De acordo com Cruz e Silva (2022), a demanda turística é influenciada por diversos fatores, incluindo a estratificação socioeconômica, que pode determinar o tipo de turismo praticado e os destinos escolhidos. As desigualdades econômicas e sociais afetam diretamente o acesso e a experiência turística. Baseando-se no enunciado, quais são as principais implicações da estratificação socioeconômica na demanda do turismo?
- A)As preferências turísticas estão relacionadas à renda, mas a experiência no destino tende a ser similar entre os diferentes grupos.
Errada, porque a renda não influencia só a preferência: ela também altera fortemente a experiência turística e o nível de acesso aos produtos e serviços.
- B)Diferentes grupos socioeconômicos possuem níveis variados de acesso ao turismo, embora as opções estejam igualmente disponíveis no mercado.
Errada, porque os grupos socioeconômicos não têm acesso igual ao turismo na prática, já que renda e poder de compra criam diferenças reais de participação.
- C)As classes socioeconômicas mais altas tendem a praticar turismo de luxo, enquanto as classes mais baixas têm acesso restrito a opções turísticas limitadas.
Certa, pois a estratificação socioeconômica impacta o tipo de turismo praticado e restringe ou amplia as possibilidades de viagem conforme a renda.
- D)A estratificação socioeconômica pode influenciar o planejamento financeiro da viagem, mas não interfere de forma significativa na escolha do destino.
Errada, porque a estratificação socioeconômica interfere sim de forma significativa na escolha do destino, do padrão de consumo e do tipo de viagem.
Gabarito: C
A estratificação socioeconômica é um dos fatores mais importantes para entender a demanda turística. Em termos simples, nem todo mundo tem o mesmo dinheiro, o mesmo tempo livre ou o mesmo tipo de acesso ao mercado de viagens. Isso faz com que a escolha do destino, do meio de transporte, da hospedagem e até do tipo de atividade turística varie bastante entre os grupos sociais. Na prática, quem está em faixas de renda mais altas costuma ter mais liberdade para buscar turismo de luxo, viagens internacionais, experiências exclusivas e serviços personalizados. Já os grupos de menor renda, quando conseguem viajar, tendem a se concentrar em opções mais econômicas, mais curtas e com menos variedade. Ou seja, a desigualdade social não afeta só a possibilidade de viajar, mas também o tipo de turismo consumido. É justamente isso que a alternativa C traduz: classes socioeconômicas mais altas tendem a praticar turismo de luxo, enquanto as classes mais baixas enfrentam acesso restrito a opções turísticas limitadas. Essa relação é coerente com a literatura de demanda turística, como a abordagem de Cruz e Silva, que mostra como fatores econômicos e sociais moldam o comportamento do turista. Então, a lógica da questão é: renda e posição social influenciam diretamente quem viaja, como viaja e para onde viaja. No turismo, a desigualdade aparece até no cardápio das férias.