T).
- Desenvolvimento de pessoas (D).
- Educação corporativa (E).
- Desenvolvimento organizacional (mudança).
5. MONITORAÇÃO:
- Banco de dados de RH (HRIS).
- Sistemas de informação gerencial (SIG).
- Auditoria de RH (avalia eficácia das práticas).
- Indicadores e métricas (turnover, absenteísmo, satisfação, etc.).
Outras tipologias - cobrança alternativa
Algumas bancas adotam tipologias alternativas. As mais cobradas:
Tipologia em 6 processos (Chiavenato edições mais recentes)
- Agregar pessoas (provisão).
- Aplicar pessoas (cargos, avaliação).
- Recompensar pessoas (remuneração, benefícios).
- Desenvolver pessoas (T&D).
- Manter pessoas (segurança, qualidade de vida, relações).
- Monitorar pessoas (sistemas de informação, auditoria).
Tipologia em 4 processos (Joel Souza Dutra)
- Movimentação (recrutar, selecionar, alocar, reter, desligar).
- Desenvolvimento (capacitar, desenvolver carreira).
- Valorização (remunerar, reconhecer).
- Suporte (clima, comunicação, qualidade de vida).
Em prova, atenção ao número de processos/subsistemas que a banca pede. 5 subsistemas = Chiavenato versão clássica. 6 processos = Chiavenato moderno. 4 processos = Dutra.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Pegadinha clássica: misturar nomes dos subsistemas. Ex.: dizer que "Treinamento" é parte do subsistema de "Aplicação" (errado - é Desenvolvimento). Ou que "Avaliação de desempenho" é parte de "Desenvolvimento" (errado - é Aplicação). Ou que "Banco de dados" é "Manutenção" (errado - é Monitoração). Decora as caixas e o que cabe em cada uma.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 Recrutamento e Seleção (R&S)
Subsistema de PROVISÃO. Recrutamento atrai candidatos; seleção escolhe entre os candidatos. Conceitos distintos.
Recrutamento - tipos
| Tipo | O que é | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|---|
| Interno | Vacância preenchida com pessoa da casa (transferência, promoção) | Motiva equipe; mais rápido; já conhece a cultura; menor custo | Pode gerar conflito com não-promovidos; limita oxigenação; "incesto" cultural |
| Externo | Vacância preenchida com candidato do mercado | Traz novas ideias; oxigena; mais opções | Mais caro; mais demorado; risco de não-adaptação cultural |
| Misto | Combina interno e externo | Equilibra os dois lados | Pode ficar mais demorado e complexo |
Técnicas de recrutamento externo
- Anúncios (jornal, online).
- Banco de currículos.
- Indicação por funcionários (referrals).
- Redes sociais profissionais (LinkedIn).
- Agências de emprego.
- Headhunters / executive search (alta administração).
- Universidades e estágios.
- Eventos (feiras de carreira).
- Sites próprios de carreira.
Seleção - processo e técnicas
Após o recrutamento atrair candidatos, a seleção escolhe quem fica. Etapas típicas:
- Triagem: análise inicial de currículo, exclusão de fora do perfil.
- Provas: conhecimento técnico, capacidade cognitiva (raciocínio lógico, numérico, verbal), personalidade (Big Five, MBTI).
- Entrevista: técnica (com gestor da área), comportamental (com RH), painel.
- Dinâmicas de grupo: observa interação, liderança, comunicação.
- Assessment Center: simulações, role-play, in-basket. Caro mas eficaz.
- Verificação de referências: ex-empregadores, ex-colegas.
- Exames médicos e admissionais.
- Decisão e contratação.
Tipos de entrevista
- Estruturada: roteiro fixo, mesmas perguntas para todos. Comparável.
- Semi-estruturada: mistura de roteiro com flexibilidade.
- Não estruturada: livre, "conversa". Subjetiva.
- Comportamental (STAR/PAR): pergunta "conte uma situação em que...". Foca em comportamento real, não hipotético. Estrutura S-T-A-R: Situação, Tarefa, Ação, Resultado.
- Por competências: pergunta sobre situações que demonstram competências definidas no perfil.
- Por painel: vários entrevistadores ao mesmo tempo.
Erros comuns na seleção
- Efeito halo: uma característica positiva contamina a avaliação geral.
- Estereótipos: preconceitos sobre gênero, idade, raça, formação.
- Similaridade: preferir quem é parecido com o entrevistador.
- Primeira impressão: opinião formada nos primeiros segundos resiste a evidência contrária.
- Excesso de peso na entrevista: literatura mostra que entrevistas não estruturadas têm baixa validade preditiva.
Indicadores de R&S
- Tempo de fechamento (time-to-hire): dias entre abertura da vaga e contratação.
- Custo por contratação (cost-per-hire): total de custos / número de contratados.
- Taxa de aceite: ofertas aceitas / ofertas feitas.
- Qualidade da contratação (quality-of-hire): desempenho e retenção dos contratados após N meses.
- Taxa de retenção a 12 meses: contratados que ainda estão na empresa após 1 ano.
- Net Promoter Score do candidato (cNPS): candidato recomendaria a empresa?
Recrutamento e seleção no setor público
No Brasil, recrutamento e seleção para cargos públicos efetivos é feito por concurso público (CF Art. 37 II). Princípios:
- Acessibilidade ampla: aberto a brasileiros que cumpram requisitos básicos.
- Provas e títulos: obrigatório (CF 37 II).
- Edital vincula: regras não podem ser alteradas após publicação (Súmula Vinculante).
- Validade até 2 anos, prorrogável por uma vez por igual período (CF 37 III).
- Cota racial (Lei 12.990/2014 - 20% para negros em concursos federais) e PCD (mín. 5% em federais; até 20% no estatuto de cada ente).
Cargos em comissão (de livre nomeação) e funções de confiança são EXCEÇÃO ao concurso público (CF 37 V). Mas devem ser destinados, a regra, a servidores efetivos.
Aprofundamos no Módulo 8.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 Cargos e Remuneração
Subsistemas de APLICAÇÃO (cargos, descrição, análise) e MANUTENÇÃO (remuneração, benefícios). Andam juntos.
Cargo: conceito
Cargo é o conjunto organizado de funções, atribuições e responsabilidades atribuídas a uma posição na estrutura formal. Diferente de função (atividade específica) e tarefa (unidade mínima de trabalho).
Análise e descrição de cargos
Dois processos relacionados:
- Análise de cargo: identifica REQUISITOS (mentais, físicos, responsabilidades, condições) que o ocupante precisa atender.
- Descrição de cargo: documento que registra TÍTULO, RESUMO, ATIVIDADES e responsabilidades.
Métodos para coletar dados:
- Observação direta.
- Questionário ao ocupante.
- Entrevista com ocupante e/ou supervisor.
- Diário de atividades.
- Métodos mistos.
