Com relação à criança com paralisia cerebral e ao tratamento de Terapia Ocupacional, é CORRETO afirmar que:
- A)o atendimento da Terapia Ocupacional, quando realizado logo após o diagnóstico, tem como objetivo promover apenas a coordenação motora.
Errada, porque a Terapia Ocupacional não tem como objetivo apenas a coordenação motora, mas sim a funcionalidade, participação e independência da criança.
- B)a paralisia cerebral é uma desordem do movimento e da postura devido a uma lesão do cérebro imaturo. O terapeuta ocupacional irá promover uma melhora na postura, já que se trata de uma patologia progressiva.
Errada, porque a paralisia cerebral decorre de lesão no cérebro imaturo, mas não é uma patologia progressiva; a atuação do terapeuta ocupacional busca funcionalidade e manejo do tônus, não apenas “melhora da postura” por progressão da doença.
- C)na criança com paralisia cerebral espástica, o tratamento da Terapia Ocupacional terá como objetivo orientar posturamento correto, evitando, assim, estiramento individual dos músculos, movimentos passivos e posturas que aumentem a espasticidade.
Certa, pois na paralisia cerebral espástica o cuidado inclui posicionamento adequado, prevenção de encurtamentos e evitação de posturas e manejos que aumentem a espasticidade.
- D)o tratamento da Terapia Ocupacional pouco irá interferir no desenvolvimento normal da criança, pois o tônus da criança com paralisia cerebral é normal, e, apenas, as reações de equilíbrio são anormais.
Errada, porque a criança com paralisia cerebral pode apresentar alterações importantes de tônus, postura e controle motor, e a Terapia Ocupacional interfere diretamente no desenvolvimento funcional.
Gabarito: C
A paralisia cerebral é uma condição neurológica causada por uma lesão no cérebro imaturo, geralmente não progressiva, que afeta principalmente movimento, postura e, muitas vezes, tônus muscular e coordenação. Na Terapia Ocupacional, o foco não é “corrigir só um pedaço”, como coordenação motora isolada, mas favorecer funcionalidade, independência e participação da criança nas atividades do dia a dia, como brincar, se alimentar, se vestir e se posicionar melhor no ambiente. No caso da paralisia cerebral espástica, a espasticidade aumenta o tônus muscular e pode gerar posturas viciosas, encurtamentos e dificuldade de movimento. Por isso, o terapeuta ocupacional trabalha com orientações de posicionamento, manuseio, adaptação de atividades, prevenção de deformidades e estímulo às habilidades funcionais, sempre evitando posturas e estímulos que piorem a hipertonia. A alternativa C está correta porque descreve justamente essa lógica do atendimento: orientar o posturamento adequado, reduzir riscos de encurtamento muscular e evitar movimentos passivos e posições que aumentem a espasticidade. Em outras palavras, não é só “mexer o músculo”, é organizar o corpo da criança para que ela consiga agir com mais conforto e autonomia. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos de prova: a paralisia cerebral não é progressiva e o tônus não é normal. Então, quando a banca mistura “lesão do cérebro imaturo” com ideia de piora progressiva ou reduz o papel da Terapia Ocupacional a uma única função, ela está tentando te pegar no detalhe.