Ana Fani (1999, p. 115) afirma que “em todos esses lugares, o espetáculo contempla a vitória da mercadoria que produz cenários ilusórios, vigiados, controlados sob aparência de liberdade”. Nesse trecho, a autora assinala uma crítica sobre os não lugares no turismo. Sobre isso, é correto afirmar:
- A)A turistificação sem sentido de pertencimento e de identidade faz com que se criem os não lugares no turismo, ou seja, os simulacros dos lugares.
Correta, porque relaciona a turistificação à perda de pertencimento e identidade, ideia central dos não lugares como simulacros de lugares.
- B)Os não lugares são reflexos da globalização e da representação do comportamento e o estar no turismo como mercadorias de consumo e acúmulo de capital.
Errada, porque mistura globalização e consumo com uma formulação genérica, mas não define adequadamente o conceito de não lugar nem sua crítica principal.
- C)Os territórios turísticos criativos fortalecem o pertencimento e contribuem com as articulações entre os agentes sociais do turismo, colaborando com os não lugares.
Errada, porque territórios turísticos criativos fortalecem pertencimento, mas isso não colabora com não lugares, e sim com o oposto deles.
- D)A realização do turismo de forma programada e vigiada por meio de um pacote turístico, com ponto de chegada e saída definido, faz com que se produza uma experiência turística direcionada, baseada em não lugares.
Errada, porque pacotes turísticos programados podem reduzir a experiência, mas a frase exagera ao tratar isso como definição direta e completa de não lugar.
- E)Os resorts são lugares paradisíacos e isolados que se apresentam como não lugares.
Errada, porque resort pode ser espaço padronizado e controlado, mas a afirmação generaliza e não basta para definir, por si só, não lugar.
Gabarito: A
O tema aqui é o conceito de "não lugar", usado para descrever espaços de passagem, consumo e circulação que não criam identidade, pertencimento ou memória afetiva. Em vez de um vínculo com o território, a experiência é padronizada, controlada e meio "anônima", como acontece em muitos ambientes turísticos organizados para o fluxo rápido de pessoas. A crítica de Ana Fani aponta justamente para isso: o turismo pode transformar lugares em cenários simulados, bonitos por fora, mas vazios de enraizamento social. Por isso, a alternativa A está correta, porque liga a turistificação à perda de sentido de pertencimento e à criação de simulacros de lugares, isto é, espaços que parecem autênticos, mas funcionam mais como produto de consumo do que como lugar vivido. Esse debate dialoga com a ideia de Marc Augé sobre não lugares e com a crítica geográfica à mercantilização do espaço.