Desenho de cargos - 4 abordagens
| Abordagem | Lógica | Exemplo |
|---|---|---|
| Clássica (Taylor) | Especialização máxima, padronização, eficiência | Linha de montagem |
| Humanística (Mayo) | Considera fatores sociais, satisfação | Trabalho em equipe |
| Contingencial (Hackman-Oldham) | Cargo deve ter variedade, identidade da tarefa, significado, autonomia, feedback | Modelo das 5 dimensões; rotação, ampliação, enriquecimento |
| Por competências | Cargo definido pelas competências esperadas, não por tarefas fixas | Profissional do conhecimento |
Modelo de Hackman e Oldham (5 dimensões)
Em Work Redesign (1980), Hackman e Oldham propuseram que cargos motivadores têm 5 dimensões:
- Variedade de habilidades: usa diferentes habilidades.
- Identidade da tarefa: cobre uma tarefa do início ao fim.
- Significado da tarefa: tem impacto real na vida dos outros.
- Autonomia: liberdade para decidir como fazer.
- Feedback: o trabalho retorna informação sobre o desempenho.
A combinação dessas 5 gera o Motivating Potential Score (MPS) - quanto maior, mais motivador o cargo.
Estratégias de redesenho de cargos
- Rotação: pessoa passa por vários cargos.
- Ampliação horizontal (job enlargement): mais tarefas no mesmo nível.
- Enriquecimento vertical (job enrichment - Herzberg): mais responsabilidade, autonomia, decisão.
- Equipes autônomas: o "cargo" é coletivo - a equipe decide quem faz o quê.
Remuneração - conceitos
Remuneração é a contraprestação financeira recebida em troca do trabalho. Tem componentes:
- Salário base: quantia fixa mensal, conforme cargo.
- Adicionais legais: horas extras, adicional noturno, periculosidade, insalubridade.
- Benefícios: vale-transporte, vale-alimentação, plano de saúde, previdência privada, seguro de vida.
- Remuneração variável: bônus, participação nos lucros (PLR), comissões, prêmios.
- Stock options / equity: ações da empresa.
Modelos de remuneração
| Modelo | Lógica | Adequado para |
|---|---|---|
| Tradicional (por cargo) | Salário definido pelo cargo ocupado | Estruturas estáveis e padronizadas |
| Por competências | Salário definido pelas competências do ocupante (CHA) | Profissionais do conhecimento |
| Por desempenho | Parte do salário varia com indicadores de resultado | Funções com resultado mensurável |
| Estratégica (mix) | Combina os anteriores conforme estratégia | Organizações modernas |
| Por habilidades | Salário cresce conforme novas habilidades certificadas | Ambientes técnicos com aprendizagem contínua |
Equidade salarial
Três tipos de equidade que toda política salarial deve garantir:
- Equidade externa: salários competitivos com o mercado.
- Equidade interna: cargos de valor relativo equivalente recebem salários equivalentes.
- Equidade individual: dentro de um cargo, melhores desempenhos recebem mais.
Pesquisa salarial no mercado (Mercer, Hay, Korn Ferry) e avaliação de cargos por pontos (sistema Hay) são técnicas para garantir essas equidades.
Remuneração no setor público brasileiro
Setor público tem regramento próprio:
- Remuneração estruturada por leis (diferentemente do setor privado, onde a empresa decide).
- Vencimento (salário base) + vantagens (gratificações, adicionais, ATC pré-EC 103/2019).
- Subsídio: regime de remuneração em parcela única, para magistrados, MP, militares, ministros, PMs/bombeiros (CF Art. 39 §4º).
- Teto remuneratório (CF Art. 37 XI): subsídio do Ministro do STF; municípios podem ter teto local.
- Irredutibilidade (CF Art. 37 XV): remuneração não pode ser reduzida nominalmente.
- Revisão geral anual (CF Art. 37 X): obrigatória, mesma data, mesmo índice.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Treinamento, Desenvolvimento e Educação (T,D&E)
Subsistema de DESENVOLVIMENTO. A literatura distingue três conceitos próximos mas distintos. Decora a diferença - cai em prova:
| Conceito | Foco | Horizonte | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Treinamento (T) | Habilidades específicas para o CARGO ATUAL | Curto prazo | Treinar uso de novo software |
| Desenvolvimento (D) | Preparar pessoa para CARGOS FUTUROS / desafios | Médio prazo | Programa de desenvolvimento de líderes |
| Educação (E) corporativa | Formação ampla, AGREGAR VALOR à pessoa em qualquer contexto | Longo prazo | MBA in-company; Universidade Corporativa |
Os três se sobrepõem - mas a banca cobra a distinção. Lembre: T = aqui e agora; D = depois; E = formação ampla.
Ciclo de T&D - 4 fases
- Levantamento de Necessidades de Treinamento (LNT): identifica gaps - o que precisa ser desenvolvido. Pode ser por análise organizacional (estratégia), análise de tarefas (cargo), análise de pessoas (gap individual).
- Planejamento e desenho do programa: definir objetivos, conteúdo, métodos, instrutores, prazos, recursos.
- Execução do programa: realizar o T&D conforme planejado.
- Avaliação dos resultados: aferir se o T&D atingiu os objetivos.
É um ciclo PDCA aplicado a T&D. A avaliação realimenta novo LNT.
Os 4 níveis de Kirkpatrick (1959, 1994)
Donald Kirkpatrick, em Evaluating Training Programs (publicado em série em 1959, livro em 1994), propôs 4 níveis para avaliar treinamento. Cobrança ABSOLUTAMENTE certa em prova de RH. Decora os 4:
| Nível | O que mede | Como mede |
|---|---|---|
| 1. Reação | O participante GOSTOU? Achou útil? | Pesquisa de satisfação ao final do treinamento; "happy sheets" |
| 2. Aprendizagem | Os participantes APRENDERAM os conteúdos? | Provas, testes, demonstrações de habilidade |
| 3. Comportamento | Os participantes APLICAM no trabalho? | Observação no trabalho, avaliação de chefe e pares (após semanas/meses) |
| 4. Resultados | O treinamento gerou IMPACTO na organização? | Indicadores organizacionais (produtividade, qualidade, satisfação do cliente) |
5º nível de Phillips (1996) - ROI
Jack Phillips acrescentou um 5º nível ao modelo de Kirkpatrick:
- 5. ROI - Retorno sobre o Investimento: relação entre os benefícios financeiros do treinamento e o seu custo. Fórmula: ROI = (Benefício monetário - Custo) / Custo × 100%.
Phillips argumentou que organizações modernas precisam quantificar o retorno do treinamento, não só descrever resultados qualitativos.
Em prova: se a banca pedir 4 níveis = Kirkpatrick. Se pedir 5 = Phillips. Se pedir o nível MAIS COMPLEXO de aplicar = Resultados (4) ou ROI (5). Os primeiros (Reação, Aprendizagem) são fáceis; os últimos exigem dados organizacionais e tempo.
Métodos de T&D
Múltiplas formas de oferecer T&D:
- Sala de aula tradicional: presencial, expositivo.
- EAD / e-learning: online, autoinstrucional.
- Blended (híbrido): combina presencial + online.
- Workshops e oficinas: prático, mão na massa.
- On-the-job training: aprendizado no próprio posto de trabalho.
- Job rotation: pessoa passa por várias áreas.
