A ética profissional do turismólogo envolve não apenas o cumprimento das normas legais, mas também a capacidade de tomar decisões que equilibram os interesses econômicos, sociais e ambientais, promovendo, assim, um turismo verdadeiramente sustentável. (Almeida e Souza, 2023.) Considere que, hipoteticamente, determinada empresa de turismo deseja promover um novo destino turístico em certa área rural que abriga uma comunidade indígena com práticas culturais únicas. A empresa quer construir um grande resort na região, o que trará benefícios econômicos significativos, mas também poderá afetar negativamente o modo de vida tradicional da comunidade e o meio ambiente local. Com base na ética profissional, a atitude mais ética para um turismólogo é:
- A)Consultar a comunidade indígena e buscar uma solução que minimize os impactos negativos, mesmo que isso signifique ajustar os planos do resort.
Errada, porque consultar a comunidade e buscar minimizar impactos é correto, mas a alternativa fica mais limitada do que deveria ao não exigir avaliação detalhada dos efeitos ambientais e sociais.
- B)Focar no aumento da atratividade turística do local, propondo melhorias que ajudam a fortalecer o turismo sem considerar totalmente os impactos sobre a cultura e o meio ambiente.
Errada, porque prioriza a atratividade turística e ignora de forma inadequada os impactos culturais e ambientais, o que contraria a ética profissional.
- C)Realizar um estudo de impacto ambiental e social detalhado, envolvendo a comunidade local no processo, para garantir que o projeto atenda tanto às necessidades econômicas quanto à preservação cultural e ambiental.
Certa, porque prevê estudo de impacto ambiental e social, participação da comunidade e equilíbrio entre desenvolvimento econômico, preservação cultural e proteção ambiental.
- D)Apoiar a implementação do resort como uma forma de fomentar o desenvolvimento regional, assegurando que a comunidade tenha acesso aos benefícios econômicos, mesmo que a cultura local seja impactada de alguma forma.
Errada, porque trata os benefícios econômicos como justificativa suficiente e relativiza o dano à cultura local, o que não atende ao padrão ético esperado.
Gabarito: C
Nesta questão, a ideia central é que o turismólogo não pode pensar só no lucro imediato ou na “beleza” do projeto. A ética profissional exige equilíbrio entre desenvolvimento econômico, respeito à comunidade local e preservação ambiental e cultural. Em turismo, isso combina bem com o princípio do turismo sustentável: crescer, sim, mas sem passar por cima de quem já vive no destino nem destruir o que torna o lugar único. Quando há uma comunidade indígena envolvida, a cautela deve ser ainda maior. A Constituição Federal protege as manifestações culturais (arts. 215 e 216) e também reconhece os direitos dos povos indígenas sobre suas terras e sua organização social. Além disso, a Convenção 169 da OIT reforça a necessidade de consulta prévia, livre e informada quando medidas possam afetar esses povos. Então, não basta “avisar depois”: é preciso ouvir, envolver e considerar seriamente a comunidade no processo decisório. É por isso que o gabarito é a letra C. Ela propõe estudo de impacto ambiental e social detalhado, com participação da comunidade local, o que é exatamente o comportamento mais ético: avaliar riscos, reduzir danos e compatibilizar interesses econômicos com preservação cultural e ambiental. Em outras palavras, o projeto só faz sentido se não transformar desenvolvimento em atropelo. A letra C é a mais completa porque junta técnica, participação social e responsabilidade. Isso é o coração da atuação ética do turismólogo: planejar sem ignorar pessoas, natureza e cultura. Resort pode até trazer dinheiro, mas turismo bem feito não é só construir hotel grande; é construir solução inteligente.