O analista de transportes de uma cidade de médio porte do interior do estado recebeu uma solicitação para fazer o estudo de um novo sistema de transporte público, pois o município enfrenta desafios como congestionamentos em horários de pico, baixa oferta de transporte coletivo e alto custo de deslocamento para os cidadãos. A proposta prévia é de implementar um sistema de transporte integrado, combinando ônibus de faixa exclusiva e bicicletas compartilhadas. Considerando o planejamento de sistemas de transporte, assinale, a seguir, a melhor abordagem para a análise da viabilidade desse projeto.
- A)Substituir a proposta por um aumento na frota de veículos particulares, pois isso irá reduzir o tempo de deslocamento dos cidadãos sem necessidade de investimento público em transporte coletivo; realizar estudos e acompanhamento do aplicado para verificar a viabilidade.
Errada, porque ampliar o uso de veiculos particulares piora a demanda viaria e nao substitui o estudo tecnico nem o planejamento de transporte coletivo.
- B)Priorizar a implementação das bicicletas compartilhadas como solução principal, pois esse modal é sustentável e de baixo custo operacional, eliminando a necessidade de investimentos em infraestrutura viária e qualquer estudo prévio, pois o importante é sanar rapidamente o problema.
Errada, porque bicicletas compartilhadas podem complementar a mobilidade, mas nao dispensam estudos de demanda, infraestrutura e viabilidade do sistema.
- C)Realizar estudos de demanda; avaliar os impactos sociais e ambientais antes da implementação; delimitar cenários de implementação do novo sistema com horizontes temporais; fazer análises de custo-benefício ou de viabilidade financeira da proposta para o município e encaminhar para o órgão.
Certa, pois apresenta a sequencia correta de planejamento: estudo de demanda, analise de impactos, cenarios de implantacao e avaliacao economico-financeira.
- D)Implementar imediatamente o sistema de ônibus em faixas exclusivas, sem necessidade de estudos prévios, visto que a experiência de outras cidades demonstra a eficiência desse modelo de transporte e não necessita fazer nenhum estudo prévio, basta transladar a experiência da outra cidade para essa.
Errada, porque implantar sem estudos previos ignora a etapa de planejamento e inviabiliza avaliar se a experiencia de outra cidade realmente se adapta ao contexto local.
Gabarito: C
Quando voce pensa em planejamento de transporte urbano, a ideia nao e “jogar uma solucao na rua e torcer para dar certo”. Antes de implantar um sistema novo, o caminho tecnico pede diagnostico: entender a demanda, onde as pessoas se deslocam, em que horarios, quanto custa, quem sera beneficiado e quais impactos surgirao no transito, no meio ambiente e no bolso do municipio. Isso vale ainda mais quando a proposta mistura modais, como onibus em faixa exclusiva e bicicletas compartilhadas, porque a integração precisa fazer sentido operacional e financeiro. A banca acertou ao apontar a alternativa C porque ela descreve exatamente a logica de estudo de viabilidade em transporte: levantar demanda, avaliar impactos sociais e ambientais, montar cenarios com horizontes temporais e comparar custos e beneficios. Em outras palavras, nao basta a ideia parecer boa no papel; e preciso verificar se ela funciona na pratica e se cabe no orçamento publico. Esse raciocinio conversa com principios basicos da administracao publica, como planejamento, eficiencia e motivacao do ato administrativo. Tambem se alinha ao uso de estudos tecnicos que embasam decisoes de infraestrutura e mobilidade urbana, especialmente em projetos que podem alterar a acessibilidade da cidade e o padrao de deslocamento da populacao. As demais alternativas pecam por querer pular a etapa mais importante: a analise previa. Em transporte, improviso costuma virar congestionamento com maquiagem nova. Planejar bem evita gastar muito para resolver pouco.