- Coaching: relação 1-1 com coach focada em desenvolvimento.
- Mentoring: relação 1-1 com profissional sênior, mais ampla.
- Counseling: orientação para questões pessoais e profissionais.
- Simulações e jogos: aprendizagem por experiência segura.
- Estudos de caso: análise de problemas reais.
- Microlearning: pílulas curtas (5-15 min); tendência atual.
- Aprendizagem social (peer learning): aprender com colegas.
- Universidade corporativa: estrutura interna integrada de educação.
Andragogia (educação de adultos)
Princípios da andragogia, propostos por Malcolm Knowles:
- Adultos precisam saber POR QUE estão aprendendo.
- Adultos aprendem fazendo.
- Adultos resolvem problemas reais (não abstrações).
- Adultos trazem experiência - usam-na como base.
- Adultos aprendem melhor quando o conteúdo é relevante para eles.
- Adultos são autodirigidos.
Diferente da pedagogia (educação infantil), a andragogia respeita a autonomia do adulto. Programas de T&D corporativo modernos seguem esses princípios.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 Avaliação de desempenho - aprofundamento RH
Já vimos o tema na aula 05 (Controle e Avaliação) sob o ângulo da função C do PODC. Aqui aprofundamos sob o ângulo de Gestão de Pessoas - como instrumento de desenvolvimento individual.
Por que avaliar pessoas?
- Desenvolvimento: identificar gaps e plano de ação.
- Decisões de carreira: promoção, sucessão, movimentação lateral.
- Remuneração variável: bônus, mérito, PLR.
- Decisões disciplinares: incluindo desligamento documentado.
- Calibração da seleção: o que selecionamos performa bem?
- Retenção: identificar talentos a reter.
- Diagnóstico organizacional: agregada, mostra cultura, pontos fortes/fracos.
3 famílias de avaliação (Stephen Robbins)
Já vimos na aula 05. Reforço:
- Por traços: avalia o que a pessoa É (atributos de personalidade). Subjetivo.
- Por comportamentos: avalia o que a pessoa FAZ (comportamentos observáveis). Mais objetivo.
- Por resultados: avalia o que a pessoa ENTREGA (KPIs, metas). Mais objetivo ainda.
Boas avaliações modernas combinam comportamentos + resultados. Avaliação só por traços é hoje considerada frágil.
Métodos clássicos - revisão
| Método | Característica-chave |
|---|---|
| Escalas gráficas | Lista de fatores em escala (1-5, ruim-ótimo). Mais comum, mais fraco metodologicamente |
| Escolha forçada | Avaliador escolhe entre frases pré-definidas - reduz vieses, mas é trabalhoso |
| Pesquisa de campo | RH conduz entrevista com gestor sobre cada subordinado - caro, mas profundo |
| Incidentes críticos | Anota episódios excepcionais positivos ou negativos ao longo do período |
| BARS | Behaviorally Anchored Rating Scales - escalas com âncoras comportamentais; mais objetivo |
| BOS | Behavioral Observation Scales - mede frequência de comportamentos específicos |
| APO (MBO) | Avaliação por Objetivos - foco no cumprimento de metas (Drucker, 1954) |
| Avaliação 360° | Múltiplas fontes (superior, pares, subordinados, cliente, autoavaliação) |
| Listas de verificação (checklists) | Avaliador marca afirmações que se aplicam ao avaliado |
| Comparação aos pares | Ranqueamento - força distribuição forçada (Bell curve da GE) |
Avaliação 360° - aprofundamento
Já vista na aula 05. Reforço pela perspectiva de RH:
- Origem: anos 1990, popularizada na década seguinte.
- Fontes: superior imediato (90°) + pares (180°) + subordinados (270°) + cliente + autoavaliação = 360°.
- Variantes: 90°, 180°, 270°, 360°, 540° (incluindo fornecedores).
- Vantagens: visão multifacetada, reduz vieses individuais, gera autoconhecimento.
- Desvantagens: caro, complexo, exige cultura madura, pode haver represálias.
- Boas práticas: anonimato dos avaliadores não-superiores; consolidação por terceiros; uso para desenvolvimento (não punição).
Vieses na avaliação - revisão
Já vistos na aula 05. Os principais:
- Efeito halo: uma característica geral contamina a avaliação de fatores distintos.
- Tendência central: notas medianas para todos.
- Leniência: notas altas para todos.
- Severidade (rigor): notas baixas para todos.
- Recência: episódios recentes pesam mais que o período inteiro.
- Estereótipo: gênero, idade, raça, formação contaminam.
- Projeção: avaliador projeta seus próprios traços no avaliado.
- Contraste: comparação com avaliado anterior, não com o padrão.
- Similaridade: favorece quem é parecido.
- Primeira impressão: opinião precoce resiste a evidência contrária.
Tendências modernas em avaliação de pessoas
- Continuous performance management: avaliação contínua, não só anual. Conversas frequentes (1-1, check-ins) substituem "evento" formal.
- OKRs: avaliação atrelada ao cumprimento de objetivos trimestrais.
- Feedback em tempo real: ferramentas digitais para feedback contínuo (Lattice, 15Five, Culture Amp).
- Calibração: encontros entre gestores para alinhar critérios e evitar vieses.
- Avaliação focada em desenvolvimento: separar avaliação de remuneração para reduzir conflito de interesse.
- People analytics: cruzamento de dados de desempenho com outros (engajamento, performance, retenção).
- 9-Box Grid: matriz 3x3 desempenho x potencial, popular em gestão de talentos.
O 9-Box é matriz com eixo X = desempenho atual (baixo, médio, alto) e eixo Y = potencial (baixo, médio, alto). Os 9 quadrantes orientam ações: high performers + high potential = sucessores; baixo desempenho + baixo potencial = desligamento. Cobrança em prova moderna.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Gestão por competências (CHA)
O modelo de gestão de pessoas mais aplicado nas últimas duas décadas. Em vez de organizar tudo em torno de cargos e tarefas, organiza em torno de competências: o que a pessoa precisa saber, saber fazer e querer fazer para entregar valor.
Origem do conceito - David McClelland (1973)
David McClelland, em Testing for Competence Rather Than for Intelligence (American Psychologist, 1973), questionou os testes de inteligência (QI) como preditores de sucesso profissional. Observou que pessoas com QI parecido tinham desempenhos profissionais muito diferentes - logo, QI não bastava. McClelland propôs medir competências em vez de inteligência: o que de fato distingue performers superiores.
O conceito ganhou tração e gerou várias escolas:
- Escola americana (anos 1970-80): competência como conjunto de qualificações (inputs - conhecimentos, habilidades).
- Escola francesa (anos 1990, Le Boterf): competência é o ato de MOBILIZAR saberes em situação. Não é o que se TEM, é o que se FAZ COM o que se tem.
- Escola brasileira (anos 2000, Fleury, Dutra, Hipólito): competência é entrega que agrega valor econômico e social, mensurada por resultado.
CHA - o tripé da competência
A formulação mais popular no Brasil define competência como CHA:
- C - Conhecimento (saber): cognitivo, teórico. Ex.: conhece a Constituição; sabe SQL.
