O tema da decolonialidade tornou-se presente nos estudos sociais latino-americanos a partir do final da década de 90 do século XX. No campo do turismo, a decolonialidade baseia-se em elaborar
- A)roteiros e atividades que endossem o eurocentrismo e a anglofonia nos locais turísticos.
Errada, porque reforça eurocentrismo e anglofonia, exatamente o que a decolonialidade critica.
- B)roteiros que enfatizem narrativas que estiveram à margem da matriz colonial de poder, tais como relações de gênero, raça e classe das realidades latino-americanas.
Certa, pois propõe roteiros com narrativas marginalizadas pela matriz colonial de poder, valorizando gênero, raça e classe.
- C)roteiros que enfatizem o turismo religioso apenas de base católica nos países latino-americanos.
Errada, porque reduz o turismo religioso a uma base católica e ignora a pluralidade cultural e religiosa latino-americana.
- D)roteiros que sigam padrões estéticos, culturais, econômicos e políticos europeus, das elites brancas e católicas.
Errada, pois reproduz padrões europeus, elitistas e coloniais, em vez de questioná-los.
- E)roteiros em países latino-americanos que enfatizem os espaços urbanos, arquitetônicos, o patrimônio, a cultura e a religiosidade dos povos colonizadores.
Errada, porque privilegia os espaços e a cultura dos colonizadores, não as experiências dos povos historicamente subalternizados.
Gabarito: B
A decolonialidade, no turismo, não quer repetir a velha lógica de mostrar a América Latina com olhar europeu como se a história começasse no colonizador. A ideia é valorizar outras vozes, outros sujeitos e outras experiências que foram apagados ou colocados na margem pela matriz colonial de poder. Em vez de turismo como vitrine do centro dominante, pensa-se um turismo mais crítico, plural e conectado às realidades locais. Isso significa olhar para temas como raça, gênero, classe, territorialidade e identidades latino-americanas, enxergando como esses marcadores influenciam quem produz, quem narra e quem se beneficia do turismo. A proposta não é só visitar lugares, mas também questionar quais histórias estão sendo contadas e quais ficam de fora. É quase um "quem escreveu essa placa do museu?" aplicado ao roteiro. Por isso, o gabarito B está correto: ele fala em roteiros que enfatizem narrativas que estiveram à margem da matriz colonial de poder, incluindo relações de gênero, raça e classe nas realidades latino-americanas. Isso está em linha com a perspectiva decolonial, bastante trabalhada por autores latino-americanos como Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Catherine Walsh, que criticam a permanência do eurocentrismo e defendem a valorização de saberes e experiências subalternizadas. As demais alternativas seguem na direção oposta, porque reforçam eurocentrismo, colonialidade, elites ou apenas um recorte cultural específico, o que contraria a essência da decolonialidade.