Considerando que as manifestações da cultura popular são importantes atrativos para o turismo, assinale a opção correta.
- A)No Brasil, todas as manifestações das culturas populares se originam em comunidades rurais e, por isso, são de interesse do turismo cultural.
Errada, porque manifestações da cultura popular não se originam apenas em comunidades rurais e nem todo atrativo cultural depende dessa origem.
- B)As manifestações culturais e festas tradicionais devem ser adaptadas em sua duração, quantidade de participantes e local de realização a fim de atender às novas dinâmicas da demanda turística, sem a participação dos fazedores da cultura.
Errada, pois adaptar festas e manifestações sem a participação dos fazedores da cultura descaracteriza o bem cultural e contraria a lógica participativa.
- C)Deve-se incentivar a implementação de modelos participativos de turismo de base comunitária com enfoque no patrimônio cultural, na memória, no meio ambiente, nos saberes e fazeres da cultura popular.
Certa, porque o turismo de base comunitária valoriza patrimônio, memória, meio ambiente e os saberes e fazeres locais com participação da comunidade.
- D)O turismo promove o folclore e é fonte de financiamento da economia local, possibilitando a melhoria da qualidade de vida dos brincantes de baixa renda, por meio da pressão econômica e política sobre os agentes culturais.
Errada, porque o turismo não deve pressionar agentes culturais nem reduzir práticas populares a instrumento econômico de forma impositiva.
- E)O artesanato é expressão cultural relevante como produção associada ao turismo, com técnicas reconhecidas como patrimônio material, o que agrega valor ao produto.
Errada, porque o artesanato é produção associada ao turismo, mas suas técnicas não são, em regra, classificadas como patrimônio material; além disso, a afirmação simplifica demais o tema.
Gabarito: C
Quando a banca fala em cultura popular como atrativo turístico, ela está pensando em algo vivo, compartilhado pela comunidade e ligado ao território, à memória e aos modos de fazer. Não é uma peça de museu congelada nem um espetáculo montado de qualquer jeito para agradar visitante. Se o turismo entra nessa história, o ideal é somar valor sem arrancar a raiz cultural do lugar. Por isso, o gabarito está na ideia de turismo de base comunitária com enfoque no patrimônio cultural, na memória, no meio ambiente e nos saberes e fazeres da cultura popular. Isso combina com a lógica de participação dos moradores, valorização do conhecimento local e distribuição mais justa dos benefícios do turismo. Em outras palavras: a comunidade não é figurante, é protagonista. Esse raciocínio conversa bem com princípios da Constituição Federal de 1988, que protege a cultura como direito de todos e valoriza as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras. Também dialoga com a Política Nacional de Turismo e com a noção de desenvolvimento sustentável, muito usada em turismo cultural e comunitário. A sacada aqui é desconfiar de propostas que tratam a cultura como produto moldável ao gosto do mercado sem ouvir os próprios agentes culturais. Em turismo, adaptar pode existir, mas não pode virar descaracterização nem exclusão de quem mantém a manifestação viva. O turismo deve apoiar, não mandar no folclore.