- H - Habilidade (saber fazer): técnico, prático. Ex.: redige peças; programa em SQL.
- A - Atitude (querer fazer): comportamental, motivacional. Ex.: proativo; trabalha em equipe; orientado ao cliente.
Os três se combinam: ter conhecimento sem atitude (sabe, mas não quer fazer), ou habilidade sem conhecimento (faz, mas não entende), ou só atitude (quer, mas não sabe nem faz) = competência incompleta.
Tipos de competência
Boas tipologias caem em prova. Decora as principais:
- Competências organizacionais: competências que distinguem a organização. Ex.: foco no cliente, inovação, qualidade.
- Competências essenciais (core competences): subgrupo das organizacionais com 3 atributos (Hamel-Prahalad): acesso a múltiplos mercados + valor percebido pelo cliente + difícil de imitar.
- Competências individuais: do colaborador. Subdividem-se em técnicas, comportamentais, gerenciais, de liderança.
- Competências técnicas (hard skills): específicas da função.
- Competências comportamentais (soft skills): comuns a várias funções (comunicação, trabalho em equipe).
- Competências gerenciais: específicas para liderar pessoas e processos.
- Competências de liderança (leadership): de cargos estratégicos.
Le Boterf - competência como ação
Guy Le Boterf (Competence et Navigation Professionnelle, 1999) destacou: competência não é estoque, é AÇÃO. É "saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, num contexto profissional determinado". Implicações:
- Competência só existe em SITUAÇÃO concreta.
- Competência é COMBINATÓRIA - mistura recursos pessoais e do ambiente.
- Competência é APRENDIDA pela experiência prática.
Fleury e Fleury - competência como entrega
Maria Tereza Leme Fleury e Afonso Fleury (Estratégias Empresariais e Formação de Competências, 2001) consolidaram a definição mais usada no Brasil: "Competência é um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo." Note dois pontos centrais:
- Valor econômico à organização: a competência precisa entregar resultado.
- Valor social ao indivíduo: a competência também desenvolve a pessoa.
É a definição mais cobrada em prova de gestão por competências no Brasil.
Mapeamento de competências
Processo de identificar, descrever e organizar as competências necessárias à organização e seus cargos. Etapas típicas:
- Identificar competências organizacionais: a partir da estratégia (missão, visão, valores).
- Identificar competências por cargo / função: quais comportamentos esperados em cada posição.
- Definir níveis de proficiência: básico, intermediário, avançado, mestre.
- Avaliar lacunas (gap): comparar competências esperadas com competências atuais.
- Definir ações: T&D, mentoria, movimentação, contratação para preencher lacunas.
Aplicação da gestão por competências
Uma vez mapeadas, as competências guiam todos os subsistemas de RH:
- Recrutamento e seleção por competências: vaga descrita por competências; entrevista comportamental para detectá-las (STAR).
- Avaliação por competências: comportamentos observáveis em vez de traços vagos.
- T&D por competências: programa orientado às competências em desenvolvimento.
- Carreira por competências: progressão baseada em desenvolvimento de competências, não em tempo.
- Remuneração por competências: salário cresce com novas competências certificadas.
Gestão por competências no setor público brasileiro
O Decreto 9.991/2019 (PNDP - Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas) estabeleceu a gestão por competências como diretriz do desenvolvimento de pessoas no Executivo Federal. Características:
- Plano de Desenvolvimento de Pessoas (PDP) anual baseado em mapeamento de competências.
- Capacitação alinhada a competências organizacionais.
- Monitoramento e avaliação de retorno.
- ENAP é referência nacional - oferece capacitação por competências.
Joel Souza Dutra e José Antonio Hipólito são as principais referências brasileiras em gestão por competências no setor público.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 Gestão de Pessoas no setor público brasileiro
A gestão de pessoas no serviço público segue regramento próprio, com base na CF/88 (Arts. 37 a 41) e em legislações específicas. As particularidades caem muito em prova - decora os pontos centrais.
Marco constitucional - CF Arts. 37 a 41
Pontos essenciais da CF/88:
- Art. 37 II: investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas, ou de provas e títulos. Exceções: cargos em comissão (livre nomeação) e funções de confiança.
- Art. 37 III: prazo de validade do concurso é de até 2 anos, prorrogável uma vez por igual período.
- Art. 37 V: as funções de confiança e os cargos em comissão destinam-se apenas a atribuições de direção, chefia e assessoramento. Os cargos em comissão devem ser preenchidos por servidores efetivos nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei.
- Art. 37 VIII: a lei reservará percentual de cargos para portadores de deficiência.
- Art. 37 X: revisão geral anual de remuneração, sempre na mesma data e sem distinção de índices.
- Art. 37 XI: teto remuneratório (subsídio do Ministro do STF).
- Art. 37 XV: irredutibilidade dos vencimentos (nominal).
- Art. 39 §4º: subsídio em parcela única (magistrados, MP, militares, ministros).
- Art. 41: estabilidade do servidor após 3 anos de exercício efetivo, condicionada à aprovação em avaliação especial de desempenho.
Estabilidade do servidor (CF Art. 41)
Conceito central. Após 3 anos de exercício efetivo (estágio probatório) e aprovação em avaliação especial de desempenho, o servidor adquire estabilidade. Implicações:
- Só perde o cargo por sentença judicial transitada em julgado, processo administrativo disciplinar (PAD) com ampla defesa, ou avaliação periódica de desempenho insatisfatória (CF Art. 41 §1º I, II, III).
- O inciso III foi acrescido pela EC 19/1998 e exige lei complementar para regulamentar (ainda não editada plenamente em âmbito federal).
- Estabilidade é do servidor em relação ao serviço público, NÃO ao cargo específico (CF Art. 41 §2º - reintegrado se invalidada a demissão).
- Estabilidade NÃO se aplica a empregados públicos celetistas (de empresas públicas e sociedades de economia mista) - apenas a servidores estatutários.
Lei 8.112/1990 - Regime Jurídico Único (RJU)
Lei central da gestão de pessoas no Executivo Federal. Aspectos cobrados em concursos:
- Provimento e vacância: nomeação, posse (até 30 dias), exercício (até 15 dias), vacância (exoneração, demissão, aposentadoria, falecimento).
- Direitos e vantagens: vencimento, gratificações, adicionais, indenizações (ajuda de custo, diárias, transporte, auxílio-moradia), férias (30 dias + 1/3), licenças.
- Regime disciplinar: deveres (Art. 116), proibições (Art. 117), responsabilidade administrativa, civil, penal (independentes - Art. 121).
- Penalidades: advertência, suspensão, demissão, cassação de aposentadoria, destituição de cargo em comissão (Art. 127).
- Processo Administrativo Disciplinar (PAD): instaurado para apurar faltas. Ampla defesa e contraditório (CF 5º LV).
- Comissão de Sindicância: faltas leves, até 30 dias.
- Acumulação de cargos: regra é vedada (CF 37 XVI), com exceções (2 cargos de professor, 1 de professor + 1 técnico/científico, 2 da área de saúde com profissões regulamentadas).
Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas - PNDP (Decreto 9.991/2019)
Substituiu a anterior (Decreto 5.707/2006) e modernizou a capacitação no Executivo Federal. Características:
- Gestão por competências como diretriz central.
- Plano de Desenvolvimento de Pessoas (PDP) anual, com mapeamento de competências e necessidades.
- Universidade Corporativa do Serviço Público e ENAP como referências.
- Prioridade a desenvolvimento de líderes, transformação digital e atendimento ao cidadão.
- Avaliação de retorno: monitoramento dos resultados das ações de capacitação.
- Tipos de capacitação: ações educacionais, eventos, intercâmbios.
Programa de Gestão e Desempenho - PGD (Decreto 11.069/2022)
Regulamenta o teletrabalho e a gestão por entregas no Executivo Federal. Pontos centrais:
- Modalidades: presencial, semipresencial, teletrabalho integral.
- Gestão por entregas: foco em produtos e resultados, não em horário.
- Plano de trabalho individual: define o que será entregue, com prazos.
- Avaliação periódica: acompanhamento das entregas.
- Teletrabalho não é direito - é faculdade do gestor, conforme interesse público.
Outras leis relevantes
- Lei 11.091/2005: PCCTAE - Plano de Carreira dos Técnicos-Administrativos em Educação.
- Lei 12.527/2011 (LAI): transparência ativa de remuneração de servidores.
- Lei 12.846/2013: anticorrupção (responsabilidade da pessoa jurídica).
- Lei 12.990/2014: cota racial em concursos federais (20% para negros).
- Lei 8.213/1991 Art. 93: cota PCD em empresas privadas (2% a 5% conforme porte).
- EC 103/2019: reforma da previdência - alterou regras de aposentadoria do servidor.
- Lei 14.133/2021 (nova Lei de Licitações): cria o gestor de contratos como papel formal.
Tendências contemporâneas no serviço público
- Concursos públicos modernizados: provas de fase única, etapas comportamentais, redução de tempo entre publicação e nomeação.
- Avaliação por entregas (PGD): evolução do controle por presença para controle por resultado.
- Capacitação por competências (PNDP): planos individuais de desenvolvimento.
- Carreiras transversais: movimentação entre órgãos para troca de experiências.
- Liderança no setor público: programas como ENAP Líderes, formação de quadros estratégicos.
- Diversidade, equidade e inclusão: cotas de gênero, raça e PCD em todos os níveis.
- Teletrabalho híbrido: pós-pandemia, parte expressiva dos servidores em modelo híbrido.
- People analytics no setor público: GovData, BI aplicado a RH público.
- Saúde mental e bem-estar: programas crescentes em órgãos federais e estaduais.
O vilão da aula: Professor de Cursinho
Esse vilão repete matéria de 2015 - vai te dizer que o RH é só "departamento pessoal" focado em folha, ou que estabilidade significa que servidor "não pode ser demitido". Cuidado: a literatura moderna (e a CF/88) admite a perda do cargo do servidor estável em três hipóteses (Art. 41 §1º): sentença judicial transitada em julgado, PAD com ampla defesa, e avaliação periódica insatisfatória. Não confunda estabilidade com vitaliciedade (que é só de magistrados, MP e TC).
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Gestão de pessoas no setor público brasileiro vem mudando rápido. PNDP em 2019, PGD em 2022, gestão por competências, avaliação por entregas, teletrabalho híbrido. Quem entender o roteiro novo, sai na frente em concursos do MGI (ex-Economia/Planejamento) e órgãos modernos.
Mapa mental
Conceito e evolução (Mód. 1)
- 4 fases: DP → RH → GP → GEP
- 4 papéis de Ulrich: parceiro estratégico, agente de mudança, especialista administrativo, defensor dos empregados
- Capital humano (Becker, Schultz)
5 subsistemas (Mód. 2)
- 1. Provisão (R&S)
- 2. Aplicação (cargos, avaliação)
- 3. Manutenção (remuneração, segurança)
- 4. Desenvolvimento (T&D)
- 5. Monitoração (sistemas, auditoria)
- Mnemônico: P-A-M-D-M
R&S (Mód. 3)
- Recrutamento: interno, externo, misto
- Seleção: triagem, provas, entrevistas, dinâmicas, assessment
- Entrevista: estruturada, comportamental (STAR), por competências
- Indicadores: time-to-hire, cost-per-hire, quality-of-hire
Cargos e remuneração (Mód. 4)
- Hackman-Oldham: 5 dimensões (variedade, identidade, significado, autonomia, feedback)
- Job rotation, enlargement, enrichment
- Remuneração: tradicional, por competências, variável, estratégica
- 3 equidades: externa, interna, individual
T,D&E (Mód. 5)
- T = cargo atual, D = futuro, E = formação ampla
- Ciclo: LNT → planejamento → execução → avaliação
- Kirkpatrick (1959, 1994): 4 níveis - reação, aprendizagem, comportamento, resultados
- Phillips (1996): 5º nível - ROI
- Andragogia (Knowles)
Avaliação (Mód. 6)
- 3 famílias: traços, comportamentos (BARS), resultados (APO)
- 360°, vieses (halo, recência, etc.)
- Tendências: continuous, OKRs, 9-Box
Competências (Mód. 7)
- CHA: Conhecimento (saber) + Habilidade (saber fazer) + Atitude (querer fazer)
- McClelland (1973): origem do conceito
- Le Boterf: mobilizar saberes em situação
- Fleury: agregar valor econômico + social
- Mapeamento, gap, ações
Setor público (Mód. 8)
- CF Arts. 37-41: concurso, estabilidade, teto, irredutibilidade
- Lei 8.112/1990 (RJU)
- PNDP (Decreto 9.991/2019) - gestão por competências
- PGD (Decreto 11.069/2022) - teletrabalho, gestão por entregas
- Estabilidade: 3 hipóteses de perda (CF 41 §1º)
Revisão relâmpago
DP (até 1950) → RH (1950-1990) → Gestão de Pessoas (1990+) → Gestão Estratégica (2010+).
Provisão, Aplicação, Manutenção, Desenvolvimento, Monitoração (P-A-M-D-M).
Parceiro estratégico, agente de mudança, especialista administrativo, defensor dos empregados.
Interno (motiva, mais rápido) / Externo (oxigena, mais opções) / Misto.
5 dimensões: variedade, identidade, significado, autonomia, feedback. Geram MPS.
T = cargo atual (curto). D = futuro (médio). E = formação ampla (longo).
4 níveis: 1. Reação (gostou?) / 2. Aprendizagem (aprendeu?) / 3. Comportamento (aplica?) / 4. Resultados (impactou?). Phillips: 5. ROI.
Traços (o que é) / Comportamentos (o que faz) / Resultados (o que entrega). Modernos: comportamentos + resultados.
Superior + pares + subordinados + cliente + autoavaliação. Variantes: 90°, 180°, 270°, 360°, 540°.
Conhecimentos (saber) + Habilidades (saber fazer) + Atitudes (querer fazer). McClelland (1973).
