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Turismo · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Turismo

O tema da decolonialidade tornou-se presente nos estudos sociais latino-americanos a partir do final da década de 90 do século XX. No campo do turismo, a decolonialidade baseia-se em elaborar

Gabarito: B

A decolonialidade, no turismo, não quer repetir a velha lógica de mostrar a América Latina com olhar europeu como se a história começasse no colonizador. A ideia é valorizar outras vozes, outros sujeitos e outras experiências que foram apagados ou colocados na margem pela matriz colonial de poder. Em vez de turismo como vitrine do centro dominante, pensa-se um turismo mais crítico, plural e conectado às realidades locais. Isso significa olhar para temas como raça, gênero, classe, territorialidade e identidades latino-americanas, enxergando como esses marcadores influenciam quem produz, quem narra e quem se beneficia do turismo. A proposta não é só visitar lugares, mas também questionar quais histórias estão sendo contadas e quais ficam de fora. É quase um "quem escreveu essa placa do museu?" aplicado ao roteiro. Por isso, o gabarito B está correto: ele fala em roteiros que enfatizem narrativas que estiveram à margem da matriz colonial de poder, incluindo relações de gênero, raça e classe nas realidades latino-americanas. Isso está em linha com a perspectiva decolonial, bastante trabalhada por autores latino-americanos como Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Catherine Walsh, que criticam a permanência do eurocentrismo e defendem a valorização de saberes e experiências subalternizadas. As demais alternativas seguem na direção oposta, porque reforçam eurocentrismo, colonialidade, elites ou apenas um recorte cultural específico, o que contraria a essência da decolonialidade.

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