Luana, uma adolescente de 15 anos diagnosticada com osteossarcoma em estágio IV, apresenta metástases pulmonares e dor crônica intensa, além de perda significativa de mobilidade e força nos membros inferiores. Internada na enfermaria pediátrica, ela expressa o desejo de continuar participando de atividades relacionadas aos seus interesses, como desenhar e interagir com amigos por meio de redes sociais. Com base nesse cenário, a prioridade do terapeuta ocupacional no cuidado a Luana é
- A)desenvolver um plano de reabilitação motora focado na recuperação funcional dos membros inferiores.
Errada, porque prioriza recuperação motora como se o objetivo principal ainda fosse reabilitação funcional plena, o que não condiz com o estágio avançado da doença e com o foco paliativo.
- B)garantir o uso de órteses e dispositivos para manter o alinhamento postural, mesmo que isso provoque desconforto.
Errada, porque impõe órteses e alinhamento postural mesmo com desconforto, quando a intervenção deve buscar conforto e não aumentar sofrimento.
- C)planejar intervenções direcionadas ao conforto físico, descartando o engajamento em atividades ocupacionais.
Errada, porque reduz o cuidado ao conforto físico e desconsidera o engajamento em atividades ocupacionais significativas, que é central na Terapia Ocupacional.
- D)propor adaptações e estratégias para permitir que Luana participe de atividades significativas, como desenhar e usar o celular, enquanto reduz dor e fadiga.
Certa, porque propõe adaptações para manter participação em atividades com significado, ao mesmo tempo em que reduz dor e fadiga.
- E)focar na orientação aos cuidadores, minimizando a participação de Luana nas decisões para evitar desgaste emocional.
Errada, porque exclui a adolescente das decisões e minimiza sua participação, o que contraria a abordagem centrada na pessoa e o respeito à autonomia possível.
Gabarito: D
Nesta questão, a lógica da Terapia Ocupacional em contexto oncológico pediátrico não é “fazer por fazer”, nem tentar uma reabilitação heroica que ignore o quadro clínico. Em cuidados paliativos, a prioridade é manter a qualidade de vida, preservar autonomia possível e favorecer participação em atividades significativas para a pessoa, mesmo diante de uma doença grave e progressiva. Luana tem dor crônica intensa, metástases pulmonares e perda funcional importante. Isso muda o foco da intervenção: o terapeuta ocupacional precisa adaptar tarefas, ambientes e recursos para que ela continue fazendo o que tem valor para ela, como desenhar e usar o celular. Ou seja, o objetivo é ocupar com sentido, sem aumentar sofrimento. Na prática, isso pode incluir posicionamento confortável, economia de energia, manejo de fadiga, adaptação de materiais para desenho, apoio postural, organização do leito e estratégias para acesso ao celular e às redes sociais. Em oncologia pediátrica, a ocupação significativa é parte do cuidado, não um luxo. A criança ou adolescente segue sendo sujeito de desejo, escolha e participação, inclusive no hospital. Por isso, o gabarito é a letra D: ela combina conforto, funcionalidade e engajamento ocupacional. Esse raciocínio conversa com os princípios dos cuidados paliativos, que valorizam qualidade de vida, alívio do sofrimento e atenção integral à pessoa e à família, além do ECA, que assegura à criança e ao adolescente dignidade, respeito e participação conforme suas condições.