Le Boterf: mobilizar saberes em situação. Fleury: agregar valor econômico (org) + social (indivíduo).
CF Arts. 37-41 (concurso, estabilidade 3 anos, teto, irredutibilidade). Lei 8.112/1990 (RJU). PNDP (Decreto 9.991/2019). PGD (Decreto 11.069/2022).
10 questões comentadas
Questões nos pontos campeões da aula. Cada uma com gabarito e análise do Prof. Affonsinho. Estilo de cobrança das principais bancas (CESPE/Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp).
Questão 01 · Comentada
Enunciado. Sobre a evolução histórica da área de Gestão de Pessoas, é correto afirmar:
- A) A área evoluiu, em ordem cronológica, de Gestão de Pessoas para Recursos Humanos e, depois, para Departamento Pessoal.
- B) O Departamento Pessoal é a fase mais moderna, caracterizada pela visão da pessoa como parceira estratégica da organização.
- C) A evolução percorre, em ordem cronológica, Departamento Pessoal (foco em folha e controle), Recursos Humanos (processos integrados), Gestão de Pessoas (visão de parceria) e, mais recentemente, Gestão Estratégica de Pessoas (pessoas como vantagem competitiva).
- D) Os termos Departamento Pessoal, Recursos Humanos e Gestão de Pessoas são sinônimos e podem ser usados intercambiavelmente.
- E) A área nunca teve evolução conceitual, mantendo o mesmo foco desde sua origem.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Sequência clássica: DP (folha, controle) → RH (processos integrados) → GP (parceria) → GEP (vantagem competitiva). Inversões da ordem são pegadinhas frequentes.
- A errada: Inversão completa da cronologia. O DP é o MAIS antigo, não a fase final.
- B errada: DP é a fase mais ANTIGA, não moderna. A pessoa parceira é a Gestão de Pessoas.
- C CORRETA: Sequência exata. DP até ~1950 (folha, conformidade), RH 1950-1990 (processos), GP 1990+ (parceria), GEP 2010+ (vantagem competitiva).
- D errada: São conceitos DISTINTOS, com visões diferentes da pessoa. DP vê custo, RH vê recurso, GP vê parceira.
- E errada: A área evoluiu radicalmente nas últimas décadas - é justamente o oposto da afirmação.
Tese central: Evolução: DP (folha, controle) → RH (processos integrados) → GP (parceria) → GEP (vantagem competitiva sustentável). Cada fase reflete uma visão diferente da pessoa.
Questão 02 · Comentada
Enunciado. Idalberto Chiavenato propõe que a Gestão de Pessoas pode ser organizada em cinco subsistemas integrados. Sobre esses subsistemas, julgue: O subsistema de Aplicação compreende o recrutamento, a seleção e a integração de novos colaboradores na organização. (Certo / Errado)
Gabarito: Errado
Prof. Affonsinho comenta
Inversão clássica. Recrutamento, seleção e integração são parte do subsistema de PROVISÃO (suprimento), não de Aplicação. Aplicação inclui descrição de cargos, avaliação de desempenho e plano de carreira.
- E ERRADO: Atribuição equivocada. PROVISÃO (não Aplicação) é o subsistema que compreende pesquisa de mercado de RH, recrutamento, seleção e integração. APLICAÇÃO compreende análise e descrição de cargos, desenho de cargos, avaliação de desempenho e plano de carreira. Outras pegadinhas comuns: dizer que Treinamento é Aplicação (é Desenvolvimento), que Banco de Dados é Manutenção (é Monitoração), que Remuneração é Provisão (é Manutenção).
Tese central: 5 subsistemas (Chiavenato): PROVISÃO (R&S, integração), APLICAÇÃO (cargos, avaliação), MANUTENÇÃO (remuneração, segurança), DESENVOLVIMENTO (T&D), MONITORAÇÃO (sistemas, auditoria). Mnemônico: P-A-M-D-M.
Questão 03 · Comentada
Enunciado. Sobre as modalidades de recrutamento de pessoal, é correto afirmar:
- A) O recrutamento interno é mais demorado e mais caro que o externo, pois exige análise mais profunda do candidato.
- B) O recrutamento externo é caracterizado por preencher vacâncias com pessoas que já trabalham na organização.
- C) O recrutamento interno tem como vantagens a maior velocidade, o menor custo e a motivação da equipe; sua desvantagem é a redução de oxigenação cultural e o potencial conflito com não-promovidos.
- D) O recrutamento misto exclui completamente candidatos externos, focando apenas em movimentações internas.
- E) O recrutamento externo é incompatível com práticas de recrutamento por indicação.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Recrutamento interno tem vantagens claras (rápido, barato, motiva, conhecedor da cultura) mas riscos (oxigenação, conflito). Externo é o oposto.
- A errada: Inversão. Recrutamento INTERNO é mais rápido e mais barato (não externo).
- B errada: Inversão. Externo busca no MERCADO. Quem busca dentro é o INTERNO.
- C CORRETA: Síntese precisa. Interno: rápido, barato, motivador, mas pode reduzir oxigenação. Externo: oxigena, mais opções, mas mais caro e demorado.
- D errada: Recrutamento MISTO combina interno + externo. Não exclui nenhum.
- E errada: Indicação por funcionários (referrals) é justamente uma técnica comum de recrutamento externo.
Tese central: INTERNO: rápido, barato, motiva, conhece cultura - mas reduz oxigenação. EXTERNO: oxigena, mais opções, traz novas ideias - mas caro e mais demorado. MISTO combina os dois.
Questão 04 · Comentada
Enunciado. Donald Kirkpatrick propôs um modelo de avaliação de programas de treinamento, posteriormente complementado por Jack Phillips. Sobre esse modelo, é correto afirmar:
- A) Kirkpatrick propôs três níveis de avaliação: reação, aprendizagem e impacto financeiro.
- B) O nível de Resultados (4) avalia se o participante gostou do treinamento, sendo o mais simples de medir.
- C) O modelo de Kirkpatrick original tem 4 níveis - Reação, Aprendizagem, Comportamento e Resultados; Phillips acrescentou um 5º nível de Retorno sobre Investimento (ROI).
- D) O nível de Comportamento (3) é avaliado por meio de prova de conhecimento aplicada ao final do treinamento.
- E) O nível 5 (ROI) foi proposto por Kirkpatrick em 1959, em sua obra original.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Kirkpatrick (1959, 1994): 4 níveis. Phillips (1996): adicionou 5º (ROI). Decora a sequência exata.
- A errada: Kirkpatrick propôs 4 níveis (não 3). E o 4º é Resultados (impacto na organização) - 'impacto financeiro' como nome é só do ROI de Phillips.
- B errada: Inversão. O nível de RESULTADOS (4) avalia o impacto na organização - é DIFÍCIL de medir. Quem avalia se gostou é o nível 1 (REAÇÃO).
- C CORRETA: Sequência exata: Kirkpatrick = 4 níveis (Reação, Aprendizagem, Comportamento, Resultados); Phillips (1996) acrescentou ROI como 5º nível.
