A respeito de controle de situações de conflito, avalie as afirmativas a seguir. I. Um atirador de um pelotão destinado a controlar uma situação de conflito pode proferir disparos sem autorização formal, se perceber a necessidade de realizá-los. II. O escudeiro e o lançador de granadas agem sob o comando da tropa da qual eles fazem parte, sem improvisações. III. O armamento de fogo não deve ser de dotação de todos os militares operando em uma situação de conflito. É correto o que se apresenta em
- A)I, apenas.
A alternativa adota apenas a afirmativa I, que autoriza o atirador a efetuar disparos por decisão própria, sem autorização formal. Esse conteúdo contraria a lógica do controle de situações de conflito, em que o emprego de arma de fogo depende de comando, regras de engajamento e disciplina operacional, e não de iniciativa isolada do executor. Por isso, a tese central da alternativa não se sustenta.
- B)II, apenas.
A alternativa apresenta somente a afirmativa II, segundo a qual escudeiro e lançador de granadas atuam subordinados ao comando da tropa, sem improvisações. Isso está de acordo com a técnica de controle de distúrbios, que exige formação, funções definidas e atuação coordenada, justamente para garantir previsibilidade, segurança e obediência à cadeia de comando. A afirmação descreve corretamente a lógica operacional dessas funções.
- C)I e II, apenas.
A alternativa reúne a afirmativa I, que admite disparos sem autorização formal, e a afirmativa II, que trata da atuação disciplinada do escudeiro e do lançador de granadas. Embora a II esteja correta por refletir uma atuação padronizada e subordinada ao comando, a I falha ao permitir uso individual da arma de fogo fora das regras de engajamento e da autorização hierárquica. Assim, a combinação proposta não fecha.
- D)II e III, apenas.
A alternativa combina a afirmativa II, sobre a atuação do escudeiro e do lançador de granadas sob comando e sem improvisação, com a afirmativa III, que afasta a dotação de arma de fogo para todos os militares na operação. As duas ideias estão em sintonia com o controle de situações de conflito: organização em equipe, comando rígido e restrição do armamento letal para evitar escalada indevida da violência. Por isso, essa é a combinação compatível com o conteúdo técnico cobrado.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que I, II e III seriam verdadeiras. Isso não procede porque a I concede ao atirador autonomia para disparar sem autorização formal, o que contraria a disciplina operacional e as regras de uso da força em situações de conflito. Ainda que II e III estejam corretas, a incorreção da I impede que o conjunto inteiro seja aceito.
Gabarito: D
Em controle de situações de conflito, a atuação da equipe precisa seguir comando, regra de engajamento e cadeia de decisão. Ninguém sai atirando porque “sentiu que precisava”: o uso da força, especialmente de arma de fogo, exige autorização, critério e proporcionalidade, conforme a lógica das técnicas operacionais e dos protocolos de atuação. Isso derruba a afirmativa I, porque ela transforma decisão individual em licença automática para disparar, o que não se sustenta. A afirmativa II está correta porque funções como escudeiro e lançador de granadas são papéis táticos integrados à tropa, com atuação coordenada e sem improviso. Em operações dessa natureza, a disciplina operacional é essencial: cada militar cumpre sua missão dentro do plano definido pelo comando, nada de inventar moda no meio da confusão. A afirmativa III também está correta. Em contextos de controle de conflito, o armamento de fogo não deve ser distribuído como se todos fossem portar e usar indistintamente. A doutrina de emprego gradual da força e a segurança operacional indicam que a dotação deve ser controlada, restrita aos militares designados e compatível com a missão. Por isso, o gabarito é a letra D: apenas as afirmativas II e III estão certas. A FGV costuma cobrar exatamente essa ideia de hierarquia, controle e limitação do uso da força, especialmente quando a alternativa tenta “romantizar” a ação individual do agente.