- D errada: Comportamento (3) é avaliado pela observação no trabalho - se a pessoa APLICA o que aprendeu. Prova ao final = nível 2 (Aprendizagem).
- E errada: ROI foi proposto por Phillips em 1996, não por Kirkpatrick em 1959.
Tese central: Kirkpatrick (1959, 1994): 4 níveis - 1. Reação (gostou?), 2. Aprendizagem (aprendeu?), 3. Comportamento (aplica?), 4. Resultados (impacto?). Phillips (1996): 5º nível - ROI.
Questão 05 · Comentada
Enunciado. Acerca da gestão por competências e da formulação CHA, é correto afirmar:
- A) CHA é a sigla para Currículo, Habilidades e Atribuições, sendo um sistema de cargos por antiguidade.
- B) CHA significa Conhecimentos (saber), Habilidades (saber fazer) e Atitudes (querer fazer), sendo o tripé que define a competência segundo a literatura mais difundida no Brasil.
- C) Na formulação CHA, somente os conhecimentos são considerados componentes da competência; habilidades e atitudes são tratados como categorias paralelas.
- D) O modelo CHA foi proposto por Frederick Taylor em sua obra Princípios de Administração Científica, de 1911.
- E) Atitudes referem-se exclusivamente à pontualidade do colaborador, sem incluir motivação ou postura comportamental.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
CHA: Conhecimentos (saber), Habilidades (saber fazer), Atitudes (querer fazer). Origem em McClelland (1973). Cobrança quase certa em prova de RH.
- A errada: Sigla errada. C = Conhecimento (não Currículo); A = Atitude (não Atribuições).
- B CORRETA: Definição precisa. C = Conhecimento (saber/cognitivo), H = Habilidade (saber fazer/técnico), A = Atitude (querer fazer/comportamental). Os três se combinam para formar competência.
- C errada: Os TRÊS são componentes da competência. Não são categorias paralelas - são dimensões integradas.
- D errada: CHA não é de Taylor (1911). A origem do conceito moderno de competência remonta a David McClelland (1973). A formulação CHA é elaboração brasileira posterior.
- E errada: Atitudes inclui pontualidade, mas vai muito além: motivação, postura, valores, postura comportamental, proatividade. Restringir a só pontualidade é errado.
Tese central: CHA = Conhecimentos (saber/cognitivo) + Habilidades (saber fazer/técnico) + Atitudes (querer fazer/comportamental). Tripé da competência. Origem moderna: McClelland (1973).
Questão 06 · Comentada
Enunciado. A definição de competência mais difundida no Brasil, formulada por Maria Tereza Leme Fleury e Afonso Fleury (2001), considera competência como:
- A) Conjunto de tarefas previstas em descrição de cargo, sem implicação de mobilização de recursos pelo profissional.
- B) Habilidade técnica isolada, desvinculada do contexto e do resultado entregue.
- C) Saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, agregando valor econômico à organização e valor social ao indivíduo.
- D) Atributo inato, fixo e imutável, que distingue indivíduos desde o nascimento.
- E) Resultado exclusivo da formação acadêmica formal do indivíduo.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Definição de Fleury e Fleury (2001) é a mais cobrada em prova brasileira. Note os dois eixos de valor: econômico (organização) e social (indivíduo).
- A errada: Tarefas em descrição de cargo é abordagem antiga (visão por cargo). Competência envolve MOBILIZAÇÃO ativa, não execução passiva.
- B errada: Competência é mais que habilidade técnica isolada. Inclui CHA + mobilização + contexto + entrega de valor.
- C CORRETA: Definição exata de Fleury e Fleury (2001). Saber AGIR (não só saber). MOBILIZAR (não só ter). VALOR ECONÔMICO (org) + SOCIAL (indivíduo).
- D errada: Competência é APRENDIDA, desenvolvida pela experiência e pela formação. Não é inata nem fixa.
- E errada: Competência inclui formação, mas vai MUITO além. Inclui experiência, atitudes, contexto, mobilização.
Tese central: Fleury e Fleury (2001): competência = saber agir responsável e reconhecido + mobilizar/integrar/transferir conhecimentos/recursos/habilidades + agregar valor econômico (organização) e social (indivíduo). Definição mais cobrada no Brasil.
Questão 07 · Comentada
Enunciado. David Ulrich propôs, em 'Human Resource Champions' (1997), que a área de RH desempenha simultaneamente quatro papéis. Esses papéis são definidos por duas dimensões: foco temporal (estratégico ou operacional) e atividade (processos ou pessoas). Sobre esses papéis, é correto afirmar:
- A) Ulrich propôs apenas dois papéis para o RH: parceiro estratégico e administrador de folha.
- B) O papel de Especialista Administrativo concentra-se na transformação cultural da organização.
- C) Os quatro papéis de Ulrich são: Parceiro Estratégico (foco estratégico + processos), Agente de Mudança (foco estratégico + pessoas), Especialista Administrativo (foco operacional + processos) e Defensor dos Empregados (foco operacional + pessoas).
- D) O Defensor dos Empregados tem foco estratégico exclusivo, sem qualquer dimensão operacional.
- E) Os papéis são excludentes - o RH só desempenha um papel por vez.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Modelo dos 4 papéis de Ulrich (1997). Cruzamento das duas dimensões gera 4 quadrantes - cada um com um papel específico. RH eficaz dosa todos.
- A errada: Ulrich propôs QUATRO papéis, não dois.
- B errada: Transformação cultural é do AGENTE DE MUDANÇA. Especialista Administrativo cuida de eficiência em processos de RH (folha, sistemas).
- C CORRETA: Mapeamento exato dos 4 papéis em duas dimensões: estratégico/operacional × processos/pessoas.
- D errada: Defensor dos Empregados tem foco OPERACIONAL + pessoas (não estratégico). Cuida do bem-estar e engajamento dia a dia.
- E errada: Os 4 papéis são SIMULTÂNEOS. Bom RH desempenha todos em proporção adequada ao contexto.
Tese central: 4 papéis do RH (Ulrich 1997): Parceiro Estratégico (estratégico + processos) + Agente de Mudança (estratégico + pessoas) + Especialista Administrativo (operacional + processos) + Defensor dos Empregados (operacional + pessoas). Simultâneos, não excludentes.
Questão 08 · Comentada
Enunciado. Sobre o estágio probatório e a estabilidade do servidor público civil federal, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, é correto afirmar:
- A) A estabilidade é adquirida automaticamente após 1 ano de exercício efetivo, sem necessidade de avaliação.
- B) O servidor estável adquire vitaliciedade no cargo, equiparando-se a magistrados e membros do Ministério Público.
- C) São condições para a estabilidade do servidor estatutário federal: 3 anos de efetivo exercício e aprovação em avaliação especial de desempenho. Após estável, o servidor só perde o cargo nas hipóteses previstas no Art. 41 §1º (sentença judicial transitada em julgado, processo administrativo disciplinar com ampla defesa, ou avaliação periódica de desempenho insatisfatória nos termos de lei complementar).
- D) A estabilidade aplica-se igualmente a empregados públicos celetistas de empresas públicas e sociedades de economia mista.
- E) A perda do cargo do servidor estável é livre, dependendo apenas da decisão do gestor imediato.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
CF Art. 41. Estabilidade após 3 anos + avaliação. 3 hipóteses de perda do cargo. Não é vitaliciedade.
- A errada: Estabilidade exige 3 ANOS de efetivo exercício (não 1) e AVALIAÇÃO ESPECIAL DE DESEMPENHO (não automática). CF Art. 41 caput, com redação dada pela EC 19/1998.
- B errada: Estabilidade ≠ vitaliciedade. Vitaliciedade é prerrogativa de magistrados, MP e Tribunais de Contas - mais restrita (perda do cargo só por sentença judicial transitada em julgado). Estabilidade tem 3 hipóteses de perda.
- C CORRETA: Síntese precisa do regime constitucional. 3 anos + avaliação especial → estabilidade. 3 hipóteses de perda (CF 41 §1º): sentença judicial, PAD com ampla defesa, avaliação periódica insatisfatória nos termos de LC (acrescido pela EC 19/1998).
- D errada: Estabilidade aplica-se apenas a SERVIDORES ESTATUTÁRIOS. Empregados públicos celetistas (Caixa, BB, EBC, etc.) não têm estabilidade no sentido da CF Art. 41 - são regidos pela CLT, com nuances de aplicação.
- E errada: A perda do cargo do servidor estável NÃO é livre - exige uma das 3 hipóteses constitucionais com ampla defesa e contraditório.
Tese central: Estabilidade (CF Art. 41): 3 anos de efetivo exercício + avaliação especial de desempenho. 3 hipóteses de perda do cargo (§1º): sentença judicial transitada em julgado, PAD com ampla defesa, avaliação periódica insatisfatória (lei complementar). Distinto de vitaliciedade (magistrados, MP, TC).
Questão 09 · Comentada
Enunciado. Sobre a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas (PNDP), instituída pelo Decreto 9.991/2019, é correto afirmar:
- A) A PNDP estabelece como diretriz central a manutenção do modelo de cargos por tempo de serviço, sem foco em competências.
- B) A PNDP exige apenas a contratação de cursos externos, vedada a criação de programas internos pelos órgãos.
- C) A PNDP adota a gestão por competências como diretriz central, exige a elaboração anual do Plano de Desenvolvimento de Pessoas (PDP) por cada órgão e prevê o monitoramento dos resultados das ações de capacitação.
- D) A PNDP foi revogada em 2020 pelo Decreto 10.411 (AIR).
- E) A PNDP aplica-se apenas a servidores em estágio probatório, excluindo os já estáveis.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Decreto 9.991/2019. PNDP moderniza a capacitação no Executivo Federal. Gestão por competências + PDP anual + monitoramento de resultados.
- A errada: Inversão. A PNDP adota GESTÃO POR COMPETÊNCIAS como diretriz central - não tempo de serviço. Substituiu o modelo anterior (Decreto 5.707/2006) modernizando a abordagem.
- B errada: A PNDP permite ações internas e externas. ENAP é referência interna; programas próprios dos órgãos são incentivados.
- C CORRETA: Síntese precisa. Gestão por competências + PDP anual + monitoramento de resultados são pilares centrais da PNDP.
- D errada: PNDP continua em vigor. AIR (Decreto 10.411/2020) é instrumento DISTINTO - regula análise de impacto regulatório, não capacitação.
- E errada: A PNDP aplica-se a TODOS os servidores do Executivo Federal, não apenas aos em estágio probatório.
Tese central: PNDP (Decreto 9.991/2019): gestão por competências como diretriz central. Plano de Desenvolvimento de Pessoas (PDP) anual por cada órgão. Monitoramento de resultados. Substituiu o Decreto 5.707/2006.
Questão 10 · Comentada
Enunciado. Acerca do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), regulamentado pelo Decreto 11.069/2022 no âmbito do Executivo Federal, é correto afirmar:
- A) O PGD obriga todos os servidores a permanecerem em regime presencial integral, vedado o teletrabalho.
- B) O PGD adota a lógica de gestão por presença (controle de horário) e veda a gestão por entregas.
- C) O PGD adota a lógica de gestão por entregas, prevê modalidades de trabalho (presencial, semipresencial e teletrabalho integral), exige plano de trabalho individual com objetivos e prazos, e prevê acompanhamento periódico das entregas.
- D) O teletrabalho é direito subjetivo do servidor, não podendo ser negado pelo gestor sob qualquer circunstância.
- E) O PGD tornou-se inválido após a revogação da Lei 8.112/1990 em 2022.
Gabarito: C
Prof. Affonsinho comenta
Decreto 11.069/2022. PGD = gestão por entregas + modalidades + plano individual. Teletrabalho NÃO é direito - é faculdade do gestor.
- A errada: Inversão. O PGD justamente PERMITE teletrabalho, em três modalidades: presencial, semipresencial e teletrabalho integral.
- B errada: Inversão. O PGD adota GESTÃO POR ENTREGAS - foco em produtos e resultados, não em horário.
- C CORRETA: Síntese precisa do PGD. Modalidades: presencial, semipresencial, teletrabalho integral. Lógica: gestão por entregas. Instrumento: plano de trabalho individual com objetivos e prazos. Acompanhamento periódico.
- D errada: Teletrabalho NÃO é direito subjetivo do servidor. É faculdade do gestor, condicionada ao interesse público e à viabilidade da modalidade.
- E errada: Lei 8.112/1990 NÃO foi revogada - continua em vigor (Regime Jurídico Único). PGD a complementa, não a substitui.
Tese central: PGD (Decreto 11.069/2022): gestão por entregas + 3 modalidades (presencial, semipresencial, teletrabalho integral) + plano de trabalho individual + acompanhamento periódico. Teletrabalho = faculdade do gestor, não direito do servidor.
Aula 07 fechada
4 fases evolutivas: DP → RH → Gestão de Pessoas → Gestão Estratégica de Pessoas.
5 subsistemas (Chiavenato): provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento, monitoração.
4 papéis do RH (Ulrich 1997): parceiro estratégico, agente de mudança, especialista administrativo, defensor dos empregados.
Recrutamento interno x externo x misto; seleção: triagem, provas, entrevista (STAR), assessment.
Hackman-Oldham: 5 dimensões do cargo motivador.
T = cargo atual / D = futuro / E = formação ampla.
Kirkpatrick (1959, 1994): reação, aprendizagem, comportamento, resultados; Phillips: 5º nível ROI.
Avaliação 360°; vieses (halo, recência, etc.); 9-Box.
CHA: Conhecimento + Habilidade + Atitude. Origem em McClelland (1973).
Le Boterf: mobilizar saberes em situação. Fleury: agregar valor econômico + social.
Setor público: CF Arts. 37-41 (concurso, estabilidade 3 anos, teto, irredutibilidade); Lei 8.112/1990; PNDP (Decreto 9.991/2019); PGD (Decreto 11.069/2022).
Próxima aula: Motivação e Comunicação Organizacional.
Aula 07 / 12 - Noções de Administração - furafila



